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O Palácio Burnay, na Rua da Junqueira, em setembro de 2024: grafitos na fachada e um elétrico a passar. Vitor Oliveira, CC BY-SA 4.0

Palácio Burnay (Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina)

Fachada cor-de-rosa e desbotada de um palácio com duas torres quadradas nos cantos e, ao centro, uma cúpula com lanterna; por baixo da cúpula, letras grafitadas. À frente, a tapar a parte de baixo, passa um elétrico comprido, amarelo e cinzento.
O Palácio Burnay, na Rua da Junqueira, em setembro de 2024: grafitos na fachada e um elétrico a passar. Vitor Oliveira, CC BY-SA 4.0

Alcântara

Palácio Burnay (Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina)

Comprado em 1940 pelo Ministério das Colónias, recebeu os conselhos do império e, em 1962, a antiga Escola Superior Colonial, rebatizada Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina: a escola dos administradores das colónias.

Hoje: Palácio à espera de reabilitação, aprovada em 2024 para sede da Museus e Monumentos de PortugalNum percurso
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O palácio, do início do século XVIII e também chamado dos Patriarcas, foi comprado em 1940 pelo Ministério das Colónias, que aqui instalou o Conselho Técnico de Fomento Colonial, a Junta das Missões Geográficas, a Inspeção Superior de Administração Colonial e o Conselho do Império Colonial.1 Em 1952 recebeu o I Congresso Nacional de Medicina Tropical.2

Em 1962 chegou a escola que formava os quadros da administração colonial. Nascida em 1906 na Sociedade de Geografia como Escola Colonial, chamada Escola Superior Colonial desde 1926 e instalada no Palacete dos Anjos, ao Príncipe Real, desde 1933, passara a Instituto Superior de Estudos Ultramarinos em 1954. O Presidente Américo Tomás inaugurou-a neste palácio a 20 de novembro de 1962; quatro dias depois, chamava-se Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina.3 Um dos professores da Escola Superior Colonial, António de Almeida, chefiara em 1940 as equipas que mediam as pessoas expostas no Jardim Colonial.4

Para o investigador Frederico Ágoas, as mudanças de nome da escola, depois de a revisão constitucional do início dos anos 50 ter consagrado as «províncias ultramarinas», foram antes de mais um esforço de «cosmética política e de propaganda» para defender o império; o palácio, que acolhia também o Conselho Ultramarino, tornou-se um dos lugares onde se enunciaram muitos lugares-comuns sobre a «índole dos portugueses» e a sua relação com os outros povos.1

Em 1974, o instituto deixou cair o «Política Ultramarina» do nome e passou a Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.3 Depois de o instituto sair, o palácio ficou ao abandono; em janeiro de 2024, o Governo aprovou 16 milhões de euros para o reabilitar como sede da Museus e Monumentos de Portugal.5

Nos percursos

Onde fica

Mapa com a localização de Palácio Burnay (Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina).

Palácio Burnay (Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina)Rua da Junqueira, 78, 1300-344 Lisboa

Datas

  1. 1940

    O Ministério das Colónias compra o palácio.

  2. 1952

    I Congresso Nacional de Medicina Tropical.

  3. 20 de novembro de 1962

    Américo Tomás inaugura aqui o Instituto Superior de Estudos Ultramarinos.

  4. 24 de novembro de 1962

    O instituto passa a Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina.

  5. 1974

    Passa a Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.

  6. 5 de janeiro de 2024

    O Governo aprova a reabilitação do palácio.

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    ColonialismoCultura e censuraMulheres
Notas sobre as fontes2
  • Em que ano o instituto deixou o palácio: as fontes consultadas não o dizem.
  • Se as obras de reabilitação anunciadas em 2024 já começaram.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Frederico Ágoas, Palácio Burnay – ISCSP(U): ideologia e ciência no ensino colonial. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
  2. 2Memórias do IHMT revisitadas nas coleções do Museu (1902-2022): 120 peças. Instituto de Higiene e Medicina Tropical — Universidade NOVA de Lisboa, 2022 — consultado a 3 de outubro de 2026
  3. 3Escola Colonial (1906-1974). Biblioteca Nacional de Portugal — TECOP, Textos e Contextos do Orientalismo Português — consultado a 3 de outubro de 2026
  4. 4Cláudia Castelo, Simulação e dissimulação do império colonial português em Belém, Lisboa (1940/2020): a secção colonial e o jardim botânico tropical. Anais do Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro), vol. 54, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
  5. 5Governo aprova recuperação do Palácio Burnay e extensão do Museu de Arte Antiga. Cultura Portugal — Governo da República Portuguesa, 2024 — consultado a 3 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (relação 8316064), consultado a 3 de outubro de 2026.