Alcântara
Palácio Burnay (Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina)
Comprado em 1940 pelo Ministério das Colónias, recebeu os conselhos do império e, em 1962, a antiga Escola Superior Colonial, rebatizada Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina: a escola dos administradores das colónias.
O palácio, do início do século XVIII e também chamado dos Patriarcas, foi comprado em 1940 pelo Ministério das Colónias, que aqui instalou o Conselho Técnico de Fomento Colonial, a Junta das Missões Geográficas, a Inspeção Superior de Administração Colonial e o Conselho do Império Colonial.1 Em 1952 recebeu o I Congresso Nacional de Medicina Tropical.2
Em 1962 chegou a escola que formava os quadros da administração colonial. Nascida em 1906 na Sociedade de Geografia como Escola Colonial, chamada Escola Superior Colonial desde 1926 e instalada no Palacete dos Anjos, ao Príncipe Real, desde 1933, passara a Instituto Superior de Estudos Ultramarinos em 1954. O Presidente Américo Tomás inaugurou-a neste palácio a 20 de novembro de 1962; quatro dias depois, chamava-se Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina.3 Um dos professores da Escola Superior Colonial, António de Almeida, chefiara em 1940 as equipas que mediam as pessoas expostas no Jardim Colonial.4
Para o investigador Frederico Ágoas, as mudanças de nome da escola, depois de a revisão constitucional do início dos anos 50 ter consagrado as «províncias ultramarinas», foram antes de mais um esforço de «cosmética política e de propaganda» para defender o império; o palácio, que acolhia também o Conselho Ultramarino, tornou-se um dos lugares onde se enunciaram muitos lugares-comuns sobre a «índole dos portugueses» e a sua relação com os outros povos.1
Em 1974, o instituto deixou cair o «Política Ultramarina» do nome e passou a Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.3 Depois de o instituto sair, o palácio ficou ao abandono; em janeiro de 2024, o Governo aprovou 16 milhões de euros para o reabilitar como sede da Museus e Monumentos de Portugal.5
Nos percursos
Onde fica
Mapa com a localização de Palácio Burnay (Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina).
Datas
1940
O Ministério das Colónias compra o palácio.
1952
I Congresso Nacional de Medicina Tropical.
20 de novembro de 1962
Américo Tomás inaugura aqui o Instituto Superior de Estudos Ultramarinos.
24 de novembro de 1962
O instituto passa a Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina.
1974
Passa a Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas.
5 de janeiro de 2024
O Governo aprova a reabilitação do palácio.
Perto daqui

610 m · 10 min a pé
Cordoaria Nacional (Hospital Colonial e Escola de Medicina Tropical)
Hoje: Cordoaria Nacional; no edifício funciona o Arquivo Histórico da Marinha
Na antiga Real Fábrica da Cordoaria instalaram-se em 1902 o Hospital Colonial e a Escola de Medicina Tropical: a medicina de que o império precisava, para tratar quem voltava doente de África e formar os médicos das colónias.
ColonialismoMulheres
870 m · 15 min a pé
Rua da Creche (local do assassinato de José Dias Coelho)
Hoje: Rua José Dias Coelho
Nesta rua de Alcântara, então Rua da Creche, agentes da PIDE mataram a tiro o escultor e dirigente comunista José Dias Coelho, a 19 de dezembro de 1961. A companheira, Margarida Tengarrinha, só soube da morte uma semana depois. A rua tem o seu nome desde 1975.
RepressãoOposiçãoCultura e censura
890 m · 15 min a pé
Doca de Alcântara (ataque ao cargueiro «Cunene»)
Hoje: Doca de Alcântara
Primeira ação da ARA, o braço armado do PCP: na noite de 26 de outubro de 1970, cargas explosivas abriram um rombo no cargueiro «Cunene», que levava armas e abastecimentos para a guerra colonial e ficou «alagado e imobilizado na doca de Alcântara».
OposiçãoColonialismo
910 m · 15 min a pé
Gare Marítima de Alcântara
Hoje: Gare marítima e Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas
Inaugurada em 1943 e pintada por Almada Negreiros, foi porta de partida e de chegada do império: daqui e da vizinha Rocha do Conde de Óbidos partiram soldados para a guerra colonial, e aqui se amontoaram, em 1975, os caixotes de quem regressava de África.
ColonialismoCultura e censuraMulheres
Notas sobre as fontes2
- Em que ano o instituto deixou o palácio: as fontes consultadas não o dizem.
- Se as obras de reabilitação anunciadas em 2024 já começaram.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1Frederico Ágoas, Palácio Burnay – ISCSP(U): ideologia e ciência no ensino colonial. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
- 2Memórias do IHMT revisitadas nas coleções do Museu (1902-2022): 120 peças. Instituto de Higiene e Medicina Tropical — Universidade NOVA de Lisboa, 2022 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 3Escola Colonial (1906-1974). Biblioteca Nacional de Portugal — TECOP, Textos e Contextos do Orientalismo Português — consultado a 3 de outubro de 2026
- 4Cláudia Castelo, Simulação e dissimulação do império colonial português em Belém, Lisboa (1940/2020): a secção colonial e o jardim botânico tropical. Anais do Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro), vol. 54, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 5Governo aprova recuperação do Palácio Burnay e extensão do Museu de Arte Antiga. Cultura Portugal — Governo da República Portuguesa, 2024 — consultado a 3 de outubro de 2026
Coordenadas: OpenStreetMap (relação 8316064), consultado a 3 de outubro de 2026.