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Resistênciapor Onofriana.pt

Pontinha e Famões (concelho de Odivelas), no limite com Carnide (Lisboa)

Posto de Comando do MFA – Regimento de Engenharia n.º 1 (Quartel da Pontinha)

Num anexo deste quartel funcionou, de 24 a 26 de abril de 1974, o Posto de Comando do MFA. Daqui Otelo Saraiva de Carvalho dirigiu as operações, e para aqui foi trazido Marcelo Caetano depois de se render. Hoje é núcleo museológico.

Hoje: Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA, no Quartel da PontinhaHá uma marca no localNum percurso
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O Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas (MFA) funcionou num anexo deste quartel do Regimento de Engenharia n.º 1, que o capitão Luís Macedo, oficial da unidade, preparara para a missão. Nas noites de 22 e 23 de abril de 1974, o Movimento montou às escondidas cerca de 4 km de cabo telefónico aéreo entre a central telefónica do Exército e o regimento.1 A 23, Otelo Saraiva de Carvalho, Garcia dos Santos e Jaime Neves reuniram-se no quartel, e o posto ficou pronto.3 A partir das 21h00 de 24, as escutas da Escola Prática de Transmissões às redes da GNR, da Legião Portuguesa, da DGS e da PSP, e aos telefones de ministros e chefes militares, chegavam aqui por linha direta.1

Às 22h00 de 24 de abril, o posto estava reunido: Otelo, o capitão-tenente Vítor Crespo, Sanches Osório e os tenentes-coronéis Garcia dos Santos e Fisher Lopes Pires; mais tarde chegou de Tomar o major Hugo dos Santos. O capitão Macedo garantia a segurança, e o major José Maria Azevedo dava apoio.12 As janelas foram tapadas com cobertores militares e a luz era discreta. Ao centro havia uma mesa de trabalho e, à volta, três mesas de apoio — uma com rádios, duas com telefones; num armário, pistolas e granadas. Para seguir o movimento das unidades, Otelo afixou cartas militares de Lisboa e arredores e o mapa das estradas do Automóvel Clube de Portugal.1

Daqui se comandou o dia 25. Às 4h26, com o aeroporto ocupado, o posto deu ordem ao Rádio Clube Português para ler o primeiro comunicado, e ao longo do dia o tenente-coronel Fisher Lopes Pires foi redigindo aqui outros, que a emissora difundia.2 Pelas 11h30, com os ministros refugiados no Quartel do Carmo e em Lanceiros 2, o posto mandou dividir as forças do Terreiro do Paço: uma coluna, com Jaime Neves, iria ao quartel da Legião Portuguesa, na Penha de França; outra, com Salgueiro Maia, ao Carmo, obter a rendição de Marcelo Caetano.2 À tarde, enquanto na rádio passava um comunicado do MFA lido por uma mulher, Clarisse Guerra, Otelo insistia daqui com Maia para que forçasse a rendição, e mandou-lhe recado pelo capitão Rosado da Luz: «Com autometralhadoras rebenta fechaduras do portão para verem que é a sério».1 Às 17h00, mandatou o general António de Spínola para ir receber a rendição de Caetano.5

Ao princípio da noite, o quartel encheu-se de presos. Os ministros do Exército, da Defesa e da Marinha, apanhados em Monsanto pela Escola Prática de Infantaria, foram trazidos para aqui. Spínola chegou com os membros do Governo presos no Carmo e saudou os oficiais: «Senhores oficiais, devo começar por informá-los que acabo de assumir o poder no Quartel do Carmo. Agora vamos ao trabalho».2 A chaimite «Bula» trouxe Marcelo Caetano e dois ministros, que ficaram aqui detidos até ao dia seguinte.5 A pedido de Otelo, Spínola convenceu o ministro do Interior preso, César Moreira Baptista, a telefonar ao diretor da DGS, Silva Pais, que se mostrou disposto a render-se se as Forças Armadas protegessem os agentes.2

Nessa noite reuniu-se aqui a Junta de Salvação Nacional, cujos membros foram chamados por telefone; o primeiro a chegar foi o general Costa Gomes. Pelas 23h00, na reunião com os oficiais que tinham redigido o Programa do MFA, Spínola quis revê-lo, e foi o capitão-tenente Vítor Crespo quem desfez o impasse: «os blindados e tropas ainda estão na rua, se for preciso continua-se com o golpe». A Junta designou Spínola Presidente da República, quando o combinado com o MFA era Costa Gomes. À 01h00 de 26 saiu daqui para os estúdios da RTP, e ao regressar retomou a discussão do Programa, que só acabou às 07h00: aceitaram-se as exigências de Spínola e Costa Gomes, e retirou-se do texto o «claro reconhecimento dos povos à autodeterminação e independência».2

O Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA abriu a 24 de abril de 2001, criado pela Câmara Municipal de Odivelas com o Regimento de Engenharia n.º 1. O edifício foi classificado como monumento nacional em 2015 e, depois de um ano fechado para obras, reabriu a 25 de abril de 2025.6

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Onde fica

Mapa com a localização de Posto de Comando do MFA – Regimento de Engenharia n.º 1 (Quartel da Pontinha).

Posto de Comando do MFA – Regimento de Engenharia n.º 1 (Quartel da Pontinha)Quartel da Pontinha, Av. do Regimento de Engenharia n.º 1, 1675-103 Pontinha

Datas

  1. 22 de abril de 1974

    Nas noites de 22 e 23 monta-se às escondidas o cabo telefónico entre a central do Exército e o regimento.

  2. 23 de abril de 1974

    Reunião de Otelo, Garcia dos Santos e Jaime Neves; o posto de comando fica pronto.

  3. 24 de abril de 1974, 22h00

    O posto de comando do MFA está reunido.

  4. 25 de abril de 1974, 17h00

    Otelo mandata Spínola para receber a rendição de Marcelo Caetano.

  5. 25 de abril de 1974

    Chegam Spínola e a chaimite «Bula», com Marcelo Caetano e dois ministros.

  6. 25 de abril de 1974, 23h45

    A Junta de Salvação Nacional, reunida no quartel, designa Spínola Presidente da República.

  7. 26 de abril de 1974, 01h00

    A Junta de Salvação Nacional sai para os estúdios da RTP.

  8. 26 de abril de 1974, 07h00

    Acaba a discussão do Programa do MFA, com as cedências a Spínola e Costa Gomes.

  9. 24 de abril de 2001

    Abre o núcleo museológico.

  10. 23 de outubro de 2015

    O edifício do posto de comando é classificado como monumento nacional.

  11. 25 de abril de 2025

    Reabre ao público, depois de um ano de obras.

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Notas sobre as fontes5
  • A patente de Sanches Osório: major (Associação 25 de Abril) ou capitão-tenente (Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril).
  • A hora a que Caetano chegou: a Associação 25 de Abril regista Spínola aqui, com os membros do Governo presos, às 20h30; a cronologia de Jofre Alves põe a chaimite «Bula» aqui às 21h00; a Comissão Comemorativa diz que, levantado o cerco às 19h30, a coluna levou hora e meia a fazer cerca de 11 km.
  • O diploma que classificou o edifício: a Câmara de Odivelas chama-lhe «Decreto-Lei n.º 21/2015, de 23 de outubro»; no Diário da República tem o título de Decreto n.º 21/2015.
  • O concelho: a morada é na Pontinha (Odivelas), mas o OpenStreetMap põe o ponto no limite com Carnide (Lisboa).
  • Se já foi posta no quartel a placa dos «Lugares de Abril» da Câmara de Lisboa e da Associação 25 de Abril: em março de 2024 esperava pelo fim das obras.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Operação Viragem Histórica. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Movimentações do dia 25 de Abril. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3MFA – Preparativos para a Acção, 23/04/1974 (Posto de Comando pronto). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4O 25 de Abril para os mais novos – Cronologia hora a hora. Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A. Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Núcleo Museológico do Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas (PCMFA). Câmara Municipal de Odivelas — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Inauguradas as últimas placas do Projeto «Lugares de Abril». Olhares de Lisboa, 2024 — consultado a 3 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.