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Resistênciapor Onofriana.pt
O Palácio da Mitra, em Marvila, em abril de 2026. GualdimG, CC BY-SA 4.0

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Palácio branco de dois pisos com telhado vermelho e um portal de pedra ao centro, ao fundo de um pátio, ao lado de um muro alto com uma balaustrada.
O Palácio da Mitra, em Marvila, em abril de 2026. GualdimG, CC BY-SA 4.0

Marvila

«Mitra» – Asilo da Mitra e 3.º Posto da 14.ª Esquadra da PSP

Junto ao Palácio da Mitra, antiga residência dos prelados de Lisboa, a Câmara abriu em 1933 o Asilo da Mitra, onde a polícia internava as crianças que apanhava a pedir. O posto policial da «Mitra» serviu de prisão aos marinheiros revoltosos de 1936.

Hoje: Palácio da MitraLocalização aproximada
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O Palácio da Mitra, também chamado Palácio Patriarcal de Marvila, é uma construção do princípio do século XVII na Rua do Açúcar. Foi residência dos prelados de Lisboa e ficou conhecido como a casa de D. Tomás de Almeida, o primeiro patriarca, entre 1716 e 1754. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, passou para a Fazenda Pública e, no princípio do século XX, acolheu uma fábrica de metalurgia e fundição. Em abril de 1930, a Câmara de Lisboa comprou o palácio, o terreno e os anexos: no terreno instalou o Asilo da Mitra, inaugurado em 1933; no palácio, a Biblioteca Municipal, em 1934, e depois o Museu da Cidade, de 1941 a 1973.1 Durante a ditadura, as crianças encontradas a mendigar eram recolhidas pela polícia e internadas no Albergue da Mitra.2

A «Mitra» tinha também um posto policial, o 3.º Posto da 14.ª Esquadra, na zona oriental da cidade, onde a polícia política deteve presos. Depois da revolta dos marinheiros de 8 de setembro de 1936, os marinheiros presos foram entregues à PVDE e recolheram aqui; a 18 de setembro passaram para a Penitenciária de Lisboa e, a 17 de outubro, embarcaram para o recém-criado campo do Tarrafal. Dois dos que passaram pela «Mitra» morreram no Tarrafal: o artilheiro Francisco José Pereira, a 20 de setembro de 1937, e o marinheiro Jacinto de Melo Faria Vilaça, a 3 de janeiro de 1941, com 26 anos.34

Onde fica

Mapa com a localização de «Mitra» – Asilo da Mitra e 3.º Posto da 14.ª Esquadra da PSP.

«Mitra» – Asilo da Mitra e 3.º Posto da 14.ª Esquadra da PSPRua do Açúcar, 64 (Palácio da Mitra), Poço do Bispo, 1950-408 Lisboa

Datas

  1. abril de 1930

    A Câmara de Lisboa compra o Palácio da Mitra.

  2. 1933

    Inauguração do Asilo da Mitra.

  3. 8 de setembro de 1936

    Marinheiros presos na revolta desse dia recolhem ao posto policial da «Mitra».

  4. 18 de setembro de 1936

    Os marinheiros passam para a Penitenciária de Lisboa.

  5. 17 out. 1936

    Os marinheiros revoltosos embarcam para o Tarrafal

Perto daqui

  • 2,4 km · 35 min a pé

    Alameda D. Afonso Henriques e Fonte Luminosa

    Hoje: Alameda D. Afonso Henriques / Fonte Monumental (Fonte Luminosa)

    Ponto de encontro do primeiro 1.º de Maio em liberdade, em 1974. A 19 de julho de 1975, foi aqui, junto à Fonte Luminosa, o comício do PS que se tornou um dos momentos decisivos do Verão Quente.

    RevoluçãoTrabalho
  • 2,4 km · 35 min a pé

    Casa da família Espírito Santo — sede do Centro de Estudos Africanos

    Na casa onde vivia a poeta são-tomense Alda do Espírito Santo instalou-se em 1951 o Centro de Estudos Africanos: Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade, Francisco José Tenreiro e outros reuniam-se aqui para «conhecer a África», longe dos olhos da PIDE.

    ColonialismoMulheresEstudantes
  • 2,6 km · 40 min a pé

    Comando da Legião Portuguesa

    No Largo da Penha de França estava, a 25 de Abril de 1974, o comando-geral da Legião Portuguesa, a milícia do regime criada em 1936, com uma rede de informadores e uma tropa de choque. Cercado pela coluna do major Jaime Neves, rendeu-se sem incidentes.

    RepressãoRevolução
Notas sobre as fontes4
  • Onde ficava exatamente o posto policial da «Mitra», e se funcionava no recinto do asilo: o ponto no mapa é o do palácio.
  • Se o «Albergue da Mitra», do Museu do Aljube, e o «Asilo da Mitra», da Toponímia de Lisboa, são a mesma instituição.
  • Numa lista de esquadras de Lisboa de 1922, publicada pelo Memória Comum, a 14.ª Esquadra fica no Beato, com postos em Chelas e nos Olivais, e não há posto na Mitra.
  • O número de polícia do palácio na Rua do Açúcar: 64 (Toponímia de Lisboa) ou 56 (OpenStreetMap).

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1O Beco da Mitra junto ao Palácio da Mitra. Toponímia de Lisboa – CML (17/9/2018) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (17/10/2020) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Francisco José Pereira (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Jacinto de Melo Faria Vilaça (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 530 Esquadras de Lisboa. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Os que ficaram pelo caminho (lista, páginas 1 a 7). Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.