Marvila
«Mitra» – Asilo da Mitra e 3.º Posto da 14.ª Esquadra da PSP
Junto ao Palácio da Mitra, antiga residência dos prelados de Lisboa, a Câmara abriu em 1933 o Asilo da Mitra, onde a polícia internava as crianças que apanhava a pedir. O posto policial da «Mitra» serviu de prisão aos marinheiros revoltosos de 1936.
O Palácio da Mitra, também chamado Palácio Patriarcal de Marvila, é uma construção do princípio do século XVII na Rua do Açúcar. Foi residência dos prelados de Lisboa e ficou conhecido como a casa de D. Tomás de Almeida, o primeiro patriarca, entre 1716 e 1754. Com a extinção das ordens religiosas, em 1834, passou para a Fazenda Pública e, no princípio do século XX, acolheu uma fábrica de metalurgia e fundição. Em abril de 1930, a Câmara de Lisboa comprou o palácio, o terreno e os anexos: no terreno instalou o Asilo da Mitra, inaugurado em 1933; no palácio, a Biblioteca Municipal, em 1934, e depois o Museu da Cidade, de 1941 a 1973.1 Durante a ditadura, as crianças encontradas a mendigar eram recolhidas pela polícia e internadas no Albergue da Mitra.2
A «Mitra» tinha também um posto policial, o 3.º Posto da 14.ª Esquadra, na zona oriental da cidade, onde a polícia política deteve presos. Depois da revolta dos marinheiros de 8 de setembro de 1936, os marinheiros presos foram entregues à PVDE e recolheram aqui; a 18 de setembro passaram para a Penitenciária de Lisboa e, a 17 de outubro, embarcaram para o recém-criado campo do Tarrafal. Dois dos que passaram pela «Mitra» morreram no Tarrafal: o artilheiro Francisco José Pereira, a 20 de setembro de 1937, e o marinheiro Jacinto de Melo Faria Vilaça, a 3 de janeiro de 1941, com 26 anos.34
Onde fica
Mapa com a localização de «Mitra» – Asilo da Mitra e 3.º Posto da 14.ª Esquadra da PSP.
Datas
abril de 1930
A Câmara de Lisboa compra o Palácio da Mitra.
1933
Inauguração do Asilo da Mitra.
8 de setembro de 1936
Marinheiros presos na revolta desse dia recolhem ao posto policial da «Mitra».
18 de setembro de 1936
Os marinheiros passam para a Penitenciária de Lisboa.
17 out. 1936
Os marinheiros revoltosos embarcam para o Tarrafal
Perto daqui

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Neste centro republicano da Calçada de Arroios, ainda na monarquia, Maria Veleda criou cursos noturnos gratuitos para ensinar mulheres a ler e a escrever; em 1907, o Grupo Português de Estudos Feministas dava aqui aulas a mulheres analfabetas.
MulheresRepública
Notas sobre as fontes4
- Onde ficava exatamente o posto policial da «Mitra», e se funcionava no recinto do asilo: o ponto no mapa é o do palácio.
- Se o «Albergue da Mitra», do Museu do Aljube, e o «Asilo da Mitra», da Toponímia de Lisboa, são a mesma instituição.
- Numa lista de esquadras de Lisboa de 1922, publicada pelo Memória Comum, a 14.ª Esquadra fica no Beato, com postos em Chelas e nos Olivais, e não há posto na Mitra.
- O número de polícia do palácio na Rua do Açúcar: 64 (Toponímia de Lisboa) ou 56 (OpenStreetMap).
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1O Beco da Mitra junto ao Palácio da Mitra. Toponímia de Lisboa – CML (17/9/2018) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (17/10/2020) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Francisco José Pereira (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
- 4Jacinto de Melo Faria Vilaça (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
- 530 Esquadras de Lisboa. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
- 6Os que ficaram pelo caminho (lista, páginas 1 a 7). Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
- 7Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.