Quartel de Lanceiros 2 / Regimento de Polícia Militar (Calçada da Ajuda)
No quartel de Lanceiros 2, na Calçada da Ajuda, instalou-se a 25 de abril de 1974 o posto de comando das forças fiéis ao regime, até os próprios soldados se porem do lado do Movimento. A 25 de novembro de 1975, os Comandos atacaram aqui o Regimento de Polícia Militar: houve três mortos.
Na manhã de 25 de abril de 1974, os ministros e chefes militares que fugiram do Ministério do Exército, no Terreiro do Paço, por uma parede aberta à picareta — os ministros do Exército, da Defesa e da Marinha, o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o governador militar de Lisboa e o almirante Henrique Tenreiro, entre outros — vieram para o Regimento de Lanceiros 2, na Calçada da Ajuda, onde ficou o posto de comando das forças fiéis ao regime.1 Jofre Alves situa a chegada às 9h40.3 Da Ajuda saíra já, ao amanhecer, a contra-ofensiva — cinco carros de combate M47 e autometralhadoras Panhard, com o brigadeiro Junqueira dos Reis, rumo ao Terreiro do Paço —, que se desfez quando os soldados se recusaram a disparar, na Ribeira das Naus e na Rua do Arsenal.21
Ao longo do dia, os oficiais subalternos, os sargentos e as praças da unidade exigiram a saída dos ministros e foram tomando posição contra o regime.32 Às 15h30, um helicóptero levou daqui os ministros da Defesa, da Marinha e do Exército para Monsanto, onde foram presos ao princípio da noite; só não levou também Marcelo Caetano porque no Quartel do Carmo não havia onde aterrar. Ao fim da tarde, uma coluna da Escola Prática de Artilharia, do capitão Mira Monteiro, cercou o quartel; dois aspirantes abriram os portões e disseram que os milicianos e as praças estavam com o Movimento. O comandante, coronel Pinto Bessa, e o major Cruz Azevedo recusaram aderir, e a força entrou sem incidentes.2
A 25 de novembro de 1975, os Comandos da Amadora, chefiados por Jaime Neves, ocuparam o Regimento da Polícia Militar, na Ajuda, depois de um confronto com três mortos, de um lado e do outro; o comando da Polícia Militar — os majores Campos Andrada, Mário Tomé e Cuco Rosa — foi preso.45 A Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril chama-lhe o ataque ao «quartel do Regimento de Lanceiros, na Ajuda», e contrapõe-no ao modo como Salgueiro Maia conduzira, no 25 de Abril, o cerco ao Quartel do Carmo.6
Aqui tomou posse, em 1970, a primeira mulher a fazer parte de um governo em Portugal. Em setembro de 1974, o palácio foi palco das reuniões tensas que levaram à renúncia de Spínola; a 25 de novembro de 1975, do posto de comando do Presidente Costa Gomes.
Nesta rua de Alcântara, então Rua da Creche, agentes da PIDE mataram a tiro o escultor e dirigente comunista José Dias Coelho, a 19 de dezembro de 1961. A companheira, Margarida Tengarrinha, só soube da morte uma semana depois. A rua tem o seu nome desde 1975.
Primeira ação da ARA, o braço armado do PCP: na noite de 26 de outubro de 1970, cargas explosivas abriram um rombo no cargueiro «Cunene», que levava armas e abastecimentos para a guerra colonial e ficou «alagado e imobilizado na doca de Alcântara».
Hoje: Rua Carolina Ângelo, Rua Virgínia Quaresma, Rua Aurora de Castro, Rua Alice Pestana, Rua Olga Morais Sarmento e outras
Em 1988, as ruas numeradas do Bairro de Caselas receberam nomes, muitos de mulheres pioneiras: Carolina Ângelo, a primeira a votar; Virgínia Quaresma, a primeira jornalista; Aurora de Castro, a primeira notária; as escritoras Alice Pestana e Olga Morais Sarmento; a pintora Sara Afonso.
Mulheres
Notas sobre as fontes4
Se o Regimento de Polícia Militar ocupava em 1975 o mesmo quartel de Lanceiros 2 (as fontes usam as duas designações), e o ponto exato na Calçada da Ajuda.
Os nomes dos três mortos de 25 de novembro de 1975.
A grafia do nome do major: «Campos Andrada» (Associação 25 de Abril, Jofre Alves) ou «Campos Andrade» (Comissão Comemorativa).
A hora a que o posto de comando do regime passou a funcionar aqui: a Associação 25 de Abril já o situa em Lanceiros 2 às 6h45; Jofre Alves dá a chegada dos ministros às 9h40.