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A entrada da Penitenciária de Lisboa, hoje Estabelecimento Prisional de Lisboa, na Rua Marquês de Fronteira, em 2016. Chester, CC BY 2.0

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Fachada amarela e branca de estilo acastelado, com duas torres brancas de ameias a ladear um portão verde, sob céu azul com nuvens.
A entrada da Penitenciária de Lisboa, hoje Estabelecimento Prisional de Lisboa, na Rua Marquês de Fronteira, em 2016. Chester, CC BY 2.0

Campolide

Penitenciária de Lisboa

Cadeia de delito comum que a polícia política usou para presos políticos, sobretudo em isolamento prolongado. Daqui partiram para o Tarrafal os marinheiros da revolta de 1936, e aqui morreu, em 1950, em greve de fome, o dirigente comunista Militão Ribeiro.

Hoje: Estabelecimento Prisional de Lisboa
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A Penitenciária de Lisboa, em Campolide, era uma cadeia de delito comum, mas a polícia política também a usou para presos políticos.3 O Memória Comum aponta «algumas celas da Penitenciária», ao lado dos curros do Aljube, como exemplo maior dos longos períodos de isolamento que acompanhavam a tortura, para cortar ao preso as ligações ao mundo e o diminuir.1 Visto de cima, o edifício, de seis alas, lembra uma estrela; é aqui que se passa o romance «A Estrela de Seis Pontas», que Álvaro Cunhal publicou com o pseudónimo de Manuel Tiago.9

Depois da revolta dos marinheiros de 8 de setembro de 1936, os presos passaram pelo posto policial da «Mitra» e, a 18 de setembro, deram entrada na Penitenciária; a 17 de outubro embarcaram para o recém-criado campo de concentração do Tarrafal.76 A Penitenciária foi uma das prisões de onde saíram presos para o Tarrafal.8

Aqui morreram, entre outros, Américo Gomes, militante das Juventudes Comunistas, a 16 de março de 1934, aos 22 anos, depois de 14 meses de cativeiro; o fragateiro Aurélio Dias, militante do PCP, a 30 de outubro de 1934, depois de ter sido «violentamente torturado» — três dias depois, o Tribunal Militar Especial reduziu-lhe a pena para dois anos de prisão, «dada por expiada com a já sofrida»; e Senen Vasquez Albela, preso com os irmãos depois da Guerra Civil de Espanha e entregue aqui em 1941, que morreu em 1956, aos 38 anos.4 O anarquista Emídio Santana, preso depois do atentado contra Salazar de 1937, passou também pela Penitenciária.12

O dirigente comunista Militão Ribeiro foi preso a 25 de março de 1949 numa casa clandestina do Luso, com Álvaro Cunhal e Sofia Ferreira.11 A 10 de maio foi transferido para a Penitenciária. Doente, ficou nove meses em rigoroso isolamento, sem assistência médica digna desse nome; em cartas escritas dois meses antes de morrer, acusava a PIDE de «envenenamento». Fez greve de fome em protesto contra o regime prisional e morreu na prisão a 2 de janeiro de 1950, aos 54 anos.54

O edifício é hoje o Estabelecimento Prisional de Lisboa, classificado como monumento de interesse público; a Wikipédia dava como previsto o seu encerramento em 2026.9

Onde fica

Mapa com a localização de Penitenciária de Lisboa.

Penitenciária de LisboaRua Marquês de Fronteira, 5, 1099-011 Lisboa (segundo o OpenStreetMap)

Datas

  1. 16 de março de 1934

    Morre na Penitenciária o jovem preso Américo Gomes.

  2. 30 de outubro de 1934

    Morre o fragateiro Aurélio Dias, depois de ter sido torturado.

  3. 18 de setembro de 1936

    Os marinheiros da revolta de 8 de setembro dão entrada na Penitenciária.

  4. 17 de outubro de 1936

    Os marinheiros embarcam para o Tarrafal.

  5. 10 de maio de 1949

    Militão Ribeiro é transferido para a Penitenciária.

  6. 2 de janeiro de 1950

    Militão Ribeiro morre na prisão, em greve de fome.

  7. 25 mar. 1949

    PIDE prende Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira

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    MulheresRepressão
Notas sobre as fontes3
  • A data de inauguração da Penitenciária, no fim do século XIX.
  • O dia da morte de Militão Ribeiro: 2 de janeiro de 1950 (Museu do Aljube, Memória Comum) ou 3 de janeiro (Wikidata). Ficou o 2 de janeiro.
  • Se a prisão fechou de facto em 2026, como previa a notícia citada pela Wikipédia.

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Fontes

  1. 1A tortura como sistema. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 27. Isolamento e «celas disciplinares». Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Cárceres do império. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Os que ficaram pelo caminho (lista, páginas 1 a 7). Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Militão Bessa Ribeiro (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Francisco José Pereira (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Jacinto de Melo Faria Vilaça (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Colónia Penal do Tarrafal (Prisões da Ditadura). Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Estabelecimento Prisional de Lisboa. Wikipédia (ponto de partida) — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Prisão de Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  12. 12Emídio Santana. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 3 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.