O Estádio 1.º de Maio, do INATEL — o antigo Estádio da FNAT —, em 2007.Paulo Juntas, CC BY-SA 2.5
Alvalade
Estádio da FNAT (rebatizado Estádio 1.º de Maio)
No primeiro 1.º de Maio em liberdade, uma semana depois da revolução, o desfile de Lisboa acabou num comício neste estádio da FNAT, que nesse dia passou a chamar-se Estádio 1.º de Maio. No comício, Mário Soares abraçou Álvaro Cunhal.
Hoje: Estádio 1.º de MaioLocalização aproximadaNum percurso
O estádio era da FNAT, a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho. A 27 de abril de 1974, dois dias depois da revolução, o Decreto-Lei n.º 175/74 fez do 1.º de Maio feriado nacional obrigatório, com entrada em vigor imediata.1 Foi, nas palavras do Museu do Aljube, a primeira conquista legal depois da revolução.2
Quatro dias depois, houve grandes manifestações em pelo menos 78 localidades, e cerca de um milhão de pessoas saíram à rua.1 Em Lisboa, o desfile juntou-se na Alameda D. Afonso Henriques e seguiu pelas ruas até aqui; o estádio da FNAT passou nesse dia a chamar-se Estádio 1.º de Maio.12 O Centro de Documentação 25 de Abril conta cerca de 500 mil pessoas na manifestação de Lisboa.3
O comício fez-se sob o lema «Paz, Pão e Liberdade». Falaram dirigentes sindicais — Manuel Correia Lopes, Jerónimo Franco, Gomes Peres e José Nunes Lourenço —, delegados de organizações estrangeiras e conhecidos opositores do regime deposto: Pereira de Moura, pelo MDP, o arquiteto Nuno Teotónio Pereira, pelos católicos progressistas, e os dois líderes chegados do exílio nesses dias, Mário Soares, do PS, e Álvaro Cunhal, do PCP. Soares saudou as Forças Armadas e todos os partidos, «sem nenhuma exceção nem nenhuma discriminação», e abraçou Cunhal; Cunhal aclamou os militares e as primeiras medidas «para liquidar a ditadura fascista e instaurar a liberdade». A Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril chama-lhe o primeiro e o último 1.º de Maio em unidade.1
Terceiro capítulo do filme de Alfredo Cunha (música de Rodrigo Leão, realização de Miguel Brugo), publicado pela Comissão a 14 de fevereiro de 2024, com fotografias dos meses que se seguiram à revolução. No livro, esta parte tem texto de Fernando Rosas e inclui o comício do primeiro 1.º de Maio em liberdade, no estádio da FNAT.
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Aqui rebentou, a 4 de julho de 1937, a bomba com que anarquistas quiseram matar Salazar quando chegava à missa na capela do amigo Josué Trocado. O ditador saiu ileso; a polícia prendeu e torturou quem nada tinha a ver com o caso.
Hoje: Cidade Universitária – Universidade de Lisboa
Aqui começou a crise académica de 1962: proibido o Dia do Estudante, a 24 de março, a polícia de choque carregou sobre os estudantes. Nos plenários que se seguiram, Isabel do Carmo foi a primeira mulher a tomar a palavra.
Hoje: Instituto Superior Técnico – Universidade de Lisboa
O campus de Pardal Monteiro foi palco de plenários decisivos do movimento estudantil: aqui se suspendeu o luto de 1962, aqui a PIDE invadiu a associação de estudantes em 1968, e aqui se decidiu, em 1972, ir em massa ao funeral de Ribeiro Santos.
Na crise académica de 1962, o reitor era Marcelo Caetano: da varanda da Reitoria defendeu a autonomia da universidade e, quando o Governo voltou a proibir o Dia do Estudante, demitiu-se. O terreiro em frente encheu-se de plenários de estudantes.
EstudantesOposição
Notas sobre as fontes2
O número de pessoas na manifestação de Lisboa: cerca de 500 mil, segundo o CD25A, que não indica de onde vem a estimativa.
Quem gere hoje o estádio (a Fundação INATEL, herdeira da FNAT?).