No ginásio deste liceu, a 18 de maio de 1958, Humberto Delgado fez um comício da campanha presidencial, e a violência policial repetiu-se depois. Em 1945, foi aqui que os estudantes das colónias derrubaram a direção imposta à sua Casa.
O Liceu de Camões abriu a 16 de outubro de 1909, no Largo do Matadouro Municipal, sob críticas por ficar longe e ser de difícil acesso: três anos depois, o sítio continuava ermo, só com o Matadouro e a Escola de Medicina Veterinária por perto. Por ele passaram, entre muitos outros, Álvaro Cunhal, Marcelo Caetano e o filólogo Lindley Cintra.3
Em 1945, numa assembleia geral no liceu, a maioria dos sócios da Casa dos Estudantes do Império derrubou a primeira direção, que o Ministério das Colónias nomeara.4
A 18 de maio de 1958, em plena campanha presidencial, Humberto Delgado discursou num comício no ginásio do liceu; o texto do discurso guarda-se no espólio de Manuel Mendes, na Casa Comum.1 Nas palavras do jornalista João Paulo Guerra, as cenas de violência policial da chegada do general a Lisboa «voltaram a verificar-se dias mais tarde, após o comício de Humberto Delgado no Liceu Camões».2
Hoje é a Escola Secundária de Camões, e o edifício é monumento de interesse público desde 2012.3
Aqui funcionava, a 28 de maio de 1911, a assembleia de voto de São Jorge de Arroios. Foi nela que a médica Carolina Beatriz Ângelo, inscrita por ordem de um juiz, se tornou a primeira mulher a votar em Portugal.
Sede da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, que de 1935 a 1952 juntou mulheres pela paz e pelos seus direitos — de Maria Lamas, sua presidente, a Stella Piteira Santos, Isabel Aboim Inglez e Maria Alda Nogueira. O ministro do Interior dissolveu-a em 1952.
Criada pelo regime em 1944 para cultivar a «unidade imperial» entre os estudantes vindos das colónias, tornou-se escola de oposição e de anticolonialismo: por aqui passaram Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Alda do Espírito Santo. A PIDE fechou-a em 1965.
Neste centro republicano da Calçada de Arroios, ainda na monarquia, Maria Veleda criou cursos noturnos gratuitos para ensinar mulheres a ler e a escrever; em 1907, o Grupo Português de Estudos Feministas dava aqui aulas a mulheres analfabetas.
MulheresRepública
Notas sobre as fontes1
Se a violência policial que João Paulo Guerra situa «após o comício de Humberto Delgado no Liceu Camões» foi a 18 de maio de 1958, ou se houve mais do que uma sessão da campanha no liceu.