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Um prédio de esquina do Largo do Calvário, em Alcântara, junto à Rua José Dias Coelho, em 2025. Vitor Oliveira, CC BY-SA 4.0

Rua da Creche (local do assassinato de José Dias Coelho)

Prédio branco de esquina, de quatro andares, com varandas de ferro e lojas no rés-do-chão, sob céu azul com nuvens.
Um prédio de esquina do Largo do Calvário, em Alcântara, junto à Rua José Dias Coelho, em 2025. Vitor Oliveira, CC BY-SA 4.0

Alcântara

Rua da Creche (local do assassinato de José Dias Coelho)

Nesta rua de Alcântara, então Rua da Creche, agentes da PIDE mataram a tiro o escultor e dirigente comunista José Dias Coelho, a 19 de dezembro de 1961. A companheira, Margarida Tengarrinha, só soube da morte uma semana depois. A rua tem o seu nome desde 1975.

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O escultor e pintor José Dias Coelho entrou na clandestinidade em 1955, como funcionário do PCP. Na casa clandestina que partilhava com a mulher, Margarida Tengarrinha, também ela figura da resistência, funcionava o gabinete de falsificação de documentos do partido — bilhetes de identidade, licenças de bicicleta, cartas de condução, passaportes. A partir de 1960, os dois desenhavam ilustrações e cabeçalhos para publicações clandestinas como «A Voz das Camaradas» e o «Avante!». Dias Coelho pertencia à direção da organização de Lisboa e era o responsável pelo setor intelectual do partido.2

A 19 de dezembro de 1961, os agentes da PIDE António Domingues, Manuel Lavado e Pedro Ferreira, da brigada de José Gonçalves, emboscaram-no na Rua dos Lusíadas, junto ao Largo do Calvário. Dias Coelho fugiu a correr e meteu por esta rua, então Rua da Creche; os agentes cercaram-no e dispararam dois tiros em frente ao n.º 30 — um à queima-roupa, no peito, e outro já com ele caído.1 Segundo o jornal da Voz do Operário, só duas horas depois os agentes o levaram, moribundo, para o Hospital da CUF.5 Tinha 38 anos.2

Margarida Tengarrinha, que continuava na clandestinidade, só soube uma semana depois: «Quando, no início da noite de 26 de dezembro de 1961, num encontro de rua, um camarada me informou que o Zé tinha sido assassinado a tiro pela PIDE, não consegui acreditar.» O enterro tinha sido nesse dia, no cemitério de Benfica. Decidiu então, escreveu, «não deixar morrer a sua memória».3 José Afonso evocou o crime na canção «A Morte Saiu à Rua».2

Depois do 25 de Abril, a pedido da Junta de Freguesia de Alcântara, um edital de 17 de fevereiro de 1975 deu à Rua da Creche o nome de José Dias Coelho. A Junta queria que a legenda dissesse «militante do Partido Comunista assassinado pela PIDE em 1961», mas a Comissão de Toponímia não admitiu referências a organizações políticas, e a legenda ficou «Escultor e militante antifascista/1923 – 1961».4 No lugar do crime está hoje inscrita a frase da última gravura de Dias Coelho, dedicada ao operário Cândido Martins Capilé, morto numa manifestação: «De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas». Todos os anos, a 19 de dezembro, o PCP faz ali uma homenagem.5

No arquivo

  • Testemunho de Margarida Tengarrinha recolhido pelo Museu do Aljube a 8 de março de 2017, publicado em 2021. Pelas palavras-chave do museu, percorre o MUD Juvenil, a vida clandestina no PCP, o aparelho de falsificação de documentos, a imprensa clandestina e José Dias Coelho.

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    Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Onde fica

Mapa com a localização de Rua da Creche (local do assassinato de José Dias Coelho).

Rua da Creche (local do assassinato de José Dias Coelho)Rua José Dias Coelho, 30 (antiga Rua da Creche), Alcântara, Lisboa

Datas

  1. 19 de dezembro de 1961

    José Dias Coelho é morto a tiro pela PIDE em frente ao n.º 30 da Rua da Creche.

  2. 26 de dezembro de 1961

    Enterro no cemitério de Benfica; Margarida Tengarrinha sabe da morte nesse dia.

  3. 20 de dezembro de 1974

    Parecer favorável da Comissão Municipal de Toponímia.

  4. 17 de fevereiro de 1975

    Edital que dá à Rua da Creche o nome de José Dias Coelho.

Pessoas ligadas a este lugar

Perto daqui

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    Doca de Alcântara (ataque ao cargueiro «Cunene»)

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    Na noite de 26 de abril de 1974, o ajudante de campo de Spínola veio aqui consultar a Junta de Salvação Nacional e levou daqui para Caxias a ordem de libertar todos os presos políticos. Aqui Spínola recebeu também Mário Soares, chegado do exílio, e os banqueiros.

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    Hoje: Calçada Ribeiro Santos (antiga Calçada de Santos)

    Aqui viveu José António Ribeiro Santos, o estudante morto pela DGS em 1972; daqui partiu o funeral, que foi uma das maiores manifestações da fase final da ditadura. A rua tem o seu nome desde o primeiro edital de toponímia depois do 25 de Abril.

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    Revolução
Notas sobre as fontes4
  • O ponto no mapa marca a rua, não o n.º 30, que não está identificado no OpenStreetMap.
  • A hora do crime: «ao princípio da noite» (A Voz do Operário) ou «em pleno dia» (Toponímia de Lisboa).
  • Quantos agentes: três, nomeados pelo Memória Comum, ou cinco, saídos de uma viatura, segundo A Voz do Operário.
  • Onde e em que suporte está inscrita a frase de Dias Coelho no lugar do crime, e desde quando.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1José António Dias Coelho. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2José António Dias Coelho (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Assassinato de José Dias Coelho. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4O pintor saiu a uma Rua de Alcântara num dia assim. Toponímia de Lisboa – CML (19/6/2013) — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5A PIDE assassinou Dias Coelho há 60 anos. Voz do Operário (6/12/2021) — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Os que ficaram pelo caminho (lista, páginas 1 a 7). Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.