Santa Maria Maior
Café Gelo
Café do Rossio onde, entre 1957 e 1962, se reunia o «Grupo do Café Gelo», de poetas e pintores dissidentes; o grupo foi proibido de lá entrar depois do 1.º de Maio de 1962.
O Café Gelo, no Rossio, tinha uma longa fama conspirativa: segundo a Wikipédia, foi daqui que saíram, a 1 de fevereiro de 1908, Alfredo Costa e Manuel Buíça, os regicidas.
Entre 1957 e 1962, o café foi ponto de encontro de um grupo de escritores e artistas que chegou a ter quase trinta membros — entre eles Herberto Helder, António José Forte, Manuel de Lima, Natália Correia, António Gancho, Manuel de Castro, Pedro Oom, Mário Cesariny, Manuel Cargaleiro, Carlos Fernandes e Luiz Pacheco. Segundo a Wikipédia, que cita uma entrevista ao Público (2017), o escritor Hélder Macedo, que dele fez parte, explicou que o núcleo inicial não era surrealista: o que tinham em comum era «uma atitude de dissidência, de não pactuar», em termos políticos, sociais, morais ou sexuais.
As reuniões acabaram em 1962. Segundo a Wikipédia, no 1.º de Maio desse ano, durante a manifestação violentamente reprimida na Baixa, membros do grupo terão atirado açucareiros de metal contra a polícia de choque, que entrou no café e agrediu quem lá estava; o gerente foi chamado à esquadra e o grupo ficou proibido de frequentar o Gelo, passando a reunir-se no Café Palladium, na Avenida da Liberdade.
O café mudou várias vezes de configuração; segundo a mesma fonte, em 2024 tornou-se uma marisqueira.
Nos percursos
Onde fica
Mapa com a localização de Café Gelo.
Datas
1957
Início das reuniões do «Grupo do Café Gelo» (até 1962).
1 de maio de 1962
Incidente com a polícia de choque durante a manifestação do 1.º de Maio; o grupo é proibido de frequentar o café.
Pessoas ligadas a este lugar
Perto daqui

100 m · 5 min a pé
Café Chave d'Ouro
Hoje: Uma agência da Caixa Geral de Depósitos
No primeiro andar deste café do Rossio, a 10 de maio de 1958, Humberto Delgado respondeu «Obviamente, demito-o!» quando lhe perguntaram o que faria a Salazar se fosse eleito.
Oposição
100 m · 5 min a pé
Rossio (Praça de D. Pedro IV)
Hoje: Praça D. Pedro IV
No Rossio, a GNR carregou sobre os apoiantes de Humberto Delgado em 1958 e a polícia reprimiu o 1.º de Maio de 1962. A 25 de abril de 1974, passou aqui, entre a multidão, a coluna de Salgueiro Maia a caminho do Carmo.
OposiçãoTrabalhoEstudantes
140 m · 5 min a pé
Palácio da Independência – sede da Mocidade Portuguesa
Hoje: Palácio da Independência (Sociedade Histórica da Independência de Portugal)
No palácio onde se preparou o 1.º de Dezembro de 1640, o Estado Novo instalou a sede da Mocidade Portuguesa, a organização da juventude do regime. Extinta no próprio dia 25 de abril de 1974, deu lugar à Associação dos Deficientes das Forças Armadas.
Repressão
170 m · 5 min a pé
Igreja de São Domingos
Hoje: Igreja de São Domingos
Na passagem de 1968 para 1969, mais de cem católicos ficaram aqui em vigília contra a guerra colonial. Para essa noite, Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu a «Cantata da Paz»: «Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar».
OposiçãoColonialismoCultura e censura
Notas sobre as fontes3
- O episódio dos açucareiros no 1.º de Maio de 1962 só foi lido na Wikipédia (que cita Luiz Pacheco); confirmar no artigo do Observador «Café Gelo: os 60 anos de um grupo que nunca existiu» ou no Público (17/3/2017).
- Texto da placa à porta.
- A marisqueira que hoje ocupa o espaço (desde 2024) só é referida pela Wikipédia.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1Café Gelo. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Natália Correia. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.
