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A entrada do antigo campo de concentração do Tarrafal, na ilha de Santiago (Cabo Verde), hoje Museu da Resistência, em 2015. David Stanley, CC BY 2.0

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Portão em arco numa muralha baixa de pedra ocre, com escadas de ferro dos dois lados e uma cruz no alto; através do arco vê-se o interior do campo.
A entrada do antigo campo de concentração do Tarrafal, na ilha de Santiago (Cabo Verde), hoje Museu da Resistência, em 2015. David Stanley, CC BY 2.0

Tarrafal (Cabo Verde) · fora de Lisboa

Campo de Concentração do Tarrafal (Cabo Verde)

Campo de concentração aberto em 1936 na ilha de Santiago, em Cabo Verde, para onde foram deportados opositores presos em Lisboa. Fechou em 1954 e reabriu na guerra colonial para militantes dos movimentos de libertação africanos, até 1 de maio de 1974. É hoje o Museu da Resistência.

Hoje: Antigo campo de concentração do Tarrafal (Chão Bom), ilha de SantiagoHá uma marca no local
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A 5 de setembro de 1935, foi apresentado ao ministro do Interior o anteprojeto de uma colónia penal no norte da ilha de Santiago, em Cabo Verde, para 500 a 600 «colonos».1 Os primeiros presos partiram de Lisboa a 18 de outubro de 1936, nos porões do navio Luanda, e chegaram a 29 de outubro, ao fim de doze dias de viagem: comunistas, anarquistas e republicanos que estavam no Aljube, em Peniche, na Penitenciária de Lisboa e em Angra do Heroísmo, entre eles participantes da greve geral de 18 de janeiro de 1934 e da revolta dos marinheiros de 8 de setembro de 1936.21 Os marinheiros tinham estado presos no posto policial da «Mitra», na zona oriental de Lisboa, e depois na Penitenciária.9 Entre os presos que inauguraram o campo estava o dirigente comunista Militão Ribeiro.5

O Museu do Aljube chama-lhe o «campo da morte lenta», pensado para isolar os presos do mundo, em condições sub-humanas.2 Entre 1937 e 1939, o seu «período agudo», funcionou sistematicamente a «frigideira»: uma construção de cimento, sem janelas, exposta ao sol, onde a temperatura chegava aos 50 graus. Havia também a «Brigada Brava», de presos obrigados a trabalhos forçados, sobretudo a extrair pedra.1 O preso Edmundo Pedro lembrou a frigideira como «um forno autêntico».4

Depois da Segunda Guerra Mundial, o campo passou para o Ministério da Justiça, e 110 presos amnistiados deixaram a ilha a 25 de janeiro de 1946. A Comissão Comemorativa conta 32 presos mortos, de doença e das condições do campo, até 1949. O Tarrafal fechou a 1 de janeiro de 1954, e um decreto-lei de 7 de julho de 1956 extinguiu-o.1

Durante a guerra colonial, por ordem do ministro do Ultramar, Adriano Moreira, reabriu como Campo de Trabalho de Chão Bom, para militantes dos movimentos de libertação. Os primeiros 32 presos angolanos chegaram a 25 de fevereiro de 1962; no mesmo ano vieram 100 guineenses, e em 1968 os cabo-verdianos.1 A «frigideira» deu lugar à «holandinha», um cubículo de cimento junto à cozinha onde alguns presos nem conseguiam estar de pé.4 Aqui cumpria a pena de 14 anos o escritor José Luandino Vieira, acusado de lutar ao lado do MPLA, quando a Sociedade Portuguesa de Escritores premiou o seu livro «Luuanda», em 1965; só saiu em 1972.7

Depois do 25 de Abril, militantes e simpatizantes do PAIGC foram ao campo e, a 1 de maio de 1974, libertaram os presos angolanos, guineenses e cabo-verdianos.3 O antigo campo é hoje o Museu do Campo de Concentração do Tarrafal, também chamado Museu da Resistência, com um percurso que começa na antiga «porta de armas».8

No arquivo

Noutros arquivos

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Onde fica

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Campo de Concentração do Tarrafal (Cabo Verde)Chão Bom, Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde

Datas

  1. 5 de setembro de 1935

    Anteprojeto da colónia penal apresentado ao ministro do Interior.

  2. 29 de outubro de 1936

    Chegam os primeiros presos, vindos de Lisboa no navio Luanda.

  3. 25 de janeiro de 1946

    110 presos amnistiados deixam a ilha.

  4. 1 de janeiro de 1954

    O campo fecha.

  5. 25 de fevereiro de 1962

    Chegam os primeiros 32 presos angolanos ao Campo de Trabalho de Chão Bom.

  6. 1 de maio de 1974

    Militantes do PAIGC libertam os últimos presos.

  7. 18 jan. 1934

    Greve geral revolucionária de 18 de Janeiro de 1934
  8. 23 abr. 1936

    Decreto cria o campo de concentração do Tarrafal
  9. 18 jul. 1936

    Levantamento de Franco: começa a Guerra Civil de Espanha
  10. 17 out. 1936

    Os marinheiros revoltosos embarcam para o Tarrafal
  11. 26 jan. 1954

    Encerrado (pela primeira vez) o campo do Tarrafal
  12. 1961

    Tarrafal reabre para presos dos movimentos de libertação
  13. 21 maio 1965

    Extinção da Sociedade Portuguesa de Escritores e assalto à sede
  14. 18 fev. 1978

    Lisboa acompanha a trasladação dos mortos do Tarrafal

Pessoas ligadas a este lugar

Notas sobre as fontes4
  • Quantos presos vieram na primeira leva: 157 (Comissão Comemorativa) ou 152 (Museu do Aljube).
  • Quando reabriu o campo: a 14 de abril de 1961, segundo o Museu do Aljube; a Comissão Comemorativa só dá a chegada dos primeiros presos, a 25 de fevereiro de 1962.
  • Quantos presos morreram no Tarrafal na primeira fase: a Comissão Comemorativa fala de 32 mortos até 1949.
  • A temperatura dentro da «frigideira»: 50 graus (Comissão Comemorativa); perto dos 45, no testemunho de Edmundo Pedro (Memória Comum).

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Fontes

  1. 1Colónia Penal do Tarrafal (Prisões da Ditadura). Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Chegam ao Tarrafal os primeiros presos deportados. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3A libertação dos presos políticos em Portugal e nas colónias. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 47. Isolamento e «celas disciplinares». Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Militão Bessa Ribeiro (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Campo do Tarrafal (Q1031493), coordenadas P625. Wikidata — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Como a PIDE destruiu a Sociedade Portuguesa de Escritores. RTP Ensina — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Museu do Campo de Concentração do Tarrafal (Museu da Resistência). Instituto do Património Cultural (Cabo Verde) — consultado a 3 de outubro de 2026
  9. 9Francisco José Pereira (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: Wikidata, consultado a 2 de outubro de 2026.