O mais simbólico dos lugares de Abril. No Quartel do Carmo refugiou-se Marcelo Caetano na madrugada de 25 de abril de 1974; cercado pela coluna de Salgueiro Maia e por milhares de pessoas, entregou o poder ao general Spínola ao fim da tarde.
Hoje: Comando-Geral da GNR e Museu da Guarda Nacional RepublicanaHá uma marca no localNum percurso
Às cinco da manhã de 25 de abril de 1974, o diretor da polícia política, Silva Pais, telefonou a Marcelo Caetano: «Senhor Presidente, a Revolução está na rua!» — e aconselhou-o a ir para o quartel da GNR no Largo do Carmo. O presidente do Conselho chegou com o seu adjunto militar e juntaram-se-lhe o ministro Moreira Baptista e o almirante Henrique Tenreiro.2 Segundo a cronologia de Jofre Alves, foi Maria de Lurdes Rocha, chefe da limpeza e da lavandaria do quartel, quem preparou à pressa cinco quartos para o governo cercado.6
Cerca das 12h30, a coluna de Salgueiro Maia, que subira do Rossio pela Rua do Carmo entre a multidão, cercou o quartel. As pessoas levavam comida, leite e cigarros aos soldados. Ao início da tarde, forças fiéis ao regime tentaram envolver o dispositivo a partir do Largo de Camões, da Misericórdia e do Chiado; a chegada do Regimento de Cavalaria 3, de Estremoz, desfez a manobra.3
Às 15h10, por megafone, Maia deu dez minutos para a rendição; às 15h25, uma chaimite disparou rajadas contra o alto da fachada. Às 16h00 chegou um emissário com uma mensagem do general Spínola, e Caetano decidiu render-se — «assim o poder não cai na rua» —, pedindo que o poder fosse entregue a um oficial-general.1
Spínola chegou ao fim da tarde, de automóvel, entre a multidão que cantava o hino. Pouco depois das 18h30, a chaimite «Bula» entrou de marcha-atrás pela porta de armas e levou Caetano, Rui Patrício e Moreira Baptista para o quartel da Pontinha. O cerco foi levantado às 19h30.5 Já depois da rendição, a poucas centenas de metros, a DGS disparou sobre a multidão na Rua António Maria Cardoso.
O quartel tinha sido, logo a seguir ao golpe de 1926, a primeira casa da censura à imprensa: os serviços funcionaram aqui de 22 de junho de 1926 a 1934.10 A 11 de março de 1975, oficiais da GNR prenderam aqui o comandante-geral e outros oficiais fiéis ao Movimento das Forças Armadas, e o largo voltou a encher-se de gente.
Hoje o quartel acolhe o Museu da GNR. Na primavera de 2025, abriram-se ao público, de graça, o Salão Nobre, os gabinetes do comando e uma varanda sobre o Rossio.9
Com as cinco últimas placas, inauguradas a 24 de março de 2024, Lisboa passou a ter 25 a assinalar os lugares da ação do MFA no 25 de Abril de 1974 — o projeto «Lugares de Abril», da Câmara e da Associação 25 de Abril. A Câmara destaca o Largo do Carmo, «o local mais simbólico» de Abril.
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Segundo capítulo do filme feito com as fotografias que Alfredo Cunha tirou em Lisboa no dia 25 de Abril de 1974, com música de Rodrigo Leão e realização de Miguel Brugo, publicado pela Comissão a 14 de fevereiro de 2024. Segue o livro do mesmo nome, em que esta parte tem texto de Adelino Gomes e imagens da Ribeira das Naus, da Rua do Arsenal e do Largo do Carmo.
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Visita guiada ao Quartel do Carmo, transmitida em direto pela Câmara de Lisboa no Dia da Liberdade de 2022. Foi neste quartel que Marcelo Caetano se refugiou a 25 de abril de 1974 e onde, ao fim da tarde, entregou o poder ao general Spínola.
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Por esta rua subiu a coluna de Salgueiro Maia, do Rossio para o Largo do Carmo. Foi aqui, no princípio da rua, que Celeste Caeiro deu um cravo a um soldado que lhe pedia um cigarro — e o cravo tornou-se o símbolo da revolução.
No primeiro andar deste café do Rossio, a 10 de maio de 1958, Humberto Delgado respondeu «Obviamente, demito-o!» quando lhe perguntaram o que faria a Salazar se fosse eleito.
No Rossio, a GNR carregou sobre os apoiantes de Humberto Delgado em 1958 e a polícia reprimiu o 1.º de Maio de 1962. A 25 de abril de 1974, passou aqui, entre a multidão, a coluna de Salgueiro Maia a caminho do Carmo.
Café do Rossio onde, entre 1957 e 1962, se reunia o «Grupo do Café Gelo», de poetas e pintores dissidentes; o grupo foi proibido de lá entrar depois do 1.º de Maio de 1962.
Cultura e censuraOposiçãoRepressão
Notas sobre as fontes8
Hora de chegada de Caetano ao Carmo: 05h30 (Jofre Alves) ou 06h00 (Associação 25 de Abril).
Chegada de Spínola: 17h45 (Comissão Comemorativa, CD25A) ou 18h00 (Associação 25 de Abril); a entrega do poder é situada «pelas 18h30» na página Lugares de Abril.
Saída da «Bula»: 19h30 (CD25A) ou 19h35 (Associação 25 de Abril).
O pormenor sobre Maria de Lurdes Rocha só consta da cronologia de Jofre Alves.
Horário corrente do Museu da GNR e existência de placas evocativas no largo (não confirmados).
Código postal e número de polícia do quartel.
Marcas de memória do 25 de Abril no largo (placas, calçada) não verificadas nesta investigação, centrada na repressão.
Relação entre o quartel e o antigo Convento do Carmo: a Wikidata devolve o item «Convento do Carmo» (Q1470414) para «Quartel do Carmo»; não aprofundei.