Na noite de 26 de abril de 1974, o ajudante de campo de Spínola veio aqui consultar a Junta de Salvação Nacional e levou daqui para Caxias a ordem de libertar todos os presos políticos. Aqui Spínola recebeu também Mário Soares, chegado do exílio, e os banqueiros.
Na manhã de 26 de abril de 1974, uma força de paraquedistas tomou a cadeia de Caxias. A Junta de Salvação Nacional queria distinguir os presos «por motivos ideológicos» dos acusados de crimes comuns — uma ideia do general António de Spínola, difícil de pôr em prática —, e os presos responderam «ou todos ou ninguém». Perante o impasse, o coronel Dias de Lima, ajudante de campo de Spínola, veio à Cova da Moura consultar a Junta. Voltou a Caxias quando faltavam cinco minutos para a meia-noite, com a notícia de que os presos seriam libertados «na totalidade e imediatamente».1
A libertação começou às 00h30 de 27 de abril, diante de milhares de pessoas. Saíram, entre outros, as jornalistas Helena Neves e Elvira Nereu e Manuela Gil, empregada de escritório, condenada a dois anos «por alegada participação no movimento operário português», a quem faltavam três meses para cumprir a pena.1
A 28 de abril, Mário Soares, chegado do exílio em França com Maria Barroso, falou à multidão de uma varanda de Santa Apolónia e seguiu daí para o Palácio da Cova da Moura, para um encontro com Spínola.2 No dia seguinte, Spínola recebeu aqui representantes da banca: Miguel Quina, José Manuel de Melo, António Champalimaud e Ricardo Espírito Santo.3
Primeira ação da ARA, o braço armado do PCP: na noite de 26 de outubro de 1970, cargas explosivas abriram um rombo no cargueiro «Cunene», que levava armas e abastecimentos para a guerra colonial e ficou «alagado e imobilizado na doca de Alcântara».
Nesta rua de Alcântara, então Rua da Creche, agentes da PIDE mataram a tiro o escultor e dirigente comunista José Dias Coelho, a 19 de dezembro de 1961. A companheira, Margarida Tengarrinha, só soube da morte uma semana depois. A rua tem o seu nome desde 1975.
Hoje: Calçada Ribeiro Santos (antiga Calçada de Santos)
Aqui viveu José António Ribeiro Santos, o estudante morto pela DGS em 1972; daqui partiu o funeral, que foi uma das maiores manifestações da fase final da ditadura. A rua tem o seu nome desde o primeiro edital de toponímia depois do 25 de Abril.
A rádio oficial do regime foi ocupada na madrugada de 25 de abril de 1974 por uma pequena força do Campo de Tiro da Serra da Carregueira, para servir de emissora de reserva do MFA. Voltou a ser disputada a 11 de março e a 25 de novembro de 1975.
Revolução
Notas sobre as fontes2
Se a Junta de Salvação Nacional tinha aqui a sua sede: as fontes dizem só que o coronel Dias de Lima veio aqui consultá-la e que Spínola recebia aqui.