Saltar para o conteúdo
Resistênciapor Onofriana.pt
Fotografia a preto e branco de um homem calvo de óculos de massa escuros, com fato escuro, camisa branca e gravata, a olhar para a câmara.
Anefo, CC0 1.0

Pessoas

Marcelo Caetano

Revoluçãopresidente do Conselho de Ministros (1968-1974)
Nasceu
17 de agosto de 1906, Lisboa
Morreu
26 de outubro de 1980, Rio de Janeiro, Brasil

Último chefe de Governo do Estado Novo, refugiou-se no Quartel do Carmo na madrugada de 25 de abril de 1974 e, cercado, entregou o poder ao general Spínola. No dia seguinte foi levado para a Madeira.

Nasceu em Lisboa em 1906 e chefiava o Governo, como presidente do Conselho de Ministros, desde 1968.4 Às 5h00 de 25 de abril de 1974, o diretor da PIDE/DGS, Silva Pais, telefonou-lhe: «Senhor Presidente, a Revolução está na rua!» Num segundo telefonema aconselhou-o a sair de casa com a maior urgência e a ir para o quartel do Carmo, «que a GNR está fixe».21

No Quartel do Carmo passou o dia com o ministro do Interior, César Moreira Baptista, o dos Negócios Estrangeiros, Rui Patrício, e outros membros do Governo, enquanto a coluna de Salgueiro Maia cercava o quartel e uma multidão enchia o largo.21 A meio da tarde decidiu render-se — «assim o poder não cai na rua», desabafou —, mas não a um capitão: pediu que fosse um oficial-general a receber o poder e chamou ao Carmo o general Spínola.2 Ao fim da tarde entregou-lhe o poder e saiu do quartel na chaimite «Bula», devagar, entre a multidão, a caminho do Posto de Comando do MFA, na Pontinha.32

Na manhã de 26 de abril foi levado ao aeroporto, tal como o Presidente da República, Américo Tomás, e embarcou com os ex-ministros Silva Cunha e Moreira Baptista num avião da Força Aérea para o Funchal, onde ficaram com residência vigiada.2 Morreu no Rio de Janeiro em 1980.4

No arquivo

Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 5 abr. 1962

    Marcelo Caetano pede a demissão de reitor
  2. 27 set. 1968

    Marcelo Caetano sucede a Salazar na chefia do Governo
  3. 15 jul. 1973

    Caetano em Londres sob a denúncia de Wiriyamu
  4. 9 set. 1973

    Reunião no Monte do Sobral (Alcáçovas): nasce o Movimento dos Capitães
  5. 14 mar. 1974

    «Brigada do Reumático» e demissão de Spínola e Costa Gomes
  6. 25 abr. 1974

    Silva Pais avisa Caetano: «a Revolução está na rua»
  7. 25 abr. 1974

    Uma voz de mulher lê o comunicado do cerco ao Carmo
  8. 25 abr. 1974

    Emissários de Spínola entram no Carmo; Caetano aceita render-se
  9. 25 abr. 1974

    Spínola no Carmo; Caetano sai na chaimite «Bula»
  10. 26 abr. 1974

    Caetano e Tomás partem para o Funchal

Cruzaram-se com ele

  • António de Spínola

    1910–1996

    General e autor de «Portugal e o Futuro», recebeu no Quartel do Carmo a rendição de Marcelo Caetano, presidiu à Junta de Salvação Nacional e foi Presidente da República até renunciar, a 30 de setembro de 1974. A 11 de março de 1975 fugiu para Espanha.

  • Salgueiro Maia

    1944–1992

    Capitão de 29 anos, comandou a coluna da Escola Prática de Cavalaria que ocupou o Terreiro do Paço, enfrentou sem disparar as forças do regime e cercou o Quartel do Carmo até obter a rendição de Marcelo Caetano.

  • Silva Pais

    1905–1981

    Diretor da polícia política, avisou Marcelo Caetano às 5h00 de 25 de abril de que «a Revolução está na rua». Só rendeu a sede da DGS na manhã de 26, depois de os agentes terem matado quatro pessoas na Rua António Maria Cardoso.

  • Alfredo Assunção

    Tenente da coluna de Salgueiro Maia, foi agredido na Rua do Arsenal pelo brigadeiro Junqueira dos Reis enquanto tentava negociar — e respondeu com uma continência. À tarde, levou ao Carmo os emissários de Spínola.

  • Clarisse Guerra

    Pelas 14h30 de 25 de abril de 1974 leu, no Rádio Clube Português, o comunicado do MFA que anunciava os objetivos conquistados e o cerco a Marcelo Caetano no Quartel do Carmo — um comunicado «agora lido por uma mulher».

  • Costa Gomes

    1914–2001

    Escolhido pelos capitães como chefe prestigiado, integrou a Junta de Salvação Nacional, sucedeu a Spínola na Presidência em setembro de 1974, decretou o estado de sítio a 25 de novembro de 1975 e promulgou a Constituição de 1976.

Notas sobre as fontes1
  • As datas e os lugares de nascimento e de morte vêm só da Wikidata.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Operação Viragem Histórica. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Movimentações do dia 25 de Abril. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Largo e Quartel do Carmo (Lugares de Abril). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Marcelo Caetano (Q310870). Wikidata — consultado a 2 de outubro de 2026