Repressãoprofessor de Economia e Finanças da Universidade de Coimbraministro das Finanças (a partir de 1928)presidente do Conselho de Ministros (1932–1968)
Nasceu
28 de abril de 1889, Vimieiro (Santa Comba Dão)
Morreu
27 de julho de 1970, Lisboa
Professor de Coimbra chamado pela Ditadura Militar para as Finanças em 1928, chefiou o Governo de 1932 a 1968 e fez do Estado Novo, instituído pela Constituição de 1933, uma ditadura com o poder concentrado no presidente do Conselho.
Nasceu em 1889 no Vimieiro, no concelho de Santa Comba Dão.1 Professor de Economia e Finanças da Universidade de Coimbra e figura destacada do Centro Católico, foi chamado pela Ditadura Militar, saída do golpe de 28 de Maio de 1926, para resolver a crise das contas públicas. Tomou posse como ministro das Finanças a 27 de abril de 1928, com fama de «mago das finanças», e no discurso de posse afirmou que sabia muito bem o que queria e para onde ia.23 Ministro das Finanças e, interinamente, das Colónias, fez promulgar em 1930 o Acto Colonial, que subordinava os interesses das colónias aos da metrópole.4
A 5 de julho de 1932 chegou a presidente do Conselho, o chefe do Governo.2 Concebeu, com um pequeno grupo de colaboradores, a Constituição de 1933, que instituiu o Estado Novo: um regime sem outro partido além da União Nacional, com as liberdades de expressão, reunião e associação entregues a «leis especiais» e o poder concentrado no presidente do Conselho, que só respondia perante o Presidente da República.5 A polícia política, a censura e organizações que enquadravam os jovens, as mulheres e os trabalhadores sustentavam o regime e o culto do chefe, que a propaganda de António Ferro, a partir de 1940 instalada no Palácio Foz, alimentava.67
A 4 de julho de 1937 escapou a um atentado à bomba na Avenida Barbosa du Bocage, quando ia à missa.8 Em maio de 1938 passou a viver no Palacete de São Bento, que o Estado expropriara para residência oficial do presidente do Conselho e que uma escadaria monumental ligava ao Parlamento.9
Em 1968, uma queda de uma cadeira deixou-o incapaz de governar, e Marcelo Caetanosubstituiu-o.105 Continuou a viver em São Bento até julho de 1970 e morreu em Lisboa a 27 de julho, aos 81 anos — «sem chegar a desconfiar que já não era Presidente do Conselho», escreveu o Diário de Notícias.91011
Operário metalúrgico e anarcossindicalista, foi um dos autores do atentado à bomba contra Salazar na Avenida Barbosa du Bocage, em 1937. Fugiu para Inglaterra, foi entregue à polícia portuguesa e só saiu da prisão em 1953.
Último chefe de Governo do Estado Novo, refugiou-se no Quartel do Carmo na madrugada de 25 de abril de 1974 e, cercado, entregou o poder ao general Spínola. No dia seguinte foi levado para a Madeira.
Primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, formou-se em Matemática, Filosofia e Medicina e foi professora e reitora do primeiro liceu feminino. Monárquica e conservadora, apoiante do salazarismo nascente, foi uma das três primeiras deputadas, eleitas em 1934 nas listas da União Nacional.
Advogada lisboeta, licenciada em Direito em 1919, foi uma das três primeiras deputadas portuguesas, eleita em 1934 nas listas da União Nacional, já no Estado Novo.
Professora de Matemática e reitora do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, foi uma das três primeiras mulheres eleitas deputadas, em 1934, e uma figura central das organizações femininas do Estado Novo.
Oficial da Armada e membro da Junta de Salvação Nacional, chefiou o VI Governo Provisório e esteve sequestrado na residência oficial, em São Bento, durante o cerco dos trabalhadores da construção civil, em novembro de 1975.
Notas sobre as fontes2
Até quando foi ministro das Finanças: até 1932, segundo o Arquivo Nacional Torre do Tombo, ou até 28 de agosto de 1940, segundo o título de um livro do Secretariado de Propaganda Nacional registado na mesma bibliografia («A obra de Salazar na pasta das Finanças: 27 de Abril de 1928 a 28 de Agosto de 1940»).
8Atentado a Salazar. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
9Residência Oficial do Primeiro-Ministro — História. Governo de Portugal — consultado a 3 de outubro de 2026Página do sítio do Governo, lida na cópia do Internet Archive de 29 de novembro de 2009; inclui o quadro dos chefes de Governo que residiram no palacete.