Revoluçãocapitão de Cavalariamembro da Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitãescomandante da coluna da Escola Prática de Cavalaria a 25 de abril de 1974
Nasceu
1 de julho de 1944, Castelo de Vide
Morreu
3 de abril de 1992, Lisboa (Hospital Militar)
Capitão de 29 anos, comandou a coluna da Escola Prática de Cavalaria que ocupou o Terreiro do Paço, enfrentou sem disparar as forças do regime e cercou o Quartel do Carmo até obter a rendição de Marcelo Caetano.
Nasceu em Castelo de Vide a 1 de julho de 1944, filho de um ferroviário; a profissão do pai levou-o, em criança e jovem, de Coruche a Tomar, Pombal e Leiria. Entrou na Academia Militar em 1964 e na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, em 1967, e combateu em Moçambique e na Guiné.12 Na reunião de Óbidos do Movimento dos Capitães, a 1 de dezembro de 1973, entrou para a Comissão Coordenadora como um dos representantes da Cavalaria.4 A 17 de abril de 1974, Otelo Saraiva de Carvalho entregou-lhe a missão operacional da EPC, e os oficiais da escola escolheram-no, aos 29 anos, para comandar a coluna que havia de marchar sobre Lisboa.1
A coluna saiu de Santarém às 3h30 de 25 de abril e ocupou o Terreiro do Paço.5 Na Avenida da Ribeira das Naus, Maia caminhou de lenço branco ao encontro das forças do brigadeiro Junqueira dos Reis. O brigadeiro mandou abrir fogo sobre ele, mas o aspirante Fernando Sottomayor e os apontadores dos carros de combate recusaram, e as tropas passaram para o lado do MFA. «Foi ali que se ganhou o 25 de Abril», diria Maia.3
Às 12h30, entre uma multidão que gritava «Vitória!», a coluna cercou o Quartel do Carmo, onde se refugiara Marcelo Caetano. Maia negociou durante horas. Pelas 17h00 foi levado até Caetano, que se disse disponível para se render e pediu que o poder fosse entregue a um oficial-general; Maia acompanhou depois o general António de Spínola até ele. Às 18h30 fez entrar de marcha atrás, na porta de armas do quartel, a chaimite «Bula», para que Caetano e os seus ministros saíssem em segurança.31
Não aceitou cargos políticos depois do 25 de Abril.2 No 11 de Março de 1975, a sua ida a Tancos com o 2.º comandante da EPC ajudou a fazer fracassar a tentativa de golpe em que Spínola se envolvera. No 25 de Novembro manteve as suas forças em reserva, na zona oriental de Lisboa.1
Em novembro de 1976 foi afastado para funções burocráticas em Lisboa e, em março de 1977, para os Açores. Licenciou-se em Ciências Políticas e Sociais e em Ciências Antropológicas e Etnológicas.1 Morreu de cancro a 3 de abril de 1992 e está sepultado em Castelo de Vide.12
No arquivo
A Câmara de Lisboa atribuiu a Salgueiro Maia, «rosto do 25 de Abril de 1974», a título póstumo, a Chave de Honra da Cidade, a mais alta distinção do município, entregue a Natércia Salgueiro Maia.
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General e autor de «Portugal e o Futuro», recebeu no Quartel do Carmo a rendição de Marcelo Caetano, presidiu à Junta de Salvação Nacional e foi Presidente da República até renunciar, a 30 de setembro de 1974. A 11 de março de 1975 fugiu para Espanha.
Brigadeiro chamado a comandar as forças leais ao regime a 25 de abril de 1974, mandou abrir fogo na Ribeira das Naus e na Rua do Arsenal, e os seus próprios homens desobedeceram.
Tenente da coluna de Salgueiro Maia, foi agredido na Rua do Arsenal pelo brigadeiro Junqueira dos Reis enquanto tentava negociar — e respondeu com uma continência. À tarde, levou ao Carmo os emissários de Spínola.
Último chefe de Governo do Estado Novo, refugiou-se no Quartel do Carmo na madrugada de 25 de abril de 1974 e, cercado, entregou o poder ao general Spínola. No dia seguinte foi levado para a Madeira.
Oficial do Regimento de Cavalaria 7, recusou na Ribeira das Naus, a 25 de abril de 1974, a ordem do brigadeiro Junqueira dos Reis para disparar sobre Salgueiro Maia, e recebeu por isso voz de prisão.
Major de Artilharia, elaborou o plano de operações do 25 de Abril e dirigiu as operações a partir do Posto de Comando clandestino da Pontinha; foi depois comandante do COPCON e da Região Militar de Lisboa.
Notas sobre as fontes2
A data e o lugar da morte: 3 de abril de 1992, no Hospital Militar, em Lisboa (Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril); 3 de abril de 1992, em Santarém (Centro de Documentação 25 de Abril); 4 de abril de 1992, em Santarém (Wikidata).
O ano em que entrou na Escola Prática de Cavalaria: 1967, segundo a Comissão Comemorativa, que dá o dia (1 de fevereiro); 1966, segundo o Centro de Documentação 25 de Abril.