
Pessoas
Norton de Matos
José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos
- Nasceu
- 23 de março de 1867, Ponte de Lima
- Morreu
- 2 de janeiro de 1955, Ponte de Lima
General da I República, foi em 1949 o candidato da oposição unida à Presidência da República: fez comícios na Voz do Operário e desistiu nas vésperas da eleição. Como muitos opositores, defendia uma política colonialista, que expôs em 1953 em «África Nossa».
Nasceu em Ponte de Lima a 23 de março de 1867. General e político da I República, foi governador-geral de Angola e ministro das Colónias, e de 1930 a 1935 grão-mestre do Grande Oriente Lusitano Unido.2
Em julho de 1948 avançou com a candidatura às presidenciais de 13 de fevereiro de 1949, contra o marechal Óscar Carmona. O programa pedia a abolição da polícia política e da censura, a amnistia para os presos políticos e a liberdade dos partidos. Mas, se a linha era progressista dentro do país, na frente colonial a posição era «bem diferente».1 A plataforma juntou republicanos, maçons, socialistas, comunistas e católicos, entre outros. A campanha começou em janeiro de 1949, com a casa do candidato sob vigilância e prisões de apoiantes.1
Em Lisboa, a candidatura fez comícios na Voz do Operário. Uma fotografia de 28 de janeiro de 1949 mostra-o lá com Isabel Aboim Inglez;4 outras, de fevereiro, mostram Maria Lamas e Cesina Bermudes.1
O regime recusou as suas exigências mínimas, como a liberdade de propaganda e a fiscalização dos votos, e Norton de Matos desistiu nas vésperas da eleição.213 Como muitos republicanos e opositores do Estado Novo, defendia uma política colonialista. Em 1953, no livro «África Nossa», escreveu que Portugal tinha de «povoar essas terras, intensa e rapidamente, com famílias brancas portuguesas» e de continuar a «assimilar os habitantes de cor que lá encontramos».2 Morreu em Ponte de Lima a 2 de janeiro de 1955.2
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- Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso · Fotografia · 28 de janeiro de 1949Candidatura de Norton de Matos às eleições presidenciais, comício de Lisboa (Voz do Operário)Fotografia de um comício da candidatura de Norton de Matos na Voz do Operário, do espólio de Manuel Mendes. Entre os presentes, a Casa Comum identifica Isabel Aboim Inglez, Norton de Matos, Carvalhão Duarte, Câmara Reys e Mário de Azevedo Gomes.Abrir no arquivo
- Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso · Fotografia · 10 de fevereiro de 1949Candidatura de Norton de Matos às eleições presidenciais, comício de Lisboa (Voz do Operário)Fotografia de outro comício da candidatura de Norton de Matos na Voz do Operário, também do espólio de Manuel Mendes. Entre os presentes estão Maria Lamas, Manuel João da Palma Carlos e Cesina Bermudes.Abrir no arquivo
Nos percursos
Lugares
Na cronologia
dez. 1943
Fundado o Movimento de Unidade Nacional Antifascista (MUNAF)28 jul. 1946
Constituído formalmente o MUD Juvenil28 jan. 1949
Sessão da Comissão Feminina da candidatura de Norton de Matos28 jan. 1949
Comício de Norton de Matos na Voz do Operário10 fev. 1949
Comício da candidatura de Norton de Matos na Voz do Operário, com Maria Lamas e Cesina Bermudes12 fev. 1949
Desistência de Norton de Matos às presidenciais14 out. 1949
Prisão de Cesina Bermudes, dirigente do Movimento Nacional Democrático Feminino
Cruzaram-se com ele
Cesina Bermudes
1908–2001
Médica obstetra e pioneira do «parto sem dor» em Portugal. Fez campanha por Norton de Matos em 1949, na Comissão Central do Movimento Nacional Democrático Feminino, e por isso foi presa em Caxias e afastada do ensino na Faculdade de Medicina.
Maria Lamas
1893–1983
Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.
Isabel Aboim Inglez
1902–1963
Professora e feminista, primeira mulher na Comissão Central do MUD, a quem José Gomes Ferreira chamou «a Indomável». O regime fechou-lhe o colégio, tirou-lhe o ensino e prendeu-a várias vezes.

Manuela Porto
1908–1950
Atriz, tradutora e declamadora de poesia, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, em 1947, falou sobre Virginia Woolf na Exposição de Livros Escritos por Mulheres. Incomodado com a exposição, o regime fechou o Conselho nesse mesmo ano.

Mário Soares
1924–2017
Secretário-geral do PS, regressou do exílio a 28 de abril de 1974 e foi recebido por uma multidão em Santa Apolónia. Em 1975 enfrentou o PCP no caso República e no comício da Fonte Luminosa; em 1976 chefiou o I Governo Constitucional.

Angelina Vidal
1847–1917
Professora, jornalista e oradora republicana, editora de «A Voz do Operário», defendeu as operárias e a igualdade entre homens e mulheres. A monarquia negou-lhe a pensão de viúva; morreu quase na miséria em 1917, um dia depois de lha concederem.
Notas sobre as fontes1
- O dia da desistência: 12 de fevereiro de 1949, segundo a Wikipédia, ou «a três dias das eleições», isto é, 10 de fevereiro, segundo o Museu do Aljube.
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Fontes
- 1Eleições de 1949. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2José Norton de Matos. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Eleições presidenciais portuguesas de 1949. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
- 4Candidatura de Norton de Matos [...] comício de Lisboa (Voz do Operário) – fotografia (cota 04654.000.038). Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso — consultado a 2 de outubro de 2026
