Oposiçãomilitar e aviador, general da Força Aéreafundador da TAPcandidato da oposição às presidenciais de 1958exiladoassassinado pela PIDE
Nasceu
15 de maio de 1906, Boquilobo (Brogueira), Torres Novas
Morreu
13 de fevereiro de 1965, perto de Badajoz / Villanueva del Fresno (Espanha)
O «general sem medo»: homem do regime que passou à oposição, candidatou-se à Presidência em 1958, respondeu «Obviamente, demito-o!» quando lhe perguntaram o que faria a Salazar e arrastou multidões. A PIDE assassinou-o em 1965.
Nasceu em Boquilobo, Torres Novas, a 15 de maio de 1906.1 Oficial de artilharia e aviador, participou no golpe de 28 de maio de 1926 e teve cargos de relevo no Estado Novo, na Legião Portuguesa e na Mocidade Portuguesa.1 Fundou os Transportes Aéreos Portugueses em 1945 e foi adido militar em Washington.17 A partir dos anos 1940 aprofundou a sua dissidência, até surgir em 1958 como «o general sem medo».1
Nesse ano foi o candidato da oposição às presidenciais, depois de Arlindo Vicente desistir a seu favor.1 A 10 de maio, numa conferência de imprensa no Café Chave d'Ouro, perguntaram-lhe o que faria a Salazar se fosse eleito. Respondeu: «Obviamente, demito-o!»23 A campanha arrastou multidões, a começar pelo Porto, a 14 de maio.2 Em Lisboa, a GNR carregou sobre os seus apoiantes quando ele chegou a Santa Apolónia, e a violência repetiu-se depois do comício no ginásio do Liceu Camões, a 18 de maio.36 O regime recorreu à fraude, e a 8 de junho Américo Tomás foi declarado eleito.1
Demitido, pediu asilo na Embaixada do Brasil e partiu para esse país em abril de 1959.1 No exílio acompanhou a preparação do assalto ao paquete «Santa Maria» e, nos últimos dias de 1961, nas vésperas da revolta de Beja, entrou clandestinamente em Portugal. Em 1963 passou pela Checoslováquia e pela Argélia.1
A PIDE atraiu-o a uma cilada. A 13 de fevereiro de 1965, perto de Badajoz, uma brigada da polícia política assassinou-o, com a sua secretária, a brasileira Arajaryr Campos.15 Sepultado em Espanha, foi trasladado para Lisboa em 1975 e, a 5 de outubro de 1990, para o Panteão Nacional.789
Brasileira, secretária e companheira de exílio de Humberto Delgado, foi assassinada com ele por uma brigada da PIDE perto de Badajoz, a 13 de fevereiro de 1965, aos 34 anos.
Atriz que dizia poesia contra o regime, foi candidata da oposição em 1969 e a única mulher a falar na abertura do Congresso de Aveiro, em 1973. Esteve na fundação do Partido Socialista e, a 28 de abril de 1974, acompanhou Mário Soares no comboio que o trouxe do exílio até Santa Apolónia.
Secretário-geral do PS, regressou do exílio a 28 de abril de 1974 e foi recebido por uma multidão em Santa Apolónia. Em 1975 enfrentou o PCP no caso República e no comício da Fonte Luminosa; em 1976 chefiou o I Governo Constitucional.
Antigo dirigente da Juventude Operária Católica, foi a «alma civil» da Revolta da Sé, em 1959, e o líder civil da revolta de Beja, em 1962. Esteve 11 anos preso e foi torturado.
Militante comunista na clandestinidade, foi presa em 1959 e condenada a oito anos de prisão maior e medidas de segurança, que cumpriu em Caxias. Deputada desde a Constituinte, presidiu à Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.
Poeta e editora, foi a escritora portuguesa com mais obras censuradas. Julgada no Plenário pela «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica», publicou as «Novas Cartas Portuguesas» e abriu na Graça o Botequim, onde festejou o 25 de Abril. Foi depois deputada.
Notas sobre as fontes3
O lugar da morte: Badajoz (Museu do Aljube, Comissão Comemorativa dos 50 Anos) ou perto de Olivença (Panteão Nacional; a Wikipédia precisa: Los Almerines, junto a São Rafael de Olivença). Os corpos só foram encontrados em abril de 1965, em Villanueva del Fresno.
O dia da chegada a Santa Apolónia: 16 de maio de 1958, a data escolhida para a lápide descerrada na estação em 2008, ou 15 de maio, «no dia seguinte» ao Porto, segundo o Museu do Aljube.
Quando começou a dissidência: a partir dos anos 1940 (Museu do Aljube) ou nos anos 1950 (Comissão Comemorativa dos 50 Anos).