Revoluçãogeneralautor de «Portugal e o Futuro» (1974)presidente da Junta de Salvação NacionalPresidente da República (1974)fundador do MDLP
Nasceu
11 de abril de 1910, Estremoz
Morreu
13 de agosto de 1996, Lisboa
General e autor de «Portugal e o Futuro», recebeu no Quartel do Carmo a rendição de Marcelo Caetano, presidiu à Junta de Salvação Nacional e foi Presidente da República até renunciar, a 30 de setembro de 1974. A 11 de março de 1975 fugiu para Espanha.
Nasceu em Estremoz a 11 de abril de 1910.8 Antigo governador da Guiné, foi escolhido com Costa Gomes como chefe prestigiado do Movimento dos Capitães, na reunião de Óbidos, a 1 de dezembro de 1973: a Costa Gomes, o mais votado, caberia a Presidência da República; a Spínola, a direção suprema das Forças Armadas.3 Vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, publicou a 22 de fevereiro de 1974 «Portugal e o Futuro», que abalou as relações entre o regime e as Forças Armadas. Pouco depois, ele e Costa Gomes foram demitidos, a pretexto de terem faltado à sessão de apoio ao regime no Palácio de São Bento que ficou conhecida como a «Brigada do Reumático».2
A 25 de abril de 1974 declarou não estar envolvido no Movimento, mas disponível para assumir o poder se o governo quisesse uma saída pacífica.16Marcelo Caetano, cercado no Quartel do Carmo, pediu-lhe ao telefone que fosse receber o poder, e Otelo Saraiva de Carvalho mandatou-o em nome dos capitães. Chegou ao Carmo pelas 17h45, num automóvel envolvido pela multidão que o aplaudia, e Salgueiro Maia levou-o até Caetano.1 Ao chegar ao Posto de Comando da Pontinha, com os membros do governo presos, anunciou: «Senhores oficiais, devo começar por informá-los que acabo de assumir o poder no Quartel do Carmo. Agora vamos ao trabalho».6
Na madrugada de 26, ladeado pelos outros membros da Junta de Salvação Nacional, leu a proclamação da Junta em direto nos estúdios da RTP no Lumiar.61 A Junta designou-o Presidente da República, contra o que fora acordado com o MFA, que escolhera Costa Gomes.64 A 28 de abril recebeu no Palácio da Cova da MouraMário Soares, regressado do exílio.1 Tomou posse a 15 de maio de 1974, no Palácio de Queluz.4
Defendia uma democratização controlada, que foi descrita como um «marcelismo sem Marcelo», e entrou em conflito com a Comissão Coordenadora do MFA pelo controlo da política interna e da descolonização.4 No verão de 1974 apelou nos seus discursos à «maioria silenciosa», e voltou a fazê-lo a 10 de setembro no Palácio de Belém, na cerimónia de reconhecimento da independência da Guiné-Bissau.54 A manifestação de apoio marcada para 28 de setembro, em Belém, acabou desconvocada por ele e proibida pelo MFA; entre 27 e 29 de setembro tentou várias vezes declarar o estado de sítio e demitir o primeiro-ministro, Vasco Gonçalves. A 30 de setembro anunciou na RTP a renúncia à Presidência.4
A 11 de março de 1975, falhado o ataque ao RAL 1 por tropas que lhe eram próximas, fugiu de helicóptero da Base Aérea n.º 3, em Tancos, com quinze oficiais, para a base de Talavera la Real, em Espanha.910 Fundou depois o Movimento Democrático para a Libertação de Portugal (MDLP), uma das organizações de extrema-direita que, a partir de maio de 1975, destruíram sedes de partidos de esquerda e fizeram atentados.4 Morreu em Lisboa a 13 de agosto de 1996.8
Escolhido pelos capitães como chefe prestigiado, integrou a Junta de Salvação Nacional, sucedeu a Spínola na Presidência em setembro de 1974, decretou o estado de sítio a 25 de novembro de 1975 e promulgou a Constituição de 1976.
Último chefe de Governo do Estado Novo, refugiou-se no Quartel do Carmo na madrugada de 25 de abril de 1974 e, cercado, entregou o poder ao general Spínola. No dia seguinte foi levado para a Madeira.
Capitão de 29 anos, comandou a coluna da Escola Prática de Cavalaria que ocupou o Terreiro do Paço, enfrentou sem disparar as forças do regime e cercou o Quartel do Carmo até obter a rendição de Marcelo Caetano.
Major de Artilharia, elaborou o plano de operações do 25 de Abril e dirigiu as operações a partir do Posto de Comando clandestino da Pontinha; foi depois comandante do COPCON e da Região Militar de Lisboa.
Diretor da polícia política, avisou Marcelo Caetano às 5h00 de 25 de abril de que «a Revolução está na rua». Só rendeu a sede da DGS na manhã de 26, depois de os agentes terem matado quatro pessoas na Rua António Maria Cardoso.
Tenente da coluna de Salgueiro Maia, foi agredido na Rua do Arsenal pelo brigadeiro Junqueira dos Reis enquanto tentava negociar — e respondeu com uma continência. À tarde, levou ao Carmo os emissários de Spínola.
Notas sobre as fontes3
A hora a que chegou ao Quartel do Carmo a 25 de abril: pelas 17h45 (Comissão Comemorativa dos 50 Anos) ou às 18h00 (Associação 25 de Abril).
As datas e os lugares do nascimento e da morte vêm só da Wikidata.
O nome completo, António Sebastião Ribeiro de Spínola, que nenhuma fonte desta página dá.
9Os acontecimentos do 11 de Março de 1975. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
10RAL 1 – Lisboa. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026