Pessoas
Silva Pais
Fernando da Silva Pais
- Nasceu
- 16 de novembro de 1905, Barreiro
- Morreu
- 27 de janeiro de 1981, Lisboa
Diretor da polícia política, avisou Marcelo Caetano às 5h00 de 25 de abril de que «a Revolução está na rua». Só rendeu a sede da DGS na manhã de 26, depois de os agentes terem matado quatro pessoas na Rua António Maria Cardoso.
Nasceu no Barreiro em 1905.4 Major, era em 1974 o diretor da polícia política, a PIDE/DGS.1 Às 5h00 de 25 de abril telefonou ao presidente do Conselho, Marcelo Caetano: «Senhor Presidente, a Revolução está na rua! O caso é muito grave.» Pouco depois, noutro telefonema, aconselhou-o a refugiar-se no quartel do Carmo, «que a GNR está fixe».21
Durante o dia, a multidão cercou a sede da DGS, na Rua António Maria Cardoso. Ao princípio da noite, os agentes dispararam das janelas sobre a multidão: quatro mortos e 45 feridos.25 Mais tarde, a pedido de Otelo, Spínola pediu ao ex-ministro do Interior César Moreira Baptista, detido na Pontinha, que convencesse Silva Pais a render-se; ele mostrou-se disposto, se as Forças Armadas protegessem os agentes.23
Na manhã de 26 de abril recebeu na sede o capitão-tenente Costa Correia, da Marinha, e declarou-lhe que a organização que dirigia aderia ao Movimento. Costa Correia perguntou-lhe porque estavam então ainda na parede os retratos dos dirigentes do regime; Silva Pais pediu cadeiras e retirou ele próprio uma das fotografias. Era a rendição da DGS.2 Morreu em Lisboa em 1981.4
Nos percursos
Lugares
Na cronologia
Cruzaram-se com ele
Fernando Giesteira
1955–1974
Empregado de mesa transmontano, de 18 anos, foi o mais novo dos quatro civis mortos pelos disparos da DGS na Rua António Maria Cardoso, ao fim do dia de 25 de abril de 1974.
Fernando Reis
1950–1974
Soldado de 23 anos, de licença em Lisboa, foi uma das quatro pessoas mortas pelos disparos da DGS contra a multidão na Rua António Maria Cardoso, na noite de 25 de Abril de 1974.
João Arruda
1954–1974
Estudante açoriano de 20 anos, da Faculdade de Letras de Lisboa, foi atingido na cabeça pelos disparos da DGS perto das 20h30 de 25 de abril de 1974 e morreu no Hospital de São José às 00h30 de 26 de abril.
José Barneto
1935–1974
Escriturário de 38 anos, pai de quatro filhos, foi morto pelos disparos da DGS diante da sede da polícia política, ao fim do dia 25 de abril de 1974.

António de Spínola
1910–1996
General e autor de «Portugal e o Futuro», recebeu no Quartel do Carmo a rendição de Marcelo Caetano, presidiu à Junta de Salvação Nacional e foi Presidente da República até renunciar, a 30 de setembro de 1974. A 11 de março de 1975 fugiu para Espanha.

Marcelo Caetano
1906–1980
Último chefe de Governo do Estado Novo, refugiou-se no Quartel do Carmo na madrugada de 25 de abril de 1974 e, cercado, entregou o poder ao general Spínola. No dia seguinte foi levado para a Madeira.
Notas sobre as fontes2
- Se foi Silva Pais quem deu a ordem de disparar: a cronologia de Jofre Alves atribui-lhe, com o inspetor superior Coelho Dias, as ordens de fogo sobre a multidão às 13h30; as outras fontes não o dizem.
- As datas e os lugares de nascimento e de morte vêm só da Wikidata.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1Operação Viragem Histórica. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Movimentações do dia 25 de Abril. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A. Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra — consultado a 2 de outubro de 2026
- 4Fernando da Silva Pais (Q116923154). Wikidata — consultado a 2 de outubro de 2026
- 5Fernando Luís Barreiros dos Reis (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
