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Resistênciapor Onofriana.pt

Pessoas

Emídio Santana

Oposiçãooperário metalúrgicoanarcossindicalistasecretário-geral do Sindicato Nacional dos Metalúrgicosautor do atentado contra Salazar (1937)preso político
Nasceu
4 de julho de 1906, Lisboa (Santa Engrácia)
Morreu
16 de outubro de 1988, Lisboa (São Domingos de Benfica)

Operário metalúrgico e anarcossindicalista, foi um dos autores do atentado à bomba contra Salazar na Avenida Barbosa du Bocage, em 1937. Fugiu para Inglaterra, foi entregue à polícia portuguesa e só saiu da prisão em 1953.

Nasceu em Lisboa, na freguesia de Santa Engrácia, em 1906. Em criança estudou na Escola Oficina n.º 1, uma escola moderna segundo os princípios do pedagogo Francisco Ferrer. Militou nas Juventudes Sindicalistas e foi secretário-geral do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na Confederação Geral do Trabalho (CGT). Depois do golpe de 28 de maio de 1926 continuou a atividade sindical na clandestinidade.1 Foi preso várias vezes — uma delas no Forte de Elvas — e deportado para os Açores em 1932.4 Em 1936 representou a CGT portuguesa no congresso da Confederación Nacional del Trabajo, em Espanha.1

Foi um dos autores do atentado à bomba contra Salazar, na manhã de 4 de julho de 1937, quando o ditador ia à missa na capela particular do amigo Josué Trocado, na Avenida Barbosa du Bocage.1 A bomba, escondida num coletor, rebentou no sentido errado e Salazar saiu ileso. O atentado, normalmente atribuído a anarquistas como Emídio Santana, terá sido preparado em ligação com outros elementos da Frente Popular, nomeadamente do PCP.2

Procurado pela polícia política, fugiu para o Reino Unido, mas a polícia inglesa prendeu-o em Southampton e enviou-o para Portugal.14 A 19 de outubro de 1937 deu entrada na cadeia do Aljube, «para averiguações», e passou depois pelas penitenciárias de Lisboa e de Coimbra.4 A 15 de janeiro de 1939, o Tribunal Militar Especial condenou-o a oito anos de prisão, seguidos de doze de degredo.41 Só foi libertado a 23 de maio de 1953. Ao todo, foi preso quatro vezes.14

Em 1965 presidiu à direção da Associação dos Inquilinos Lisbonenses, e nas eleições de 1969 falou de questões sindicais em comícios da oposição. Depois do 25 de Abril dirigiu o jornal A Batalha e publicou «História de um atentado: o atentado a Salazar» (1976). Morreu em Lisboa em 1988.1

Lugares

Na cronologia

  1. 23 fev. 1919

    Sai o primeiro número do jornal operário «A Batalha»
  2. 20 jan. 1937

    «Bombas dos Ministérios»: anarquistas atacam apoios de Franco em Lisboa
  3. 4 jul. 1937

    Atentado à bomba contra Salazar na Avenida Barbosa du Bocage
  4. 15 maio 1969

    II Congresso Republicano de Aveiro
  5. out. 1969

    Campanha da Comissão Democrática Eleitoral (CDE) de Lisboa

Cruzaram-se com ele

  • Aida Magro

    1918–2011

    Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.

  • Isabel do Carmo

    n. 1940

    Estudante de Medicina, foi a primeira mulher a falar num plenário da crise académica de 1962; fundou depois as Brigadas Revolucionárias, que atacaram o aparelho da guerra colonial. Médica e professora, é autora do primeiro estudo sobre a obesidade em Portugal.

  • Maria Lamas

    1893–1983

    Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.

  • Mário Soares

    1924–2017

    Secretário-geral do PS, regressou do exílio a 28 de abril de 1974 e foi recebido por uma multidão em Santa Apolónia. Em 1975 enfrentou o PCP no caso República e no comício da Fonte Luminosa; em 1976 chefiou o I Governo Constitucional.

  • Militão Ribeiro

    1896–1950

    Dirigente comunista, esteve no grupo de presos que inaugurou o Tarrafal em 1936. Preso de novo em 1949, com Álvaro Cunhal e Sofia Ferreira, morreu em isolamento na Penitenciária de Lisboa, em greve de fome, a 2 de janeiro de 1950.

  • Virgínia Moura

    1915–1998

    Primeira mulher reconhecida como engenheira civil em Portugal e militante comunista, foi presa dezasseis vezes pela PIDE. Em 1949 esteve em Caxias, na mesma cela que Maria Lamas.

Notas sobre as fontes3
  • O papel de Emídio Santana no atentado: a Wikipédia dá-o como um dos autores; o Museu do Aljube fala de um atentado «normalmente atribuído» a anarquistas como ele, em ligação com outros elementos da Frente Popular; o Memória Comum fala de um grupo heterogéneo — motoristas de táxi de Lisboa, dirigentes anarquistas, «com destaque para Emídio Santana», e alguns militantes do PCP a título individual.
  • Se chegou a cumprir a pena de degredo, e onde: a sentença de 1939 dava, em alternativa, 25 anos de degredo numa «possessão de 1.ª classe», e as fontes só dizem que passou pelas penitenciárias de Lisboa e de Coimbra e que foi libertado em 1953.
  • Boa parte da biografia vem da Wikipédia, que se apoia nas memórias do próprio Emídio Santana e no seu espólio no Arquivo Histórico-Social; o percurso prisional confirma-se no Memória Comum.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Emídio Santana. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Atentado a Salazar. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Legião Vermelha. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Emídio Santana. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 3 de outubro de 2026