Estudantesdirigente dos estudantes de Medicina na crise académica de 1962proponente da greve de fome de 1962preso políticoexiladopsiquiatra
Nasceu
24 de março de 1939, Vila Real
Morreu
dezembro de 2025, Porto
Carismático dirigente dos estudantes de Medicina, propôs a greve de fome de maio de 1962; preso no Aljube, a sua libertação foi exigida em manifestações reprimidas pela polícia.
Aos 16 anos aderiu ao MUD Juvenil e aos 18 ao PCP, e participou na campanha presidencial de Humberto Delgado.3 Presidente da Comissão Pró-Associação dos Estudantes de Medicina de Lisboa, foi uma das figuras da crise académica de 1962.1 Foi por sugestão sua que um plenário aprovou uma forma de protesto nova: a greve de fome, que 81 estudantes começaram a 9 de maio na cantina da Cidade Universitária.214
Indicado para secretário-geral das RIA (Reuniões Inter-Associações), não chegou a tomar posse, por ter sido expulso da Universidade de Lisboa. A 28 de maio de 1962 foi preso e levado para o Aljube.1 Depois da suspensão do luto académico, em junho, a contestação continuou sobretudo em torno da sua prisão.2 A 20 de junho, uma manifestação de apoio que devia terminar junto à cadeia foi dispersa por uma carga da polícia de choque perto da Sé, e os estudantes seguiram para a Baixa a gritar «Liberdade! Autonomia!». Foi libertado depois de novas manifestações, sobre as quais a polícia voltou a carregar.1
Transferido para a Universidade de Coimbra, participou em 1963 na fundação do Movimento Sindical Estudantil. Em 1965 partiu para o exílio na Suíça, e mais tarde rompeu com o PCP.3 Depois do 25 de Abril regressou e aderiu ao PS, de que foi deputado à Assembleia da República; psiquiatra, foi professor no Porto e diretor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Morreu no Porto em dezembro de 2025.3
Filólogo da Faculdade de Letras que apoiou os estudantes na crise de 1962, tentou mediar com a polícia e foi agredido pela polícia de choque à entrada da Faculdade de Medicina, a 4 de junho de 1962.
Antigo dirigente da Juventude Operária Católica, foi a «alma civil» da Revolta da Sé, em 1959, e o líder civil da revolta de Beja, em 1962. Esteve 11 anos preso e foi torturado.
Estudante de Medicina em Lisboa desde 1948, militou na Casa dos Estudantes do Império, no MUD Juvenil e no Centro de Estudos Africanos. Preso várias vezes pela PIDE em Lisboa, foi o primeiro presidente de Angola independente.
Dirigente comunista, foi um dos oito presos que fugiram de Caxias no carro blindado de Salazar, em 1961. Preso em 1959 e de novo em 1965, resistiu à tortura da PIDE sem falar.
Operário metalúrgico e anarcossindicalista, foi um dos autores do atentado à bomba contra Salazar na Avenida Barbosa du Bocage, em 1937. Fugiu para Inglaterra, foi entregue à polícia portuguesa e só saiu da prisão em 1953.
O «general sem medo»: homem do regime que passou à oposição, candidatou-se à Presidência em 1958, respondeu «Obviamente, demito-o!» quando lhe perguntaram o que faria a Salazar e arrastou multidões. A PIDE assassinou-o em 1965.
Notas sobre as fontes2
O ano da rutura com o PCP: a Wikipédia diz 1967 e liga-a à invasão da Checoslováquia, que foi em agosto de 1968.
O dia e o lugar do nascimento, 24 de março de 1939, em Vila Real, vêm só da Wikidata; as outras fontes não os dão.