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Resistênciapor Onofriana.pt
Fotografia a preto e branco de um homem de óculos de massa escuros e cabelo escuro, de casaco e camisa aberta, sentado a uma mesa com as mãos pousadas.
Fernando Pereira / Anefo, CC0 1.0

Pessoas

Domingos Abrantes

Domingos Abrantes Ferreira

Repressãodirigente do MUD Juvenilfuncionário e dirigente do PCPpreso políticoevadido de Caxias (1961)
Nasceu
19 de janeiro de 1936, Vila Franca de Xira

Dirigente comunista, foi um dos oito presos que fugiram de Caxias no carro blindado de Salazar, em 1961. Preso em 1959 e de novo em 1965, resistiu à tortura da PIDE sem falar.

Nasceu em Vila Franca de Xira a 19 de janeiro de 1936. Dirigente do MUD Juvenil, foi funcionário e depois dirigente do PCP. Preso pela primeira vez em 1959, passou meses nos «curros» do Aljube.1

A 4 de dezembro de 1961 estava em Caxias, entre os dirigentes do PCP que esperavam a transferência para Peniche, quando fugiu, com outros sete presos, no carro blindado de Salazar que António Tereso conduzia.43

Voltou à clandestinidade, na margem sul. A 21 de abril de 1965, a PIDE esperou-o na casa onde vivia com Conceição Matos, no Montijo, e prendeu os dois.12 A PIDE tentou com ele o que tentara com ela — fazer-lhe crer que o outro tinha falado — antes de o torturar; nunca falou.21 Casou com Conceição Matos na cadeia de Peniche em 1969 e foi libertado a 23 de março de 1973.12

Em fevereiro de 1974 voltou à clandestinidade e partiu com Conceição Matos para Paris, para trabalhar na organização do partido na emigração. Regressaram a Portugal a 30 de abril de 1974, no avião em que vinha Álvaro Cunhal.12 Em 2021, já conselheiro de Estado, falou na evocação dos 60 anos da fuga, junto à escultura de Caxias, como o «único sobrevivente da fuga», e lembrou que esta se fizera «à luz do dia e debaixo do fogo da GNR».3

No arquivo

  • Conceição Matos e Domingos Abrantes contam juntos, num testemunho recolhido pelo museu a 7 de outubro de 2015, a clandestinidade, as prisões e a tortura. As palavras-chave do museu incluem a prisão do Aljube, Caxias, os interrogatórios da PIDE e a fuga de Caxias.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial do Museu do Aljube

    Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

  • No dia em que passavam 60 anos, Domingos Abrantes, um dos oito dirigentes do PCP que fugiram do Forte de Caxias a 4 de dezembro de 1961, recorda a fuga. Os presos saíram no Chrysler blindado que servira Salazar, conduzido por António Tereso, rebentando o portão exterior do forte.

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Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 4 dez. 1961

    Fuga de Caxias no carro blindado de Salazar
  2. 21 abr. 1965

    Prisão e tortura de Conceição Matos
  3. 27 abr. 2024

    Abre o Museu Nacional Resistência e Liberdade na Fortaleza de Peniche

Cruzaram-se com ele

  • Conceição Matos

    n. 1936

    Militante comunista presa em 1965 e em 1968, sofreu na sede da PIDE alguns dos métodos de tortura mais cruéis e humilhantes aplicados a uma mulher, e nunca falou. Décadas depois, contou-o publicamente para denunciar a polícia política.

  • Álvaro Cunhal

    1913–2005

    Dirigente comunista, foi preso em 1949 e fugiu da Fortaleza de Peniche em 1960. Secretário-geral do PCP, regressou do exílio a 30 de abril de 1974 e falou à multidão no aeroporto de cima de uma chaimite.

  • António Tereso

    Mecânico preso em Caxias, fez-se passar por «rachado» durante meses, a pedido do PCP, para preparar a fuga de 4 de dezembro de 1961, e foi ao volante do carro blindado de Salazar que oito presos saíram do forte.

  • Aida Magro

    1918–2011

    Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.

  • Raul Alves

    1914–1958

    Operário soldador da Póvoa de Santa Iria, preso depois das greves contra a fraude eleitoral de 1958, morreu ao cair do terceiro andar da sede da PIDE a 31 de julho desse ano. A embaixatriz do Brasil viu a queda e denunciou-a ao cardeal Cerejeira.

  • Stella Piteira Santos

    1917–2009

    Uma das primeiras associadas da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, ajudou refugiados judeus durante a guerra. Presa e torturada pela PIDE em 1962, exilou-se na Argélia e foi, em Argel, a primeira voz feminina da Rádio Voz da Liberdade.

Notas sobre as fontes1
  • Quando partiu para Paris: em fevereiro de 1974, segundo a biografia de Domingos Abrantes no Museu do Aljube, ou logo em 1973, segundo a de Conceição Matos na mesma página.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Domingos Abrantes e Maria da Conceição Matos (testemunho e biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Maria da Conceição Rodrigues de Matos. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3A fuga de Caxias, um acto de resistência antifascista rumo à vitória, foi há 60 anos. URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Fuga de Caxias. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026