Cultura e censuracantor e compositorprodutor de «Cantigas do Maio»preso político (1962)exilado em França (1963–1974)
Nasceu
25 de maio de 1942, Porto
Morreu
19 de novembro de 2019
Cantor, compositor e produtor. Preso pela PIDE em 1962, desertou da guerra colonial e viveu onze anos exilado em França, onde produziu «Cantigas do Maio», de José Afonso. Voltou a 30 de abril de 1974 e foi recebido no aeroporto com a «Grândola».
Filho de professores primários, nasceu no Porto a 25 de maio de 1942 e estudou música na escola Parnaso. Em 1958 envolveu-se na campanha de Humberto Delgado e, em 1961, entrou para o Partido Comunista Português e para as lutas académicas de Lisboa e de Coimbra.1 Em abril de 1962 foi preso pela PIDE e passou pelo Aljube e por Caxias; saiu em setembro.1
Decidido a não ir para a guerra colonial, desertou em 1963, contra a vontade do partido, e exilou-se em França.12 Em Paris viveu o Maio de 1968, cantou em encontros de emigrantes e conheceu Sérgio Godinho e José Afonso; gravou o primeiro disco, «Seis Cantigas de Amigo», em 1969.1 A 10 de novembro de 1970 cantou na Mutualité, em Paris, no concerto «La Chanson de Combat Portugaise».4 Produziu «Cantigas do Maio», de José Afonso, e publicou em 1971 «Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades».12
Voltou a 30 de abril de 1974, com Luís Cília. A RTP filmou-o no aeroporto da Portela a abraçar a mãe, a mulher e os amigos e a cantar a «Grândola» em coro com José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria e Ary dos Santos.5 Foi um dos fundadores do Coletivo de Ação Cultural, depois Grupo de Ação Cultural (GAC) – Vozes na Luta, ligado à UDP, e trabalhou com o grupo de teatro da Comuna e com o Teatro do Mundo.1 Em 1980 cantou no Coliseu, no 10.º aniversário da CGTP-IN, e em abril de 1982 a RTP filmou-o a ensaiar na Aula Magna da Reitoria a apresentação do disco «Ser Solidário».67
Morreu a 19 de novembro de 2019.1 Foi velado na Voz do Operário, onde antigos membros do GAC cantaram «A cantiga é uma arma», e o funeral saiu dali para o cemitério do Alto de São João.8 A Assembleia da República homenageou-o como «artista, cantor e compositor, que foi também um lutador político antifascista».3
No arquivo
Testemunho de José Mário Branco recolhido pelo Museu do Aljube a 16 de maio de 2019, seis meses antes de morrer. Pelas palavras-chave do museu, fala da prisão do Aljube, da PIDE e dos interrogatórios, dos estudantes, da guerra colonial, do exílio e do Maio de 1968.
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Cantor de intervenção, perseguido pela censura e preso pela PIDE/DGS em 1973. A sua «Grândola, Vila Morena», cantada em coro no Coliseu em março de 1974, foi um mês depois a segunda senha do 25 de Abril.
Cantor da geração de Coimbra que fez da canção uma arma contra o Estado Novo. A sua «Trova do Vento que Passa», com poema de Manuel Alegre, tornou-se um hino estudantil e antifascista. Esteve no Coliseu em março de 1974 e no aeroporto a receber os exilados.
Cantor e compositor nascido no Huambo, em Angola. Desertou em 1964 e exilou-se em Paris, onde cantou contra a guerra colonial e compôs «Avante Camarada». Voltou a 30 de abril de 1974, com José Mário Branco.
Poeta, compositor, cantor e ator. Saiu de Portugal aos 20 anos para não ir à guerra colonial e viveu exilado em Genebra, Paris, Amesterdão, no Brasil e em Vancouver. O seu primeiro disco, «Os Sobreviventes», gravado em França, foi proibido pela censura.
Padre e cantor. Na vigília de São Domingos, na passagem de 1968 para 1969, cantou a «Cantata da Paz» de Sophia de Mello Breyner. Impedido de ser padre, de ensinar e de cantar em público, partiu para França em 1971 e participou nas gravações de «Cantigas do Maio».
Dirigente comunista, foi um dos oito presos que fugiram de Caxias no carro blindado de Salazar, em 1961. Preso em 1959 e de novo em 1965, resistiu à tortura da PIDE sem falar.
Notas sobre as fontes2
Se José Mário Branco e Luís Cília vieram no mesmo avião de Álvaro Cunhal, a 30 de abril de 1974, como dizem várias biografias: a reportagem da RTP mostra a chegada ao aeroporto, mas não o diz.
O ano de «Ser Solidário»: o Museu do Aljube diz que o disco saiu em 1980; a RTP diz que as canções foram um espetáculo idealizado em novembro de 1980 e filmou a preparação da apresentação do disco em abril de 1982.