Pessoas
Manuel Serra
- Nasceu
- 23 de julho de 1931, Lisboa
- Morreu
- 31 de janeiro de 2010, Lisboa
Antigo dirigente da Juventude Operária Católica, foi a «alma civil» da Revolta da Sé, em 1959, e o líder civil da revolta de Beja, em 1962. Esteve 11 anos preso e foi torturado.
Nasceu em Lisboa a 23 de julho de 1931. Oficial da Marinha Mercante e fundador da revista Náutica, aderiu aos 17 anos à Juventude Operária Católica, de que foi dirigente, e esteve na campanha de Humberto Delgado em 1958.2
Foi, nas palavras de Mário Soares, a «alma civil» da conspiração da Sé, um movimento de inspiração católica que devia sair na noite de 11 para 12 de março de 1959.13 Chefiava uma milícia civil e fazia a ligação com a junta militar. Na noite de 11, nos claustros da Sé, distribuía distintivos, cordas e fardas quando chegou a ordem de dispersar: o governo sabia do golpe. Partiu então de automóvel com o major Pastor Fernandes e o tenente Vasco da Costa Santos para a Calçada da Ajuda, onde conseguiram impedir que Fernando Oneto levantasse em Lanceiros 2 as armas destinadas aos grupos civis.1 A PIDE prendeu 44 pessoas; Manuel Serra foi o primeiro, ao cair da noite de 13 de março.1 Esteve seis meses isolado no Aljube e conseguiu fugir.2 Quando o julgamento começou, estava asilado numa embaixada latino-americana.1
Foi depois o líder civil da revolta de Beja, em janeiro de 1962. O processo que se seguiu, com 86 réus, foi o maior do Estado Novo. Preso de novo, foi sujeito à tortura do sono: em 44 dias dormiu oito horas. Passou ao todo 11 anos na prisão.2
Depois do 25 de Abril fundou o Movimento Socialista Popular, que entrou no PS como tendência de esquerda, e, já fora do partido, a Frente Socialista Popular. Morreu em Lisboa a 31 de janeiro de 2010.2
Lugares
Na cronologia
11 mar. 1959
Revolta da Sé (Movimento Militar Independente)1 jan. 1962
Revolta de Beja
Cruzaram-se com ele

Humberto Delgado
1906–1965
O «general sem medo»: homem do regime que passou à oposição, candidatou-se à Presidência em 1958, respondeu «Obviamente, demito-o!» quando lhe perguntaram o que faria a Salazar e arrastou multidões. A PIDE assassinou-o em 1965.
Arajaryr Campos
1930–1965
Brasileira, secretária e companheira de exílio de Humberto Delgado, foi assassinada com ele por uma brigada da PIDE perto de Badajoz, a 13 de fevereiro de 1965, aos 34 anos.
Eurico de Figueiredo
1939–2025
Carismático dirigente dos estudantes de Medicina, propôs a greve de fome de maio de 1962; preso no Aljube, a sua libertação foi exigida em manifestações reprimidas pela polícia.

Agostinho Neto
1922–1979
Estudante de Medicina em Lisboa desde 1948, militou na Casa dos Estudantes do Império, no MUD Juvenil e no Centro de Estudos Africanos. Preso várias vezes pela PIDE em Lisboa, foi o primeiro presidente de Angola independente.

Domingos Abrantes
n. 1936
Dirigente comunista, foi um dos oito presos que fugiram de Caxias no carro blindado de Salazar, em 1961. Preso em 1959 e de novo em 1965, resistiu à tortura da PIDE sem falar.
Emídio Santana
1906–1988
Operário metalúrgico e anarcossindicalista, foi um dos autores do atentado à bomba contra Salazar na Avenida Barbosa du Bocage, em 1937. Fugiu para Inglaterra, foi entregue à polícia portuguesa e só saiu da prisão em 1953.
Notas sobre as fontes1
- A fuga do Aljube e os pormenores da tortura só aparecem na Wikipédia, que cita o Público de 2010.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes
- 1O «golpe da Sé» (Irene Flunser Pimentel). Caminhos da Memória (blogue) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Manuel Serra. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3«Revolta da Sé» – 60 anos (Dossiê do Mês). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026

