Pessoas
João Arruda
João Guilherme Rego Arruda
- Nasceu
- 13 de janeiro de 1954, Ilha de São Miguel, Açores
- Morreu
- 26 de abril de 1974, Hospital de São José, Lisboa
Estudante açoriano de 20 anos, da Faculdade de Letras de Lisboa, foi atingido na cabeça pelos disparos da DGS perto das 20h30 de 25 de abril de 1974 e morreu no Hospital de São José às 00h30 de 26 de abril.
Nasceu na ilha de São Miguel, nos Açores, a 13 de janeiro de 1954, um dos treze filhos de um cantoneiro e de uma doméstica e lavadeira. Aos 9 anos entrou no Seminário Menor de Angra do Heroísmo e, em 1972, foi estudar Filosofia para a Universidade Católica, em Braga. Pouco depois rompeu com a vida religiosa e, em setembro de 1973, entrou na Faculdade de Letras de Lisboa; trabalhava também no Serviço Nacional de Emprego. Terá participado em ações do PCP e do MRPP.1
A 25 de abril de 1974 foi para a Baixa, como milhares de pessoas, e aparece em imagens da RTP gravadas no Largo do Carmo. Ao início da noite estava entre os que exigiam a rendição da polícia política em frente à sede da DGS, na Rua António Maria Cardoso. Os agentes dispararam das janelas sobre a multidão. Perto das 20h30, João Arruda foi atingido na cabeça; morreu no Hospital de São José às 00h30 de 26 de abril, aos 20 anos.12 Ainda hoje não se conhece a identidade de quem o matou.1
Em 1980, um grupo de cidadãos pôs junto ao edifício uma placa com os nomes dos quatro mortos; o dele aparece, por engano, como «José Guilherme R. Arruda».4 Em 2010, a Câmara Municipal de Lisboa pôs também ali uma placa sobre o que aconteceu e sobre a história do edifício.1
Nos percursos
Lugares
Na cronologia
Cruzaram-se com ele
Fernando Giesteira
1955–1974
Empregado de mesa transmontano, de 18 anos, foi o mais novo dos quatro civis mortos pelos disparos da DGS na Rua António Maria Cardoso, ao fim do dia de 25 de abril de 1974.
Fernando Reis
1950–1974
Soldado de 23 anos, de licença em Lisboa, foi uma das quatro pessoas mortas pelos disparos da DGS contra a multidão na Rua António Maria Cardoso, na noite de 25 de Abril de 1974.
José Barneto
1935–1974
Escriturário de 38 anos, pai de quatro filhos, foi morto pelos disparos da DGS diante da sede da polícia política, ao fim do dia 25 de abril de 1974.
Silva Pais
1905–1981
Diretor da polícia política, avisou Marcelo Caetano às 5h00 de 25 de abril de que «a Revolução está na rua». Só rendeu a sede da DGS na manhã de 26, depois de os agentes terem matado quatro pessoas na Rua António Maria Cardoso.
Alfredo Assunção
Tenente da coluna de Salgueiro Maia, foi agredido na Rua do Arsenal pelo brigadeiro Junqueira dos Reis enquanto tentava negociar — e respondeu com uma continência. À tarde, levou ao Carmo os emissários de Spínola.

António de Spínola
1910–1996
General e autor de «Portugal e o Futuro», recebeu no Quartel do Carmo a rendição de Marcelo Caetano, presidiu à Junta de Salvação Nacional e foi Presidente da República até renunciar, a 30 de setembro de 1974. A 11 de março de 1975 fugiu para Espanha.
Fontes
- 1João Guilherme Rego Arruda (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Os mortos pela PIDE em 25 de Abril. Esquerda.net — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Esta semana, e sempre, a rua lembra os quatro homens assassinados pela PIDE/DGS. Time Out Lisboa (1/4/2024) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 4Placa da ex-sede da PIDE: reposta mas em local escondido. Esquerda.net (29/12/2009) — consultado a 2 de outubro de 2026

