Pessoas
José Barneto
José James Harteley Barneto
- Nasceu
- 8 de dezembro de 1935, Vendas Novas
- Morreu
- 25 de abril de 1974, Rua António Maria Cardoso, Lisboa
Escriturário de 38 anos, pai de quatro filhos, foi morto pelos disparos da DGS diante da sede da polícia política, ao fim do dia 25 de abril de 1974.
Nasceu em Vendas Novas a 8 de dezembro de 1935, filho mais novo do espanhol Venceslau Barneto Delgado e de Júlia da Conceição Fernandes. Cresceu nos Olivais, em Lisboa, vivia em Benfica com a mulher e os quatro filhos e era escriturário no Grémio Nacional dos Industriais de Confeitaria.1
Na manhã de 25 de abril de 1974 terá saído para o trabalho e, ao saber do golpe, foi para a Baixa. Ao fim do dia estava na multidão que, diante da sede da DGS, na Rua António Maria Cardoso, exigia a rendição da polícia política, quando os agentes dispararam das janelas.12 Atingido no fígado, teve morte quase imediata, apesar de quem o tentou socorrer o ter arrastado pela rua. Foi uma das quatro vítimas mortais desses disparos, com João Arruda, Fernando Giesteira e Fernando Reis.12 Ainda hoje não se sabe quem disparou.1
Na Rua António Maria Cardoso, os quatro mortos são lembrados por uma placa posta em 1980 por iniciativa de cidadãos e, desde 2010, por outra da Câmara Municipal de Lisboa.1
Nos percursos
Lugares
Na cronologia
Cruzaram-se com ele
Fernando Giesteira
1955–1974
Empregado de mesa transmontano, de 18 anos, foi o mais novo dos quatro civis mortos pelos disparos da DGS na Rua António Maria Cardoso, ao fim do dia de 25 de abril de 1974.
Fernando Reis
1950–1974
Soldado de 23 anos, de licença em Lisboa, foi uma das quatro pessoas mortas pelos disparos da DGS contra a multidão na Rua António Maria Cardoso, na noite de 25 de Abril de 1974.
João Arruda
1954–1974
Estudante açoriano de 20 anos, da Faculdade de Letras de Lisboa, foi atingido na cabeça pelos disparos da DGS perto das 20h30 de 25 de abril de 1974 e morreu no Hospital de São José às 00h30 de 26 de abril.
Silva Pais
1905–1981
Diretor da polícia política, avisou Marcelo Caetano às 5h00 de 25 de abril de que «a Revolução está na rua». Só rendeu a sede da DGS na manhã de 26, depois de os agentes terem matado quatro pessoas na Rua António Maria Cardoso.
Conceição Matos
n. 1936
Militante comunista presa em 1965 e em 1968, sofreu na sede da PIDE alguns dos métodos de tortura mais cruéis e humilhantes aplicados a uma mulher, e nunca falou. Décadas depois, contou-o publicamente para denunciar a polícia política.
Helena Pato
n. 1939
Dirigente estudantil na crise académica de 1962, foi presa em 1967 e sofreu em Caxias um longo isolamento, agressões e tortura do sono. Mais tarde dirigiu o movimento Não Apaguem a Memória.
Notas sobre as fontes1
- A idade: 38 anos, segundo o Museu do Aljube e a Time Out, o que bate com a data de nascimento; 37, segundo O Século de 28 de abril de 1974, citado pelo Esquerda.net.
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Fontes
- 1José James Harteley Barneto (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Esta semana, e sempre, a rua lembra os quatro homens assassinados pela PIDE/DGS. Time Out Lisboa (1/4/2024) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Os mortos pela PIDE em 25 de Abril. Esquerda.net — consultado a 2 de outubro de 2026
