Repressãoestudante de Direitodirigente associativomilitante da FEML (MRPP)assassinado pela PIDE/DGS
Nasceu
19 de março de 1946, Lisboa
Morreu
12 de outubro de 1972, Lisboa (Hospital de Santa Maria)
Estudante de Direito de 26 anos, morto a tiro por um agente da PIDE/DGS num «meeting contra a repressão» no ISCEF, a 12 de outubro de 1972. O funeral foi uma das maiores manifestações contra a ditadura na sua fase final.
Nasceu em Lisboa a 19 de março de 1946, filho de Maria Antónia Leitão Ribeiro Santos e de Vasco Artur Ribeiro Santos, e iniciou-se nas lutas estudantis no Liceu Pedro Nunes. Em 1965 entrou na Faculdade de Direito de Lisboa, onde foi membro da Secção de Propaganda, vice-presidente para as Relações Internas, presidente da Mesa da Assembleia-Geral e delegado de curso do 4.º ano.1 A PIDE abriu-lhe ficha em 1967, quando participou no socorro às vítimas das cheias desse ano; em 1969 foi suspenso por interromper as frequências de vinte «fura-greves».2
Militava no movimento «Ousar Lutar, Ousar Vencer» e na Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas, ligados ao MRPP.1 A 12 de outubro de 1972, durante um «meeting contra a repressão» no ISCEF, o agente da DGS António Gomes da Rocha disparou vários tiros, que o atingiram a ele e a José Lamego.1 Levado por colegas de Medicina para o Hospital de Santa Maria, morreu ainda na sala de observações, aos 26 anos.53
Nessa noite, 300 estudantes reunidos no Instituto Superior Técnico decidiram paralisar a universidade e ir em massa ao funeral.3 O cortejo saiu a 14 de outubro da casa onde vivia, junto ao Largo de Santos, e houve cargas policiais pelo caminho e no Cemitério da Ajuda.14 Foi uma das mais importantes manifestações contra a ditadura na sua fase final, e «Vinguemos Ribeiro Santos» ficou como palavra de ordem até ao 25 de Abril.13
O agente que o matou nunca foi julgado: preso em Alcoentre depois da revolução, fugiu da cadeia a 29 de junho de 1975.56 Pelo primeiro edital de toponímia depois do 25 de Abril, de 30 de dezembro de 1974, a Calçada de Santos, onde vivia, passou a chamar-se Calçada Ribeiro Santos.4
Estudante de Direito, assistiu ao assassinato de Ribeiro Santos em 1972. Presa em 1973, foi das estudantes mais barbaramente torturadas pela polícia política em Caxias, e nunca falou.
Estudante de Medicina, foi a primeira mulher a falar num plenário da crise académica de 1962; fundou depois as Brigadas Revolucionárias, que atacaram o aparelho da guerra colonial. Médica e professora, é autora do primeiro estudo sobre a obesidade em Portugal.
Arquiteto e figura dos católicos progressistas, esteve na vigília pela paz de São Domingos (1968–1969) e foi um dos organizadores da vigília da Capela do Rato (1972). Preso pela DGS em 1970, depois do Rato e no fim de 1973, só saiu de Caxias com o 25 de Abril.
Carismático dirigente dos estudantes de Medicina, propôs a greve de fome de maio de 1962; preso no Aljube, a sua libertação foi exigida em manifestações reprimidas pela polícia.
Engenheira e católica progressista, preparou desde 1970 o que viria a ser a Comissão da Condição Feminina, foi ministra dos Assuntos Sociais em 1974–1975 e a única mulher a chefiar um governo em Portugal (1979–1980).
Notas sobre as fontes1
Onde morreu: na sala de observações do Hospital de Santa Maria (Memória Comum, Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril e a página do Museu do Aljube sobre o assassinato) ou já sem vida à chegada ao hospital (biografia no mesmo museu).