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Resistênciapor Onofriana.pt

Pessoas

Luís Cília

Cultura e censuracantor e compositorautor de «Avante Camarada»exilado em França (1964–1974)
Nasceu
1943, Huambo (Angola)

Cantor e compositor nascido no Huambo, em Angola. Desertou em 1964 e exilou-se em Paris, onde cantou contra a guerra colonial e compôs «Avante Camarada». Voltou a 30 de abril de 1974, com José Mário Branco.

Nasceu em 1943 no Huambo, em Angola, e veio para Portugal em 1959. Em 1962 conheceu o poeta Daniel Filipe, que o incentivou a musicar poesia.1 Em 1964 desertou e partiu para Paris, onde gravou «Portugal-Angola: Chants de Lutte» e cantou em sessões de associações de emigrantes, de sindicatos e de partidos e nos bairros de lata.1

Compôs a banda sonora do filme «O Salto» e «Avante Camarada», que o PCP adotou como hino;1 foi Luísa Basto quem a gravou pela primeira vez, em Moscovo.2 Em 1967 esteve no Festival da Canção de Protesto, em Cuba, e no Maio de 1968 cantou para estudantes e operários e em fábricas ocupadas, ao lado de Paco Ibáñez e de Colette Magny.1 A 10 de novembro de 1970 cantou na Mutualité, em Paris, no concerto «La Chanson de Combat Portugaise», entre interrupções da plateia.3

Voltou a 30 de abril de 1974: a RTP filmou-o à chegada ao aeroporto, ao lado de José Mário Branco.41 Em 1999 contou à RTP que viajou com um passaporte de refugiado.5 Em maio cantou no I Encontro Livre da Canção Popular, no Porto.16 Tem-se dedicado sobretudo a compor para teatro, bailado e cinema.1

No arquivo

  • O LP «Resposta», de Luís Cília, que a editora Valentim de Carvalho data de 1975 e publicou inteiro no seu canal. Saiu depois de o cantor voltar do exílio em França, a 30 de abril de 1974.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da editora Valentim de Carvalho

    Edições Valentim de Carvalho, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

  • Testemunho de Luís Cília recolhido pelo Museu do Aljube em janeiro de 2024. A biografia que o museu publica com ele lembra a deserção, o exílio em Paris a partir de 1964 e o regresso a Portugal a 30 de abril de 1974.

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    Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Lugares

Na cronologia

  1. 10 nov. 1970

    «La Chanson de Combat Portugaise»: os cantores exilados em Paris
  2. 30 abr. 1974

    José Mário Branco e Luís Cília chegam do exílio e são recebidos com a «Grândola»
  3. maio 1974

    I Encontro Livre da Canção Popular, no Porto

Cruzaram-se com ele

  • José Mário Branco

    1942–2019

    Cantor, compositor e produtor. Preso pela PIDE em 1962, desertou da guerra colonial e viveu onze anos exilado em França, onde produziu «Cantigas do Maio», de José Afonso. Voltou a 30 de abril de 1974 e foi recebido no aeroporto com a «Grândola».

  • José Afonso (Zeca Afonso)

    1929–1987

    Cantor de intervenção, perseguido pela censura e preso pela PIDE/DGS em 1973. A sua «Grândola, Vila Morena», cantada em coro no Coliseu em março de 1974, foi um mês depois a segunda senha do 25 de Abril.

  • Adriano Correia de Oliveira

    1942–1982

    Cantor da geração de Coimbra que fez da canção uma arma contra o Estado Novo. A sua «Trova do Vento que Passa», com poema de Manuel Alegre, tornou-se um hino estudantil e antifascista. Esteve no Coliseu em março de 1974 e no aeroporto a receber os exilados.

  • Francisco Fanhais

    n. 1941

    Padre e cantor. Na vigília de São Domingos, na passagem de 1968 para 1969, cantou a «Cantata da Paz» de Sophia de Mello Breyner. Impedido de ser padre, de ensinar e de cantar em público, partiu para França em 1971 e participou nas gravações de «Cantigas do Maio».

  • Sérgio Godinho

    n. 1945

    Poeta, compositor, cantor e ator. Saiu de Portugal aos 20 anos para não ir à guerra colonial e viveu exilado em Genebra, Paris, Amesterdão, no Brasil e em Vancouver. O seu primeiro disco, «Os Sobreviventes», gravado em França, foi proibido pela censura.

  • Álvaro Cunhal

    1913–2005

    Dirigente comunista, foi preso em 1949 e fugiu da Fortaleza de Peniche em 1960. Secretário-geral do PCP, regressou do exílio a 30 de abril de 1974 e falou à multidão no aeroporto de cima de uma chaimite.

Notas sobre as fontes1
  • Se Luís Cília e José Mário Branco vieram no mesmo avião de Álvaro Cunhal, a 30 de abril de 1974: a reportagem da RTP não o diz.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Luís Cília — biografia e testemunho (Memórias na Resistência, recolhido em janeiro de 2024). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
  2. 2Mariana Duarte, Entrevista com Luísa Basto: «Os meus pais ouviam-me cantar nas rádios clandestinas e não sabiam que era eu». Fonoteca Municipal do Porto (Câmara Municipal do Porto), 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
  3. 3Concerto «La Chanson de Combat Portugaise» (Paris, 10 de novembro de 1970). RTP Arquivos (Antena 1) — consultado a 3 de outubro de 2026
  4. 4Regresso de José Mário Branco (Noticiário Nacional, 30 de abril de 1974). RTP Arquivos — consultado a 3 de outubro de 2026
  5. 5Luís Cília («Retratos — 25 Nomes, 25 Dias, 25 Anos», 1999). RTP Arquivos — consultado a 3 de outubro de 2026
  6. 61.º Encontro Livre da Canção Popular no Porto (Informação Diária, 6 de maio de 1974). RTP Arquivos — consultado a 3 de outubro de 2026

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