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Resistênciapor Onofriana.pt
Pintura de cores vivas do rosto de um homem de cabelo castanho encaracolado e óculos de aros grandes, com uma camisola azul, sobre um fundo azul e branco; a assinatura do pintor em baixo.
Henrique Matos, CC BY-SA 3.0

Pessoas

José Afonso (Zeca Afonso)

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos

Cultura e censuracantor e compositorprofessorautor de «Grândola, Vila Morena»preso político (1973)
Nasceu
2 de agosto de 1929, Aveiro
Morreu
23 de fevereiro de 1987, Setúbal

Cantor de intervenção, perseguido pela censura e preso pela PIDE/DGS em 1973. A sua «Grândola, Vila Morena», cantada em coro no Coliseu em março de 1974, foi um mês depois a segunda senha do 25 de Abril.

Nasceu em Aveiro a 2 de agosto de 1929 e estudou em Coimbra, onde se revelou como intérprete da canção coimbrã.2 Tornou-se uma referência da música portuguesa no tempo da resistência ao Estado Novo.10 Era professor e, quando regressou de Moçambique, em 1967, foi expulso do ensino oficial; a partir daí passou a ser um símbolo da resistência democrática.2 O seu nome era proibido nos jornais, que, para fugir à censura, o escreviam ao contrário: «Esoj Osnofa».3

Em abril de 1973, na vaga de repressão que se seguiu ao Congresso da Oposição Democrática, foi preso pela PIDE/DGS.6 Esteve detido no Forte de Caxias até maio.2

«Grândola, Vila Morena» nasceu de uma atuação na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, em 1964, e saiu no disco «Cantigas do Maio», em 1971.3 No I Encontro da Canção Portuguesa, no Coliseu dos Recreios, em março de 1974, José Afonso cantou-a e o público que enchia a sala acompanhou-o em coro.17

Para senha do levantamento, o MFA quis usar «Venham Mais Cinco», mas a canção estava proibida pela censura interna da Rádio Renascença, e escolheu-se «Grândola».8 Às 0h20 de 25 de abril passou no programa «Limite», da Rádio Renascença: era a segunda senha, a que confirmava o início das operações.9

Durante o processo revolucionário aproximou-se da LUAR, sem nela militar, e percorreu o país a cantar.10 Em 1983, já doente, deu os últimos espetáculos, nos coliseus de Lisboa e do Porto. Morreu em Setúbal a 23 de fevereiro de 1987.2

No arquivo

  • O coro da Casa da Achada e quem passava cantam a «Grândola, Vila Morena» na rua, em Lisboa, no dia 25 de abril de 2023. Quase meio século depois de ter servido de senha à revolução, a canção de José Afonso continua a ser cantada em coro em cada 25 de Abril.

    Página original CC BY-SA 4.0 — Contaminadas (obra própria, Wikimedia Commons)

    Wikimedia Commons, no Wikimedia Commons. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

Noutros arquivos

Estes só se veem no sítio de cada arquivo.

Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 19 maio 1954

    Catarina Eufémia morta pela GNR em Baleizão
  2. 19 dez. 1961

    A PIDE assassina o escultor José Dias Coelho em Alcântara
  3. 29 mar. 1974

    I Encontro da Canção Portuguesa no Coliseu
  4. 23 abr. 1974

    A «Grândola» é escolhida como senha no programa «Limite»
  5. 25 abr. 1974

    «Grândola, Vila Morena» na Rádio Renascença confirma a revolução

Cruzaram-se com ele

  • Carlos Albino

    Jornalista do República e um dos autores do «Limite», garantiu que «Grândola, Vila Morena» passasse na Rádio Renascença como senha do MFA, contornando a censura da própria rádio e a oficial.

  • Leite de Vasconcelos

    Locutor do «Limite», gravou sem saber para quê a leitura da primeira quadra de «Grândola, Vila Morena» que abriu, às 00h20 de 25 de abril de 1974, a senha do MFA na Rádio Renascença.

  • Margarida Tengarrinha

    1928–2023

    Artista plástica expulsa da Escola de Belas-Artes em 1952, viveu na clandestinidade com José Dias Coelho, numa casa onde o PCP falsificava documentos. Só soube que a PIDE o matara no dia do enterro, a que não pôde ir.

  • José Dias Coelho

    1923–1961

    Escultor e pintor que trocou a carreira artística pela clandestinidade no PCP. Agentes da PIDE mataram-no a tiro numa rua de Alcântara a 19 de dezembro de 1961, aos 38 anos.

  • Aida Magro

    1918–2011

    Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.

  • Albina Fernandes

    1928–1970

    Militante comunista presa em 1961 com os dois filhos pequenos, que manteve junto de si em Caxias. Passou seis anos e sete meses na prisão e suicidou-se em 1970, com o sistema nervoso debilitado pelos anos de cadeia.

Notas sobre as fontes3
  • A data do I Encontro da Canção Portuguesa: 29 de março de 1974 (fotografia de Carlos Gil na Casa Comum, Wikipédia) ou 28 de março (cronologia da Associação 25 de Abril).
  • A hora a que «Grândola» passou na Rádio Renascença: 0h20 (Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril) ou 0h25 (RTP Ensina).
  • Quando saiu de Caxias: a Wikipédia diz que esteve detido entre abril e maio de 1973; a Associação 25 de Abril regista só a prisão, em abril.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1I Encontro da Canção Portuguesa – José Afonso no Coliseu dos Recreios (fotografia de Carlos Gil, cota 07337.004.005). Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2José Afonso. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Grândola, Vila Morena. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Grândola: a música da revolução. RTP Ensina — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Período da Revolução – cronologia. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Período pré-revolução (01-01-1973 a 24-04-1974) – cronologia. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Canção Intervenção, 28/03/1974 (cronologia). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Preparativos para a transmissão da senha, 23/04/1974 (cronologia). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Operação Viragem Histórica. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Zeca Afonso. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Zeca Afonso (Q559269). Wikidata — consultado a 2 de outubro de 2026