Cultura e censuracantor e compositorprofessorautor de «Grândola, Vila Morena»preso político (1973)
Nasceu
2 de agosto de 1929, Aveiro
Morreu
23 de fevereiro de 1987, Setúbal
Cantor de intervenção, perseguido pela censura e preso pela PIDE/DGS em 1973. A sua «Grândola, Vila Morena», cantada em coro no Coliseu em março de 1974, foi um mês depois a segunda senha do 25 de Abril.
Nasceu em Aveiro a 2 de agosto de 1929 e estudou em Coimbra, onde se revelou como intérprete da canção coimbrã.2 Tornou-se uma referência da música portuguesa no tempo da resistência ao Estado Novo.10 Era professor e, quando regressou de Moçambique, em 1967, foi expulso do ensino oficial; a partir daí passou a ser um símbolo da resistência democrática.2 O seu nome era proibido nos jornais, que, para fugir à censura, o escreviam ao contrário: «Esoj Osnofa».3
Em abril de 1973, na vaga de repressão que se seguiu ao Congresso da Oposição Democrática, foi preso pela PIDE/DGS.6 Esteve detido no Forte de Caxias até maio.2
«Grândola, Vila Morena» nasceu de uma atuação na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, em 1964, e saiu no disco «Cantigas do Maio», em 1971.3 No I Encontro da Canção Portuguesa, no Coliseu dos Recreios, em março de 1974, José Afonso cantou-a e o público que enchia a sala acompanhou-o em coro.17
Para senha do levantamento, o MFA quis usar «Venham Mais Cinco», mas a canção estava proibida pela censura interna da Rádio Renascença, e escolheu-se «Grândola».8 Às 0h20 de 25 de abril passou no programa «Limite», da Rádio Renascença: era a segunda senha, a que confirmava o início das operações.9
Durante o processo revolucionário aproximou-se da LUAR, sem nela militar, e percorreu o país a cantar.10 Em 1983, já doente, deu os últimos espetáculos, nos coliseus de Lisboa e do Porto. Morreu em Setúbal a 23 de fevereiro de 1987.2
No arquivo
O coro da Casa da Achada e quem passava cantam a «Grândola, Vila Morena» na rua, em Lisboa, no dia 25 de abril de 2023. Quase meio século depois de ter servido de senha à revolução, a canção de José Afonso continua a ser cantada em coro em cada 25 de Abril.
Página original CC BY-SA 4.0 — Contaminadas (obra própria, Wikimedia Commons)
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Jornalista do República e um dos autores do «Limite», garantiu que «Grândola, Vila Morena» passasse na Rádio Renascença como senha do MFA, contornando a censura da própria rádio e a oficial.
Locutor do «Limite», gravou sem saber para quê a leitura da primeira quadra de «Grândola, Vila Morena» que abriu, às 00h20 de 25 de abril de 1974, a senha do MFA na Rádio Renascença.
Artista plástica expulsa da Escola de Belas-Artes em 1952, viveu na clandestinidade com José Dias Coelho, numa casa onde o PCP falsificava documentos. Só soube que a PIDE o matara no dia do enterro, a que não pôde ir.
Escultor e pintor que trocou a carreira artística pela clandestinidade no PCP. Agentes da PIDE mataram-no a tiro numa rua de Alcântara a 19 de dezembro de 1961, aos 38 anos.
Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.
Militante comunista presa em 1961 com os dois filhos pequenos, que manteve junto de si em Caxias. Passou seis anos e sete meses na prisão e suicidou-se em 1970, com o sistema nervoso debilitado pelos anos de cadeia.
Notas sobre as fontes3
A data do I Encontro da Canção Portuguesa: 29 de março de 1974 (fotografia de Carlos Gil na Casa Comum, Wikipédia) ou 28 de março (cronologia da Associação 25 de Abril).
A hora a que «Grândola» passou na Rádio Renascença: 0h20 (Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril) ou 0h25 (RTP Ensina).
Quando saiu de Caxias: a Wikipédia diz que esteve detido entre abril e maio de 1973; a Associação 25 de Abril regista só a prisão, em abril.