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Resistênciapor Onofriana.pt

Pessoas

António Tereso

Repressãomecânico de automóveismilitante do PCPpreso políticocondutor do carro blindado na fuga de Caxias (1961)

Mecânico preso em Caxias, fez-se passar por «rachado» durante meses, a pedido do PCP, para preparar a fuga de 4 de dezembro de 1961, e foi ao volante do carro blindado de Salazar que oito presos saíram do forte.

Mecânico de automóveis e militante do PCP, estava preso em Caxias quando José Magro, dirigente do partido com longos anos de cadeia, o encarregou de estudar as hipóteses de fuga. Para isso tinha de se fazer passar por «rachado» — fingir que se passara para o lado dos carcereiros — e sujeitar-se ao desprezo dos camaradas. Resistiu, mas aceitou.1 Fê-lo durante 19 meses, recordou Domingos Abrantes em 2021, ao homenageá-lo como herói da resistência antifascista.2

Ganhou a confiança dos guardas e da direção da prisão e, com ela, uma liberdade de movimentos rara para um preso. Foi assim que descobriu na garagem o carro blindado de Salazar, um Chrysler Imperial de 1937, cuja reparação lhe foi confiada.13 Estava à beira de sair em liberdade, e os camaradas, já condenados, iam ser transferidos para Peniche: teve de pôr o carro a funcionar, torná-lo uma presença habitual na cadeia e estudar como levá-lo ao fosso interior, o único sítio a que os outros presos tinham acesso. Sabotou ainda os outros carros, para impedir a perseguição.1

Na manhã de 4 de dezembro de 1961 levou o Chrysler de marcha-atrás pelo túnel até ao fosso interior do Reduto Norte, onde os presos fingiam jogar à bola no recreio. Ao grito de «Golo!», dado por José Magro, sete presos entraram no carro, que rebentou o portão exterior e saiu da prisão debaixo do fogo da GNR.31 Fugiram com ele António Gervásio, Domingos Abrantes, Francisco Miguel, Guilherme Costa Carvalho, Ilídio Esteves, José Magro e Rolando Verdial.2

No arquivo

  • No dia em que passavam 60 anos, Domingos Abrantes, um dos oito dirigentes do PCP que fugiram do Forte de Caxias a 4 de dezembro de 1961, recorda a fuga. Os presos saíram no Chrysler blindado que servira Salazar, conduzido por António Tereso, rebentando o portão exterior do forte.

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Nos percursos

Lugares

Na cronologia

  1. 4 dez. 1961

    Fuga de Caxias no carro blindado de Salazar

Cruzaram-se com ele

  • Domingos Abrantes

    n. 1936

    Dirigente comunista, foi um dos oito presos que fugiram de Caxias no carro blindado de Salazar, em 1961. Preso em 1959 e de novo em 1965, resistiu à tortura da PIDE sem falar.

  • Aida Magro

    1918–2011

    Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.

  • Albina Fernandes

    1928–1970

    Militante comunista presa em 1961 com os dois filhos pequenos, que manteve junto de si em Caxias. Passou seis anos e sete meses na prisão e suicidou-se em 1970, com o sistema nervoso debilitado pelos anos de cadeia.

  • Alda do Espírito Santo

    1926–2010

    Poeta são-tomense em cuja casa lisboeta, na Rua Actor Vale, funcionou a partir de 1951 o Centro de Estudos Africanos. Presa em 1965 e encarcerada em Caxias, escreveu depois a letra do hino de São Tomé e Príncipe.

  • Aurora Rodrigues

    n. 1952

    Estudante de Direito, assistiu ao assassinato de Ribeiro Santos em 1972. Presa em 1973, foi das estudantes mais barbaramente torturadas pela polícia política em Caxias, e nunca falou.

  • Cesina Bermudes

    1908–2001

    Médica obstetra e pioneira do «parto sem dor» em Portugal. Fez campanha por Norton de Matos em 1949, na Comissão Central do Movimento Nacional Democrático Feminino, e por isso foi presa em Caxias e afastada do ensino na Faculdade de Medicina.

Notas sobre as fontes1
  • As datas de nascimento e de morte: a URAP publicou uma nota «Na morte de António Tereso» que não foi possível ler.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes

  1. 1Fuga de Caxias. Dedicação à prova de bala. URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2A fuga de Caxias, um acto de resistência antifascista rumo à vitória, foi há 60 anos. URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Fuga de Caxias. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026