A Rua da Escola Politécnica, onde ficava a sede da Sociedade Portuguesa de Escritores, em 2017.Dguendel, CC BY 4.0
Santo António
Sociedade Portuguesa de Escritores (sede)
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No primeiro andar do n.º 20 desta rua ficava a Sociedade Portuguesa de Escritores. Em maio de 1965, por ter premiado «Luuanda», de Luandino Vieira, preso no Tarrafal, foi extinta pelo Governo, e a sede assaltada e destruída na mesma noite.
A ideia de uma associação de escritores tornou-se pública a 30 de abril de 1954, numa carta-circular de Aquilino Ribeiro e Ferreira de Castro, e a primeira reunião fez-se na Casa do Alentejo a 6 de maio. Os estatutos só foram homologados a 4 de julho de 1956; no dia seguinte elegeram-se os corpos gerentes, com Aquilino Ribeiro na direção, João de Barros na assembleia geral e António Sérgio no conselho fiscal. Na fotografia da tomada de posse, em julho, estão duas mulheres entre os eleitos: Manuela de Azevedo e Adelaide Félix. Instalada primeiro na Rua das Taipas, a Sociedade Portuguesa de Escritores fixou-se depois aqui, no primeiro andar do n.º 20 da Rua da Escola Politécnica.1
A sociedade organizou ciclos de conferências e, com a Fundação Calouste Gulbenkian, criou grandes prémios bienais de poesia, teatro, novelística e ensaio. Recebeu na sede, entre outros, Roland Barthes e Robbe-Grillet, e defendeu junto do ministro sócios presos pela PIDE, como Alves Redol e Urbano Tavares Rodrigues, em 1963.1 Na crise académica de 1962, a 15 de maio, membros da sociedade — entre eles Sophia de Mello Breyner Andresen, José Cardoso Pires, José Saramago e Aquilino Ribeiro — assinaram um abaixo-assinado de solidariedade com as associações de estudantes.56
Em maio de 1965, um júri formado por Alexandre Pinheiro Torres, Augusto Abelaira, Fernanda Botelho, João Gaspar Simões e Manuel da Fonseca deu o Grande Prémio de Novelística a «Luuanda», de José Luandino Vieira, preso pelas suas posições anticolonialistas.1 Luandino cumpria uma pena de 14 anos no Tarrafal, acusado de lutar ao lado do MPLA.3 Os principais jornais noticiaram o prémio sem perceberem que o autor era um preso político; quando deu por isso, a censura proibiu qualquer referência.2 Pressionada para revogar a decisão, a direção não cedeu. Os cinco jurados foram interrogados na PIDE, e Pinheiro Torres, Abelaira e Manuel da Fonseca ficaram presos,1 Manuel da Fonseca em Caxias.4 Vinte e cinco anos depois, Fernanda Botelho, a única mulher do júri, disse à RTP que nunca esperara a polémica e que votara por critérios literários, não políticos.3
A 21 de maio de 1965, um despacho do ministro da Educação Nacional, Inocêncio Galvão Teles, extinguiu a sociedade.2 Nessa noite, pelas 22 horas, a sede foi assaltada e saqueada por «desconhecidos» apoiados por elementos da PIDE; à porta deixaram um dístico, «Agência dos terroristas na Metrópole», e nas paredes outras frases, como «M. P. L. A. Sucursal». O Diário de Notícias do dia seguinte descreveu o mobiliário destruído, as portas e janelas danificadas, as máquinas de escrever e os ficheiros inutilizados.1 A RTP fala de um grupo de agentes da PIDE e de legionários, e conta que o Jornal do Fundão, que deu a notícia, foi suspenso por seis meses.3
Assim acabou, ao fim de nove anos, a Sociedade Portuguesa de Escritores; o último presidente da direção foi Jacinto do Prado Coelho, e o património nunca foi devolvido. Os escritores só voltaram a ter uma associação com a Associação Portuguesa de Escritores, homologada em setembro de 1972, que não pôde herdar o nome. Quando elegeu os primeiros corpos gerentes, em junho de 1973, foi Sophia de Mello Breyner Andresen quem ficou a presidir à assembleia geral.1
Em janeiro de 1947, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, dirigido por Maria Lamas, juntou aqui três mil livros de quatrocentas autoras de trinta países. Foi um êxito — e o pretexto para o regime fechar o Conselho meses depois.
Lors de la révolte de février 1927, des barricades se sont dressées ici, et près de la fontaine des civils et des marins ont été fusillés. En 1931, la place est redevenue une ligne de front ; en 1972, c’est au commissariat de la place que la police a emmené les personnes arrêtées lors de la veillée de la chapelle du Rato.
Aujourd’hui : Chapelle du Rato (chapelle Nossa Senhora da Bonança)
Au passage de 1972 à 1973, des catholiques opposés à la guerre coloniale ont tenu ici une veillée de 48 heures. C’est une femme, Maria da Conceição Moita, qui l’a annoncée au micro ; la police antiémeute y a mis fin et a emmené des dizaines de personnes.
Ici se trouvait le journal O Século, où Maria Lamas a dirigé « Modas e Bordados » jusqu’en 1947 et où, en 1930, elle a organisé l’exposition « Mulheres Portuguesas » (Femmes portugaises). C’est aussi ici qu’a travaillé Virgínia Quaresma, l’une des premières reporters portugaises.
FemmesCulture et censureTravail
Notes sur les sources3
O ponto no mapa é aproximado: está na Rua da Escola Politécnica, não à porta do n.º 20.
O que noticiou o Jornal do Fundão: a RTP diz que foi o único jornal a dar a notícia e que por isso foi suspenso seis meses; mas o memorial da APE cita o relato do assalto no Diário de Notícias de 22 de maio de 1965.
Quem fez o assalto: «bandos de desconhecidos, apoiados por elementos da PIDE» (memorial da APE, 1983) ou «um grupo de agentes da PIDE e de legionários» (RTP).
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