Cultura e censuraescritor luso-angolanomilitante do MPLApreso político no Tarrafal (1964–1972)Grande Prémio de Novelística da SPE (1965)
Nasceu
4 de maio de 1935, Lagoa do Furadouro, Ourém
Escritor luso-angolano, autor de «Luuanda». O prémio que a Sociedade Portuguesa de Escritores lhe deu em 1965, quando estava preso no Tarrafal, levou a PIDE a interrogar o júri e a deter três jurados, e o regime a destruir a sede da SPE e a extingui-la.
Nasceu em Ourém a 4 de maio de 1935 e cresceu em Luanda. Preso pela PIDE em 1959, voltou a sê-lo em 1961, já militante do MPLA, e foi condenado a 14 anos de prisão. Em 1964 foi transferido para o campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde passou oito anos.1 Foi um dos autores africanos que a Casa dos Estudantes do Império publicou em Lisboa.4
«Luuanda», de 1963, conta a vida nos musseques de Luanda, misturando o português com o quimbundo. Em maio de 1965, a Sociedade Portuguesa de Escritores deu-lhe o Grande Prémio de Novelística.2 O júri — Fernanda Botelho, Alexandre Pinheiro Torres, Augusto Abelaira, João Gaspar Simões e Manuel da Fonseca — foi acusado de «traição à pátria». Todos foram interrogados na PIDE, e Pinheiro Torres, Abelaira e Manuel da Fonseca ficaram detidos.32 Na noite de 21 de maio, agentes da PIDE e legionários assaltaram e destruíram a sede da SPE, e o Governo extinguiu-a.231
Saiu em liberdade condicional em 1972 e passou a viver em Lisboa, sob vigilância, a trabalhar com o editor Sá da Costa até ao 25 de Abril. Regressou a Angola em 1975. Em 2006 recusou o Prémio Camões.1
Romancista, era a única mulher do júri da Sociedade Portuguesa de Escritores que premiou «Luuanda», de Luandino Vieira, em 1965 — o prémio que levou à extinção da sociedade e à prisão de três jurados.
Estudante de Medicina em Lisboa desde 1948, militou na Casa dos Estudantes do Império, no MUD Juvenil e no Centro de Estudos Africanos. Preso várias vezes pela PIDE em Lisboa, foi o primeiro presidente de Angola independente.
Poeta são-tomense em cuja casa lisboeta, na Rua Actor Vale, funcionou a partir de 1951 o Centro de Estudos Africanos. Presa em 1965 e encarcerada em Caxias, escreveu depois a letra do hino de São Tomé e Príncipe.
Estudante de Agronomia em Lisboa desde 1945, conheceu na Casa dos Estudantes do Império Agostinho Neto, Mário Pinto de Andrade e Marcelino dos Santos, e foi um dos dirigentes do Centro de Estudos Africanos. Fundou o PAIGC e foi assassinado em Conacri em 1973.
Poeta moçambicana, viveu em Lisboa entre 1951 e 1964, publicou na «Mensagem» da Casa dos Estudantes do Império e frequentou o Centro de Estudos Africanos, até a oposição ao Estado Novo a obrigar ao exílio em Paris.
Poeta. Viveu na Graça de 1951 até morrer, escreveu a «Cantata da Paz» para a vigília de São Domingos, ajudou a fundar a comissão de socorro aos presos políticos e foi deputada constituinte. «Esta é a madrugada que eu esperava» é dela.
Notas sobre as fontes1
O dia em que a SPE decidiu o prémio: 21 de maio de 1965, segundo o artigo da Wikipédia sobre Luandino; o artigo sobre a SPE cita notícias do Diário de Lisboa e do República de 19 de maio sobre a atribuição dos prémios.