
Crédito de la imagen: Ingo Mehling · CC BY-SA 4.0
Recorrido · Colonialismo · a pie
Do Padrão ao cais
O império que o Estado Novo encenou em Belém, as pessoas das colónias expostas em 1940, os embarques para a guerra e o regresso de 1975
- Distancia
- 4,5 km
- Duración
- 2 h 10 min
- Paradas
- 8
- Dificultad
- Fácil
El recorrido, las fotos y el mapa se quedan en el móvil, para abrirlos en cualquier sitio.
Introducción
Este texto aún no se ha traducido al español. Se muestra en el portugués original.
Em Belém, o Estado Novo encenou o império. Em 1940, a Exposição do Mundo Português celebrou, nas palavras da época, «a vitória da raça em oito séculos de história», e trouxe das colónias 138 homens, mulheres e crianças para serem vistos pelos visitantes.1 Pouco mais de vinte anos depois, já com a guerra em Angola, foi dos cais de Alcântara e da Rocha do Conde de Óbidos que os soldados partiram para África; e foi para esses cais que voltaram, em 1975, os caixotes de quem regressava das antigas colónias.23
O caminho vai do Padrão dos Descobrimentos ao cais de Alcântara pela Rua da Junqueira, onde se alinhavam as instituições do império: o hospital e a escola de medicina tropical, o arquivo colonial, a escola dos administradores das colónias. Dá a ouvir as duas vozes — a do regime, citada como a propaganda que era, e a de quem foi colonizado, quase sempre calada nos papéis — e procura em cada paragem as mulheres desta história: as que foram expostas em 1940, as senhoras do Movimento Nacional Feminino, as mães e as namoradas no cais, as enfermeiras paraquedistas, as militantes que atacaram a máquina da guerra.
As estudantes e os estudantes africanos que em Lisboa prepararam as independências — Alda do Espírito Santo, Noémia de Sousa, Amílcar Cabral, Agostinho Neto — têm o seu lugar no percurso Estudantes contra a ditadura, na Casa dos Estudantes do Império e no Centro de Estudos Africanos.
Antes de ir
- Salida
- Padrão dos Descobrimentos, em Belém — Comboio em Belém (linha de Cascais); elétrico 15; autocarros 714, 727, 728, 729 e 751
- Llegada
- Gare Marítima de Alcântara — Comboio em Alcântara-Mar (linha de Cascais), a uns 300 metros; elétricos 15 e 18 na paragem Alcântara – Avenida 24 de Julho
- Accesibilidad del recorrido
- Um percurso quase plano, quase todo junto ao rio. Entre o Padrão e a Praça do Império atravessam-se a avenida e a linha do comboio por uma passagem subterrânea junto ao Centro Cultural de Belém, com escadas e rampa, segundo o OpenStreetMap. O Jardim Botânico Tropical sobe para norte, até ao Palácio dos Condes da Calheta, mas a paragem fica à entrada. Para chegar à doca e à gare de Alcântara volta a atravessar-se a linha do comboio: junto à estação de Alcântara-Mar há passagens de nível e uma passagem inferior com escadas, sem rampa, também segundo o OpenStreetMap.
Este recorrido en fechas
8 jul. 1930
16 jun. 1934
23 jun. 1940
27 jun. 1940
10 fechas más
21 abr. 1961
28 abr. 1961
8 ago. 1961
26 oct. 1970
7 nov. 1971
jul. 1972
27 jul. 1974
10 sept. 1974
28 sept. 1974
ago. 1975
Mapa del recorrido «Do Padrão ao cais», con 8 paradas numeradas. La lista de las paradas está después del mapa.
Las paradas
Parada 1: 1940, 1960, 1975 — o mito e os caixotes
Avenida de Brasília, 1400-038 Lisboa
Hoy: Monumento com miradouro, auditório e salas de exposições

O Padrão dos Descobrimentos, o de pedra, inaugurado em 1960, numa manhã de janeiro de 2022. Ingo Mehling, CC BY-SA 4.0 Comece-se pelo mito. O Padrão foi erguido em 1940, em materiais que não eram para durar, para a Exposição do Mundo Português, e refeito em pedra em 1960, nos quinhentos anos da morte do infante D. Henrique.4 Na proa vão o infante e 32 figuras da expansão; uma só é de mulher, a rainha D. Filipa de Lencastre — a mãe.5 Os «Descobrimentos», o nome dado às viagens dos séculos XV e XVI, serviram ao salazarismo para legitimar o regime e o império.1
A rosa-dos-ventos a seus pés foi oferecida em 1960 pela África do Sul6 — uma oferta feita, escreve o historiador José Pedro Monteiro, «num momento crítico para os projectos de supremacia branca no continente africano».7 Meses depois, começava a guerra em Angola. Em meados de 1975, junto a este Padrão, amontoavam-se os caixotes de quem chegava das colónias que se tornavam independentes.89
A um quilómetro, para poente, junto ao Forte do Bom Sucesso, está o Monumento aos Combatentes do Ultramar, inaugurado a 15 de janeiro de 1994; nas muralhas do forte foram depois acrescentadas placas com os nomes de cerca de dez mil soldados mortos na guerra colonial, incluindo soldados africanos das Forças Armadas portuguesas. No fim da guerra, os soldados recrutados nas colónias eram quase metade do contingente.10
Hasta la parada 2430 m · 5 min a pieCómo llegar
Parada 2: 1940 — o império em exposição
Praça do Império, 1400-206 Lisboa
Hoy: Jardim público, com a Fonte Monumental ao centro

O jardim da Praça do Império em agosto de 2012, antes da renovação, com a Fonte Monumental ao centro e o Padrão dos Descobrimentos ao fundo, à esquerda. paul Barker Hemings, CC BY-SA 2.0 Esta praça foi aberta para a Exposição do Mundo Português, inaugurada a 23 de junho de 1940, no dia seguinte ao armistício entre a França e a Alemanha. Para a fazer, demoliram-se em Belém casas e lojas populares.1 Ao centro, a Fonte Monumental; à volta, os pavilhões dos Portugueses no Mundo e da Honra e de Lisboa.4
O império era a peça central. O Acto Colonial, de 1930, escrevera: «É da essência orgânica da Nação Portuguesa desempenhar a função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos e de civilizar as populações indígenas».11 Com a exposição colonial do Porto, em 1934, a de Belém foi a maior iniciativa dessa «pedagogia coletiva» do império, escreve Cláudia Castelo; teve cerca de três milhões de visitas.1
Em janeiro de 1975, junto aos Jerónimos, manifestaram-se aqui pessoas chegadas das colónias: «Descolonização Sim! Discriminação Não!», lia-se num cartaz.12 E em 2014 a renovação do jardim abriu uma polémica sobre os brasões florais das antigas colónias, plantados nos anos 60; o jardim reabriu em 2023, com os brasões das capitais de distrito refeitos em calçada.13 Nesses debates, nota a historiadora Márcia Chuva, os «zoos humanos» de 1940 ficaram esquecidos.14
- 23 jun. 1940Abre em Belém a Exposição do Mundo Português
- 8 jul. 1930Salazar hace promulgar el Acta Colonial
- 16 jun. 1934Inaugurada en Oporto la I Exposición Colonial Portuguesa
Hasta la parada 3350 m · 5 min a pieCómo llegar
Parada 3: 1940 — as pessoas expostas
Largo dos Jerónimos, 1, 1400-209 Lisboa
Hoy: Jardim Botânico Tropical — Museu Nacional de História Natural e da Ciência (Universidade de Lisboa)

O antigo Restaurante Colonial da exposição de 1940, entre palmeiras, no Jardim Botânico Tropical, em maio de 2010. Adam Jones, CC BY-SA 2.0 No antigo Jardim Colonial ficou a secção colonial da exposição, dirigida pelo capitão Henrique Galvão, que anos depois romperia com o regime e, em 1961, tomaria de assalto o paquete Santa Maria.115 O programa, contava o «Diário de Lisboa», tornava possível «em duas horas, o visitante percorrer todo o nosso império desde África ao Pacífico, com escalas de verdadeiro encanto».1 Entre pavilhões e réplicas de aldeias, viveram aqui durante meses 138 homens, mulheres e crianças trazidos das colónias, num «zoo humano», como lhe chama a historiadora Cláudia Castelo.1 Os bijagós da Guiné ficaram na ilha de um dos lagos, «para deleite dos visitantes», escreve hoje o museu do jardim.16 «É proibido entrar nas aldeias indígenas mas todas elas são perfeitamente visíveis do exterior das paliçadas», avisava o guia oficial.1
Das mulheres ficaram poucos sinais: a rainha e a princesa do Congo, que vieram com o rei, D. Pedro VII; Verónica, mulher de um chefe timorense, que veio com o marido, dois filhos, um criado e uma criada; mulheres machopes de Moçambique, fotografadas numa aula de costura dada por uma freira missionária; e uma mulher enviada de Manica e Sofala, cuja fotografia, escreve Castelo, «expressa a saudade da terra à chegada a Lisboa». Como viveram a viagem e a exposição, «pouco sabemos», admite a historiadora. Equipas de cientistas vinham todos os dias medir os «indígenas», em estudos de antropometria; em outubro, a comissão da exposição decidiu mandar toda esta gente de volta antes do inverno, invocando razões de saúde. Os seus nomes estão nos papéis da exposição guardados no Arquivo Histórico Ultramarino, na Junqueira, por onde este percurso passa.1
Ainda cá estão os catorze bustos de «tipos» africanos e asiáticos esculpidos para a exposição, a casa e o restaurante coloniais. O museu diz estar a dar-lhes novo significado, com as comunidades de origem.16
Hasta la parada 4650 m · 10 min a pieCómo llegar
Parada 4: 1966 e 1974 — as senhoras do regime e uma independência
Praça Afonso de Albuquerque, Lisboa
Hoy: Palácio de Belém – Presidencia de la República

O Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República, visto dos jardins da Praça Afonso de Albuquerque, em 2017. Dguendel, CC BY 4.0 Em maio de 1966, o Presidente da República, Américo Tomás, recebeu neste palácio a comissão central da «Hora Voluntária de Trabalho» do Movimento Nacional Feminino — Cecília Supico Pinto, Renata Cunha e Costa, Clara Taborda do Couto e Maria Arminda de Certima — e entregou-lhes, simbolicamente, uma hora do seu dia de trabalho.17 Fundado em 1961, o movimento pôs mulheres ao serviço da guerra: as madrinhas de guerra escreviam aos soldados, e editou mais de 300 milhões de aerogramas.1819 Em 1971, num programa da RTP, Cecília Supico Pinto mostrou o apoio às famílias dos militares, os enxovais, os aerogramas e a «Operação Saudade», em que mulheres do movimento iam de helicóptero ao mato.20
Nas suas revistas, o movimento pedia às mães portuguesas que sacrificassem os filhos «pela Nação».21 Nas cartas e nos aerogramas que a historiadora Joana Pontes estudou, quem responde aos soldados são as mães, as madrinhas de guerra e os amigos — raramente os pais.22
O Programa do MFA tinha por princípio que «a solução das guerras no ultramar é política e não militar»; a 27 de julho de 1974, a Lei n.º 7/74 tirou daí o reconhecimento do direito à autodeterminação e a «aceitação da independência dos territórios ultramarinos».23 A 10 de setembro, neste palácio, Portugal reconheceu a independência da Guiné-Bissau — e o Presidente, Spínola, aproveitou a cerimónia para atacar o rumo da descolonização e apelar à «maioria silenciosa».24
- 28 abr. 1961Fundação do Movimento Nacional Feminino (pró-regime)
- 27 jul. 1974Lei n.º 7/74 reconhece o direito das colónias à independência
- 10 sept. 1974Portugal reconhece a independência da Guiné-Bissau
- 28 sept. 1974A «maioria silenciosa» e as barricadas
Hasta la parada 5910 m · 15 min a pieCómo llegar
Parada 5: 1902 — a medicina do império
Avenida da Índia / Rua da Junqueira, Lisboa
Hoy: Cordoaria Nacional; no edifício funciona o Arquivo Histórico da Marinha

A Cordoaria Nacional em setembro de 2011: um corpo de dois andares e, atrás, a ala comprida e baixa da antiga Real Fábrica da Cordoaria. Joaomartinho63, CC BY-SA 3.0 Daqui em diante, a Rua da Junqueira alinha as instituições do império. Neste edifício, a antiga Real Fábrica da Cordoaria, instalaram-se em 1902 a Escola de Medicina Tropical e o Hospital Colonial, criados pela mesma lei, de 24 de abril.2526 O hospital tratava os funcionários e os militares «que regressavam do Ultramar em condições físicas deploráveis com doenças infecciosas»; a escola formava os médicos que iam para as colónias.26
Também aqui as mulheres das colónias foram objeto de estudo: em 1953, os «Anais» do Instituto de Medicina Tropical publicaram uma análise do leite materno das mulheres de São Tomé, assinada por Gabriel Jorge Janz e por Gabriela Lopes Pinto. Ela foi uma das poucas investigadoras do Instituto entre 1943 e 1966, quase sempre coautoras de colegas homens e quase ausentes da história oficial da casa.27
O hospital mudou-se aos poucos, a partir de 1925, para edifícios próprios mais adiante nesta rua — foi Hospital do Ultramar e é hoje o Hospital de Egas Moniz —, e o Instituto em 1958.2526
Hasta la parada 6630 m · 10 min a pieCómo llegar
Parada 6: 1962 — a escola do império
Rua da Junqueira, 78, 1300-344 Lisboa
Hoy: Palácio à espera de reabilitação, aprovada em 2024 para sede da Museus e Monumentos de Portugal

O Palácio Burnay, na Rua da Junqueira, em setembro de 2024: grafitos na fachada e um elétrico a passar. Vitor Oliveira, CC BY-SA 4.0 Pelo caminho ficou o Palácio da Ega, comprado pelo Estado em 1919, onde se instalou o Arquivo Histórico Colonial, criado em 1931 e hoje Ultramarino.28 Foi pensado como monumento ao passado imperial, mas guarda também, escrevem os historiadores Ricardo Roque e José Miguel Ferreira, registos de «vozes e ações que a ordem colonial visou dominar ou marginalizar»29 — entre eles, os papéis com os nomes das pessoas expostas em 1940.1
Este palácio foi comprado em 1940 pelo Ministério das Colónias, que aqui instalou os conselhos e as juntas do império.30 Em 1962 chegou a escola dos administradores coloniais: nascida em 1906 como Escola Colonial, Escola Superior Colonial desde 1926, foi inaugurada neste palácio por Américo Tomás a 20 de novembro de 1962 e rebatizada, quatro dias depois, Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina.31 Para o investigador Frederico Ágoas, estas mudanças de nome foram antes de mais «cosmética política e de propaganda» na defesa do império.30 Um dos professores da Escola Superior Colonial, António de Almeida, chefiara em 1940 as medições das pessoas expostas no Jardim Colonial.1
Depois das independências, foi para esta rua que vieram parar muitos dos haveres dos «retornados»: no antigo edifício da Feira Internacional de Lisboa, aqui ao lado, ficaram centenas de contentores, e em 1977 a RTP filmou caixotes ainda guardados «num armazém da Rua da Junqueira».3233
Hasta la parada 71,4 km · 20 min a pieCómo llegar
Parada 7: 1970 — contra a máquina da guerra
Doca de Alcântara, Porto de Lisboa, 1399-049 Lisboa
Hoy: Doca de Alcântara

A Doca de Alcântara, com o cais de contentores e a Ponte 25 de Abril ao fundo, em 2020. Lopo Pizarro, CC BY-SA 4.0 Em outubro de 1970, duas explosões deixaram o cargueiro «Cunene», que abastecia as tropas coloniais, «alagado e imobilizado» nesta doca, segundo o comunicado de 26 de outubro com que a Acção Revolucionária Armada reivindicou a sua primeira ação. A ARA, a organização armada do PCP, esteve ativa até 1973, contra a guerra colonial e a ditadura.34
Havia mulheres nesta luta. No grupo que criou a ARA, em 1970, estava Maria Machado, nascida em 1949 numa família comunista e criada em casas clandestinas, que participou na preparação de várias ações e só saiu da clandestinidade a 1 de maio de 1974.35 Emília Morgado entrou na ARA em julho de 1970, com o marido, Ramiro Morgado, que participou na destruição do «Cunene».36 No mesmo ano, numa cisão do PCP sobre a luta armada, Isabel do Carmo e Carlos Antunes deram origem às Brigadas Revolucionárias, que em julho de 1972 destruíram quinze camiões do Exército destinados à guerra e largaram, no Rossio e em Alcântara, porcos vestidos de almirante.3738
- 26 oct. 1970ARA sabota o navio Cunene na doca de Alcântara
- 7 nov. 1971Primeira ação armada das Brigadas Revolucionárias
- jul. 1972Brigadas Revolucionárias largam porcos «almirantes» no Rossio
Isabel do Carmo, en un testimonio recogido por el Museo del Aljube el 24 de abril de 2019. Las palabras clave del museo incluyen el movimiento estudiantil, la clandestinidad, la lucha armada, la prisión, la tortura y el aislamiento en Caxias, y la prisión después del 25 de Abril.
Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial do Museu do Aljube
Museu do Aljube Resistência e Liberdade, en YouTube. El reproductor solo se conecta a ese sitio cuando pulse «Ver».
Hasta la parada 8130 m · 5 min a pieCómo llegar
Parada 8: 1961–1975 — partidas e regressos
Gare Marítima de Alcântara, 1350-355 Lisboa
Hoy: Gare marítima e Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas

A entrada da Gare Marítima de Alcântara, do lado de terra, em setembro de 2011, com a Ponte 25 de Abril à direita. João Carvalho, CC BY-SA 3.0 A gare devia ter aberto para a exposição de 1940, mas só foi inaugurada em 1943; nas paredes, Almada Negreiros pintou, em vez dos heróis do regime, a gente pobre do rio e o trabalho duro das carvoeiras no cais.3940 A partir de 21 de abril de 1961, quando o «Niassa» levou para Angola o primeiro contingente, os soldados partiram sobretudo do cais da Rocha do Conde de Óbidos, um quilómetro para nascente, mas também deste: a RTP filmou embarques no cais de Alcântara em 1961, 1962 e 1964 — «familiares dos soldados acenam com lenços brancos», regista o arquivo.412424344
«São delas — mães, irmãs, mulheres, namoradas — os rostos crispados pela dor nas despedidas do cais do embarque», escreve a investigadora Margarida Calafate Ribeiro.21 O Movimento Nacional Feminino estava sempre nos embarques e, segundo a historiadora Sara Primo Roque, não deixava as mulheres chorar: às que choravam chamavam «abjetas carpideiras».18 Foi neste cais, aonde viera com uma colega que se despedia do namorado mobilizado para a Guiné, que a enfermeira Maria de Lourdes Gomes viu que havia mulheres militares e soube de um novo curso de enfermeiras paraquedistas; inscreveu-se, e foi brevetada em 1970.45 As fotografias dos embarques desapareceram dos jornais a partir de 1969, e desde 1971 as tropas passaram a ir de avião.2141 Nem todos foram: mais de oito mil militares do Exército desertaram, e estima-se que mais de 200 mil jovens tenham faltado à chamada.4647
Pelo mesmo cais chegavam estudantes africanos para a Casa dos Estudantes do Império e mulheres africanas trazidas para servir como criadas em casas de patrões brancos.3 Em 1975, com as independências, chegaram mais de meio milhão de pessoas, e os caixotes com o que puderam trazer cobriram este cais durante meses — «as imagens mais fortes e simbólicas do fim do colonialismo europeu», diz o centro interpretativo instalado na gare.3
Notas sobre las fuentes4
- Os nomes das 138 pessoas expostas em 1940, que estão nos papéis da exposição guardados no Arquivo Histórico Ultramarino, segundo Cláudia Castelo: nenhuma das fontes consultadas os publica.
- Se o «armazém da Rua da Junqueira» onde a RTP filmou caixotes de retornados em 1977 era o antigo edifício da Feira Internacional de Lisboa, onde o jornalista Guilherme de Melo situa os contentores.
- Em que anos, além dos filmados pela RTP (1961, 1962 e 1964), embarcaram tropas no cais de Alcântara.
- O dia em que o Movimento Nacional Feminino foi recebido em Belém: o noticiário da RTP é de 18 de maio de 1966.
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Fuentes
- 1Cláudia Castelo, Simulação e dissimulação do império colonial português em Belém, Lisboa (1940/2020): a secção colonial e o jardim botânico tropical. Anais do Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro), vol. 54, 2021 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 2Partidas. Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 3Chegadas. Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 4Padrão dos Descobrimentos: a obra, 1940 e 1960. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 5O conjunto escultórico. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 6Rosa dos Ventos. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 7José Pedro Monteiro, Rosa-dos-Ventos. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 8Helena Matos, Os retornados começaram a chegar há 40 anos. Observador, 2014 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 9Exposição «Retornar – Traços da Memória» (Noticiário, 4 de novembro de 2015). RTP Arquivos, 2015 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 10Sílvia Correia, Memórias enredadas das guerras e do colonialismo (Monumento aos Combatentes). Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 11Ato Colonial. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado el 2 de octubre de 2026
- 12Manifestação de refugiados do Ultramar (Informação Diária, janeiro de 1975). RTP Arquivos, 1975 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 13Inaugurado «novo» Jardim da Praça do Império. RTP Notícias (Lusa), 2023 — consultado el 3 de octubre de 2026Publicado a 14 de fevereiro de 2023.
- 14Márcia Chuva, Praça do Império. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 15Henrique Galvão. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado el 2 de octubre de 2026
- 16Jardim Botânico Tropical. Museu Nacional de História Natural e da Ciência — Universidade de Lisboa — consultado el 3 de octubre de 2026
- 17Américo Tomás recebe Movimento Nacional Feminino (Noticiário Nacional, 18 de maio de 1966). RTP Arquivos, 1966 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 18As madrinhas de guerra foram um «sintoma» político e social durante o Estado Novo. Gerador — consultado el 3 de octubre de 2026
- 19Movimento Nacional Feminino. Wikipédia (português) — consultado el 2 de octubre de 2026
- 20Um Dia Com… Movimento Nacional Feminino (17 de maio de 1971). RTP Arquivos, 1971 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 21Margarida Calafate Ribeiro, África no feminino: as mulheres portuguesas e a Guerra Colonial. Revista Crítica de Ciências Sociais, n.º 68 (CES), 2004 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 22Livros no Aljube – Sinais de vida – Cartas de Guerra (1961-1974). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC), 2020 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 23Legislação 25A – Direito das colónias à independência (Lei 7/74 de 27 de Julho). Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra — consultado el 2 de octubre de 2026
- 2428 de Setembro. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado el 2 de octubre de 2026
- 25Aulas na Escola de Medicina Tropical. Fotografias (peça do mês). Instituto de Higiene e Medicina Tropical — Universidade NOVA de Lisboa, 2021 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 26História do Hospital de Egas Moniz. Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (SNS) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 27João Lourenço Monteiro, Mulheres visíveis: uma perspectiva diferente na história do Instituto de Medicina Tropical em Portugal, 1943-1966. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, vol. 28, n.º 1, 2021 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 28Palácio da Ega. Arquivo Histórico Ultramarino (DGLAB) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 29Ricardo Roque e José Miguel Ferreira, Arquivo Histórico Ultramarino. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 30Frederico Ágoas, Palácio Burnay – ISCSP(U): ideologia e ciência no ensino colonial. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 31Escola Colonial (1906-1974). Biblioteca Nacional de Portugal — TECOP, Textos e Contextos do Orientalismo Português — consultado el 3 de octubre de 2026
- 32Retornados (Portugalmente, 11 de dezembro de 1998). RTP Arquivos, 1998 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 33Caixotes de retornados em Lisboa (Noticiário Nacional, 20 de setembro de 1977). RTP Arquivos, 1977 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 34Primeira ação da Acção Revolucionária Armada (ARA). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado el 2 de octubre de 2026
- 35Maria Machado (testemunho e biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado el 3 de octubre de 2026Testemunho recolhido a 21 de outubro de 2020.
- 36Raimundo Narciso e Ramiro Morgado (testemunhos e biografias). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado el 3 de octubre de 2026Testemunhos recolhidos a 26 de janeiro de 2017.
- 37As Brigadas Revolucionárias realizaram a sua primeira ação armada. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado el 2 de octubre de 2026
- 38Primeira ação das Brigadas Revolucionárias (BR). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado el 2 de octubre de 2026
- 39Cais. Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 40O que contam as paredes. Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 41Pedro da Silva Monteiro, A Logística de Portugal na Guerra Subversiva de África (1961 a 1974). Revista Militar, n.º 2539/2540, 2013 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 42Embarque das tropas para o Ultramar (Telejornal, 24 de agosto de 1961). RTP Arquivos, 1961 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 43Embarque de tropas para o Ultramar (Noticiário Nacional, 16 de julho de 1962). RTP Arquivos, 1962 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 44Embarque de tropas para o Ultramar (Noticiário Nacional, 8 de janeiro de 1964). RTP Arquivos, 1964 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 45Filipa Moreno Figueiredo Caetano, A mobilização feminina durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974): o fenómeno das enfermeiras paraquedistas (dissertação de mestrado). RUN – Repositório da Universidade NOVA de Lisboa (NOVA FCSH), 2025 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 46Investigação inédita indica que mais de oito mil soldados desertaram da Guerra Colonial. RTP Notícias (Lusa), 2016 — consultado el 3 de octubre de 2026Publicado a 21 de outubro de 2016.
- 47Os desertores: recusar a guerra, combater o colonialismo (projeto de investigação). Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — consultado el 3 de octubre de 2026
- 48Contactos e horários. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 49Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado el 2 de octubre de 2026
Otros recorridos

Revolución · a pie
El día inicial
El 25 de Abril de 1974 hora a hora, del Terreiro do Paço al Carmo y a la puerta de la policía política
- Distancia
- 2,4 km
- Duración
- 1 h 30 min
- Paradas
- 7 paradas
- Dificultad
- Media

Mujeres · a pie
Graça, la colina de las mujeres
Costureras en huelga, una propagandista republicana, una cárcel de mujeres, un bar y una poeta — Graça contada por ellas
- Distancia
- 1,7 km
- Duración
- 1 h 15 min
- Paradas
- 6 paradas
- Dificultad
- Exigente

Represión · a pie
El Estado Novo, explicado
Cómo duró 48 años una dictadura: el jefe, la fachada, el partido único, la familia, el trabajo y la propaganda — de São Bento a los Restauradores
- Distancia
- 4,6 km
- Duración
- 2 h 20 min
- Paradas
- 9 paradas
- Dificultad
- Media