Belém
Praça do Império
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Aberta para a Exposição do Mundo Português, em 1940, foi o centro da maior montra de propaganda do império montada pelo Estado Novo. Os brasões das colónias que o jardim recebeu nos anos 60 voltaram a dar polémica no século XXI.
Dez anos antes de esta praça existir, o Acto Colonial, de 1930, escrevera no artigo 2.º: «É da essência orgânica da Nação Portuguesa desempenhar a função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos e de civilizar as populações indígenas».1 Nos anos 30, o regime apostou numa «mística imperial», feita de escola, propaganda e comemorações; a Exposição Colonial do Porto, em 1934, e a de Belém, em 1940, foram as maiores iniciativas dessa «pedagogia coletiva» do império, nas palavras da historiadora Cláudia Castelo.2
A praça foi aberta para a Exposição do Mundo Português, o centro das comemorações do «duplo centenário» — a fundação do reino, em 1140, e a Restauração, em 1640. Para a fazer, demoliram-se em Belém casas e lojas populares.2 Ao centro ficou a Fonte Monumental; a poente, o Pavilhão dos Portugueses no Mundo, de Cottinelli Telmo; a nascente, o Pavilhão da Honra e de Lisboa, de Cristino da Silva; a sul, junto ao rio, o Espelho de Água e o Padrão dos Descobrimentos.3 A exposição abriu a 23 de junho de 1940, no dia seguinte ao armistício entre a França e a Alemanha, e fechou a 2 de dezembro; estima-se que tenha tido três milhões de visitas. A secção colonial ficava ao lado, no Jardim Colonial.2
Nos anos 60, o jardim recebeu brasões florais, oito deles das então colónias.4 Em janeiro de 1975, junto aos Jerónimos, manifestaram-se pessoas chegadas dos territórios ultramarinos, contra a discriminação de quem vinha de lá: «Descolonização Sim! Discriminação Não!», lia-se num cartaz.5
Em 2014, a renovação do jardim gerou polémica, por estar prevista a retirada dos brasões das antigas colónias; em 2021, mais de 5500 pessoas assinaram uma petição contra a retirada, e o presidente da Câmara respondeu que os arranjos florais dos anos 60 já não existiam havia décadas. O jardim reabriu a 14 de fevereiro de 2023, com o desenho de Cottinelli Telmo recuperado e os brasões das capitais de distrito refeitos em calçada.4 Nos debates sobre a praça, nota a historiadora Márcia Chuva, os «zoos humanos» de 1940 ficaram esquecidos.6
En los recorridos
Dónde está
Mapa con la ubicación de Praça do Império.
Fechas
23 de junio de 1940
Abre a Exposição do Mundo Português.
2 de diciembre de 1940
Fecha a exposição.
enero de 1975
Pessoas chegadas das colónias manifestam-se junto aos Jerónimos contra a discriminação.
2014
A renovação do jardim gera polémica por causa dos brasões das antigas colónias.
14 de febrero de 2023
Reabre o jardim renovado, com brasões das capitais de distrito em calçada.
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Revolución
Notas sobre las fuentes2
- O ano em que o jardim recebeu os brasões florais: a RTP diz «anos 60»; a historiadora Márcia Chuva liga as mudanças no desenho da praça a 1961.
- O dia da manifestação junto aos Jerónimos: a peça da RTP está datada só de janeiro de 1975.
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Fuentes
- 1Ato Colonial. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado el 2 de octubre de 2026
- 2Cláudia Castelo, Simulação e dissimulação do império colonial português em Belém, Lisboa (1940/2020): a secção colonial e o jardim botânico tropical. Anais do Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro), vol. 54, 2021 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 3Padrão dos Descobrimentos: a obra, 1940 e 1960. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado el 3 de octubre de 2026
- 4Inaugurado «novo» Jardim da Praça do Império. RTP Notícias (Lusa), 2023 — consultado el 3 de octubre de 2026Publicado a 14 de fevereiro de 2023.
- 5Manifestação de refugiados do Ultramar (Informação Diária, janeiro de 1975). RTP Arquivos, 1975 — consultado el 3 de octubre de 2026
- 6Márcia Chuva, Praça do Império. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado el 3 de octubre de 2026
Coordenadas: OpenStreetMap (way 664144608, Fonte Monumental, ao centro da praça), consultado a 3 de outubro de 2026.