{"descricao":"As pessoas da resistência e das lutas pela liberdade, com biografia curta e fontes.","origem":"https://resistencia.onofriana.pt","licenca":"CC BY-SA 4.0 (textos) — https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.pt","atribuicao":"Resistência — Percursos pela liberdade em Lisboa. Coordenadas: © contribuidores do OpenStreetMap (ODbL), salvo indicação em contrário. As fontes de cada entrada vão na própria entrada.","gerado_em":"2026-10-03","pessoas":[{"id":"adelaide-cabete","nome":"Adelaide Cabete","nome_completo":"Adelaide de Jesus Damas Brazão Cabete","nascimento":{"data":"1867-01-25","local":"Elvas (Alcáçova)"},"morte":{"data":"1935-09-14","local":"Lisboa (São Sebastião da Pedreira)"},"mulher":true,"papeis":["médica obstetra e ginecologista","professora de Higiene e Puericultura","fundadora e presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1914-1935)","cofundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas","maçon"],"resumo":"Médica republicana que só começou a estudar depois de casar, fundou em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidiu-lhe mais de vinte anos e fez do seu consultório nos Restauradores a sede.","texto":"Nasceu em Elvas a 25 de janeiro de 1867 e só começou a estudar depois de casar com o republicano Manuel Fernandes Cabete. Formou-se em Medicina aos 33 anos, em 1900, na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, com a tese «Protecção às mulheres grávidas pobres». Em 1907 abriu consultório de obstetra e ginecologista na Baixa, na Rua da Prata, 153; mudou-o em 1908 para a Rua Áurea, 267, e a partir de 1910 para a Praça dos Restauradores, 13, onde dava consultas gratuitas a mulheres pobres.\n\nRepublicana, foi uma das fundadoras da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, em 1909, com Ana de Castro Osório. Para a revolução de 1910 coseu e bordou, com Carolina Beatriz Ângelo, bandeiras verdes e vermelhas para hastear em Lisboa. Na maçonaria usou o nome de «Louise Michel».\n\nEm 1914 fundou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a que presidiu até morrer e que teve a sede no seu consultório dos Restauradores durante 32 anos. Reclamou para as trabalhadoras um mês de descanso antes do parto, e para as mulheres o direito de voto. O Conselho organizou o I Congresso Feminista e de Educação, de 4 a 9 de maio de 1924, na Associação de Socorros Mútuos dos Empregados no Comércio de Lisboa, e um segundo em 1928; Adelaide Cabete organizou também os primeiros congressos abolicionistas da prostituição. Durante 17 anos ensinou Higiene e Puericultura no Instituto Feminino de Odivelas.\n\nEm 1929, desiludida com a ditadura, partiu para Angola com o sobrinho Arnaldo Brazão; voltou doente em 1934. Morreu em Lisboa a 14 de setembro de 1935 e está sepultada no Cemitério do Alto de São João. O Conselho mudou-se em 1946 para as Amoreiras e, dirigido desde 1945 por Maria Lamas, foi encerrado pela polícia a 28 de junho de 1947.","lugares":[{"lugar":"cnmp-restauradores","papel":"Consultório e sede do CNMP, na Praça dos Restauradores, 13 (1910-1946)"},{"lugar":"consultorio-carolina-beatriz-angelo","papel":"Teve consultórios na Baixa, perto: Rua da Prata, 153 (1907) e Rua Áurea, 267 (1908) (1907-1908)"},{"lugar":"palacio-vagos","papel":"Presidiu ao CNMP que organizou o I Congresso Feminista e de Educação (maio de 1924)"},{"lugar":"liga-republicana-mulheres","papel":"Cofundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1909)"},{"lugar":"ruas-feministas-carnide","papel":"Dá nome à Rua Adelaide Cabete, em Carnide (edital de 1976) (19 de junho de 1976)"}],"wikidata":"Q2817337","fontes":[{"titulo":"A Rua da médica Adelaide Cabete que também foi professora de Higiene","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2015/10/23/a-rua-da-medica-adelaide-cabete-que-tambem-foi-professora-de-higiene/"},{"titulo":"Ser mulher em Lisboa: a associação que agitou o regime no século XX (Ana Sofia Paiva, 8/3/2019)","editora":"FCSH+Lisboa – NOVA FCSH","url":"https://maislisboa.fcsh.unl.pt/ser-mulher-em-lisboa-a-associacao-que-agitou-o-regime-no-seculo-xx/"},{"titulo":"Adelaide Cabete","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Adelaide_Cabete"},{"titulo":"Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_Nacional_das_Mulheres_Portuguesas"},{"titulo":"Carolina: por entre os itinerários da memória e da ciência (Gaudium Sciendi, n.º 2, julho de 2012)","editora":"Isabel Lousada / Universidade Católica Portuguesa","url":"https://scucp.ucp.pt/pt-pt/asset/381/file"},{"titulo":"Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas","editora":"Wikipédia (inglês)","url":"https://en.wikipedia.org/wiki/Conselho_Nacional_das_Mulheres_Portuguesas"}],"por_confirmar":["A data do I Congresso Feminista e de Educação: 4 a 9 de maio de 1924 (FCSH+Lisboa, Wikipédia sobre o Conselho); a Toponímia de Lisboa diz 1925 e a Wikipédia sobre Adelaide Cabete diz 1921.","Com quem partilhava o consultório dos Restauradores, e em que andar: com a sobrinha, a dentista Maria Brazão, no 2.º andar (Toponímia de Lisboa), ou com a irmã, Maria Brazão, e o sobrinho Arnaldo Brazão, no 1.º andar (FCSH+Lisboa).","O ano da fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas: 1909 (Toponímia de Lisboa) ou 1908 (Wikipédia).","Se dirigiu a revista «Alma Feminina»: a Toponímia de Lisboa e a Wikipédia dizem que a fundou e dirigiu entre 1920 e 1929; a Biblioteca Nacional dá como diretora, desde 1917, Maria Clara Correia Alves."]},{"id":"agostinho-neto","nome":"Agostinho Neto","nome_completo":"António Agostinho Neto (Kilamba)","nascimento":{"data":"1922-09-17","local":"Kaxicane (Ícolo e Bengo), Angola"},"morte":{"data":"1979-09-10","local":"Moscovo"},"mulher":false,"papeis":["médico (Faculdade de Medicina de Lisboa)","poeta","militante do MUD Juvenil","preso político","presidente do MPLA e de Angola"],"resumo":"Estudante de Medicina em Lisboa desde 1948, militou na Casa dos Estudantes do Império, no MUD Juvenil e no Centro de Estudos Africanos. Preso várias vezes pela PIDE em Lisboa, foi o primeiro presidente de Angola independente.","texto":"Nasceu a 17 de setembro de 1922 em Kaxicane, Angola. Começou o curso de Medicina em Coimbra e em 1948 transferiu-se para a Faculdade de Medicina de Lisboa, sem deixar a atividade na Casa dos Estudantes do Império. Em Lisboa militou no MUD Juvenil e participou na criação do Centro de Estudos Africanos, com Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade, Marcelino dos Santos e Francisco José Tenreiro.\n\nA PIDE prendeu-o em Lisboa em 1950, quando recolhia assinaturas para a Conferência Mundial da Paz, e de novo em 1951. Em 1955 voltou a ser preso e foi condenado a 18 meses de prisão. Libertado em julho de 1957, licenciou-se em Medicina em Lisboa a 27 de outubro de 1958. Voltou a ser preso; em 1962 passou brevemente pela cadeia do Aljube e foi libertado em março. Nesse ano saiu clandestinamente de Portugal, com a mulher e os filhos.\n\nAssumiu a chefia do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e foi o primeiro presidente de Angola independente. Morreu em 1979, em Moscovo.","lugares":[{"lugar":"casa-estudantes-imperio","papel":"Ativista da CEI em Lisboa (1948)"},{"lugar":"centro-estudos-africanos","papel":"Participa na criação do Centro de Estudos Africanos (1951)"},{"lugar":"aljube","papel":"Preso brevemente na cadeia do Aljube (1962)"}],"wikidata":"Q181665","fontes":[{"titulo":"Agostinho Neto","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/09/17/agostinho-neto/"},{"titulo":"Movimento Anti-Colonialista (MAC)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/12/30/movimento-anti-colonialista-mac/"},{"titulo":"Agostinho Neto","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_Neto"},{"titulo":"Entrevista a António Tomás Medeiros (Colecção E-Books)","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://www.cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/EntrevistaaAntonio%20TomasMedeiros_Nreg%20EB00003.pdf"}],"por_confirmar":["As datas das prisões em Lisboa (1950, 1951 e 1955), a da libertação (julho de 1957) e a passagem pelo Aljube em 1962 vêm só da Wikipédia; o Museu do Aljube diz apenas que foi preso várias vezes e libertado em 1962."]},{"id":"aida-magro","nome":"Aida Magro","nome_completo":"Aida de Freitas Loureiro Magro","nascimento":{"data":"1918-04-04","local":"Gambos, Huíla (Angola)"},"morte":{"data":"2011-11-11","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["engenheira química","militante comunista clandestina","presa política","coautora do Manifesto de Caxias"],"resumo":"Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.","texto":"Nasceu em 1918 nos Gambos, na Huíla, em Angola, e veio para Lisboa estudar química no Instituto Industrial, onde entrou na luta estudantil contra a ditadura. Aderiu ao PCP em 1942 e três anos depois passou à clandestinidade, quando o marido, José Magro, foi denunciado à PIDE; levou consigo a filha, ainda bebé, que mais tarde entregou à família.\n\nNa clandestinidade controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital»; transportou documentos ilegais e escreveu, com o pseudónimo «Eva», em publicações clandestinas do partido, entre elas «A Voz das Camaradas». Como às outras mulheres das casas clandestinas, cabia-lhe também garantir a segurança da casa e manter uma rotina de fachada que não levantasse suspeitas aos vizinhos.\n\nFoi presa pela PIDE em 1957 e levada para a prisão de Caxias, onde passou seis meses isolada e sob interrogatório. Condenada a dois anos e meio de prisão efetiva, com suspensão dos direitos políticos durante 15 anos e medidas de segurança, por ser considerada «elemento perigoso», só saiu seis anos depois, aos 45 anos; em todo esse tempo nunca viu o marido, preso no mesmo forte. Na prisão lia e discutia as notícias com as outras presas, e foi uma das autoras das treze cartas do Manifesto de Caxias, que Maria Alda Nogueira fez sair da prisão em 1961, dirigido às organizações femininas e democráticas de todo o mundo.\n\nEm liberdade condicional, tinha de se apresentar todos os meses à PIDE e não podia sair de Lisboa sem autorização, nem para visitar o marido, de novo preso em Peniche. Sem trabalho como engenheira, chegou a vender máquinas de café; dedicou-se ao apoio aos presos políticos e às suas famílias, na Comissão Nacional de Socorro aos Presos. Em 1973 escreveu a Marcelo Caetano a pedir a libertação do marido, doente, e a amnistia dos presos políticos; ele só saiu com o 25 de Abril. Depois da revolução foi funcionária do PCP, e morreu em Lisboa a 11 de novembro de 2011. O seu espólio está digitalizado no Centro de Documentação 25 de Abril, da Universidade de Coimbra, e os originais na Torre do Tombo desde 2007.","lugares":[{"lugar":"caxias","papel":"Presa em Caxias; coautora do Manifesto de Caxias (1957)"}],"wikidata":"Q107090317","fontes":[{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Aida Magro","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Aida_Magro"},{"titulo":"Maria Alda Nogueira","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Alda_Nogueira"}],"por_confirmar":["O dia da prisão: 27 de maio de 1957, segundo a Wikipédia; a CIG dá só o ano.","Quando saiu da prisão: seis anos depois de presa, por causa das medidas de segurança, segundo a Wikipédia; a CIG não dá a data.","O ano do Manifesto de Caxias, 1961, só aparece na Wikipédia."]},{"id":"albina-fernandes","nome":"Albina Fernandes","nome_completo":"Albina Fernandes (também Albina Pato; pseudónimo «Rosália»)","nascimento":{"data":"1928-01-05","local":"Soissons (França)"},"morte":{"data":"1970-10-02","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["combatente da Resistência francesa","militante clandestina do PCP","presa política"],"resumo":"Militante comunista presa em 1961 com os dois filhos pequenos, que manteve junto de si em Caxias. Passou seis anos e sete meses na prisão e suicidou-se em 1970, com o sistema nervoso debilitado pelos anos de cadeia.","texto":"Também conhecida por Albina Pato, usava o pseudónimo «Rosália». Nasceu em Soissons, em França, a 5 de janeiro de 1928, e combateu na Resistência francesa. Militante do PCP na clandestinidade, foi presa pela PIDE a 15 de dezembro de 1961, no mesmo dia que o companheiro, Octávio Pato, mas em locais diferentes.\n\nSem ter a quem os confiar, levou consigo para Caxias os filhos, Isabel, de seis anos, e Rui, de dois. Deitava-os no único divã e, como contou a Maria Rodrigues Pato, avó paterna das crianças, «descansava de joelhos no chão e com as mãos agarradas aos pulsos deles, para que não lhos tirassem». O testemunho está no livro «A Força Ignorada das Companheiras», de Gina de Freitas (1975). A PIDE ameaçou entregá-los a uma instituição, e só a 10 de janeiro de 1962 a deixou confiá-los aos avós.\n\nJulgada a 17 de novembro de 1962, foi condenada a três anos de prisão maior e a uma medida de segurança prorrogável, e acabou por passar seis anos e sete meses em Caxias. Em novembro de 1966, uma petição assinada por muitos cidadãos pediu a sua libertação, mas a liberdade condicional só lhe foi concedida a 9 de julho de 1968.\n\nCom o sistema nervoso muito debilitado pelos anos de prisão, suicidou-se a 2 de outubro de 1970. A Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, num telegrama subscrito, entre outras, por Cecília Areosa Feio, Maria Eugénia Varela Gomes e Sophia de Mello Breyner Andresen, responsabilizou diretamente o Governo pelo «trágico acontecimento». O funeral foi uma manifestação de pesar e de protesto contra o regime.","lugares":[{"lugar":"caxias","papel":"Presa com os filhos pequenos; cumpriu seis anos e sete meses em Caxias (15 de dezembro de 1961)"}],"wikidata":"Q101444609","fontes":[{"titulo":"Albina Fernandes","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/presos/albina-fernandes"},{"titulo":"A fuga de Caxias, um acto de resistência antifascista rumo à vitória, foi há 60 anos","editora":"URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses","url":"https://www.urap.pt/index.php/actividade-mainmenu-29/notcias-mainmenu-35/1169-a-fuga-de-caxias-um-acto-de-resistencia-antifascista-rumo-a-vitoria-foi-ha-60-anos"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"}],"por_confirmar":["Onde morreu e onde se fez o funeral, que se tornou uma manifestação de protesto: as fontes dizem apenas Lisboa."]},{"id":"alda-espirito-santo","nome":"Alda do Espírito Santo","nome_completo":"Alda Neves da Graça do Espírito Santo","nascimento":{"data":"1926-04-30","local":"São Tomé (São Tomé e Príncipe)"},"morte":{"data":"2010-03-09","local":"Luanda"},"mulher":true,"papeis":["poeta","professora","cofundadora do Centro de Estudos Africanos","nacionalista são-tomense","presa política"],"resumo":"Poeta são-tomense em cuja casa lisboeta, na Rua Actor Vale, funcionou a partir de 1951 o Centro de Estudos Africanos. Presa em 1965 e encarcerada em Caxias, escreveu depois a letra do hino de São Tomé e Príncipe.","texto":"Nasceu em São Tomé a 30 de abril de 1926 e veio estudar para Lisboa, onde entrou no curso de Letras. Os seus poemas começaram a ser lidos a partir de 1946, nas reuniões em casa de Luís Espírito Santo. Na universidade e na Casa dos Estudantes do Império conviveu com os futuros dirigentes dos movimentos de libertação — Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Mário Pinto de Andrade, Francisco José Tenreiro, Marcelino dos Santos, Noémia de Sousa.\n\nEm 1951 esteve na fundação do Centro de Estudos Africanos, que se instalou na casa onde vivia, na Rua Actor Vale, 37, ao cimo da Alameda — uma casa grande, dirigida por uma tia, a «tia Andreza». Ali se davam palestras de linguística e de história e se formava a consciência política sobre o colonialismo e o «assimilacionismo». Algum tempo depois deixou o curso, por razões políticas e financeiras.\n\nEm janeiro de 1953 regressou a São Tomé, onde foi professora e jornalista. Nesse ano escreveu o poema «Trindade», que denuncia o massacre de Batepá, de 5 de fevereiro. A 4 de dezembro de 1965 foi presa em São Tomé e encarcerada no forte-prisão de Caxias, acusada de «motivar a subversão no arquipélago».\n\nDepois da independência, em 1975, foi ministra da Educação e Cultura, ministra da Informação e Cultura e presidente da Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe, e escreveu a letra do hino nacional, «Independência Total». Morreu em Luanda a 9 de março de 2010.","lugares":[{"lugar":"centro-estudos-africanos","papel":"Vive na casa da Rua Actor Vale, 37, sede do Centro de Estudos Africanos (1951)"},{"lugar":"casa-estudantes-imperio","papel":"Frequenta a Casa dos Estudantes do Império."},{"lugar":"caxias","papel":"Encarcerada no forte-prisão de Caxias após a prisão em São Tomé (4 de dezembro de 1965)"}],"wikidata":"Q457401","fontes":[{"titulo":"Alda Neves da Graça do Espírito Santo","editora":"Memória Comum","url":"https://memoriacomum.org/presos/alda-neves-da-graca-do-espirito-santo"},{"titulo":"Alda do Espírito Santo","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Alda_do_Esp%C3%ADrito_Santo"},{"titulo":"Entrevista a António Tomás Medeiros (Colecção E-Books)","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://www.cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/EntrevistaaAntonio%20TomasMedeiros_Nreg%20EB00003.pdf"},{"titulo":"Casa dos Estudantes do Império: berço de líderes africanos em Lisboa (João Carlos, DW África)","editora":"Buala","url":"https://www.buala.org/pt/vou-la-visitar/casa-dos-estudantes-do-imperio-berco-de-lideres-africanos-em-lisboa"},{"titulo":"Casa dos Estudantes do Império","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/primaveras-estudantis/casa-dos-estudantes-do-imperio/"}],"por_confirmar":["Se foi fundadora do Centro de Estudos Africanos, como diz a Wikipédia: António Tomás Medeiros conta que o Centro era dirigido por Mário Pinto de Andrade, Amílcar Cabral, Francisco José Tenreiro e António Domingues, e que se instalou na casa onde ela vivia por intermédio de Mário de Andrade.","A idade com que morreu: 82 anos, segundo o Memória Comum; as datas da Wikipédia (30 de abril de 1926 e 9 de março de 2010) dão 83."]},{"id":"alfredo-assuncao","nome":"Alfredo Assunção","nome_completo":"Alfredo Correia Assunção","nascimento":null,"morte":null,"mulher":false,"papeis":["tenente da Escola Prática de Cavalaria"],"resumo":"Tenente da coluna de Salgueiro Maia, foi agredido na Rua do Arsenal pelo brigadeiro Junqueira dos Reis enquanto tentava negociar — e respondeu com uma continência. À tarde, levou ao Carmo os emissários de Spínola.","texto":"Tenente da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, comandava, com os capitães Salgueiro Maia e Mário Tavares de Almeida e o tenente Rui Santos Silva, a força de cerca de 220 militares que na madrugada de 25 de abril de 1974 ocupou o Terreiro do Paço. Nessa manhã, o 2.º comandante do Regimento de Cavalaria 7, tenente-coronel Ferrand de Almeida, rendeu-se a Salgueiro Maia e a ele.\n\nNa Rua do Arsenal, com o tenente Santos Silva e o furriel Nunes, tentou negociar com o brigadeiro Junqueira dos Reis, que comandava as forças do regime. O brigadeiro ordenou fogo, mas ninguém disparou; exasperado, deu-lhe três murros. Assunção não ripostou: fez-lhe continência e retirou-se. A Associação 25 de Abril lembra que se distinguiu por se manter sereno, mesmo depois de agredido.\n\nÀ tarde, no Largo do Carmo, Salgueiro Maia mandara pôr um blindado em posição de tiro e começara a contagem para disparar sobre o quartel onde estava Marcelo Caetano quando Assunção lhe apresentou dois civis com uma mensagem do general António de Spínola: Pedro Feytor Pinto e Nuno Távora. Maia deixou-os entrar. Quando saíram, foi Assunção quem os levou num jipe da Escola Prática de Cavalaria a casa do general.","lugares":[{"lugar":"rua-do-arsenal","papel":"Agredido por Junqueira dos Reis (25 de abril de 1974)"},{"lugar":"largo-do-carmo","papel":"Conduziu os emissários de Spínola (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"Terreiro do Paço (Lugares de Abril)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/locais-de-abril/locaisabril-local10/"},{"titulo":"Rua do Arsenal (Lugares de Abril)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/locais-de-abril/locaisabril-local16/"},{"titulo":"Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/Artigos/APP_CX22_48_CRONOLOGIA%20DO%2025%20DE%20ABRIL_Jofre%20Alves.pdf"}],"por_confirmar":["As datas de nascimento e de morte de Alfredo Correia Assunção."]},{"id":"alice-pestana","nome":"Alice Pestana","nome_completo":"Alice Evelina Pestana Coelho","nascimento":{"data":"1860-04-07","local":"Santarém"},"morte":{"data":"1929-12-24","local":"Madrid"},"mulher":true,"papeis":["escritora e pedagoga (pseudónimo Caiel)","defensora do ensino secundário feminino","presidente da Liga Portuguesa da Paz"],"resumo":"Pedagoga e escritora, defendeu a educação das mulheres como condição de uma sociedade mais democrática. Em 1888 estudou, por encargo do governo, o ensino secundário feminino no estrangeiro; presidiu à Liga Portuguesa da Paz.","texto":"Nasceu em Santarém em 1860. Escritora e pedagoga, assinou como Caiel, Eduardo Caiel, Cil e Célia Elevani, e dedicou-se sobretudo à educação das mulheres, que via como condição de uma sociedade mais democrática e justa. Em 1888 o governo encarregou-a de visitar a França, a Suíça e a Inglaterra para estudar o ensino secundário feminino. Da sua obra destaca-se «O Que Deve Ser a Instrução Secundária da Mulher».\n\nFoi cofundadora da Sociedade Altruísta, que deu origem à Liga Portuguesa da Paz, e presidiu à Liga. Viveu depois em Espanha, ligada à Institución Libre de Enseñanza, e morreu em Madrid em 1929. Desde 1988 tem o nome numa rua do Bairro de Caselas, em Lisboa.","lugares":[{"lugar":"ruas-pioneiras-caselas","papel":"Dá nome à Rua Alice Pestana (edital de 1988) (20 de abril de 1988)"}],"wikidata":"Q16911690","fontes":[{"titulo":"Numa Rua de Caselas, Alice Pestana da causa da educação das mulheres","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2017/01/27/alice-pestana-da-causa-da-educacao-das-mulheres-numa-rua-de-caselas/"},{"titulo":"Alice Pestana","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Alice_Pestana"}],"por_confirmar":["O ano em que a Sociedade Altruísta deu lugar à Liga Portuguesa da Paz: 1889 (Toponímia de Lisboa) ou 1899 (Wikipédia).","Se foi cofundadora da Sociedade Altruísta (Toponímia de Lisboa) ou se entrou para ela depois de criada por José Pessanha (Wikipédia).","Se a Liga Portuguesa da Paz foi a primeira organização feminista portuguesa, como diz a Wikipédia; a Toponímia de Lisboa não o afirma.","Os lugares de Lisboa ligados à sua vida e ao seu trabalho: as fontes não dão moradas."]},{"id":"alvaro-cunhal","nome":"Álvaro Cunhal","nome_completo":"Álvaro Barreirinhas Cunhal","nascimento":{"data":"1913-11-10","local":"Coimbra"},"morte":{"data":"2005-06-13","local":"Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["secretário-geral do Partido Comunista Português","exilado na União Soviética"],"resumo":"Dirigente comunista, foi preso em 1949 e fugiu da Fortaleza de Peniche em 1960. Secretário-geral do PCP, regressou do exílio a 30 de abril de 1974 e falou à multidão no aeroporto de cima de uma chaimite.","texto":"Nasceu em Coimbra em 1913. Dirigente clandestino do Partido Comunista Português, foi preso pela PIDE na madrugada de 25 de março de 1949, numa casa do Luso onde vivia com Sofia Ferreira — faziam-se passar por um casal — e onde se escondia também Militão Ribeiro. Ficou preso onze anos. A 3 de janeiro de 1960 fugiu da Fortaleza de Peniche com outros nove presos e um guarda da GNR, numa fuga preparada cá fora por Pires Jorge e António Dias Lourenço.\n\nSecretário-geral do partido, chegou ao aeroporto de Lisboa a 30 de abril de 1974, depois de um exílio de 14 anos na União Soviética. Esperava-o uma multidão emocionada; entre os que o aguardavam junto ao avião estava Mário Soares. Ainda no aeroporto, subiu a uma chaimite para falar à multidão, e foi depois recebido por António de Spínola.\n\nNo dia seguinte discursou, com Soares, no comício do 1.º de Maio no estádio da FNAT, que passou então a chamar-se Estádio 1.º de Maio. Aclamou os militares e as primeiras medidas tomadas «para liquidar a ditadura fascista e instaurar a liberdade». A 25 de novembro de 1975, o Presidente Costa Gomes chamou-o ao Palácio de Belém, procurando desmobilizar os militantes e populares concentrados junto de alguns quartéis. Morreu em Lisboa em 2005.","lugares":[{"lugar":"peniche","papel":"Fugiu da fortaleza com outros nove presos (3 de janeiro de 1960)"},{"lugar":"aeroporto","papel":"Chegada do exílio (30 de abril de 1974)"},{"lugar":"estadio-1-maio","papel":"Discursou no comício do 1.º de Maio (1 de maio de 1974)"},{"lugar":"belem","papel":"Convocado por Costa Gomes (25 de novembro de 1975)"}],"wikidata":"Q250919","fontes":[{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"A chegada de Álvaro Cunhal do exílio","editora":"RTP Ensina","url":"https://ensina.rtp.pt/artigo/a-chegada-de-alvaro-cunhal-do-exilio/"},{"titulo":"O regresso dos exilados","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/bdh-o-pos-25-de-abril-de-1974/p25a-o-regresso-dos-exilados/"},{"titulo":"25 de Novembro de 1975","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/25-de-novembro-50-anos-depois/25-de-novembro-de-1975/"},{"titulo":"Álvaro Cunhal (Q250919)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q250919"},{"titulo":"Prisão de Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/03/25/prisao-de-alvaro-cunhal-militao-ribeiro-e-sofia-ferreira/"},{"titulo":"Fuga de Peniche","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2021/01/03/fuga-de-peniche/"}],"por_confirmar":["A hora e o voo da chegada a Lisboa: há relatos de um voo da Air France às 13h50, que as fontes aqui citadas não confirmam.","O dia e o lugar do nascimento (Coimbra, 10 de novembro de 1913) e da morte (Lisboa, 13 de junho de 2005) vêm só do Wikidata."]},{"id":"amilcar-cabral","nome":"Amílcar Cabral","nome_completo":"Amílcar Lopes Cabral","nascimento":{"data":"1924-09-12","local":"Bafatá (Guiné-Bissau)"},"morte":{"data":"1973-01-20","local":"Conacri"},"mulher":false,"papeis":["engenheiro agrónomo (Instituto Superior de Agronomia)","sócio da Casa dos Estudantes do Império","dirigente do Centro de Estudos Africanos","fundador do PAIGC"],"resumo":"Estudante de Agronomia em Lisboa desde 1945, conheceu na Casa dos Estudantes do Império Agostinho Neto, Mário Pinto de Andrade e Marcelino dos Santos, e foi um dos dirigentes do Centro de Estudos Africanos. Fundou o PAIGC e foi assassinado em Conacri em 1973.","texto":"Nasceu em Bafatá, na Guiné, em 1924, e foi ainda criança para Cabo Verde, onde estudou. Em 1945, com uma bolsa, entrou no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, onde contactou com grupos antifascistas; na Casa dos Estudantes do Império conheceu Mário Pinto de Andrade, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos.\n\nEra sócio da secção de Cabo Verde da Casa. Numa carta de 1948 contou que estivera numa assembleia geral «até às 2 h da madrugada», a defender a compra de uma casa nos arredores de Lisboa. Segundo o testemunho de António Tomás Medeiros, foi um dos dirigentes do Centro de Estudos Africanos, que em 1951 se instalou na Rua Actor Vale. Regressou a Bissau em 1952.\n\nEm 1959 fundou, com outros, o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Do manifesto do Movimento Anti-Colonialista, lançado em 1957 por nacionalistas das colónias que estudavam na Europa, disse que era «o prefácio da nossa luta». Foi assassinado em Conacri a 20 de janeiro de 1973, por dois membros do próprio partido.","lugares":[{"lugar":"casa-estudantes-imperio","papel":"Sócio da CEI (secção de Cabo Verde) (1948)"},{"lugar":"centro-estudos-africanos","papel":"Um dos dirigentes do Centro de Estudos Africanos (1951)"}],"wikidata":"Q213416","fontes":[{"titulo":"Amílcar Lopes Cabral","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/09/12/amilcar-lopes-cabral/"},{"titulo":"Movimento Anti-Colonialista (MAC)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/12/30/movimento-anti-colonialista-mac/"},{"titulo":"Lugar de Memória Casa dos Estudantes do Império (Helena Wakim Moreno)","editora":"ReMapping Memories Lisboa","url":"https://www.re-mapping.eu/pt/lugares-de-memoria/casa-dos-estudantes-do-imperio"},{"titulo":"Entrevista a António Tomás Medeiros (Colecção E-Books)","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://www.cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/EntrevistaaAntonio%20TomasMedeiros_Nreg%20EB00003.pdf"},{"titulo":"Amílcar Cabral","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%ADlcar_Cabral"}],"por_confirmar":["O ano da fundação do PAIGC: 1959, segundo o Museu do Aljube e o texto da Wikipédia; a caixa de informação da mesma Wikipédia indica 1956.","O ano do regresso a Bissau, 1952, vem só da Wikipédia."]},{"id":"ana-de-castro-osorio","nome":"Ana de Castro Osório","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1872-06-18","local":"Mangualde"},"morte":{"data":"1935-03-23","local":"Lisboa (segundo a Wikipédia; a Toponímia de Lisboa diz Setúbal)"},"mulher":true,"papeis":["escritora, pioneira da literatura infantil","jornalista","fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas","fundadora e presidente da Associação de Propaganda Feminista","colaboradora da lei do divórcio de 1910"],"resumo":"Escritora, autora do que é tido como o primeiro manifesto feminista português (1905), lançou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e fundou, com Carolina Beatriz Ângelo, a Associação de Propaganda Feminista, que defendia o voto das mulheres instruídas.","texto":"Nasceu em Mangualde a 18 de junho de 1872. Autora da coleção «Para as Crianças» (1897–1935), é considerada a fundadora da literatura infantil em Portugal. Em 1905 publicou «As Mulheres Portuguesas», tido como o primeiro manifesto feminista português. Dirigiu a revista «A Sociedade Futura», onde lhe sucedeu Olga de Moraes Sarmento.\n\nEm 1907 dirigia o Grupo Português de Estudos Feministas, e em agosto de 1908 lançou com António José de Almeida a ideia da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. A Liga nasceu em 1909, no 2.º andar do n.º 6 da Rua dos Castelinhos. Depois da implantação da República, colaborou com Afonso Costa, ministro da Justiça, na lei do divórcio.\n\nDefendia o voto só para as mulheres com estudos e que trabalhavam; a ala de Maria Veleda não aceitava restrições. A divisão levou-a a sair da Liga e a fundar com Carolina Beatriz Ângelo, a 12 de maio de 1911, a Associação de Propaganda Feminista. O juiz que deu razão a Carolina no recurso que lhe abriu os cadernos eleitorais foi o pai de Ana, João Baptista de Castro. A 28 de maio, dia em que Carolina votou, as duas foram fotografadas junto ao local da eleição, o Clube Estefânia, para a «Ilustração Portuguesa». A 24 de julho, a Associação pediu o sufrágio feminino à Assembleia Constituinte. Quando Carolina morreu, em outubro, Ana passou a presidi-la.\n\nAinda em 1911 acompanhou o marido, Paulino de Oliveira, nomeado cônsul em São Paulo. Durante a Grande Guerra fundou a Comissão Feminina «Pela Pátria», de onde nasceu a Cruzada das Mulheres Portuguesas. Morreu a 23 de março de 1935. Em 1976 a Câmara deu o seu nome a uma rua de Carnide.","lugares":[{"lugar":"liga-republicana-mulheres","papel":"Fundou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas no 2.º andar do n.º 6 (1909)"},{"lugar":"clube-estefania","papel":"Fotografada com Carolina Beatriz Ângelo junto ao local da eleição («Ilustração Portuguesa», 5/6/1911) (28 de maio de 1911)"},{"lugar":"assembleia-da-republica","papel":"A sua Associação de Propaganda Feminista peticionou o voto à Constituinte (24 de julho de 1911)"},{"lugar":"ruas-feministas-carnide","papel":"Dá nome à Rua Ana de Castro Osório, em Carnide (edital de 1976) (19 de junho de 1976)"}],"wikidata":"Q2817249","fontes":[{"titulo":"A feminista e republicana Ana de Castro Osório","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2012/11/06/a-feminista-e-republicana-ana-de-castro-osorio/"},{"titulo":"Liga Republicana das Mulheres Portuguesas","editora":"Almanaque Republicano (blogue)","url":"http://arepublicano.blogspot.com/2012/10/liga-republicana-das-mulheres.html"},{"titulo":"Carolina Beatriz Ângelo","editora":"Assembleia da República","url":"https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Carolina-Beatriz-Angelo.aspx"},{"titulo":"O sufrágio feminino no Parlamento na 1.ª República (ComunicAR n.º 71, março de 2021)","editora":"Assembleia da República","url":"https://app.parlamento.pt/comunicar/v1/202103/71/artigos/art5.html"},{"titulo":"Ana de Castro Osório","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_de_Castro_Os%C3%B3rio"},{"titulo":"Associação de Propaganda Feminista","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Associa%C3%A7%C3%A3o_de_Propaganda_Feminista"},{"titulo":"Olga de Moraes Sarmento","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Olga_de_Moraes_Sarmento"}],"por_confirmar":["O lugar da morte: Lisboa, em sua casa, na freguesia da Sé (Wikipédia, que cita o registo de óbito), ou Setúbal (Toponímia de Lisboa).","O ano da fundação da Associação de Propaganda Feminista: 1911, segundo a Assembleia da República (12 de maio) e a Wikipédia, ou 1912, segundo a Toponímia de Lisboa.","A Comissão Feminina «Pela Pátria»: de 1914 (Wikipédia) ou de 1916 (Toponímia de Lisboa). E a Cruzada das Mulheres Portuguesas: nasceu dela (Toponímia de Lisboa) ou foi fundada por Elzira Dantas Machado, que remodelou a comissão (Wikipédia).","O título do manifesto de 1905: «As Mulheres Portuguesas» (Toponímia de Lisboa) ou «Às Mulheres Portuguesas» (Wikipédia).","Quem fundou «A Sociedade Futura»: Ana de Castro Osório (Toponímia de Lisboa) ou Olga de Moraes Sarmento e o marido, Manuel João da Silveira (Wikipédia)."]},{"id":"angelica-viana-porto","nome":"Angélica Viana Porto","nome_completo":"Angélica Cristina Irene Lopes Viana Porto","nascimento":{"data":"1881-11-10","local":"Paço de Arcos (Oeiras)"},"morte":{"data":"1938-05-21","local":"Lisboa (São Mamede)"},"mulher":true,"papeis":["benemérita","vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1928)","oradora nos Congressos Feministas e de Educação"],"resumo":"Benemérita e feminista, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas em 1928 e apresentou teses nos dois Congressos Feministas e de Educação, sobre a assistência às delinquentes e a ação moral do trabalho.","texto":"Nasceu em Paço de Arcos em 1881. Em 1907 integrou, com Ilda Jorge, Maria Veleda e Ana de Castro Osório, a comissão de mulheres que queria criar em Lisboa uma Escola Maternal para crianças desprotegidas.\n\nNo Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas foi vice-presidente da direção em 1928. Nos Congressos Feministas e de Educação que o Conselho organizou em Lisboa apresentou as teses «Assistência às delinquentes», no primeiro, em 1924, e «A acção moral do trabalho», no segundo, em 1928.\n\nMorreu em 1938, em casa, na Rua Luís Fernandes, em Lisboa, e está sepultada no Cemitério do Alto de São João.","lugares":[{"lugar":"palacio-vagos","papel":"Tese no I Congresso (maio de 1924)"},{"lugar":"cnmp-restauradores","papel":"Na comissão organizadora do I Congresso Feminista e de Educação, que recebia aqui as teses e a correspondência (1924); vice-presidente do CNMP (1928)"}],"wikidata":"Q108427294","fontes":[{"titulo":"Angélica Viana Porto","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Ang%C3%A9lica_Viana_Porto"},{"titulo":"[2502.] Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas || Direcção - 1928","editora":"Silêncios e Memórias (blogue)","url":"https://silenciosememorias.blogspot.com/2021/02/3012-conselho-nacional-das-mulheres.html"},{"titulo":"Primeiro Congresso Feminista e de Educação (brochura de divulgação, com a comissão organizadora, as teses e o regulamento)","editora":"Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas — Arquivo de História Social (ICS-ULisboa), Espólio Pinto Quartin","url":"https://ahsocial.ics.ulisboa.pt/primeiro-congresso-feminista-e-de-educacao-conselho-nacional-das-mulheres-portuguesas-lisboa-s-n-1924"}],"por_confirmar":["Se dirigiu a comissão da Escola Maternal de 1907, como diz a Wikipédia, ou se apenas fez parte dela, como diz o blogue Silêncios e Memórias.","Os anos da vice-presidência do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: 1928, segundo o blogue Silêncios e Memórias, a partir de uma fotografia da direção; 1929, 1931–1934 e 1936, segundo a Wikipédia, que acrescenta a presidência honorária em 1937."]},{"id":"angelina-vidal","nome":"Angelina Vidal","nome_completo":"Angelina Casimira do Carmo da Silva Vidal","nascimento":{"data":"1847-03-11","local":"Lisboa (freguesia de São José)"},"morte":{"data":"1917-08-01","local":"Lisboa (Rua de São Gens, 41)"},"mulher":true,"papeis":["professora","jornalista e editora de «A Voz do Operário»","escritora","propagandista republicana e socialista","defensora dos direitos das operárias"],"resumo":"Professora, jornalista e oradora republicana, editora de «A Voz do Operário», defendeu as operárias e a igualdade entre homens e mulheres. A monarquia negou-lhe a pensão de viúva; morreu quase na miséria em 1917, um dia depois de lha concederem.","texto":"Nasceu em Lisboa, na freguesia de São José, a 11 de março de 1847, filha do maestro Joaquim Casimiro. Em 1872 casou com o médico da Armada Luís Augusto de Campo Vidal, de quem enviuvou em 1894.\n\nComeçou a escrever nos jornais com o pseudónimo «Uma Republicana Viseense» e fez propaganda republicana nos comícios e na imprensa, em títulos como «O Sindicato», «Justiça do Povo», «Emancipação», «O Tecido» e «O Trabalhador». Colaborou em «A Voz do Operário» a partir de 1883 e foi editora do jornal entre 1897 e 1901. Ao ideário republicano juntou, mais tarde, o socialista.\n\nDefendeu os direitos das operárias e a educação das mulheres como base da igualdade. Nunca se disse feminista, e chegou a criticar as sufragistas da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, mas exigiu sempre a igualdade entre homens e mulheres, no trabalho e nas leis civis. Foi professora de francês, de piano e de música, também na Sociedade A Voz do Operário, e escreveu poesia, prosa e teatro, entre os quais «Lisboa Antiga e Lisboa Moderna» (1900).\n\nO governo da monarquia negou-lhe a pensão de viúva, alegando que era «inimiga das instituições». Em 1917, já na República, voltou a pedi-la; foi-lhe concedida a 31 de julho, e no dia seguinte, 1 de agosto de 1917, morreu quase na miséria, no n.º 41 da Rua de São Gens. Por edital de 17 de outubro de 1924, a Câmara de Lisboa deu o seu nome ao antigo Caminho do Forno do Tijolo, hoje Rua Angelina Vidal, com a legenda «Ilustre Conferencista e Propagandista da Emancipação Social».","lugares":[{"lugar":"casa-angelina-vidal","papel":"Morreu no n.º 41 da Rua de São Gens (1 de agosto de 1917)"},{"lugar":"rua-angelina-vidal","papel":"Dá nome à rua desde o edital de 17 de outubro de 1924 (17 de outubro de 1924)"}],"wikidata":"Q48871693","fontes":[{"titulo":"A republicana Angelina Vidal","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2013/01/22/a-republicana-angelina-vidal/"},{"titulo":"Angelina Vidal","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Angelina_Vidal"},{"titulo":"Lisboa Republicana: topónimos no feminino","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2015/03/09/toponimos-no-feminino-na-lisboa-republicana/"}],"por_confirmar":["O nome completo: «Angelina Casimira do Carmo da Silva Vidal» (Toponímia de Lisboa) ou «Angelina Casimira da Silva Vidal» (Wikipédia).","O apelido do marido: «Campo Vidal» (Toponímia de Lisboa) ou «Campos Vidal» (Wikipédia, que dá o mesmo apelido aos filhos)."]},{"id":"antonio-de-spinola","nome":"António de Spínola","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1910-04-11","local":"Estremoz"},"morte":{"data":"1996-08-13","local":"Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["general","autor de «Portugal e o Futuro» (1974)","presidente da Junta de Salvação Nacional","Presidente da República (1974)","fundador do MDLP"],"resumo":"General e autor de «Portugal e o Futuro», recebeu no Quartel do Carmo a rendição de Marcelo Caetano, presidiu à Junta de Salvação Nacional e foi Presidente da República até renunciar, a 30 de setembro de 1974. A 11 de março de 1975 fugiu para Espanha.","texto":"Nasceu em Estremoz a 11 de abril de 1910. Antigo governador da Guiné, foi escolhido com Costa Gomes como chefe prestigiado do Movimento dos Capitães, na reunião de Óbidos, a 1 de dezembro de 1973: a Costa Gomes, o mais votado, caberia a Presidência da República; a Spínola, a direção suprema das Forças Armadas. Vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, publicou a 22 de fevereiro de 1974 «Portugal e o Futuro», que abalou as relações entre o regime e as Forças Armadas. Pouco depois, ele e Costa Gomes foram demitidos, a pretexto de terem faltado à sessão de apoio ao regime no Palácio de São Bento que ficou conhecida como a «Brigada do Reumático».\n\nA 25 de abril de 1974 declarou não estar envolvido no Movimento, mas disponível para assumir o poder se o governo quisesse uma saída pacífica. Marcelo Caetano, cercado no Quartel do Carmo, pediu-lhe ao telefone que fosse receber o poder, e Otelo Saraiva de Carvalho mandatou-o em nome dos capitães. Chegou ao Carmo pelas 17h45, num automóvel envolvido pela multidão que o aplaudia, e Salgueiro Maia levou-o até Caetano. Ao chegar ao Posto de Comando da Pontinha, com os membros do governo presos, anunciou: «Senhores oficiais, devo começar por informá-los que acabo de assumir o poder no Quartel do Carmo. Agora vamos ao trabalho».\n\nNa madrugada de 26, ladeado pelos outros membros da Junta de Salvação Nacional, leu a proclamação da Junta em direto nos estúdios da RTP no Lumiar. A Junta designou-o Presidente da República, contra o que fora acordado com o MFA, que escolhera Costa Gomes. A 28 de abril recebeu no Palácio da Cova da Moura Mário Soares, regressado do exílio. Tomou posse a 15 de maio de 1974, no Palácio de Queluz.\n\nDefendia uma democratização controlada, que foi descrita como um «marcelismo sem Marcelo», e entrou em conflito com a Comissão Coordenadora do MFA pelo controlo da política interna e da descolonização. No verão de 1974 apelou nos seus discursos à «maioria silenciosa», e voltou a fazê-lo a 10 de setembro no Palácio de Belém, na cerimónia de reconhecimento da independência da Guiné-Bissau. A manifestação de apoio marcada para 28 de setembro, em Belém, acabou desconvocada por ele e proibida pelo MFA; entre 27 e 29 de setembro tentou várias vezes declarar o estado de sítio e demitir o primeiro-ministro, Vasco Gonçalves. A 30 de setembro anunciou na RTP a renúncia à Presidência.\n\nA 11 de março de 1975, falhado o ataque ao RAL 1 por tropas que lhe eram próximas, fugiu de helicóptero da Base Aérea n.º 3, em Tancos, com quinze oficiais, para a base de Talavera la Real, em Espanha. Fundou depois o Movimento Democrático para a Libertação de Portugal (MDLP), uma das organizações de extrema-direita que, a partir de maio de 1975, destruíram sedes de partidos de esquerda e fizeram atentados. Morreu em Lisboa a 13 de agosto de 1996.","lugares":[{"lugar":"largo-do-carmo","papel":"Recebeu a rendição de Marcelo Caetano (25 de abril de 1974)"},{"lugar":"pontinha","papel":"Anunciou no Posto de Comando ter assumido o poder (25 de abril de 1974)"},{"lugar":"rtp-lumiar","papel":"Leu a proclamação da Junta de Salvação Nacional (26 de abril de 1974)"},{"lugar":"cova-da-moura","papel":"Recebeu Mário Soares a 28 de abril de 1974 e, no dia seguinte, os representantes da banca"},{"lugar":"belem","papel":"Crise da «maioria silenciosa» (28 de setembro de 1974)"}],"wikidata":"Q336884","fontes":[{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Reunião de Cascais","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/capitaes-em-movimento/reuniao-de-cascais/"},{"titulo":"A Reunião de Óbidos","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/capitaes-em-movimento/reuniao-obidos/"},{"titulo":"28 de Setembro","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/28-de-setembro/"},{"titulo":"Apelos à «maioria silenciosa»","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/28-de-setembro/maioria-silenciosa/"},{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"Ricardo Noronha, «Anatomia de um golpe de Estado fracassado: 11 de março de 1975»","editora":"Ler História, n.º 69 (OpenEdition Journals)","url":"https://journals.openedition.org/lerhistoria/2487?lang=pt"},{"titulo":"António de Spínola (Q336884)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q336884"},{"titulo":"Os acontecimentos do 11 de Março de 1975","editora":"RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola)","url":"https://media.rtp.pt/memoriasdarevolucao/acontecimento/os-acontecimentos-do-11-de-marco-de-1975/"},{"titulo":"RAL 1 – Lisboa","editora":"RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola)","url":"https://media.rtp.pt/memoriasdarevolucao/acontecimento/ral-1-lisboa/"}],"por_confirmar":["A hora a que chegou ao Quartel do Carmo a 25 de abril: pelas 17h45 (Comissão Comemorativa dos 50 Anos) ou às 18h00 (Associação 25 de Abril).","As datas e os lugares do nascimento e da morte vêm só da Wikidata.","O nome completo, António Sebastião Ribeiro de Spínola, que nenhuma fonte desta página dá."]},{"id":"antonio-tereso","nome":"António Tereso","nome_completo":null,"nascimento":null,"morte":null,"mulher":false,"papeis":["mecânico de automóveis","militante do PCP","preso político","condutor do carro blindado na fuga de Caxias (1961)"],"resumo":"Mecânico preso em Caxias, fez-se passar por «rachado» durante meses, a pedido do PCP, para preparar a fuga de 4 de dezembro de 1961, e foi ao volante do carro blindado de Salazar que oito presos saíram do forte.","texto":"Mecânico de automóveis e militante do PCP, estava preso em Caxias quando José Magro, dirigente do partido com longos anos de cadeia, o encarregou de estudar as hipóteses de fuga. Para isso tinha de se fazer passar por «rachado» — fingir que se passara para o lado dos carcereiros — e sujeitar-se ao desprezo dos camaradas. Resistiu, mas aceitou. Fê-lo durante 19 meses, recordou Domingos Abrantes em 2021, ao homenageá-lo como herói da resistência antifascista.\n\nGanhou a confiança dos guardas e da direção da prisão e, com ela, uma liberdade de movimentos rara para um preso. Foi assim que descobriu na garagem o carro blindado de Salazar, um Chrysler Imperial de 1937, cuja reparação lhe foi confiada. Estava à beira de sair em liberdade, e os camaradas, já condenados, iam ser transferidos para Peniche: teve de pôr o carro a funcionar, torná-lo uma presença habitual na cadeia e estudar como levá-lo ao fosso interior, o único sítio a que os outros presos tinham acesso. Sabotou ainda os outros carros, para impedir a perseguição.\n\nNa manhã de 4 de dezembro de 1961 levou o Chrysler de marcha-atrás pelo túnel até ao fosso interior do Reduto Norte, onde os presos fingiam jogar à bola no recreio. Ao grito de «Golo!», dado por José Magro, sete presos entraram no carro, que rebentou o portão exterior e saiu da prisão debaixo do fogo da GNR. Fugiram com ele António Gervásio, Domingos Abrantes, Francisco Miguel, Guilherme Costa Carvalho, Ilídio Esteves, José Magro e Rolando Verdial.","lugares":[{"lugar":"caxias","papel":"Conduziu o carro blindado na fuga de 1961 (4 de dezembro de 1961)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Fuga de Caxias. Dedicação à prova de bala","editora":"URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses","url":"https://urap.pt/index.php/histria-mainmenu-37/historia/73-fuga-de-caxias-dedicao-prova-de-bala"},{"titulo":"A fuga de Caxias, um acto de resistência antifascista rumo à vitória, foi há 60 anos","editora":"URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses","url":"https://www.urap.pt/index.php/actividade-mainmenu-29/notcias-mainmenu-35/1169-a-fuga-de-caxias-um-acto-de-resistencia-antifascista-rumo-a-vitoria-foi-ha-60-anos"},{"titulo":"Fuga de Caxias","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/12/04/fuga-de-caxias/"}],"por_confirmar":["As datas de nascimento e de morte: a URAP publicou uma nota «Na morte de António Tereso» que não foi possível ler."]},{"id":"arajaryr-campos","nome":"Arajaryr Campos","nome_completo":"Arajaryr Canto Moreira Campos","nascimento":{"data":"1930-08-25","local":"Rio de Janeiro (Brasil)"},"morte":{"data":"1965-02-13","local":"perto de Badajoz (Espanha)"},"mulher":true,"papeis":["secretária de Humberto Delgado","oposicionista no exílio","assassinada pela PIDE"],"resumo":"Brasileira, secretária e companheira de exílio de Humberto Delgado, foi assassinada com ele por uma brigada da PIDE perto de Badajoz, a 13 de fevereiro de 1965, aos 34 anos.","texto":"Nasceu no Rio de Janeiro a 25 de agosto de 1930. Cerca de um ano depois da fraude eleitoral de 1958 começou a trabalhar como secretária de Humberto Delgado, então exilado no Brasil. Quando Delgado partiu para tentar derrubar a ditadura, deixou-lhe uma procuração para o representar no Brasil, mas ela acabou por acompanhá-lo. Entraram clandestinamente em Portugal nos últimos dias de 1961, nas vésperas da revolta de Beja, e voltaram a sair depois de o golpe falhar.\n\nSeguiram-se Praga, onde Delgado fez tratamentos, e a Argélia, onde se instalaram quando se criou a Frente Patriótica de Libertação Nacional. A PIDE preparou-lhes uma cilada, a «Operação Outono»: a pretexto de um encontro com militares da oposição, que eram afinal agentes da polícia política, Delgado e Arajaryr foram atraídos a Espanha, para perto de Badajoz. Foram assassinados a 13 de fevereiro de 1965 por Ernesto Lopes Ramos, António Rosa Casaco, Agostinho Tienza e Casimiro Monteiro; ela tinha 34 anos. Os corpos só foram encontrados em abril, junto a um caminho conhecido por «Los Malos Pasos», perto da fronteira portuguesa.","lugares":[{"lugar":"panteao-nacional","papel":"A sua morte é evocada com a de Delgado, cujos restos mortais estão no Panteão desde 1990 (o paradeiro dos restos de Arajaryr não foi confirmado) (5 de outubro de 1990)"}],"wikidata":"Q133664326","fontes":[{"titulo":"Arajaryr Canto Moreira Campos (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/arajaryr-canto-moreira-campos/"},{"titulo":"Humberto da Silva Delgado (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/humberto-da-silva-delgado/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"}],"por_confirmar":["O lugar exato da emboscada: perto de Badajoz, segundo o Museu do Aljube; perto de Olivença, segundo o Panteão Nacional (ver Humberto Delgado).","Onde estão hoje os seus restos mortais: as fontes só dão a trasladação de Humberto Delgado, para Lisboa em 1975 e para o Panteão Nacional em 1990."]},{"id":"aurora-de-castro-e-gouveia","nome":"Aurora de Castro e Gouveia","nome_completo":"Aurora Teixeira de Castro e Gouveia","nascimento":{"data":"1891","local":"Porto"},"morte":{"data":"1931","local":"Valongo"},"mulher":true,"papeis":["notária, com cartório em Alcântara","publicista","autora de duas teses no I Congresso Feminista e de Educação (1924)"],"resumo":"Apontada como a primeira notária portuguesa, com cartório em Alcântara, apresentou no I Congresso Feminista e de Educação, em 1924, uma tese que exigia para as portuguesas a igualdade política plena e o direito de voto.","texto":"Aurora Teixeira de Castro e Gouveia nasceu no Porto em 1891. É apontada como a primeira notária portuguesa. Tinha cartório em Alcântara, e as suas qualidades impuseram-na no notariado de Lisboa.\n\nEm maio de 1924, no I Congresso Feminista e de Educação, apresentou duas teses: «Reivindicações Sociais e Políticas da Mulher Portuguesa na República» e «Situação da Mulher Casada nas Relações Matrimoniais dos Bens do Casal». Uma delas, ousada para a época, exigia para as portuguesas a igualdade política plena, «em nome dos princípios de uma autêntica democracia», e com ela o direito de voto.\n\nPublicou, entre outros, «Notariado Português – sua História, Evolução e Natureza» (1923), «Idades legais da mulher» (1926) e «Reivindicações feministas» (1928), e escreveu na «Alma Feminina», do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Morreu em Valongo em 1931. Desde 1988, a antiga Rua 6 do Bairro de Caselas chama-se Rua Aurora de Castro, ao lado de ruas com os nomes de outras pioneiras, como Carolina Beatriz Ângelo e Virgínia Quaresma.","lugares":[{"lugar":"cnmp-restauradores","papel":"Na comissão organizadora do I Congresso Feminista e de Educação, que recebia aqui as teses e a correspondência (1924)"},{"lugar":"palacio-vagos","papel":"Apresentou duas teses no I Congresso Feminista e de Educação (maio de 1924)"},{"lugar":"ruas-pioneiras-caselas","papel":"Dá nome à Rua Aurora de Castro (edital de 1988) (20 de abril de 1988)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"A 1ª notária portuguesa numa Rua de Caselas","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2014/05/23/a-1a-notaria-portuguesa-numa-rua-de-caselas/"},{"titulo":"Primeiro Congresso Feminista e de Educação (brochura de divulgação, com a comissão organizadora, as teses e o regulamento)","editora":"Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas — Arquivo de História Social (ICS-ULisboa), Espólio Pinto Quartin","url":"https://ahsocial.ics.ulisboa.pt/primeiro-congresso-feminista-e-de-educacao-conselho-nacional-das-mulheres-portuguesas-lisboa-s-n-1924"}],"por_confirmar":["Se foi a primeira notária portuguesa, como dizem a Toponímia de Lisboa e a Wikipédia, ou se o foi Regina Quintanilha, como diz o 24 Notícias (ver Regina Quintanilha).","As datas completas do nascimento e da morte: a Toponímia de Lisboa só dá os anos, 1891 e 1931.","A morada do cartório em Alcântara e a data em que foi nomeada notária.","Qual das duas teses de 1924 reclamava o voto: a fonte diz apenas «uma delas»."]},{"id":"aurora-rodrigues","nome":"Aurora Rodrigues","nome_completo":"Aurora Rosa Salvador Rodrigues","nascimento":{"data":"1952-01-20","local":"Vale da Azinheira, Minas de São Domingos (Mértola)"},"morte":null,"mulher":true,"papeis":["estudante de Direito","militante do MRPP e da FEML","testemunha do assassinato de Ribeiro Santos","presa política torturada"],"resumo":"Estudante de Direito, assistiu ao assassinato de Ribeiro Santos em 1972. Presa em 1973, foi das estudantes mais barbaramente torturadas pela polícia política em Caxias, e nunca falou.","texto":"Nasceu a 20 de janeiro de 1952 em Vale da Azinheira, nas Minas de São Domingos, no Alentejo; o pai era anarcossindicalista. Em 1969, com 17 anos, veio estudar para a Faculdade de Direito de Lisboa e aproximou-se do MRPP. A 12 de outubro de 1972 estava no anfiteatro de Económicas quando um agente da PIDE/DGS matou o estudante José António Ribeiro Santos. Aderiu então formalmente ao MRPP e à sua organização estudantil, a Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas.\n\nFoi presa a 3 de maio de 1973, depois de uma reunião de estudantes, e levada para o Forte de Caxias, em rigoroso isolamento. A PIDE/DGS submeteu-a a ameaças e humilhações, à tortura da «estátua», a dezasseis dias seguidos de tortura do sono, a espancamentos violentos e à simulação de afogamento, mergulhando-lhe a cabeça num lavatório com água. Não falou. Três meses depois foi libertada sem acusação, sem julgamento e sem ter podido falar com um advogado. Foi das estudantes mais barbaramente torturadas pela polícia política.\n\nJá depois do 25 de Abril, voltou a ser presa a 28 de maio de 1975, numa operação do COPCON que deteve mais de 400 militantes do MRPP. Deixou o partido em 1977. Contou a experiência da tortura e da prisão no livro «Gente Comum – Uma História da PIDE», organizado por António Monteiro Cardoso e Paula Godinho, e em 2016 deu o seu testemunho ao Museu do Aljube.","lugares":[{"lugar":"iscef-quelhas","papel":"Presenciou no anfiteatro do ISCEF o assassinato de Ribeiro Santos (12 de outubro de 1972)"},{"lugar":"caxias","papel":"Presa e torturada em Caxias durante três meses (3 de maio de 1973)"}],"wikidata":"Q106542790","fontes":[{"titulo":"Aurora Rodrigues (testemunho e biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/aurora-rodrigues/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"O assassinato de José Ribeiro Santos","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/primaveras-estudantis/o-assassinato-de-jose-ribeiro-santos/"},{"titulo":"Aurora Rodrigues","editora":"Museu do Aljube – Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/en/doc/aurora-rodrigues-2/"}],"por_confirmar":["Se seguiu a magistratura, como diz a descrição da Wikidata: nenhuma das fontes de texto o refere.","O ano de publicação de «Gente Comum – Uma História da PIDE»."]},{"id":"carlos-albino","nome":"Carlos Albino","nome_completo":null,"nascimento":null,"morte":null,"mulher":false,"papeis":["jornalista do República","coautor do programa «Limite»"],"resumo":"Jornalista do República e um dos autores do «Limite», garantiu que «Grândola, Vila Morena» passasse na Rádio Renascença como senha do MFA, contornando a censura da própria rádio e a oficial.","texto":"Jornalista do República, era um dos realizadores e autores do «Limite», programa independente que a Rádio Renascença transmitia para todo o país. Fizera o serviço militar no Centro de Estudos Psicotécnicos do Exército, onde ficara amigo de Carlos Fabião. A 22 de março de 1974 soube que o Movimento precisaria de uma senha por rádio, com cobertura nacional, para pôr os quartéis em marcha, e garantiu que ela passaria no «Limite».\n\nA 23 de abril, Álvaro Guerra, também jornalista do República e elo com o capitão-tenente Almada Contreiras, pediu-lhe «Venham Mais Cinco», de José Afonso. Carlos Albino respondeu que a canção estava proibida pela censura interna da Renascença, embora a oficial a tolerasse, e sugeriu alternativas — à cabeça, «Grândola, Vila Morena». No dia seguinte, Guerra trouxe a escolha definitiva: «Grândola». Albino garantiu a transmissão sem que mais ninguém do «Limite» soubesse da decisão e comprou o disco «Cantigas de Maio», por precaução: desde dezembro havia indícios de que a PIDE preparava o assalto aos escritórios do programa, na Praça de Alvalade.\n\nChamou então Manuel Tomás, o responsável técnico e de sonoplastia do «Limite» e o homem da sua maior confiança. Para contornar as duas censuras — a da Renascença e a oficial, um coronel que acompanhava as emissões em direto e visava os textos —, combinaram os pormenores da senha ajoelhados na Igreja de São João de Brito, a fingir que rezavam. Carlos Albino escreveu ainda dois textos para o censor visar, destinados a «envolver» a senha, que Leite de Vasconcelos gravou sem saber para quê. Às 00h20 de 25 de abril, a primeira quadra de «Grândola» foi para o ar.","lugares":[{"lugar":"radio-renascenca","papel":"Preparou a emissão da senha (24 de abril de 1974)"},{"lugar":"jornal-republica","papel":"Jornalista do República, elo com o MFA (23 de abril de 1974)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Período pré-revolução (01-01-1973 a 24-04-1974) – cronologia","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/periodo-pre-revolucao-01-01-1973-a-24-04-1974/"},{"titulo":"Preparativos para a transmissão da senha, 23/04/1974 (cronologia)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/timeline/preparativos-para-a-transmissao-da-senha-para-inicio-das-operacoes-3/"},{"titulo":"Preparativos para a transmissão da senha, 24/04/1974 (cronologia)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/timeline/preparativos-para-a-transmissao-da-senha-para-inicio-das-operacoes-4/"},{"titulo":"Preparativos para a transmissão da senha, 24/04/1974 – Igreja de S. João de Brito (cronologia)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/timeline/preparativos-para-a-transmissao-da-senha-para-inicio-das-operacoes-5/"},{"titulo":"MFA – Preparativos para a Acção, 23/04/1974 (Limite)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/timeline/mfa-preparativos-para-a-accao-21/"},{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"}],"por_confirmar":["As datas de nascimento e de morte e o nome completo de Carlos Albino."]},{"id":"carolina-beatriz-angelo","nome":"Carolina Beatriz Ângelo","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1878-04-16","local":"Guarda (freguesia de São Vicente)"},"morte":{"data":"1911-10-03","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["médica cirurgiã e ginecologista","sufragista","primeira mulher a votar em Portugal","dirigente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas","presidente da Associação de Propaganda Feminista"],"resumo":"Médica, primeira cirurgiã portuguesa e sufragista. Viúva e «chefe de família», ganhou em tribunal o direito a ser recenseada e, a 28 de maio de 1911, no Clube Estefânia, foi a primeira mulher a votar em Portugal.","texto":"Nasceu na Guarda em 1878 e veio para Lisboa estudar: a Escola Politécnica a partir de 1895, depois a Escola Médico-Cirúrgica, onde acabou o curso em 1902. Nesse ano casou com o primo Januário Barreto, médico e republicano; a filha, Maria Emília, nasceu em 1903, o ano em que apresentou a tese, «Prolapsos Genitais». Foi a primeira mulher a operar em Portugal, no Hospital de São José, com o cirurgião Sabino Coelho; trabalhou também em Rilhafoles, com Miguel Bombarda, e especializou-se em ginecologia, com consultório no n.º 84 da Rua Nova do Almada.\n\nEm 1906 aderiu, com outras quatro médicas, entre elas Adelaide Cabete e Domitila de Carvalho, ao comité português de La Paix et le Désarmement par les Femmes. Na maçonaria, foi iniciada na Loja Humanidade com o nome simbólico «Lígia». Em 1907 esteve na fundação do Grupo Português de Estudos Feministas, de Ana de Castro Osório, com Maria Veleda, Sofia Quintino e Adelaide Cabete, e chegou à direção da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Com Adelaide Cabete, confecionou em segredo as bandeiras verde-rubras da revolução de 5 de Outubro de 1910. Januário Barreto morrera nesse ano, a poucos meses da República; o funeral saiu da casa do casal, na Rua do Sol ao Rato, para o Cemitério dos Prazeres.\n\nA lei eleitoral de 14 de março de 1911 dava o voto aos maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever ou fossem chefes de família, sem dizer que tinham de ser homens. Carolina e Ana de Castro Osório defendiam o voto das mulheres com estudos e que trabalhassem; outras, como Maria Veleda, só o aceitavam sem restrições. Dessa divergência dentro da Liga nasceu em 1911 a Associação de Propaganda Feminista, que fundou com Ana de Castro Osório e de que foi presidente. Viúva, com uma filha a seu cargo, pediu a inscrição no recenseamento a 1 de abril. A comissão de recenseamento e o Ministério do Interior recusaram-na, e ela recorreu ao tribunal. O juiz João Baptista de Castro, pai de Ana de Castro Osório, deu-lhe razão, numa sentença que o jornal A Capital publicou a 29 de abril: excluí-la «só por ser mulher» era «simplesmente absurdo e iníquo».\n\nA 28 de maio de 1911, na assembleia eleitoral de São Jorge de Arroios, instalada no Clube Estefânia, o presidente ainda consultou a mesa sobre se devia aceitar o voto dela, e um eleitor protestou. À segunda chamada, ouviu-se o seu nome — «Sou eu!», respondeu — e votou, como eleitora n.º 2513, entre palmas. Disse então que, se um dia fosse eleita, saberia cumprir o mandato. Foi a primeira mulher a votar em Portugal e no sul da Europa. A notícia correu mundo, e vieram jornalistas estrangeiros a Portugal para a entrevistar.\n\nMorreu poucos meses depois, a 3 de outubro de 1911, com 33 anos: sentiu-se mal no elétrico, quando voltava de uma reunião «de senhoras feministas, a que presidira», e morreu na escada de casa, contou o jornal A Luta. Livre-pensadora, pedira um funeral civil, «e em tudo democrata». Em 1913, a nova lei eleitoral passou a exigir aos eleitores o sexo masculino; o voto feminino só voltou em 1931, e as restrições ao voto em razão do sexo só caíram depois do 25 de Abril. Em 1988, a Câmara deu o seu nome a uma rua do Bairro de Caselas.","lugares":[{"lugar":"clube-estefania","papel":"Votou na assembleia de São Jorge de Arroios, instalada no Clube Estefânia (28 de maio de 1911)"},{"lugar":"boa-hora","papel":"Recurso para ser recenseada, decidido pelo juiz da 1.ª Vara Cível (local por confirmar) (abril de 1911)"},{"lugar":"consultorio-carolina-beatriz-angelo","papel":"Consultório de ginecologia (anúncio de 1909)."},{"lugar":"casa-carolina-beatriz-angelo","papel":"Residência do casal; velório do marido em 1910 (1909-1910)"},{"lugar":"hospital-de-sao-jose","papel":"Primeira mulher a operar em São José (c. 1902-1903)"},{"lugar":"liga-republicana-mulheres","papel":"Dirigente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (1909-1911)"},{"lugar":"ruas-pioneiras-caselas","papel":"Dá nome à Rua Carolina Ângelo (edital de 1988) (20 de abril de 1988)"}],"wikidata":"Q2817246","fontes":[{"titulo":"A rua lisboeta da primeira mulher que votou em Portugal","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2013/03/08/no-dia-mundial-da-mulher/"},{"titulo":"Carolina: por entre os itinerários da memória e da ciência (Gaudium Sciendi, n.º 2, julho de 2012)","editora":"Isabel Lousada / Universidade Católica Portuguesa","url":"https://scucp.ucp.pt/pt-pt/asset/381/file"},{"titulo":"Carolina Beatriz Ângelo","editora":"Assembleia da República","url":"https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Carolina-Beatriz-Angelo.aspx"},{"titulo":"O sufrágio feminino no Parlamento na 1.ª República (ComunicAR n.º 71, março de 2021)","editora":"Assembleia da República","url":"https://app.parlamento.pt/comunicar/v1/202103/71/artigos/art5.html"},{"titulo":"Carolina Beatriz Ângelo: um legado com 110 anos","editora":"FCSH+Lisboa (NOVA FCSH)","url":"https://maislisboa.fcsh.unl.pt/carolina-beatriz-angelo-um-legado-com-110-anos/"},{"titulo":"Ângelo, Carolina Beatriz (1878-1911) — Dicionário de Médicos Portugueses","editora":"Unidade de História da Medicina, Faculdade de Ciências Médicas da UNL (projeto de estudantes)","url":"https://medicosportugueses.blogs.sapo.pt/6263.html"},{"titulo":"Carolina Beatriz Ângelo","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Carolina_Beatriz_%C3%82ngelo"},{"titulo":"A sufragista pragmática: Carolina Beatriz Ângelo (1911)","editora":"Sinal Aberto","url":"https://sinalaberto.pt/a-sufragista-pragmatica-carolina-beatriz-angelo-1911/"}],"por_confirmar":["O ano do nascimento: 1878 (Dicionário de Médicos Portugueses, Isabel Lousada, FCSH, Wikipédia) ou 1877 (Toponímia de Lisboa).","O dia da morte: 3 de outubro de 1911 (Dicionário de Médicos Portugueses, FCSH, Wikipédia), 2 de outubro (Toponímia de Lisboa) ou 13 de outubro (Assembleia da República). A Wikipédia diz que morreu «pelas 2 horas da manhã», o que pode explicar a data de 2.","O ano em que entrou na Loja Humanidade: 1906 (FCSH, a partir de Isabel Lousada) ou 1907 (Toponímia de Lisboa).","O cargo na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas: vice-presidente (Toponímia de Lisboa) ou vogal suplente da direção (Dicionário de Médicos Portugueses).","Em que tribunal foi julgado o recurso para o recenseamento; nenhuma das fontes diz onde.","Onde está sepultada: num jazigo do Cemitério dos Prazeres, segundo a Wikipédia; nenhuma outra fonte o confirma."]},{"id":"cecilia-supico-pinto","nome":"Cecília Supico Pinto","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1921"},"morte":{"data":"2011"},"mulher":true,"papeis":["fundadora e dirigente do Movimento Nacional Feminino (pró-regime)","diretora da revista «Guerrilha»"],"resumo":"Fundou em 1961 o Movimento Nacional Feminino, que pôs mulheres ao serviço do regime na guerra colonial — madrinhas de guerra, aerogramas — e defendia que o Estado Novo já lhes garantia os direitos necessários. Sophia de Mello Breyner inspirou-se nela para o conto «Retrato de Mónica».","texto":"Mulher de Luís Supico Pinto, antigo ministro de Salazar, criou o Movimento Nacional Feminino depois da comoção causada pelo assalto ao paquete Santa Maria. O movimento nasceu oficialmente a 28 de abril de 1961, dia do aniversário de Salazar, e teve o apoio do governo.\n\nO movimento organizou mulheres em apoio à guerra colonial em Angola, Moçambique e na Guiné. Uma das primeiras iniciativas foram as «madrinhas de guerra», que davam apoio moral e material aos soldados e às suas famílias. Em julho de 1961 o subsecretário adjunto da Defesa Nacional considerou-o a entidade indicada para fornecer e distribuir os aerogramas militares: entre 1961 e 1974, o movimento editou mais de 300 milhões. Cecília Supico Pinto dirigiu também a «Guerrilha», revista mensal para militares.\n\nO movimento nunca reivindicou mudanças no lugar das mulheres na sociedade portuguesa; queria mostrar que o regime já lhes garantia os direitos necessários. Durou até 1974.\n\nSophia de Mello Breyner Andresen inspirou-se nela para o conto «Retrato de Mónica», que publicou em 1962 nos «Contos Exemplares». Cecília Supico Pinto morreu em 2011.","lugares":[],"wikidata":"Q16592870","fontes":[{"titulo":"Movimento Nacional Feminino","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_Nacional_Feminino"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"Contos Exemplares","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Contos_Exemplares"},{"titulo":"Cecília Supico Pinto","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Supico_Pinto"}],"por_confirmar":["Os dias e os lugares do nascimento e da morte vêm só da Wikidata e da Wikipédia: 30 de maio de 1921, em Lisboa (freguesia dos Mártires), e 25 de maio de 2011 — em Cascais, segundo a Wikipédia.","Que o «Retrato de Mónica» se inspirou nela só o diz a Wikipédia, sem fonte citada.","A sede do Movimento Nacional Feminino em Lisboa: Rua Presidente Arriaga, 6, segundo a Wikipédia, sem outra fonte."]},{"id":"celeste-caeiro","nome":"Celeste Caeiro","nome_completo":"Celeste Martins Caeiro","nascimento":{"data":"1933-05-02","local":"Lisboa (freguesia do Socorro)"},"morte":{"data":"2024-11-15","local":"Leiria"},"mulher":true,"papeis":["trabalhadora da restauração","a mulher dos cravos do 25 de Abril","empregada do restaurante Sir","«Celeste dos cravos»"],"resumo":"Trabalhava num restaurante da Rua Braamcamp e, na manhã de 25 de abril de 1974, deu um cravo a um soldado que lhe pedira um cigarro. Ele pô-lo no cano da espingarda, e o gesto deu nome à revolução.","texto":"Nasceu em Lisboa, na freguesia do Socorro, em maio de 1933. Em 1974 tinha 40 anos, vivia no Chiado e trabalhava no Sir, um self-service aberto em abril de 1973 no Edifício Franjinhas, na Rua Braamcamp.\n\nA 25 de abril de 1974 o restaurante fazia um ano, e os donos tinham comprado cravos para oferecer às clientes. Com a revolução na rua, não abriu, e as flores foram dadas às empregadas. Celeste foi para a Baixa. Na Rua do Carmo, a caminho do Largo do Carmo, um soldado pediu-lhe um cigarro; ela, que não fumava, deu-lhe um cravo — «um cravo oferece-se a qualquer pessoa», recordou. Ele pô-lo no cano da espingarda. Contou que terá dado uns seis cravos nessa manhã. O soldado nunca foi identificado.\n\nEm abril de 2024, nos 50 anos do 25 de Abril, desfilou na Avenida da Liberdade numa cadeira de rodas, com a neta, de cravos na mão. Morreu a 15 de novembro de 2024, no hospital de Leiria, aos 91 anos.","lugares":[{"lugar":"franjinhas","papel":"Trabalhava no restaurante Sir (25 de abril de 1974)"},{"lugar":"rua-do-carmo","papel":"Deu os cravos aos soldados (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":"Q16337118","fontes":[{"titulo":"Celeste e Guilhermina: a flor do acaso (António Araújo, 28/7/2024)","editora":"Diário de Notícias","url":"https://www.dn.pt/6872466510/celeste-e-guilhermina-a-flor-do-acaso/"},{"titulo":"Morreu Celeste Caeiro, a mulher que distribuiu cravos aos militares no 25 de Abril. Tinha 91 anos","editora":"Observador","url":"https://observador.pt/2024/11/15/morreu-celeste-caeiro-a-mulher-distribuiu-cravos-aos-militares-no-25-de-abril-tinha-91-anos/"},{"titulo":"25 de Abril. Celeste Caeiro, a mulher que pintou Lisboa e o país de cravos","editora":"A Mensagem de Lisboa","url":"https://amensagem.pt/2024/11/16/morreu-celeste-caeiro-cravos-revolucao/"},{"titulo":"Celeste Caeiro","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Celeste_Caeiro"},{"titulo":"Celeste Caeiro","editora":"Wikipédia (inglês)","url":"https://en.wikipedia.org/wiki/Celeste_Caeiro"},{"titulo":"Onde eu estava há 50 anos por... Celeste Caeiro","editora":"Diário de Notícias","url":"https://www.dn.pt/sociedade/onde-eu-estava-ha-50-anos-por-celeste-caeiro"},{"titulo":"«Fui para ao pé do soldado e digo assim: 'Olhe, não tenho cigarros mas tenho aqui este cravinho'»: Celeste Caeiro (1933-2024)","editora":"CNN Portugal","url":"https://cnnportugal.iol.pt/celeste-caeiro/celeste-dos-cravos/fui-para-o-pe-do-soldado-e-digo-assim-olhe-nao-tenho-cigarros-mas-tenho-aqui-este-cravinho-celeste-caeiro-1933-2024-umas-das-historias-mais-bonitas-da-nossa-democracia/20241115/67377b9bd34ea1acf270ac33"},{"titulo":"Celeste Caeiro (Q16337118)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q16337118"}],"por_confirmar":["O dia do nascimento: 2 de maio de 1933 (Diário de Notícias, Wikipédia, Wikidata) ou 3 de maio (Observador).","O ponto exato da entrega do cravo (ver a Rua do Carmo).","A função no restaurante: «empregada de mesa e costureira» (A Mensagem de Lisboa); outros relatos dizem só que trabalhava no restaurante.","A condecoração póstuma pelo Presidente da República (8 de março de 2025), referida num título do Público que não foi possível ler."]},{"id":"cesina-bermudes","nome":"Cesina Bermudes","nome_completo":"Cesina Borges Adães Bermudes","nascimento":{"data":"1908-05-20","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"2001-12-09","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["médica obstetra","pioneira do «parto sem dor»","signatária das listas do MUD","dirigente do Movimento Nacional Democrático Feminino","presa política"],"resumo":"Médica obstetra e pioneira do «parto sem dor» em Portugal. Fez campanha por Norton de Matos em 1949, na Comissão Central do Movimento Nacional Democrático Feminino, e por isso foi presa em Caxias e afastada do ensino na Faculdade de Medicina.","texto":"Nasceu em Lisboa a 20 de maio de 1908, filha do escritor Félix Bermudes. Licenciou-se na Faculdade de Medicina de Lisboa em 1932, foi assistente de Anatomia e Clínica Geral nos Hospitais Civis de Lisboa e especializou-se em obstetrícia em 1937. Doutorou-se em 1947, com 19 valores na dissertação. Foi a primeira portuguesa a doutorar-se em obstetrícia.\n\nEm 1945 assinou as listas do Movimento de Unidade Democrática e defendeu que se formasse nele uma Comissão de Mulheres. Na campanha de Norton de Matos às presidenciais de 1949 integrou a Comissão Central do Movimento Nacional Democrático Feminino, com Maria Lamas e Isabel Aboim Inglez, e discursou em vários comícios. Num discurso em Santarém apresentou as reivindicações da Comissão Feminista: «abolição do regulamento da prostituição, salário igual para trabalho igual, equiparação jurídica para ambos os sexos […] e sufrágio universal». A 7 de fevereiro de 1949 esteve na assembleia de delegados, no Centro Republicano António José de Almeida, que decidiu que o candidato não iria às urnas. Uma fotografia de 10 de fevereiro mostra-a no comício de Lisboa na Voz do Operário, com Maria Lamas e Manuel João da Palma Carlos.\n\nA 14 de outubro de 1949 foi presa, por integrar a Comissão Central do movimento, e levada para o Forte de Caxias, de onde saiu a 14 de janeiro de 1950. A oposição ao regime custou-lhe a carreira universitária: não pôde tomar posse do lugar de professora efetiva e, impedida de ensinar na Faculdade de Medicina, passou a dar aulas de puericultura em escolas industriais.\n\nEm 1954 foi a Paris estudar novas técnicas de parto. No regresso divulgou em revistas médicas o método psicoprofilático, o chamado «parto sem dor», de que foi pioneira em Portugal com o obstetra Pedro Monjardino. Em 1989 foi feita comendadora da Ordem da Liberdade, e morreu em Lisboa em dezembro de 2001. Desde um edital de 24 de setembro de 2009, uma rua do Pólo Tecnológico de Lisboa, em Carnide, tem o seu nome.","lugares":[{"lugar":"voz-do-operario","papel":"Comício da candidatura de Norton de Matos (10 de fevereiro de 1949)"},{"lugar":"caxias","papel":"Presa no forte de Caxias até 14 de janeiro de 1950 (14 de outubro de 1949)"}],"wikidata":"Q19704367","fontes":[{"titulo":"A Rua Cesina Adães Bermudes e o parto sem dor","editora":"Toponímia de Lisboa (blogue da Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2015/03/31/a-rua-de-cesina-adaes-bermudes-do-parto-sem-dor/"},{"titulo":"Cesina Bermudes","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Cesina_Bermudes"},{"titulo":"Candidatura de Norton de Matos [...] comício de Lisboa (Voz do Operário). Maria Lamas, Manuel João da Palma Carlos e Cesina Bermudes – fotografia (cota 04654.000.026)","editora":"Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso","url":"https://casacomum.org/visualizador?cota=04654.000.026"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"}],"por_confirmar":["O dia da morte: 5 de dezembro de 2001 (Wikipédia) ou 9 de dezembro (Wikidata).","O ano da licenciatura: 1932 (Toponímia de Lisboa) ou 1933 (CIG; a Wikipédia hesita entre os dois).","O pioneirismo do doutoramento: a CIG diz que foi a primeira portuguesa doutorada em obstetrícia; a Wikipédia, que foi a segunda mulher a doutorar-se na Faculdade de Medicina de Lisboa, depois de Domitila de Carvalho."]},{"id":"clarisse-guerra","nome":"Clarisse Guerra","nome_completo":null,"nascimento":null,"morte":null,"mulher":true,"papeis":["locutora do comunicado do MFA das 14h30 (25 de abril de 1974)"],"resumo":"Pelas 14h30 de 25 de abril de 1974 leu, no Rádio Clube Português, o comunicado do MFA que anunciava os objetivos conquistados e o cerco a Marcelo Caetano no Quartel do Carmo — um comunicado «agora lido por uma mulher».","texto":"Na madrugada de 25 de abril de 1974, o Rádio Clube Português tornou-se a voz do Movimento das Forças Armadas: às 4h26, Joaquim Furtado leu ali o primeiro comunicado. Pelas 14h30, a emissora transmitiu outro, lido por Clarisse Guerra. Dava conta dos objetivos já conquistados e do cerco a Marcelo Caetano e a membros do governo no Quartel do Carmo.\n\nEnquanto o comunicado passava na rádio, Otelo Saraiva de Carvalho, do Posto de Comando, insistia com Salgueiro Maia para que forçasse a rendição de Caetano. A Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril sublinha que esse comunicado foi «agora lido por uma mulher».","lugares":[{"lugar":"radio-clube-portugues","papel":"Leu um comunicado do MFA cerca das 14h30 (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/Artigos/APP_CX22_48_CRONOLOGIA%20DO%2025%20DE%20ABRIL_Jofre%20Alves.pdf"}],"por_confirmar":["Quem era Clarisse Guerra: as datas de nascimento e de morte, o percurso profissional e se era locutora do Rádio Clube Português.","O que dizia ao certo o comunicado: o cerco ao Quartel do Carmo (Associação 25 de Abril, Comissão Comemorativa) ou o ultimato para a rendição de Marcelo Caetano (cronologia de Jofre Alves)."]},{"id":"conceicao-matos","nome":"Conceição Matos","nome_completo":"Maria da Conceição Rodrigues de Matos Abrantes","nascimento":{"data":"1936","local":"São Pedro do Sul"},"morte":null,"mulher":true,"papeis":["operária","militante e funcionária clandestina do PCP","presa política","membro da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos"],"resumo":"Militante comunista presa em 1965 e em 1968, sofreu na sede da PIDE alguns dos métodos de tortura mais cruéis e humilhantes aplicados a uma mulher, e nunca falou. Décadas depois, contou-o publicamente para denunciar a polícia política.","texto":"Nasceu em São Pedro do Sul em 1936 e aos três anos foi com a família para o Barreiro, para uma «barraca de madeira» no Bairro das Palmeiras. Começou a militância no MUD Juvenil, levada pelo irmão, Alfredo Matos; nos anos 1950 conheceu Domingos Abrantes, o seu futuro companheiro, e entrou para o PCP. Viveram anos na clandestinidade, como funcionários do partido.\n\nPor volta das quatro da madrugada de 21 de abril de 1965, uma brigada da PIDE acompanhada por guardas da GNR arrombou a porta da casa onde viviam, no Montijo. Conceição teve tempo de queimar os papéis do partido. Ficou presa em casa até à noite, enquanto os agentes esperavam por Domingos, que também acabou preso, e foi depois levada para a sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso. Aí foi espancada durante vários dias, despida, obrigada a urinar e a defecar na sala de interrogatório e a limpar o chão com a roupa que trazia. A ficha da PIDE regista apenas que «recolheu ao Depósito de Presos de Caxias»: nenhuma palavra sobre a tortura.\n\nEm Caxias aprendeu a decifrar os toques na parede com que comunicavam os presos das celas vizinhas. Quando lhe perguntaram se tinha falado e respondeu que não, a resposta veio do outro lado: «Coragem hoje, abraços amanhã». Mostraram-lhe uma carta, que diziam escrita por Domingos, a pedir-lhe que falasse; nunca acreditou. «Quem vê aquele processo sabe que eu nunca falei à polícia», disse mais tarde. Ficou um ano e meio presa. Libertada em 1966, integrou a Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos; em setembro de 1968 voltou a ser presa e passou dois meses e alguns dias em isolamento total em Caxias.\n\nEm 1969 casou-se oficialmente com Domingos Abrantes na cadeia de Peniche. Ele foi libertado em março de 1973 e, em fevereiro de 1974, partiram clandestinos para Paris, para trabalhar na organização do partido na emigração. Regressaram a 30 de abril de 1974, ao lado de Álvaro Cunhal, no «avião da Liberdade», que aterrou no aeroporto de Lisboa.\n\nEm 1977 foi testemunha de acusação nos julgamentos da agente Madalena Oliveira e do inspetor Tinoco, da PIDE. Já reformada de funcionária do PCP, quase quatro décadas depois da prisão aceitou contar na comunicação social os dias de tortura — não por razões pessoais, mas por considerar importante denunciar a polícia política do regime.","lugares":[{"lugar":"sede-pide","papel":"Interrogada e torturada na sede da PIDE depois da prisão (21 de abril de 1965)"},{"lugar":"caxias","papel":"Presa em Caxias (1965-1966) e de novo, em isolamento, em 1968 (21 de abril de 1965)"},{"lugar":"peniche","papel":"Casou-se com Domingos Abrantes na cadeia de Peniche (1969)"}],"wikidata":"Q94115906","fontes":[{"titulo":"Maria da Conceição Rodrigues de Matos","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memorial2019.org/presos/maria-da-conceicao-rodrigues-de-matos"},{"titulo":"Domingos Abrantes e Maria da Conceição Matos (testemunho e biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/domingos-abrantes-maria-da-conceicao-matos/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"Conceição Matos","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Concei%C3%A7%C3%A3o_Matos"}],"por_confirmar":["Quando partiram para Paris: em fevereiro de 1974 (Museu do Aljube, na biografia de Domingos Abrantes; Wikipédia) ou logo em 1973, depois da libertação dele (leitura possível do Memória Comum e da biografia dela no Museu do Aljube).","Quando acabou a segunda prisão: o Memória Comum fala de dois meses e alguns dias de isolamento em Caxias; a Wikipédia diz que só foi libertada em meados de 1969.","O dia e o mês do nascimento: as fontes dão só o ano, 1936."]},{"id":"francisco-da-costa-gomes","nome":"Costa Gomes","nome_completo":"Francisco da Costa Gomes","nascimento":{"data":"1914-06-30","local":"Chaves"},"morte":{"data":"2001-07-31","local":"Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["general","Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas","membro da Junta de Salvação Nacional","Presidente da República (1974–1976)"],"resumo":"Escolhido pelos capitães como chefe prestigiado, integrou a Junta de Salvação Nacional, sucedeu a Spínola na Presidência em setembro de 1974, decretou o estado de sítio a 25 de novembro de 1975 e promulgou a Constituição de 1976.","texto":"Nasceu em Chaves em 1914. Na reunião de Óbidos, em dezembro de 1973, os capitães quiseram escolher chefes prestigiados para o Movimento, e ele foi o mais votado. Era então Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. Em março de 1974 foi demitido, com o vice-chefe, António de Spínola, pouco depois de ambos faltarem à cerimónia da «Brigada do Reumático», no Palácio de São Bento. Depois do 25 de Abril integrou a Junta de Salvação Nacional, apresentada ao país nos estúdios da RTP a 26 de abril.\n\nCom a renúncia de Spínola, a 30 de setembro de 1974, tornou-se Presidente da República. A 2 de junho de 1975 discursou na sessão inaugural da Assembleia Constituinte, defendendo um «socialismo pluripartidário». No 25 de Novembro de 1975 dirigiu do Palácio de Belém a resposta à ação dos paraquedistas e decretou o estado de sítio na região de Lisboa. A 2 de abril de 1976 promulgou a Constituição. Morreu em Lisboa em 2001.","lugares":[{"lugar":"rtp-lumiar","papel":"Presente na apresentação da Junta de Salvação Nacional (26 de abril de 1974)"},{"lugar":"belem","papel":"Posto de comando do Presidente a 25 de novembro (25 de novembro de 1975)"},{"lugar":"assembleia-da-republica","papel":"Promulgou a Constituição (2 de abril de 1976)"}],"wikidata":"Q348880","fontes":[{"titulo":"Reunião de Cascais","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/capitaes-em-movimento/reuniao-de-cascais/"},{"titulo":"Período pré-revolução (01-01-1973 a 24-04-1974) – cronologia","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/periodo-pre-revolucao-01-01-1973-a-24-04-1974/"},{"titulo":"A Reunião de Óbidos","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/capitaes-em-movimento/reuniao-obidos/"},{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"28 de Setembro","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/28-de-setembro/"},{"titulo":"A eleição da Assembleia Constituinte","editora":"RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola)","url":"https://media.rtp.pt/memoriasdarevolucao/acontecimento/a-eleicao-da-assembleia-constituinte/"},{"titulo":"25 de Novembro de 1975","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/25-de-novembro-50-anos-depois/25-de-novembro-de-1975/"},{"titulo":"Francisco da Costa Gomes (Q348880)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q348880"},{"titulo":"Constituição da República Portuguesa – texto originário, aprovado em 2 de abril de 1976","editora":"Assembleia da República","url":"https://www.parlamento.pt/parlamento/documents/crp1976.pdf"}],"por_confirmar":["O dia e o lugar do nascimento (Chaves, 30 de junho de 1914) e da morte (Lisboa, 31 de julho de 2001) vêm só do Wikidata."]},{"id":"deolinda-lopes-vieira","nome":"Deolinda Lopes Vieira","nome_completo":"Deolinda Lopes Vieira Pinto Quartin","nascimento":{"data":"1888-07-08","local":"Beja"},"morte":{"data":"1993-06-06","local":"Lisboa (São Mamede)"},"mulher":true,"papeis":["professora primária e educadora de infância","professora na Escola-Oficina n.º 1 (Graça)","dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas","maçon, fundadora da Loja Humanidade (1923)"],"resumo":"Professora primária e educadora de infância, ensinou na Escola-Oficina n.º 1, na Graça, uma escola de influência libertária; esteve na comissão organizadora do I Congresso Feminista e de Educação, em 1924, e na direção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.","texto":"Nasceu em Beja em 1888 e veio aos 12 anos para Lisboa. Formou-se na Escola Normal Primária de Lisboa, cuja secção feminina ficava no Largo do Calvário, em Alcântara. Em 1910 começou a ensinar na Escola-Oficina n.º 1, no Largo da Graça, uma escola de influência anarquista e libertária.\n\nMaçon, participou na introdução em Portugal de um ramo da maçonaria mista francesa Le Droit Humain (O Direito Humano) e foi, em 1923, uma das fundadoras da sua Loja Humanidade, em Lisboa, onde adotou o nome simbólico de Maria Amália Vaz de Carvalho. Esteve na comissão organizadora do I Congresso Feminista e de Educação, que se reuniu em maio de 1924 no salão nobre da Associação de Socorros Mútuos dos Empregados no Comércio de Lisboa. Em 1928, ano do II Congresso, fazia parte da direção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Morreu em Lisboa em 1993, aos 104 anos.","lugares":[{"lugar":"cnmp-restauradores","papel":"Na comissão organizadora do I Congresso Feminista e de Educação, que recebia aqui as teses e a correspondência (1924)"},{"lugar":"palacio-vagos","papel":"Membro da comissão organizadora do I Congresso (maio de 1924)"}],"wikidata":"Q9057034","fontes":[{"titulo":"Deolinda Lopes Vieira","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Deolinda_Lopes_Vieira"},{"titulo":"[2502.] Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas || Direcção - 1928","editora":"Silêncios e Memórias (blogue)","url":"https://silenciosememorias.blogspot.com/2021/02/3012-conselho-nacional-das-mulheres.html"},{"titulo":"Primeiro Congresso Feminista e de Educação (brochura de divulgação, com a comissão organizadora, as teses e o regulamento)","editora":"Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas — Arquivo de História Social (ICS-ULisboa), Espólio Pinto Quartin","url":"https://ahsocial.ics.ulisboa.pt/primeiro-congresso-feminista-e-de-educacao-conselho-nacional-das-mulheres-portuguesas-lisboa-s-n-1924"}],"por_confirmar":["O dia da morte: 6 de junho de 1993, segundo a Wikipédia; 8 de junho, segundo João Esteves (Silêncios e Memórias).","A morada exata da Escola-Oficina n.º 1, no Largo da Graça.","Se o salão nobre onde se reuniu o congresso de 1924 era o do Palácio Vagos, que pertence à associação desde 1913.","Se a Loja Humanidade que ajudou a fundar em 1923, no Direito Humano, é a mesma em que Maria Clara Correia Alves se iniciara antes, no Grande Oriente Lusitano: as biografias das duas na Wikipédia não o dizem."]},{"id":"diana-andringa","nome":"Diana Andringa","nome_completo":"Diana Marina Dias Andringa","nascimento":{"data":"1947-08-21","local":"Dundo (Chitato), Angola"},"morte":null,"mulher":true,"papeis":["estudante de Medicina","ativista estudantil","jornalista","documentarista","presa política"],"resumo":"Jornalista e documentarista nascida em Angola. Estudante de Medicina ativa nas comissões de apoio aos presos políticos, foi presa em 1970 por contactos com os movimentos de libertação angolanos e condenada pelo Tribunal Plenário de Lisboa.","texto":"Nasceu a 21 de agosto de 1947 no Dundo, em Angola, numa família conservadora com simpatias pelo regime, e instalou-se em definitivo em Portugal em 1958. Em 1964 entrou na Faculdade de Medicina de Lisboa, que deixaria pelo jornalismo, e nesse ano participou na sua primeira manifestação, a exigir a libertação de Saldanha Sanches. Depois das prisões de janeiro de 1965 aprofundou a atividade política: manifestações, Comissões de Apoio aos Presos Políticos, cartazes e boletins.\n\nEm 1968 fez o primeiro curso de jornalismo do Sindicato dos Jornalistas e entrou para a revista Vida Mundial, onde a censura lhe cortou um artigo sobre a guerra colonial em Angola. Tinha contactos com militantes dos movimentos de libertação angolanos e, depois de alguns deles serem presos em Angola, foi presa em janeiro de 1970, na empresa de publicidade onde trabalhava. Passou dois meses e meio em isolamento em Caxias.\n\nJulgada no Tribunal Plenário de Lisboa em fevereiro e março de 1971, foi condenada a 20 meses de prisão e saiu em liberdade em setembro. Ainda nesse ano voltou ao Diário de Lisboa. Fez depois carreira na RTP, na RDP, no Diário de Notícias e no Público, e realizou vários documentários sobre a resistência antifascista e anticolonial. Um deles, «12 de Outubro de 1972: O Dia em que Perdemos o Medo» (2022), conta as repercussões do assassinato de Ribeiro Santos.","lugares":[{"lugar":"cidade-universitaria","papel":"Estudante da Faculdade de Medicina de Lisboa e participante no movimento estudantil (1964)"},{"lugar":"caxias","papel":"Dois meses e meio em isolamento em Caxias (janeiro de 1970)"},{"lugar":"boa-hora","papel":"Julgada no Tribunal Plenário de Lisboa e condenada a 20 meses de prisão (fevereiro de 1971)"},{"lugar":"sede-censura","papel":"Artigo sobre a guerra colonial em Angola cortado pela censura (ano não indicado; quando trabalhava na Vida Mundial)."},{"lugar":"legiao-portuguesa","papel":"Autora do programa da RTP em que o presidente da comissão de extinção da Legião falou dela (1999)"}],"wikidata":"Q10266032","fontes":[{"titulo":"Diana Andringa (testemunho e biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/diana-andringa/"},{"titulo":"Diana Andringa","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Diana_Andringa"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"Acabou-se a Legião","editora":"RTP Ensina","url":"https://ensina.rtp.pt/artigo/acabou-se-a-legiao/"}],"por_confirmar":[]},{"id":"domingos-abrantes","nome":"Domingos Abrantes","nome_completo":"Domingos Abrantes Ferreira","nascimento":{"data":"1936-01-19","local":"Vila Franca de Xira"},"morte":null,"mulher":false,"papeis":["dirigente do MUD Juvenil","funcionário e dirigente do PCP","preso político","evadido de Caxias (1961)"],"resumo":"Dirigente comunista, foi um dos oito presos que fugiram de Caxias no carro blindado de Salazar, em 1961. Preso em 1959 e de novo em 1965, resistiu à tortura da PIDE sem falar.","texto":"Nasceu em Vila Franca de Xira a 19 de janeiro de 1936. Dirigente do MUD Juvenil, foi funcionário e depois dirigente do PCP. Preso pela primeira vez em 1959, passou meses nos «curros» do Aljube.\n\nA 4 de dezembro de 1961 estava em Caxias, entre os dirigentes do PCP que esperavam a transferência para Peniche, quando fugiu, com outros sete presos, no carro blindado de Salazar que António Tereso conduzia.\n\nVoltou à clandestinidade, na margem sul. A 21 de abril de 1965, a PIDE esperou-o na casa onde vivia com Conceição Matos, no Montijo, e prendeu os dois. A PIDE tentou com ele o que tentara com ela — fazer-lhe crer que o outro tinha falado — antes de o torturar; nunca falou. Casou com Conceição Matos na cadeia de Peniche em 1969 e foi libertado a 23 de março de 1973.\n\nEm fevereiro de 1974 voltou à clandestinidade e partiu com Conceição Matos para Paris, para trabalhar na organização do partido na emigração. Regressaram a Portugal a 30 de abril de 1974, no avião em que vinha Álvaro Cunhal. Em 2021, já conselheiro de Estado, falou na evocação dos 60 anos da fuga, junto à escultura de Caxias, como o «único sobrevivente da fuga», e lembrou que esta se fizera «à luz do dia e debaixo do fogo da GNR».","lugares":[{"lugar":"aljube","papel":"Meses nos «curros» depois da prisão de 1959."},{"lugar":"caxias","papel":"Fuga no carro blindado de Salazar; nova prisão a partir de 1965 (4 de dezembro de 1961)"},{"lugar":"peniche","papel":"Casamento com Conceição Matos na cadeia (1969)"}],"wikidata":"Q22958314","fontes":[{"titulo":"Domingos Abrantes e Maria da Conceição Matos (testemunho e biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/domingos-abrantes-maria-da-conceicao-matos/"},{"titulo":"Maria da Conceição Rodrigues de Matos","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memorial2019.org/presos/maria-da-conceicao-rodrigues-de-matos"},{"titulo":"A fuga de Caxias, um acto de resistência antifascista rumo à vitória, foi há 60 anos","editora":"URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses","url":"https://www.urap.pt/index.php/actividade-mainmenu-29/notcias-mainmenu-35/1169-a-fuga-de-caxias-um-acto-de-resistencia-antifascista-rumo-a-vitoria-foi-ha-60-anos"},{"titulo":"Fuga de Caxias","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/12/04/fuga-de-caxias/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"}],"por_confirmar":["Quando partiu para Paris: em fevereiro de 1974, segundo a biografia de Domingos Abrantes no Museu do Aljube, ou logo em 1973, segundo a de Conceição Matos na mesma página."]},{"id":"domitila-de-carvalho","nome":"Domitila de Carvalho","nome_completo":"Domitila Hormizinda Miranda de Carvalho","nascimento":{"data":"1871-04-10","local":"Travanca (Santa Maria da Feira)"},"morte":{"data":"1966-11-11","local":"Lisboa (Prazeres)"},"mulher":true,"papeis":["primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra","médica","professora e reitora do Liceu D. Maria Pia","poetisa","deputada à Assembleia Nacional (1935–1942)"],"resumo":"Primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, formou-se em Matemática, Filosofia e Medicina e foi professora e reitora do primeiro liceu feminino. Monárquica e conservadora, apoiante do salazarismo nascente, foi uma das três primeiras deputadas, eleitas em 1934 nas listas da União Nacional.","texto":"Nasceu em Travanca, no concelho de Santa Maria da Feira, em 1871. Foi a primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Matemática, Filosofia e Medicina. Em 1906 aderiu, com outras quatro médicas — Adelaide Cabete, Carolina Beatriz Ângelo, Emília Patacho e Maria do Carmo Lopes —, ao comité português da associação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes.\n\nExerceu clínica em Lisboa, na Assistência Nacional aos Tuberculosos, mas escolheu o ensino: foi professora e reitora do Liceu D. Maria Pia, o primeiro liceu feminino do país, que viria a chamar-se Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho.\n\nMonárquica e conservadora, aderiu aos princípios do Estado Novo e destacou-se na pequena elite feminina que apoiava o salazarismo nascente; por ser monárquica, foi a interlocutora entre Salazar e a antiga rainha D. Amélia, com quem se correspondia. Nas eleições de 16 de dezembro de 1934 foi eleita nas listas da União Nacional e, com Maria Cândida Parreira e Maria Guardiola, tornou-se uma das três primeiras deputadas portuguesas. Esteve na Assembleia Nacional durante duas legislaturas, de 1935 a 1942. Não foi a I República, que negara às mulheres o direito de votar e de ser eleitas, a abrir-lhes o Parlamento: foi o regime de Salazar, ainda que de forma muito condicionada, por ver nelas um meio de edificar e propagar a ideologia do Estado Novo.\n\nNa Assembleia, interveio sobre a mortalidade infantil e esteve na origem dos cursos obrigatórios de higiene geral e de puericultura nos liceus femininos. Na discussão da reforma do ensino de Carneiro Pacheco, em 1936, defendeu o crucifixo obrigatório nas escolas primárias, contra o ensino laico. Morreu em Lisboa, na freguesia dos Prazeres, em 1966.","lugares":[{"lugar":"liceu-maria-amalia-vaz-de-carvalho","papel":"Professora e reitora do Liceu D. Maria Pia / Maria Amália."},{"lugar":"assembleia-da-republica","papel":"Uma das três primeiras deputadas (1935)"}],"wikidata":"Q10268173","fontes":[{"titulo":"Um olhar sobre a participação feminina na Assembleia Nacional: a deputada Virgínia Faria Gersão (Faces de Eva, n.º 47)","editora":"Susana Fontes e Sónia Coelho / Faces de Eva (SciELO Portugal)","url":"https://scielo.pt/pdf/eva/n47/0874-6885-eva-47-77.pdf"},{"titulo":"Domitila de Carvalho","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Domitila_de_Carvalho"},{"titulo":"A rua lisboeta da primeira mulher que votou em Portugal","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2013/03/08/no-dia-mundial-da-mulher/"}],"por_confirmar":["Os anos em que foi reitora do Liceu D. Maria Pia: da fundação, em 1906, a novembro de 1912, segundo a Wikipédia; as outras fontes não dão datas.","Os anos das duas legislaturas: 1935–1942 (Faces de Eva) ou 1934–1938 e 1938–1941 (Wikipédia). Segue-se a Faces de Eva.","O retrato político — monárquica, conservadora, interlocutora entre Salazar e a antiga rainha D. Amélia — e a posição sobre o crucifixo nas escolas, em 1936, vêm só da Wikipédia."]},{"id":"elina-guimaraes","nome":"Elina Guimarães","nome_completo":"Elina Júlia Chaves Pereira Guimarães (Elina Guimarães da Palma Carlos)","nascimento":{"data":"1904-08-08","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"1991-06-24","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["jurista e escritora","dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas","diretora de «Alma Feminina» (1929–1930)","precursora do «feminismo jurídico»","oposicionista (MUD)"],"resumo":"Jurista e feminista, dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o Estado Novo o fechar, em 1947. Precursora do «feminismo jurídico», defendeu o voto das mulheres, a coeducação e os direitos da mulher trabalhadora, e esteve na oposição democrática.","texto":"Nasceu em Lisboa em 1904, filha de Vitorino Guimarães, oficial do Exército, professor e ministro da I República. Afonso Costa chamou-lhe «mulher do futuro». Ainda estudante, contestou na revista «Vida Académica» o que Júlio Dantas escrevera sobre as mulheres; licenciou-se em Direito em Lisboa em 1926, com 18 valores. Em 1928 casou com Adelino da Palma Carlos, colega desde o liceu, que em 1974 chefiaria o primeiro governo depois do 25 de Abril.\n\nConvidada por Adelaide Cabete, entrou para o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, onde foi secretária-geral (1927), vice-presidente da direção (1928, 1929 e 1931), responsável pelas secções jurídica e do sufrágio e diretora da revista «Alma Feminina» (1929–1930). Precursora do «feminismo jurídico», definia-o como a corrente que «impõe e preconiza a igualdade dos sexos perante a lei». No II Congresso Feminista e de Educação, em 1928, defendeu na tese «Protecção à mulher trabalhadora» que a mulher recebesse parte do salário no repouso obrigatório antes e depois do parto, e que a gravidez não pudesse justificar o fim de um contrato de trabalho. Presidiu também à comissão executiva da subscrição nacional aberta pelo jornal O Rebate a favor das famílias dos presos, deportados e emigrados políticos.\n\nEm 1931 esteve entre os que protestaram junto do ministro da Instrução Pública contra o fim da coeducação no ensino primário. Escreveu na imprensa sobre os direitos das mulheres, tanto quanto a censura o permitia, e publicou «O Poder Maternal» (1933) e «A Lei em que Vivemos» (1937), sobre o direito na vida das mulheres. Em 1946 foi eleita vice-presidente da assembleia geral do Conselho, e estava no cargo quando o Estado Novo o encerrou, em 1947, na sede das Amoreiras.\n\nNa oposição, filiou-se no MUD em 1945, esteve no Congresso Republicano de Aveiro, em 1969, e no Congresso da Oposição Democrática, em 1973, de cuja comissão nacional fez parte. Depois do 25 de Abril presidiu à Liga de Direitos Cívicos da Mulher. Em 1985, no encerramento da Década Internacional da Mulher, o Presidente Ramalho Eanes fê-la oficial da Ordem da Liberdade. Morreu em Lisboa a 24 de junho de 1991; em novembro desse ano, a Câmara deu o seu nome a uma rua de Santa Clara.","lugares":[{"lugar":"cnmp-restauradores","papel":"Dirigente do CNMP, com sede nos Restauradores (1927-1931)"},{"lugar":"cnmp-amoreiras","papel":"Vice-presidente da assembleia-geral do CNMP quando foi fechado (1947)"}],"wikidata":"Q10271905","fontes":[{"titulo":"A Rua Elina Guimarães, Mulher de Liberdade","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2017/07/27/a-rua-elina-guimaraes-a-mulher-de-liberdade/"},{"titulo":"Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_Nacional_das_Mulheres_Portuguesas"},{"titulo":"[2502.] Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas || Direcção - 1928","editora":"Silêncios e Memórias (blogue)","url":"https://silenciosememorias.blogspot.com/2021/02/3012-conselho-nacional-das-mulheres.html"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Elina Guimarães","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Elina_Guimar%C3%A3es"}],"por_confirmar":["O nome completo: «Elina Júlia Pereira Guimarães da Palma Carlos» (Toponímia de Lisboa, Wikipédia) ou «Elina Júlia Chaves Pereira Guimarães» (CIG).","O ano do artigo contra Júlio Dantas na «Vida Académica»: 1922 (Toponímia de Lisboa) ou 1925 (Wikipédia).","Quando entrou para o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: aos 20 anos, por volta de 1924 (Toponímia de Lisboa), ou em 1925 (Silêncios e Memórias; a CIG dá 1925 como o ano em que aderiu ao movimento feminista)."]},{"id":"emidio-santana","nome":"Emídio Santana","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1906-07-04","local":"Lisboa (Santa Engrácia)"},"morte":{"data":"1988-10-16","local":"Lisboa (São Domingos de Benfica)"},"mulher":false,"papeis":["operário metalúrgico","anarcossindicalista","secretário-geral do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos","autor do atentado contra Salazar (1937)","preso político"],"resumo":"Operário metalúrgico e anarcossindicalista, foi um dos autores do atentado à bomba contra Salazar na Avenida Barbosa du Bocage, em 1937. Fugiu para Inglaterra, foi entregue à polícia portuguesa e só saiu da prisão em 1953.","texto":"Nasceu em Lisboa, na freguesia de Santa Engrácia, em 1906. Em criança estudou na Escola Oficina n.º 1, uma escola moderna segundo os princípios do pedagogo Francisco Ferrer. Militou nas Juventudes Sindicalistas e foi secretário-geral do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na Confederação Geral do Trabalho (CGT). Depois do golpe de 28 de maio de 1926 continuou a atividade sindical na clandestinidade. Foi preso várias vezes — uma delas no Forte de Elvas — e deportado para os Açores em 1932. Em 1936 representou a CGT portuguesa no congresso da Confederación Nacional del Trabajo, em Espanha.\n\nFoi um dos autores do atentado à bomba contra Salazar, na manhã de 4 de julho de 1937, quando o ditador ia à missa na capela particular do amigo Josué Trocado, na Avenida Barbosa du Bocage. A bomba, escondida num coletor, rebentou no sentido errado e Salazar saiu ileso. O atentado, normalmente atribuído a anarquistas como Emídio Santana, terá sido preparado em ligação com outros elementos da Frente Popular, nomeadamente do PCP.\n\nProcurado pela polícia política, fugiu para o Reino Unido, mas a polícia inglesa prendeu-o em Southampton e enviou-o para Portugal. A 19 de outubro de 1937 deu entrada na cadeia do Aljube, «para averiguações», e passou depois pelas penitenciárias de Lisboa e de Coimbra. A 15 de janeiro de 1939, o Tribunal Militar Especial condenou-o a oito anos de prisão, seguidos de doze de degredo. Só foi libertado a 23 de maio de 1953. Ao todo, foi preso quatro vezes.\n\nEm 1965 presidiu à direção da Associação dos Inquilinos Lisbonenses, e nas eleições de 1969 falou de questões sindicais em comícios da oposição. Depois do 25 de Abril dirigiu o jornal A Batalha e publicou «História de um atentado: o atentado a Salazar» (1976). Morreu em Lisboa em 1988.","lugares":[{"lugar":"barbosa-du-bocage","papel":"Atentado à bomba contra Salazar (4 de julho de 1937)"},{"lugar":"aljube","papel":"Deu entrada na cadeia «para averiguações», depois do atentado contra Salazar (19 de outubro de 1937)"},{"lugar":"penitenciaria-lisboa","papel":"Passou pela Penitenciária de Lisboa, preso pelo atentado contra Salazar (depois de outubro de 1937)"}],"wikidata":"Q10272592","fontes":[{"titulo":"Emídio Santana","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Em%C3%ADdio_Santana"},{"titulo":"Atentado a Salazar","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2026/07/04/atentado-a-salazar/"},{"titulo":"Legião Vermelha","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Legi%C3%A3o_Vermelha"},{"titulo":"Emídio Santana","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/presos/emidio-santana"}],"por_confirmar":["O papel de Emídio Santana no atentado: a Wikipédia dá-o como um dos autores; o Museu do Aljube fala de um atentado «normalmente atribuído» a anarquistas como ele, em ligação com outros elementos da Frente Popular; o Memória Comum fala de um grupo heterogéneo — motoristas de táxi de Lisboa, dirigentes anarquistas, «com destaque para Emídio Santana», e alguns militantes do PCP a título individual.","Se chegou a cumprir a pena de degredo, e onde: a sentença de 1939 dava, em alternativa, 25 anos de degredo numa «possessão de 1.ª classe», e as fontes só dizem que passou pelas penitenciárias de Lisboa e de Coimbra e que foi libertado em 1953.","Boa parte da biografia vem da Wikipédia, que se apoia nas memórias do próprio Emídio Santana e no seu espólio no Arquivo Histórico-Social; o percurso prisional confirma-se no Memória Comum."]},{"id":"estevao-giro","nome":"Estêvão Giro","nome_completo":"Estêvão José Dangues Giro","nascimento":{"data":"1937","local":"Alcochete"},"morte":{"data":"1962-05-01","local":"Lisboa (Rua da Madalena / Largo do Caldas)"},"mulher":false,"papeis":["tipógrafo","manifestante do 1.º de Maio de 1962"],"resumo":"Tipógrafo de Alcochete, foi morto aos 25 anos pela polícia, na Baixa de Lisboa, durante a manifestação do 1.º de Maio de 1962.","texto":"Nasceu em Alcochete em 1937. Era tipógrafo, vivia na terra natal e estaria ligado ao PCP.\n\nNo 1.º de Maio de 1962, em plena crise académica, operários e estudantes manifestaram-se na Baixa de Lisboa contra a ditadura. Na zona da Rua da Madalena e do Largo do Caldas, perto do Aljube, a polícia disparou rajadas de metralhadora sobre os manifestantes, e Estêvão Giro foi atingido mortalmente. Tinha 25 anos.","lugares":[{"lugar":"largo-do-caldas","papel":"Morto pela polícia durante a manifestação do 1.º de Maio (1 de maio de 1962)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Estêvão José Dangues Giro (Alcochete, 1937 – Lisboa, 01-05-1962)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/estevao-jose-dangues-giro/"},{"titulo":"Manifestação de apoio a Eurico Figueiredo","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2026/06/20/manifestacao-de-apoio-a-eurico-figueiredo/"}],"por_confirmar":["O dia do nascimento: o Museu do Aljube dá só o ano, 1937.","O ponto exato onde caiu: na Rua da Madalena ou no Largo do Caldas."]},{"id":"eurico-figueiredo","nome":"Eurico de Figueiredo","nome_completo":"Eurico José Palheiros de Carvalho Figueiredo","nascimento":{"data":"1939-03-24","local":"Vila Real"},"morte":{"data":"2025-12","local":"Porto"},"mulher":false,"papeis":["dirigente dos estudantes de Medicina na crise académica de 1962","proponente da greve de fome de 1962","preso político","exilado","psiquiatra"],"resumo":"Carismático dirigente dos estudantes de Medicina, propôs a greve de fome de maio de 1962; preso no Aljube, a sua libertação foi exigida em manifestações reprimidas pela polícia.","texto":"Aos 16 anos aderiu ao MUD Juvenil e aos 18 ao PCP, e participou na campanha presidencial de Humberto Delgado. Presidente da Comissão Pró-Associação dos Estudantes de Medicina de Lisboa, foi uma das figuras da crise académica de 1962. Foi por sugestão sua que um plenário aprovou uma forma de protesto nova: a greve de fome, que 81 estudantes começaram a 9 de maio na cantina da Cidade Universitária.\n\nIndicado para secretário-geral das RIA (Reuniões Inter-Associações), não chegou a tomar posse, por ter sido expulso da Universidade de Lisboa. A 28 de maio de 1962 foi preso e levado para o Aljube. Depois da suspensão do luto académico, em junho, a contestação continuou sobretudo em torno da sua prisão. A 20 de junho, uma manifestação de apoio que devia terminar junto à cadeia foi dispersa por uma carga da polícia de choque perto da Sé, e os estudantes seguiram para a Baixa a gritar «Liberdade! Autonomia!». Foi libertado depois de novas manifestações, sobre as quais a polícia voltou a carregar.\n\nTransferido para a Universidade de Coimbra, participou em 1963 na fundação do Movimento Sindical Estudantil. Em 1965 partiu para o exílio na Suíça, e mais tarde rompeu com o PCP. Depois do 25 de Abril regressou e aderiu ao PS, de que foi deputado à Assembleia da República; psiquiatra, foi professor no Porto e diretor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Morreu no Porto em dezembro de 2025.","lugares":[{"lugar":"cantina-velha","papel":"Propõe a greve de fome na cantina (maio de 1962)"},{"lugar":"aljube","papel":"Preso no Aljube (28 de maio de 1962)"},{"lugar":"se-de-lisboa","papel":"Manifestação a seu favor dispersa perto da Sé (20 de junho de 1962)"}],"wikidata":"Q115309624","fontes":[{"titulo":"Manifestação de apoio a Eurico Figueiredo","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2026/06/20/manifestacao-de-apoio-a-eurico-figueiredo/"},{"titulo":"A Crise Académica de 1962: A Greve de Fome","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/primaveras-estudantis/a-greve-de-fome/"},{"titulo":"Eurico Figueiredo","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Eurico_Figueiredo"},{"titulo":"Crise académica de 1962","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Crise_acad%C3%A9mica_de_1962"}],"por_confirmar":["O ano da rutura com o PCP: a Wikipédia diz 1967 e liga-a à invasão da Checoslováquia, que foi em agosto de 1968.","O dia e o lugar do nascimento, 24 de março de 1939, em Vila Real, vêm só da Wikidata; as outras fontes não os dão."]},{"id":"fernanda-botelho","nome":"Fernanda Botelho","nome_completo":"Maria Fernanda Botelho de Faria","nascimento":{"data":"1926-12-01","local":"Porto"},"morte":{"data":"2007-12-11","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["escritora","tradutora","jurada do Grande Prémio de Novelística da SPE (1965)","testemunha de defesa no processo das «Novas Cartas Portuguesas»"],"resumo":"Romancista, era a única mulher do júri da Sociedade Portuguesa de Escritores que premiou «Luuanda», de Luandino Vieira, em 1965 — o prémio que levou à extinção da sociedade e à prisão de três jurados.","texto":"Nasceu no Porto em 1926. Estudou Filologia Clássica nas universidades de Coimbra e de Lisboa e fixou-se em Lisboa. Foi cofundadora da revista Távola Redonda, estreou-se com «Coordenadas Líricas», em 1951, e recebeu o Prémio Camilo Castelo Branco em 1960.\n\nEm maio de 1965 era a única mulher do júri — com Alexandre Pinheiro Torres, Augusto Abelaira, João Gaspar Simões e Manuel da Fonseca — que deu o Grande Prémio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores a «Luuanda», de Luandino Vieira, então preso no Tarrafal. Os cinco jurados foram interrogados na PIDE, e Pinheiro Torres, Abelaira e Manuel da Fonseca ficaram presos; o Governo extinguiu a sociedade, cuja sede foi assaltada e destruída. Vinte e cinco anos depois, Fernanda Botelho disse à RTP que nunca esperara a polémica, e muito menos a reação do regime, e que votara por critérios literários, não políticos.\n\nFoi uma das testemunhas de defesa das autoras das «Novas Cartas Portuguesas», no julgamento que decorreu no Tribunal da Boa-Hora em 1973–1974. Morreu em Lisboa em 2007.","lugares":[{"lugar":"spe","papel":"Jurada do prémio a «Luuanda»; interrogada na PIDE (maio de 1965)"},{"lugar":"boa-hora","papel":"Testemunha de defesa no processo das «Novas Cartas Portuguesas» (1973)"}],"wikidata":"Q3392561","fontes":[{"titulo":"Breve memorial da Sociedade Portuguesa de Escritores (SPE)","editora":"Associação Portuguesa de Escritores","url":"http://www.apescritores.pt/APE/Historia_APE.pdf"},{"titulo":"Como a PIDE destruiu a Sociedade Portuguesa de Escritores","editora":"RTP Ensina","url":"https://ensina.rtp.pt/artigo/como-a-pide-destruiu-a-sociedade-portuguesa-de-escritores/"},{"titulo":"Fernanda Botelho","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernanda_Botelho"},{"titulo":"Novas Cartas Portuguesas","editora":"Wikipédia (ponto de partida)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Novas_Cartas_Portuguesas"}],"por_confirmar":["O dia de nascimento (1 de dezembro de 1926) e o da morte (11 de dezembro de 2007) vêm só da Wikipédia e da Wikidata.","Em que sessão do julgamento das «Novas Cartas Portuguesas» depôs: a Wikipédia nomeia-a entre as testemunhas de defesa, sem data."]},{"id":"fernando-giesteira","nome":"Fernando Giesteira","nome_completo":"Fernando Carvalho Giesteira","nascimento":{"data":"1955-08-03","local":"Salto, Montalegre"},"morte":{"data":"1974-04-25","local":"Rua António Maria Cardoso, Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["empregado de mesa","vítima da DGS a 25 de Abril de 1974"],"resumo":"Empregado de mesa transmontano, de 18 anos, foi o mais novo dos quatro civis mortos pelos disparos da DGS na Rua António Maria Cardoso, ao fim do dia de 25 de abril de 1974.","texto":"Nasceu em Salto, Montalegre, a 3 de agosto de 1955, filho de Amândio Gomes Giesteira e de Emília de Carvalho. Cresceu em Vreia de Jales, Vila Pouca de Aguiar, e em 1972 mudou-se para Lisboa, onde trabalhava à noite como empregado de mesa na boîte Cova da Onça.\n\nA 25 de abril de 1974, depois de uma noite de trabalho, terá ido juntar-se às multidões que acompanhavam o golpe. Ao fim do dia estava entre os que exigiam a rendição da polícia política em frente à sede da DGS, na Rua António Maria Cardoso. Os agentes dispararam das janelas sobre a multidão; Fernando Giesteira foi atingido e morreu ali, aos 18 anos, o mais novo dos mortos desse dia. A identidade de quem disparou continua por conhecer.\n\nFoi sepultado em Vreia de Jales. Em 1980, um grupo de cidadãos pôs junto à antiga sede uma placa com os nomes dos quatro mortos, onde o dele aparece como «Fernando C. Gesteira».","lugares":[{"lugar":"sede-pide","papel":"Morto pelos disparos da DGS (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":"Q139854393","fontes":[{"titulo":"Fernando Carvalho Giesteira (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/fernando-carvalho-giesteira/"},{"titulo":"Fernando Giesteira, o transmontano vítima da PIDE/DGS no dia 25 de Abril de 74","editora":"7Margens","url":"https://setemargens.com/fernando-giesteira-o-transmontano-vitima-da-pide-dgs-no-dia-25-de-abril-de-74/"},{"titulo":"Esta semana, e sempre, a rua lembra os quatro homens assassinados pela PIDE/DGS","editora":"Time Out Lisboa (1/4/2024)","url":"https://www.timeout.pt/lisboa/pt/noticias/esta-semana-e-sempre-a-rua-lembra-os-quatro-homens-assassinados-pela-pide/dgs-040124"},{"titulo":"Os mortos pela PIDE em 25 de Abril","editora":"Esquerda.net","url":"https://www.esquerda.net/artigo/os-mortos-pela-pide-em-25-de-abril/86048"},{"titulo":"Os que ficaram pelo caminho (lista, páginas 1 a 7)","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/os-que-ficaram-pelo-caminho"},{"titulo":"Placa da ex-sede da PIDE: reposta mas em local escondido","editora":"Esquerda.net (29/12/2009)","url":"https://www.esquerda.net/content/placa-da-ex-sede-da-pide-reposta-mas-em-local-escondido"}],"por_confirmar":["A idade e a terra natal: 18 anos e natural de Salto, Montalegre, segundo o Museu do Aljube e o 7Margens, o que bate com a data de nascimento; 17 anos e natural de Vila Pouca de Aguiar, segundo o Esquerda.net (a Memória Comum também diz 17).","O nome do pai: Amândio Gomes Giesteira, segundo o Museu do Aljube; Armando Gomes Giesteira, segundo o 7Margens."]},{"id":"fernando-reis","nome":"Fernando Reis","nome_completo":"Fernando Luís Barreiros dos Reis","nascimento":{"data":"1950-11-16","local":"Arranhó, Arruda dos Vinhos"},"morte":{"data":"1974-04-25","local":"Lisboa (provavelmente Hospital Militar da Estrela)"},"mulher":false,"papeis":["soldado da 1.ª Companhia Disciplinar de Penamacor","vítima da DGS a 25 de Abril de 1974"],"resumo":"Soldado de 23 anos, de licença em Lisboa, foi uma das quatro pessoas mortas pelos disparos da DGS contra a multidão na Rua António Maria Cardoso, na noite de 25 de Abril de 1974.","texto":"Nasceu a 16 de novembro de 1950 em Arranhó, no concelho de Arruda dos Vinhos. Aos 11 anos entrou para a Casa Pia, onde estudou até 1967. Em 1974 era soldado da 1.ª Companhia Disciplinar de Penamacor, uma unidade que o Estado Novo usava para punir militares e opositores acusados de indisciplina.\n\nNo dia 25 de abril estaria de licença em Lisboa e acompanhou nas ruas os acontecimentos. Ao fim do dia estava entre a multidão que, diante da sede da DGS, na Rua António Maria Cardoso, exigia a rendição da polícia política. Os agentes dispararam das janelas e mataram quatro pessoas: Fernando Reis, Fernando Giesteira, João Arruda e José Barneto. Fernando Reis tinha 23 anos e dois filhos; terá morrido no Hospital Militar da Estrela. Ainda hoje não se sabe quem disparou.","lugares":[{"lugar":"sede-pide","papel":"Morto pelos disparos da DGS (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Fernando Luís Barreiros dos Reis (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/fernando-luis-barreiros-dos-reis/"},{"titulo":"Esta semana, e sempre, a rua lembra os quatro homens assassinados pela PIDE/DGS","editora":"Time Out Lisboa (1/4/2024)","url":"https://www.timeout.pt/lisboa/pt/noticias/esta-semana-e-sempre-a-rua-lembra-os-quatro-homens-assassinados-pela-pide/dgs-040124"},{"titulo":"Os mortos pela PIDE em 25 de Abril","editora":"Esquerda.net","url":"https://www.esquerda.net/artigo/os-mortos-pela-pide-em-25-de-abril/86048"}],"por_confirmar":["O local da morte: «ao que tudo indica» o Hospital Militar da Estrela, segundo o Museu do Aljube.","A naturalidade e a idade: Arranhó, Arruda dos Vinhos, e 23 anos, segundo o Museu do Aljube; Lisboa e 24 anos, segundo o jornal O Século de 28 de abril de 1974, citado pelo Esquerda.net."]},{"id":"fernando-sottomayor","nome":"Fernando Sottomayor","nome_completo":"Fernando Gomes Sottomayor","nascimento":null,"morte":null,"mulher":false,"papeis":["oficial do Regimento de Cavalaria 7","recusou disparar sobre Salgueiro Maia a 25 de Abril de 1974"],"resumo":"Oficial do Regimento de Cavalaria 7, recusou na Ribeira das Naus, a 25 de abril de 1974, a ordem do brigadeiro Junqueira dos Reis para disparar sobre Salgueiro Maia, e recebeu por isso voz de prisão.","texto":"Fernando Gomes Sottomayor era oficial do Regimento de Cavalaria 7. Na manhã de 25 de abril de 1974 comandava os dois carros de combate M/47 que o brigadeiro Junqueira dos Reis, à frente das forças leais ao Governo, fez avançar pela Avenida da Ribeira das Naus contra a coluna de Salgueiro Maia.\n\nQuando Maia avançou de lenço branco, o brigadeiro mandou Sottomayor abrir fogo sobre ele. Sottomayor recusou e ouviu logo voz de prisão. Os apontadores dos carros também recusaram, e as tropas e os carros acabaram por passar para o lado do MFA.","lugares":[{"lugar":"rua-do-arsenal","papel":"Recusou disparar na Ribeira das Naus (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/Artigos/APP_CX22_48_CRONOLOGIA%20DO%2025%20DE%20ABRIL_Jofre%20Alves.pdf"}],"por_confirmar":["O posto: aspirante, segundo a Associação 25 de Abril e a Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril; alferes miliciano, segundo a cronologia de Jofre Alves, que dá o nome completo.","As datas de nascimento e de morte, e o que lhe aconteceu depois do 25 de Abril."]},{"id":"helena-cabecadas","nome":"Helena Cabeçadas","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1947","local":"Lisboa"},"morte":null,"mulher":true,"papeis":["militante do movimento associativo dos liceus","presa política (1965)","exilada na Bélgica","antropóloga"],"resumo":"Vigiada pela PIDE desde os 12 anos, militou no movimento associativo dos liceus. Presa em 1965 e expulsa de todas as escolas do país, partiu sozinha para o exílio, na Bélgica, aos 17 anos.","texto":"Nasceu em Lisboa em 1947, sobrinha-neta do almirante Mendes Cabeçadas e filha de um católico antissalazarista. Era vigiada pela PIDE desde os 12 anos. Aos 14 acompanhou a crise académica de 1962, e no ano letivo de 1962–1963 aderiu à Comissão Pró-Associação dos Liceus e ao PCP.\n\nFoi presa em 1965: interrogada pelo reitor da Universidade, enviada para o Governo Civil e detida em Caxias. Ficou impedida de terminar o último ano do liceu e foi expulsa de todas as escolas do país.\n\nObrigada a exilar-se, partiu sozinha para a Bélgica aos 17 anos e lá viveu dez anos. Continuou empenhada na luta antifascista, trabalhou com emigrantes portugueses e licenciou-se em Ciências Sociais (Antropologia) na Universidade Livre de Bruxelas. Em 1968 estava em Paris, onde viveu o Maio de 68; nesse ano rompeu com o PCP. O exílio acabou com o 25 de Abril.","lugares":[{"lugar":"caxias","papel":"Detida em Caxias (1965)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Helena Cabeçadas","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/helena-cabecadas/"}],"por_confirmar":["Que liceu frequentava: a ficha do Museu do Aljube refere o Liceu D. Filipa de Lencastre e o Liceu Rainha D. Leonor, sem dizer qual."]},{"id":"helena-neves","nome":"Helena Neves","nome_completo":"Maria Helena Augusto das Neves Gorjão","nascimento":{"data":"1945-06-17","local":"Lisboa"},"morte":null,"mulher":true,"papeis":["jornalista","professora","presa política","militante de movimentos de mulheres","deputada à Assembleia da República (Bloco de Esquerda)"],"resumo":"Jornalista e militante da oposição, estava presa em Caxias quando veio o 25 de Abril. A fotografia da sua libertação, com a jornalista Elvira Nereu, saiu n'A Capital de 27 de abril de 1974.","texto":"Nasceu em Lisboa a 17 de junho de 1945. Aderiu ao PCP aos 17 anos, ainda no liceu. Na Faculdade de Letras ajudou a organizar greves e manifestações, e numa delas um agente da PIDE agrediu-a à coronhada. Suspensa e sem bolsa, foi ensinar na Academia de Santo Amaro.\n\nAjudou a fundar, no distrito de Lisboa, um movimento eleitoral democrático de mulheres e esteve na primeira direção da Comissão Eleitoral de Mulheres. Militava na CDE quando foi presa, em 1969. Impedida de ensinar, dedicou-se ao jornalismo: escreveu no Diário Feminino, no Diário de Lisboa, em Modas e Bordados e no República, onde coordenou o suplemento «Presença da Mulher». Em 1973 foi candidata nas listas da CDE/CEUD e voltou a ser detida pela PIDE/DGS.\n\nNo início de abril de 1974 estava presa no Forte de Caxias. Saiu com a revolução: a 27 de abril, o jornal A Capital publicou uma fotografia da libertação, em Caxias, das jornalistas Helena Neves e Elvira Nereu. Deixou o PCP no início dos anos 1990 e foi deputada à Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda.","lugares":[{"lugar":"caxias","papel":"Presa política libertada em abril de 1974 (abril de 1974)"},{"lugar":"jornal-republica","papel":"Coordenou o suplemento «Presença da Mulher» do República"}],"wikidata":"Q17496463","fontes":[{"titulo":"Helena Neves (testemunho)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/helena-neves/"},{"titulo":"Álvaro Arranja, «A libertação dos presos políticos na revolução de Abril»","editora":"Esquerda.net","url":"https://www.esquerda.net/artigo/libertacao-dos-presos-politicos-na-revolucao-de-abril/74011"},{"titulo":"Helena Neves (Q17496463)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q17496463"}],"por_confirmar":["O dia da libertação: 25 de abril (Museu do Aljube) ou a madrugada de 27, quando saíram os presos de Caxias (imprensa da época citada pelo Esquerda.net).","Em que anos foi deputada à Assembleia da República."]},{"id":"helena-pato","nome":"Helena Pato","nome_completo":"Maria Helena Martins dos Santos Pato Noales Rodrigues","nascimento":{"data":"1939-04-19","local":"Mamarrosa (Aveiro)"},"morte":null,"mulher":true,"papeis":["professora","dirigente estudantil (crise de 1962)","militante do PCP","presa política","dirigente do movimento Não Apaguem a Memória"],"resumo":"Dirigente estudantil na crise académica de 1962, foi presa em 1967 e sofreu em Caxias um longo isolamento, agressões e tortura do sono. Mais tarde dirigiu o movimento Não Apaguem a Memória.","texto":"Nasceu a 19 de abril de 1939 em Mamarrosa, no distrito de Aveiro; o pai estivera sob vigilância da polícia política e o avô fora preso. Em 1956 entrou para a Faculdade de Ciências e aderiu ao MUD Juvenil. Como dirigente estudantil, esteve na crise académica de 1962 e foi detida durante 48 horas.\n\nDepois do 1.º de Maio de 1962, o marido, Alfredo Noales, partiu para Paris, e ela juntou-se-lhe pouco depois. Doente com um linfoma mortal, Noales pediu à PIDE autorização para vir morrer a Portugal. Ao chegar, em novembro de 1965, foi levado de imediato para a sede da PIDE, de onde só saiu horas depois; morreu um mês mais tarde.\n\nCom atividade crescente no PCP e na Comissão de Socorro aos Presos Políticos, foi presa em junho de 1967 e levada para Caxias. Suspeita de ligações à luta armada, sofreu um longo isolamento, agressões e tortura do sono, até ser libertada em novembro desse ano. Esteve depois na fundação do Movimento Democrático de Mulheres.\n\nDepois do 25 de Abril integrou a comissão instaladora do sindicato dos professores e, mais tarde, dirigiu o movimento Não Apaguem a Memória. A 25 de abril de 2010 falou, como antiga presa política, na inauguração da placa que assinala a antiga sede da PIDE/DGS, na Rua António Maria Cardoso.","lugares":[{"lugar":"caxias","papel":"Presa, isolada e submetida a tortura do sono (junho de 1967)"},{"lugar":"sede-pide","papel":"O marido foi levado para a sede ao regressar a Portugal; em 2010 discursou na inauguração da placa municipal (novembro de 1965)"}],"wikidata":"Q101243024","fontes":[{"titulo":"Helena Pato (testemunho e biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/maria-helena-pato-3/"},{"titulo":"Inauguração da placa sinalizadora junto à antiga sede da PIDE/DGS","editora":"Caminhos da Memória (blogue ligado ao movimento Não Apaguem a Memória, 27/4/2010)","url":"https://caminhosdamemoria.wordpress.com/2010/04/27/11635/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"}],"por_confirmar":["O ano da fundação do Movimento Democrático de Mulheres: 1969 (biografia de Helena Pato no Museu do Aljube) ou 1968 (biografia de Isabel do Carmo no mesmo museu)."]},{"id":"helena-roseta","nome":"Helena Roseta","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1947"},"morte":null,"mulher":true,"papeis":["arquiteta","cofundadora do Botequim","deputada à Assembleia Constituinte (PPD)"],"resumo":"Arquiteta e católica progressista, falou de habitação no Congresso da Oposição de Aveiro e foi detida pela PIDE em 1973. Cofundadora do Botequim, deputada constituinte, renunciou em 1982 ao mandato para votar, contra a sua bancada, uma amnistia para presos políticos.","texto":"Antes do 25 de Abril esteve em movimentos cívicos nascidos na Igreja Católica e foi dirigente da Juventude Escolar Católica. Em 1973 interveio sobre habitação no III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, e nesse ano foi detida pela PIDE.\n\nFoi uma das fundadoras do Botequim, o bar que Natália Correia abriu em 1971 na Graça, com Isabel Meireles e Júlia Marenha.\n\nDepois do 25 de Abril aderiu ao Partido Popular Democrático, pelo qual foi eleita em 1975 deputada à Assembleia Constituinte e, em 1976, à Assembleia da República. Foi uma das 27 mulheres que tiveram lugar na Constituinte, num total de 327 deputados. Em 1982 renunciou ao mandato por ter apoiado, por razões de consciência e contra a orientação da sua bancada, uma amnistia para os presos políticos do Partido Revolucionário do Proletariado e das Brigadas Revolucionárias. Mais tarde, em 1998, dinamizou o movimento «Sim pela Tolerância», no referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.","lugares":[{"lugar":"botequim","papel":"Cofundadora do Botequim (1971)"},{"lugar":"assembleia-da-republica","papel":"Deputada à Assembleia Constituinte (1975–1976)"}],"wikidata":"Q10294464","fontes":[{"titulo":"Natália Correia: todas as personalidades num botequim (19/4/2017)","editora":"FCSH+Lisboa – NOVA FCSH","url":"https://maislisboa.fcsh.unl.pt/natalia-correia-todas-as-personalidades-num-botequim/"},{"titulo":"Natália Correia (13/9/2020)","editora":"Museu do Aljube – Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/en/2020/09/13/natalia-correia-2/"},{"titulo":"As mulheres na Constituinte de 1975-1976","editora":"Assembleia da República","url":"https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/As-mulheres-na-constituinte-75-76.aspx"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"O Essencial sobre Natália Correia (Luiz Fagundes Duarte)","editora":"Imprensa Nacional, 2024","url":"https://imprensanacional.pt/wp-content/uploads/2024/11/O-Essencial-sobre-Natalia-Correia_IN.pdf"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"}],"por_confirmar":["Se foi uma das fundadoras do Botequim: assim o dizem a FCSH+Lisboa e o Museu do Aljube; a cronologia de «O Essencial sobre Natália Correia» (Imprensa Nacional, 2024) dá o bar como propriedade de uma sociedade de Natália Correia e Isabel Meyrelles, e não a nomeia."]},{"id":"humberto-delgado","nome":"Humberto Delgado","nome_completo":"Humberto da Silva Delgado","nascimento":{"data":"1906-05-15","local":"Boquilobo (Brogueira), Torres Novas"},"morte":{"data":"1965-02-13","local":"perto de Badajoz / Villanueva del Fresno (Espanha)"},"mulher":false,"papeis":["militar e aviador, general da Força Aérea","fundador da TAP","candidato da oposição às presidenciais de 1958","exilado","assassinado pela PIDE"],"resumo":"O «general sem medo»: homem do regime que passou à oposição, candidatou-se à Presidência em 1958, respondeu «Obviamente, demito-o!» quando lhe perguntaram o que faria a Salazar e arrastou multidões. A PIDE assassinou-o em 1965.","texto":"Nasceu em Boquilobo, Torres Novas, a 15 de maio de 1906. Oficial de artilharia e aviador, participou no golpe de 28 de maio de 1926 e teve cargos de relevo no Estado Novo, na Legião Portuguesa e na Mocidade Portuguesa. Fundou os Transportes Aéreos Portugueses em 1945 e foi adido militar em Washington. A partir dos anos 1940 aprofundou a sua dissidência, até surgir em 1958 como «o general sem medo».\n\nNesse ano foi o candidato da oposição às presidenciais, depois de Arlindo Vicente desistir a seu favor. A 10 de maio, numa conferência de imprensa no Café Chave d'Ouro, perguntaram-lhe o que faria a Salazar se fosse eleito. Respondeu: «Obviamente, demito-o!» A campanha arrastou multidões, a começar pelo Porto, a 14 de maio. Em Lisboa, a GNR carregou sobre os seus apoiantes quando ele chegou a Santa Apolónia, e a violência repetiu-se depois do comício no ginásio do Liceu Camões, a 18 de maio. O regime recorreu à fraude, e a 8 de junho Américo Tomás foi declarado eleito.\n\nDemitido, pediu asilo na Embaixada do Brasil e partiu para esse país em abril de 1959. No exílio acompanhou a preparação do assalto ao paquete «Santa Maria» e, nos últimos dias de 1961, nas vésperas da revolta de Beja, entrou clandestinamente em Portugal. Em 1963 passou pela Checoslováquia e pela Argélia.\n\nA PIDE atraiu-o a uma cilada. A 13 de fevereiro de 1965, perto de Badajoz, uma brigada da polícia política assassinou-o, com a sua secretária, a brasileira Arajaryr Campos. Sepultado em Espanha, foi trasladado para Lisboa em 1975 e, a 5 de outubro de 1990, para o Panteão Nacional.","lugares":[{"lugar":"chave-douro","papel":"Conferência de imprensa: «Obviamente, demito-o!» (10 de maio de 1958)"},{"lugar":"santa-apolonia","papel":"Chegada do Porto; multidão carregada pela GNR (16 de maio de 1958)"},{"lugar":"liceu-camoes","papel":"Comício no ginásio do liceu (18 de maio de 1958)"},{"lugar":"panteao-nacional","papel":"Restos mortais trasladados para o Panteão Nacional (5 de outubro de 1990)"},{"lugar":"legiao-portuguesa","papel":"Teve cargos de relevo na Legião Portuguesa antes de passar à oposição (não confirmado que tenha trabalhado neste edifício)."},{"lugar":"palacio-independencia","papel":"Teve cargos de relevo na Mocidade Portuguesa, cuja sede era no Palácio da Independência (ligação ao edifício não confirmada)."}],"wikidata":"Q551999","fontes":[{"titulo":"Humberto da Silva Delgado (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/humberto-da-silva-delgado/"},{"titulo":"Candidatura de Humberto Delgado – uma jornada de resistência","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/05/15/candidatura-de-humberto-delgado-uma-jornada-de-resistencia/"},{"titulo":"Delgado: Um vendaval varreu o País (João Paulo Guerra)","editora":"esquerda.net","url":"https://www.esquerda.net/artigo/dossier-delgado-um-vendaval-varreu-o-pais/35847"},{"titulo":"O general sem medo","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/havera-eleicoes-1975/o-general-sem-medo/"},{"titulo":"Humberto Delgado","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Humberto_Delgado"},{"titulo":"Discurso proferido pelo Sr. General Humberto Delgado [...] no Ginásio do Liceu de Camões (cota 04959.043.029)","editora":"Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso","url":"https://casacomum.org/visualizador?cota=04959.043.029"},{"titulo":"Humberto Delgado (Homenageados)","editora":"Panteão Nacional – Museus e Monumentos de Portugal","url":"https://www.panteaonacional.gov.pt/homenageados/humberto-delgado"},{"titulo":"Honras do Panteão","editora":"Assembleia da República – newsletter Comunicar (nov. 2021)","url":"https://app.parlamento.pt/comunicar/v1/202111/77/artigos/art3.html"},{"titulo":"Trasladação dos restos mortais de Humberto Delgado","editora":"RTP Arquivos","url":"https://arquivos.rtp.pt/conteudos/trasladacao-dos-restos-mortais-de-humberto-delgado/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"}],"por_confirmar":["O lugar da morte: Badajoz (Museu do Aljube, Comissão Comemorativa dos 50 Anos) ou perto de Olivença (Panteão Nacional; a Wikipédia precisa: Los Almerines, junto a São Rafael de Olivença). Os corpos só foram encontrados em abril de 1965, em Villanueva del Fresno.","O dia da chegada a Santa Apolónia: 16 de maio de 1958, a data escolhida para a lápide descerrada na estação em 2008, ou 15 de maio, «no dia seguinte» ao Porto, segundo o Museu do Aljube.","Quando começou a dissidência: a partir dos anos 1940 (Museu do Aljube) ou nos anos 1950 (Comissão Comemorativa dos 50 Anos)."]},{"id":"maria-isabel-aboim-inglez","nome":"Isabel Aboim Inglez","nome_completo":"Maria Isabel Hahnemann Saavedra de Aboim Inglês","nascimento":{"data":"1902-01-07","local":"Lisboa (Rua Nova do Loureiro, Bairro Alto, antiga freguesia das Mercês)"},"morte":{"data":"1963-03-07","local":"Lisboa (Hospital de Santa Maria)"},"mulher":true,"papeis":["professora","fundadora e diretora do Colégio Fernão de Magalhães","sócia do CNMP e da Associação Feminina Portuguesa para a Paz","primeira mulher na Comissão Central do MUD","presa política"],"resumo":"Professora e feminista, primeira mulher na Comissão Central do MUD, a quem José Gomes Ferreira chamou «a Indomável». O regime fechou-lhe o colégio, tirou-lhe o ensino e prendeu-a várias vezes.","texto":"Nasceu em Lisboa a 7 de janeiro de 1902. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras de Lisboa, onde foi assistente, e em 1938 fundou o Colégio Fernão de Magalhães, de que foi professora e diretora. Viúva desde 1942, com cinco filhos, começou então a ser perseguida: o ministro da Educação vetou o seu nome na Faculdade e, em 1945, foi demitida por razões políticas.\n\nNos anos 1930 entrou como sócia para o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, mais tarde, aderiu também à Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Em 1945 foi a primeira mulher na Comissão Central do Movimento de Unidade Democrática. Foi presa a 13 de dezembro de 1946, com outros membros da Comissão Central, e libertada no dia seguinte; voltou a ser presa em janeiro de 1948, pela distribuição de 1500 exemplares de propaganda do MUD, e ficou detida dois meses.\n\nApoiou as candidaturas de Norton de Matos, Arlindo Vicente e Humberto Delgado; numa fotografia de 1949, está ao lado de Norton de Matos num comício n'A Voz do Operário. O colégio foi fechado em fevereiro de 1949. Proibida de sair do país para ir ensinar no Brasil, abriu um ateliê de costura e deu explicações. Chamada como testemunha de defesa ao Tribunal Plenário, enfrentou o juiz e foi mandada três dias para a cadeia das Mónicas, de onde saiu a dizer que fizera ali «um estudo sociológico». Em 1961 tiraram-lhe os direitos políticos.\n\nMaria Lamas escreveu-lhe que o seu exemplo ficaria «como um título de orgulho para todas nós, mulheres!». Morreu a 7 de março de 1963.","lugares":[{"lugar":"voz-do-operario","papel":"Comício da candidatura de Norton de Matos (fotografia da Casa Comum) (28 de janeiro de 1949)"},{"lugar":"boa-hora","papel":"Presa em plena sala do Tribunal Plenário quando depunha como testemunha de defesa."},{"lugar":"cadeia-das-monicas","papel":"Três dias de prisão nas Mónicas por ordem do juiz do Plenário."},{"lugar":"cnmp-restauradores","papel":"Sócia do CNMP desde os anos 1930"},{"lugar":"afpp-sede","papel":"Membro da Associação Feminina Portuguesa para a Paz"}],"wikidata":"Q105480230","fontes":[{"titulo":"Isabel Aboim Inglez","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2026/03/07/isabel-aboim-inglez/"},{"titulo":"Ilegalização do MUD","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2023/03/01/ilegalizacao-do-mud/"},{"titulo":"Maria Isabel Aboim Inglês","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Isabel_Aboim_Ingl%C3%AAs"},{"titulo":"Candidatura de Norton de Matos [...] comício de Lisboa (Voz do Operário) – fotografia (cota 04654.000.038)","editora":"Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso","url":"https://casacomum.org/visualizador?cota=04654.000.038"},{"titulo":"Maria Isabel Aboim Inglês (Q105480230)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q105480230"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"}],"por_confirmar":["A data da morte: 7/3/1963 (Wikipédia, que cita o registo de óbito); o Wikidata tem também 7/3/1953, e um texto do Museu do Aljube fala de «58 anos da sua morte», que pode ser de 2021.","A grafia do apelido: «Inglez» (Museu do Aljube) ou «Inglês» (Wikipédia, Casa Comum).","O ano do episódio do Tribunal Plenário e das Mónicas (1958, segundo a Wikipédia; o Museu do Aljube não o data).","Se foi dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e da Associação Feminina Portuguesa para a Paz: o Museu do Aljube chama-lhe «dirigente» das duas (e do MUD, entre 1946 e 1948); a CIG e a Wikipédia dizem que entrou como sócia no Conselho, nos anos 1930, e que mais tarde aderiu à Associação."]},{"id":"isabel-do-carmo","nome":"Isabel do Carmo","nome_completo":"Maria Isabel Augusta Cortes do Carmo","nascimento":{"data":"1940-09-12","local":"Barreiro"},"morte":null,"mulher":true,"papeis":["médica","dirigente estudantil (crise de 1962)","cofundadora do Movimento Democrático de Mulheres","fundadora das Brigadas Revolucionárias e do PRP","presa política"],"resumo":"Estudante de Medicina, foi a primeira mulher a falar num plenário da crise académica de 1962; fundou depois as Brigadas Revolucionárias, que atacaram o aparelho da guerra colonial. Médica e professora, é autora do primeiro estudo sobre a obesidade em Portugal.","texto":"Nasceu no Barreiro em 1940, filha de um militante comunista. Esteve no MUD Juvenil e nas campanhas de Arlindo Vicente e Humberto Delgado, em 1958, e aos 18 anos entrou para o PCP. Na crise académica de 1962 integrou a Comissão Pró-Associação de Medicina; segundo um relatório da PIDE, foi a primeira mulher a usar da palavra num plenário, no Estádio Universitário, onde falou de uma «Nação Livre» e propôs oferecer flores à polícia.\n\nEsteve na fundação do Movimento Democrático de Mulheres e na Comissão Democrática Eleitoral de Lisboa. Em 1969–1970 rompeu com o PCP por causa da luta armada e fundou, com Carlos Antunes, as Brigadas Revolucionárias; em 1973, o Partido Revolucionário do Proletariado, e passou à clandestinidade. A primeira ação das Brigadas foi uma bomba na base da NATO da Fonte da Telha, a 7 de novembro de 1971. Quando da vigília da Capela do Rato, as Brigadas, «chefiadas por Carlos Antunes e Isabel do Carmo», foram chamadas a divulgá-la em Lisboa.\n\nA PIDE/DGS prendeu-a em 1970 e de novo em 1972, depois do assassinato de Ribeiro Santos; o seu testemunho ao Museu do Aljube fala de isolamento, interrogatórios e tortura em Caxias.\n\nDepois do 25 de Abril dirigiu o jornal Revolução. Em 1978 foi presa e julgada pela autoria moral de ações armadas, de que viria a ser ilibada. Licenciada e doutorada pela Faculdade de Medicina de Lisboa, onde foi professora, fez o primeiro estudo da prevalência da obesidade em Portugal. Em 2004, nos 30 anos do 25 de Abril, recebeu a Ordem da Liberdade.","lugares":[{"lugar":"cidade-universitaria","papel":"Primeira mulher a falar num plenário da crise académica, no Estádio Universitário (1962)"},{"lugar":"capela-do-rato","papel":"Como fundadora das BR, afirmou que a vigília foi decidida pelos católicos (petardos das BR espalharam panfletos em solidariedade) (31 de dezembro de 1972)"},{"lugar":"boa-hora","papel":"Julgada no Tribunal da Boa-Hora em 1980 (já em democracia)."},{"lugar":"iscef-quelhas","papel":"Presa pela DGS na sequência do assassinato de Ribeiro Santos (1972)"},{"lugar":"caxias","papel":"O testemunho recolhido pelo Museu do Aljube refere isolamento, interrogatórios e tortura em Caxias."}],"wikidata":"Q25336911","fontes":[{"titulo":"Isabel do Carmo (testemunho e biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/isabel-do-carmo-vidas-prisionaveis-2019-museu-do-aljube-resistencia-e-liberdade/"},{"titulo":"A participação das estudantes na crise","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/primaveras-estudantis/a-participacao-das-estudantes-na-crise/"},{"titulo":"As Brigadas Revolucionárias realizaram a sua primeira ação armada","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/11/07/as-brigadas-revolucionarias-realizaram-a-sua-primeira-acao-armada/"},{"titulo":"Primeira ação das Brigadas Revolucionárias (BR)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2026/07/11/primeira-acao-das-brigadas-revolucionarias-br/"},{"titulo":"Isabel do Carmo","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Isabel_do_Carmo"},{"titulo":"Vigília da Capela do Rato","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Vig%C3%ADlia_da_Capela_do_Rato"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Sophia de Mello Breyner Andresen: militância antifascista a partir da crise do Estado Novo (tese de doutoramento, Eloísa da Silva Aragão, 2017)","editora":"Universidade de São Paulo","url":"https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-24052018-131600/publico/2017_EloisaDaSilvaAragao_VCorr.pdf"},{"titulo":"«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo)","editora":"Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa","url":"https://revistas.ucp.pt/index.php/lusitaniasacra/article/download/7084/6861"}],"por_confirmar":["O grau da Ordem da Liberdade: comendadora (CIG) ou grande-oficial (Wikipédia); o Museu do Aljube diz apenas «condecorada».","O tempo de prisão depois de 1978: libertada em 1982, segundo o Museu do Aljube; «cerca de quatro anos (1978-1984)», segundo a CIG.","O ano de fundação do MDM: 1968 (Museu do Aljube, nesta biografia) ou 1969 (biografia de Helena Pato).","As datas e os lugares exatos das prisões de 1970 e de 1972."]},{"id":"joao-arruda","nome":"João Arruda","nome_completo":"João Guilherme Rego Arruda","nascimento":{"data":"1954-01-13","local":"Ilha de São Miguel, Açores"},"morte":{"data":"1974-04-26","local":"Hospital de São José, Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["estudante de Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa","vítima da DGS a 25 de Abril de 1974"],"resumo":"Estudante açoriano de 20 anos, da Faculdade de Letras de Lisboa, foi atingido na cabeça pelos disparos da DGS perto das 20h30 de 25 de abril de 1974 e morreu no Hospital de São José às 00h30 de 26 de abril.","texto":"Nasceu na ilha de São Miguel, nos Açores, a 13 de janeiro de 1954, um dos treze filhos de um cantoneiro e de uma doméstica e lavadeira. Aos 9 anos entrou no Seminário Menor de Angra do Heroísmo e, em 1972, foi estudar Filosofia para a Universidade Católica, em Braga. Pouco depois rompeu com a vida religiosa e, em setembro de 1973, entrou na Faculdade de Letras de Lisboa; trabalhava também no Serviço Nacional de Emprego. Terá participado em ações do PCP e do MRPP.\n\nA 25 de abril de 1974 foi para a Baixa, como milhares de pessoas, e aparece em imagens da RTP gravadas no Largo do Carmo. Ao início da noite estava entre os que exigiam a rendição da polícia política em frente à sede da DGS, na Rua António Maria Cardoso. Os agentes dispararam das janelas sobre a multidão. Perto das 20h30, João Arruda foi atingido na cabeça; morreu no Hospital de São José às 00h30 de 26 de abril, aos 20 anos. Ainda hoje não se conhece a identidade de quem o matou.\n\nEm 1980, um grupo de cidadãos pôs junto ao edifício uma placa com os nomes dos quatro mortos; o dele aparece, por engano, como «José Guilherme R. Arruda». Em 2010, a Câmara Municipal de Lisboa pôs também ali uma placa sobre o que aconteceu e sobre a história do edifício.","lugares":[{"lugar":"largo-do-carmo","papel":"Filmado pela RTP entre a multidão (25 de abril de 1974)"},{"lugar":"sede-pide","papel":"Atingido mortalmente pelos disparos da DGS (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"João Guilherme Rego Arruda (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/joao-guilherme-rego-arruda/"},{"titulo":"Os mortos pela PIDE em 25 de Abril","editora":"Esquerda.net","url":"https://www.esquerda.net/artigo/os-mortos-pela-pide-em-25-de-abril/86048"},{"titulo":"Esta semana, e sempre, a rua lembra os quatro homens assassinados pela PIDE/DGS","editora":"Time Out Lisboa (1/4/2024)","url":"https://www.timeout.pt/lisboa/pt/noticias/esta-semana-e-sempre-a-rua-lembra-os-quatro-homens-assassinados-pela-pide/dgs-040124"},{"titulo":"Placa da ex-sede da PIDE: reposta mas em local escondido","editora":"Esquerda.net (29/12/2009)","url":"https://www.esquerda.net/content/placa-da-ex-sede-da-pide-reposta-mas-em-local-escondido"}],"por_confirmar":[]},{"id":"joao-paulo-diniz","nome":"João Paulo Diniz","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1949"},"morte":null,"mulher":false,"papeis":["locutor de rádio","jornalista"],"resumo":"Locutor dos Emissores Associados de Lisboa que, às 22h55 de 24 de abril de 1974, anunciou e pôs no ar «E Depois do Adeus», a primeira senha do MFA.","texto":"Nasceu em 1949. Era locutor dos Emissores Associados de Lisboa, na Avenida Elias Garcia, quando, às 22h55 de 24 de abril de 1974, anunciou em direto: «Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, “E Depois do Adeus”».\n\nA canção de Paulo de Carvalho era a primeira senha do Movimento das Forças Armadas: o sinal para que, nas unidades aderentes, começassem os preparativos para a saída das tropas. O Museu do Aljube reproduz a gravação, com a voz de João Paulo Diniz, no seu percurso expositivo.","lugares":[{"lugar":"emissores-associados","papel":"Transmitiu a primeira senha (24 de abril de 1974)"}],"wikidata":"Q130552339","fontes":[{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"25 de Abril de 1974","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/04/25/25-de-abril-de-1974/"},{"titulo":"João Paulo Diniz (Q130552339)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q130552339"}],"por_confirmar":["A grafia do apelido: Diniz (Museu do Aljube, Wikidata) ou Dinis (Associação 25 de Abril, Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril).","Se sabia que a canção que anunciava era uma senha: as fontes não o dizem.","O ano de nascimento (1949) vem só da Wikidata."]},{"id":"joaquim-furtado","nome":"Joaquim Furtado","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1948-04-20","local":"Penamacor"},"morte":null,"mulher":false,"papeis":["jornalista","locutor do Rádio Clube Português","leu o primeiro comunicado do MFA"],"resumo":"Locutor de serviço no Rádio Clube Português na madrugada de 25 de abril de 1974, ofereceu-se para ler o primeiro comunicado do MFA, que foi para o ar às 4h26.","texto":"Jornalista, nasceu em Penamacor a 20 de abril de 1948. Na madrugada de 25 de abril de 1974 era o locutor de serviço no Rádio Clube Português, que os militares do Movimento ocuparam. Os comunicados do MFA deviam ser lidos pelo major Costa Neves, mas Joaquim Furtado, ao saber das intenções do Movimento, ofereceu-se logo para o fazer.\n\nÀs 4h26 leu o primeiro comunicado do MFA, redigido pelo major Vítor Alves: pedia à população que se mantivesse calma e chamava os médicos aos hospitais. Às 4h45 leu o segundo, que reforçava essas recomendações.","lugares":[{"lugar":"radio-clube-portugues","papel":"Leu o primeiro comunicado do MFA (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":"Q6206313","fontes":[{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"Rádio Clube Português (Lugares de Abril)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/locais-de-abril/locaisabril-local06/"},{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/Artigos/APP_CX22_48_CRONOLOGIA%20DO%2025%20DE%20ABRIL_Jofre%20Alves.pdf"},{"titulo":"28 de Setembro","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/28-de-setembro/"},{"titulo":"Joaquim Furtado (Q6206313)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q6206313"}],"por_confirmar":["A data e o lugar de nascimento só estão na Wikidata.","Que foi ele a ler também o segundo comunicado, às 4h45: a cronologia de Jofre Alves di-lo; a Associação 25 de Abril regista o comunicado sem dizer quem o leu."]},{"id":"zeca-afonso","nome":"José Afonso (Zeca Afonso)","nome_completo":"José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos","nascimento":{"data":"1929-08-02","local":"Aveiro"},"morte":{"data":"1987-02-23","local":"Setúbal"},"mulher":false,"papeis":["cantor e compositor","professor","autor de «Grândola, Vila Morena»","preso político (1973)"],"resumo":"Cantor de intervenção, perseguido pela censura e preso pela PIDE/DGS em 1973. A sua «Grândola, Vila Morena», cantada em coro no Coliseu em março de 1974, foi um mês depois a segunda senha do 25 de Abril.","texto":"Nasceu em Aveiro a 2 de agosto de 1929 e estudou em Coimbra, onde se revelou como intérprete da canção coimbrã. Tornou-se uma referência da música portuguesa no tempo da resistência ao Estado Novo. Era professor e, quando regressou de Moçambique, em 1967, foi expulso do ensino oficial; a partir daí passou a ser um símbolo da resistência democrática. O seu nome era proibido nos jornais, que, para fugir à censura, o escreviam ao contrário: «Esoj Osnofa».\n\nEm abril de 1973, na vaga de repressão que se seguiu ao Congresso da Oposição Democrática, foi preso pela PIDE/DGS. Esteve detido no Forte de Caxias até maio.\n\n«Grândola, Vila Morena» nasceu de uma atuação na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, em 1964, e saiu no disco «Cantigas do Maio», em 1971. No I Encontro da Canção Portuguesa, no Coliseu dos Recreios, em março de 1974, José Afonso cantou-a e o público que enchia a sala acompanhou-o em coro.\n\nPara senha do levantamento, o MFA quis usar «Venham Mais Cinco», mas a canção estava proibida pela censura interna da Rádio Renascença, e escolheu-se «Grândola». Às 0h20 de 25 de abril passou no programa «Limite», da Rádio Renascença: era a segunda senha, a que confirmava o início das operações.\n\nDurante o processo revolucionário aproximou-se da LUAR, sem nela militar, e percorreu o país a cantar. Em 1983, já doente, deu os últimos espetáculos, nos coliseus de Lisboa e do Porto. Morreu em Setúbal a 23 de fevereiro de 1987.","lugares":[{"lugar":"coliseu","papel":"Canta «Grândola, Vila Morena» no I Encontro da Canção Portuguesa (29 de março de 1974)"},{"lugar":"caxias","papel":"Detido no forte de Caxias (abril de 1973)"},{"lugar":"radio-renascenca","papel":"«Grândola» transmitida como senha (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":"Q559269","fontes":[{"titulo":"I Encontro da Canção Portuguesa – José Afonso no Coliseu dos Recreios (fotografia de Carlos Gil, cota 07337.004.005)","editora":"Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso","url":"https://casacomum.org/visualizador?cota=07337.004.005"},{"titulo":"José Afonso","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Afonso"},{"titulo":"Grândola, Vila Morena","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Gr%C3%A2ndola,_Vila_Morena"},{"titulo":"Grândola: a música da revolução","editora":"RTP Ensina","url":"https://ensina.rtp.pt/artigo/grandola-a-musica-da-revolucao/"},{"titulo":"Período da Revolução – cronologia","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/periodo-da-revolucao-25-04-1973-a-25-04-1976/"},{"titulo":"Período pré-revolução (01-01-1973 a 24-04-1974) – cronologia","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/periodo-pre-revolucao-01-01-1973-a-24-04-1974/"},{"titulo":"Canção Intervenção, 28/03/1974 (cronologia)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/timeline/cancao-intervencao/"},{"titulo":"Preparativos para a transmissão da senha, 23/04/1974 (cronologia)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/timeline/preparativos-para-a-transmissao-da-senha-para-inicio-das-operacoes-3/"},{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Zeca Afonso","editora":"RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola)","url":"https://media.rtp.pt/memoriasdarevolucao/acontecimento/zeca-afonso/"},{"titulo":"Zeca Afonso (Q559269)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q559269"}],"por_confirmar":["A data do I Encontro da Canção Portuguesa: 29 de março de 1974 (fotografia de Carlos Gil na Casa Comum, Wikipédia) ou 28 de março (cronologia da Associação 25 de Abril).","A hora a que «Grândola» passou na Rádio Renascença: 0h20 (Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril) ou 0h25 (RTP Ensina).","Quando saiu de Caxias: a Wikipédia diz que esteve detido entre abril e maio de 1973; a Associação 25 de Abril regista só a prisão, em abril."]},{"id":"jose-antonio-ribeiro-santos","nome":"José António Ribeiro Santos","nome_completo":"José António Leitão Ribeiro Santos","nascimento":{"data":"1946-03-19","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"1972-10-12","local":"Lisboa (Hospital de Santa Maria)"},"mulher":false,"papeis":["estudante de Direito","dirigente associativo","militante da FEML (MRPP)","assassinado pela PIDE/DGS"],"resumo":"Estudante de Direito de 26 anos, morto a tiro por um agente da PIDE/DGS num «meeting contra a repressão» no ISCEF, a 12 de outubro de 1972. O funeral foi uma das maiores manifestações contra a ditadura na sua fase final.","texto":"Nasceu em Lisboa a 19 de março de 1946, filho de Maria Antónia Leitão Ribeiro Santos e de Vasco Artur Ribeiro Santos, e iniciou-se nas lutas estudantis no Liceu Pedro Nunes. Em 1965 entrou na Faculdade de Direito de Lisboa, onde foi membro da Secção de Propaganda, vice-presidente para as Relações Internas, presidente da Mesa da Assembleia-Geral e delegado de curso do 4.º ano. A PIDE abriu-lhe ficha em 1967, quando participou no socorro às vítimas das cheias desse ano; em 1969 foi suspenso por interromper as frequências de vinte «fura-greves».\n\nMilitava no movimento «Ousar Lutar, Ousar Vencer» e na Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas, ligados ao MRPP. A 12 de outubro de 1972, durante um «meeting contra a repressão» no ISCEF, o agente da DGS António Gomes da Rocha disparou vários tiros, que o atingiram a ele e a José Lamego. Levado por colegas de Medicina para o Hospital de Santa Maria, morreu ainda na sala de observações, aos 26 anos.\n\nNessa noite, 300 estudantes reunidos no Instituto Superior Técnico decidiram paralisar a universidade e ir em massa ao funeral. O cortejo saiu a 14 de outubro da casa onde vivia, junto ao Largo de Santos, e houve cargas policiais pelo caminho e no Cemitério da Ajuda. Foi uma das mais importantes manifestações contra a ditadura na sua fase final, e «Vinguemos Ribeiro Santos» ficou como palavra de ordem até ao 25 de Abril.\n\nO agente que o matou nunca foi julgado: preso em Alcoentre depois da revolução, fugiu da cadeia a 29 de junho de 1975. Pelo primeiro edital de toponímia depois do 25 de Abril, de 30 de dezembro de 1974, a Calçada de Santos, onde vivia, passou a chamar-se Calçada Ribeiro Santos.","lugares":[{"lugar":"iscef-quelhas","papel":"Morto a tiro por um agente da DGS (12 de outubro de 1972)"},{"lugar":"calcada-ribeiro-santos","papel":"Casa onde vivia e de onde partiu o funeral (14 de outubro de 1972)"},{"lugar":"ist","papel":"Na noite da sua morte, 300 estudantes reunidos no IST decidem a paralisação e a ida em massa ao funeral (12 de outubro de 1972)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"José António Leitão Ribeiro Santos (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/jose-antonio-leitao-ribeiro-santos/"},{"titulo":"Assassinato de Ribeiro Santos","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/10/12/assassinato-de-ribeiro-santos/"},{"titulo":"O assassinato de José Ribeiro Santos","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/primaveras-estudantis/o-assassinato-de-jose-ribeiro-santos/"},{"titulo":"A Calçada Ribeiro Santos no Dia do Estudante","editora":"Toponímia de Lisboa – CML (24/3/2014)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2014/03/24/a-calcada-ribeiro-santos-no-dia-do-estudante/"},{"titulo":"José António Leitão Ribeiro Santos","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/presos/jose-antonio-leitao-ribeiro-santos"},{"titulo":"Testemunhos da História no cinquentenário do assassinato de Ribeiro Santos","editora":"Seara Nova (10/8/2023)","url":"https://searanova.publ.pt/2023/08/10/testemunhos-da-historia-no-cinquentenario-do-assassinato-de-ribeiro-santos/"}],"por_confirmar":["Onde morreu: na sala de observações do Hospital de Santa Maria (Memória Comum, Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril e a página do Museu do Aljube sobre o assassinato) ou já sem vida à chegada ao hospital (biografia no mesmo museu)."]},{"id":"jose-barneto","nome":"José Barneto","nome_completo":"José James Harteley Barneto","nascimento":{"data":"1935-12-08","local":"Vendas Novas"},"morte":{"data":"1974-04-25","local":"Rua António Maria Cardoso, Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["escriturário","morto pela DGS a 25 de Abril de 1974"],"resumo":"Escriturário de 38 anos, pai de quatro filhos, foi morto pelos disparos da DGS diante da sede da polícia política, ao fim do dia 25 de abril de 1974.","texto":"Nasceu em Vendas Novas a 8 de dezembro de 1935, filho mais novo do espanhol Venceslau Barneto Delgado e de Júlia da Conceição Fernandes. Cresceu nos Olivais, em Lisboa, vivia em Benfica com a mulher e os quatro filhos e era escriturário no Grémio Nacional dos Industriais de Confeitaria.\n\nNa manhã de 25 de abril de 1974 terá saído para o trabalho e, ao saber do golpe, foi para a Baixa. Ao fim do dia estava na multidão que, diante da sede da DGS, na Rua António Maria Cardoso, exigia a rendição da polícia política, quando os agentes dispararam das janelas. Atingido no fígado, teve morte quase imediata, apesar de quem o tentou socorrer o ter arrastado pela rua. Foi uma das quatro vítimas mortais desses disparos, com João Arruda, Fernando Giesteira e Fernando Reis. Ainda hoje não se sabe quem disparou.\n\nNa Rua António Maria Cardoso, os quatro mortos são lembrados por uma placa posta em 1980 por iniciativa de cidadãos e, desde 2010, por outra da Câmara Municipal de Lisboa.","lugares":[{"lugar":"sede-pide","papel":"Morto pelos disparos da DGS (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"José James Harteley Barneto (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/jose-james-harteley-barneto/"},{"titulo":"Esta semana, e sempre, a rua lembra os quatro homens assassinados pela PIDE/DGS","editora":"Time Out Lisboa (1/4/2024)","url":"https://www.timeout.pt/lisboa/pt/noticias/esta-semana-e-sempre-a-rua-lembra-os-quatro-homens-assassinados-pela-pide/dgs-040124"},{"titulo":"Os mortos pela PIDE em 25 de Abril","editora":"Esquerda.net","url":"https://www.esquerda.net/artigo/os-mortos-pela-pide-em-25-de-abril/86048"}],"por_confirmar":["A idade: 38 anos, segundo o Museu do Aljube e a Time Out, o que bate com a data de nascimento; 37, segundo O Século de 28 de abril de 1974, citado pelo Esquerda.net."]},{"id":"jose-dias-coelho","nome":"José Dias Coelho","nome_completo":"José António Dias Coelho","nascimento":{"data":"1923-06-19","local":"Pinhel"},"morte":{"data":"1961-12-19","local":"Lisboa (Rua da Creche, Alcântara)"},"mulher":false,"papeis":["escultor","pintor","professor do ensino técnico","dirigente clandestino do PCP"],"resumo":"Escultor e pintor que trocou a carreira artística pela clandestinidade no PCP. Agentes da PIDE mataram-no a tiro numa rua de Alcântara a 19 de dezembro de 1961, aos 38 anos.","texto":"Nasceu em Pinhel a 19 de junho de 1923. Em 1942 entrou na Escola de Belas-Artes de Lisboa, primeiro em Arquitetura e depois em Escultura, e militou no MUNAF, no MUD e no MUD Juvenil. Organizou as Exposições Gerais de Artes Plásticas, que se faziam na Sociedade Nacional de Belas-Artes fora da tutela do SNI e onde expunham artistas desafetos ao regime. Preso pela PIDE a 6 de janeiro de 1949, durante a campanha de Norton de Matos, esteve dez dias incomunicável no Aljube.\n\nEm 1952, por ter dirigido as movimentações dos estudantes de Belas-Artes, foi demitido de professor do ensino técnico e expulso da escola, e ficou proibido de entrar em qualquer outra faculdade do país. Em 1955 passou à clandestinidade como funcionário do PCP e deixou para trás a carreira de escultor. Na casa clandestina que partilhava com a companheira, Margarida Tengarrinha, funcionou o gabinete de falsificação de documentos do partido, e a partir de 1960 os dois desenharam para a imprensa clandestina.\n\nPertencia à direção da Organização Regional de Lisboa e era o responsável pelo setor intelectual do PCP quando, a 19 de dezembro de 1961, agentes da PIDE o perseguiram desde a Rua dos Lusíadas e o mataram a tiro em frente ao n.º 30 da Rua da Creche, em Alcântara. A rua tem o seu nome desde um edital de 17 de fevereiro de 1975. José Afonso evocou-o na canção «A Morte Saiu à Rua».","lugares":[{"lugar":"aljube","papel":"Dez dias incomunicável no Aljube depois da prisão de 1949 (janeiro de 1949)"},{"lugar":"rua-jose-dias-coelho","papel":"Morto a tiro pela PIDE em frente ao n.º 30 da Rua da Creche (19 de dezembro de 1961)"}],"wikidata":"Q4237195","fontes":[{"titulo":"José António Dias Coelho (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/jose-dias-coelho-2/"},{"titulo":"José António Dias Coelho","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/presos/jose-antonio-dias-coelho"},{"titulo":"O pintor saiu a uma Rua de Alcântara num dia assim","editora":"Toponímia de Lisboa – CML (19/6/2013)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2013/06/19/o-pintor-saiu-a-uma-rua-de-alcantara-num-dia-assim/"},{"titulo":"A PIDE assassinou Dias Coelho há 60 anos","editora":"Voz do Operário (6/12/2021)","url":"https://vozoperario.pt/jornal/2021/12/06/a-pide-assassinou-dias-coelho-ha-60-anos/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"}],"por_confirmar":["A hora do crime: «em pleno dia» (Toponímia de Lisboa) ou «ao princípio da noite» (Voz do Operário)."]},{"id":"luandino-vieira","nome":"José Luandino Vieira","nome_completo":"José Vieira Mateus da Graça","nascimento":{"data":"1935-05-04","local":"Lagoa do Furadouro, Ourém"},"morte":null,"mulher":false,"papeis":["escritor luso-angolano","militante do MPLA","preso político no Tarrafal (1964–1972)","Grande Prémio de Novelística da SPE (1965)"],"resumo":"Escritor luso-angolano, autor de «Luuanda». O prémio que a Sociedade Portuguesa de Escritores lhe deu em 1965, quando estava preso no Tarrafal, levou a PIDE a interrogar o júri e a deter três jurados, e o regime a destruir a sede da SPE e a extingui-la.","texto":"Nasceu em Ourém a 4 de maio de 1935 e cresceu em Luanda. Preso pela PIDE em 1959, voltou a sê-lo em 1961, já militante do MPLA, e foi condenado a 14 anos de prisão. Em 1964 foi transferido para o campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, onde passou oito anos. Foi um dos autores africanos que a Casa dos Estudantes do Império publicou em Lisboa.\n\n«Luuanda», de 1963, conta a vida nos musseques de Luanda, misturando o português com o quimbundo. Em maio de 1965, a Sociedade Portuguesa de Escritores deu-lhe o Grande Prémio de Novelística. O júri — Fernanda Botelho, Alexandre Pinheiro Torres, Augusto Abelaira, João Gaspar Simões e Manuel da Fonseca — foi acusado de «traição à pátria». Todos foram interrogados na PIDE, e Pinheiro Torres, Abelaira e Manuel da Fonseca ficaram detidos. Na noite de 21 de maio, agentes da PIDE e legionários assaltaram e destruíram a sede da SPE, e o Governo extinguiu-a.\n\nSaiu em liberdade condicional em 1972 e passou a viver em Lisboa, sob vigilância, a trabalhar com o editor Sá da Costa até ao 25 de Abril. Regressou a Angola em 1975. Em 2006 recusou o Prémio Camões.","lugares":[{"lugar":"spe","papel":"Premiado pela SPE, o que levou ao encerramento e assalto da sede (maio de 1965)"},{"lugar":"casa-estudantes-imperio","papel":"Publicado nas edições da CEI."}],"wikidata":"Q558950","fontes":[{"titulo":"José Luandino Vieira","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Luandino_Vieira"},{"titulo":"Como a PIDE destruiu a Sociedade Portuguesa de Escritores","editora":"RTP Ensina","url":"https://ensina.rtp.pt/artigo/como-a-pide-destruiu-a-sociedade-portuguesa-de-escritores/"},{"titulo":"Breve memorial da Sociedade Portuguesa de Escritores (SPE)","editora":"Associação Portuguesa de Escritores","url":"http://www.apescritores.pt/APE/Historia_APE.pdf"},{"titulo":"Casa dos Estudantes do Império","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/primaveras-estudantis/casa-dos-estudantes-do-imperio/"}],"por_confirmar":["O dia em que a SPE decidiu o prémio: 21 de maio de 1965, segundo o artigo da Wikipédia sobre Luandino; o artigo sobre a SPE cita notícias do Diário de Lisboa e do República de 19 de maio sobre a atribuição dos prémios."]},{"id":"junqueira-dos-reis","nome":"Junqueira dos Reis","nome_completo":null,"nascimento":null,"morte":null,"mulher":false,"papeis":["brigadeiro","2.º comandante da Região Militar de Lisboa","comandante das forças leais ao Governo a 25 de Abril de 1974"],"resumo":"Brigadeiro chamado a comandar as forças leais ao regime a 25 de abril de 1974, mandou abrir fogo na Ribeira das Naus e na Rua do Arsenal, e os seus próprios homens desobedeceram.","texto":"Brigadeiro e 2.º comandante da Região Militar de Lisboa, foi chamado às 6h30 de 25 de abril de 1974 para comandar as forças leais ao Governo. Saiu da Ajuda com a contra-ofensiva do regime, que tinha o posto de comando no quartel de Lanceiros 2. Às 9h35 chegou ao Terreiro do Paço com carros de combate, atiradores do Regimento de Infantaria 1 e Polícia Militar.\n\nNa Avenida da Ribeira das Naus, quando Salgueiro Maia avançou de lenço branco, mandou o aspirante Fernando Sottomayor abrir fogo sobre ele. Sottomayor recusou e recebeu ordem de prisão; os apontadores dos carros também recusaram, e as tropas passaram para o lado do MFA. Na Rua do Arsenal voltou a mandar disparar e voltou a ser desobedecido; exasperado, deu três murros no tenente Alfredo Assunção.\n\nÀ uma da tarde tentou cercar, por sua vez, a coluna de Salgueiro Maia, que cercava o Quartel do Carmo, com posições no Largo de Camões e nas ruas vizinhas. Entre as 14h00 e as 15h00, com as suas forças desfeitas, abandonou o local e cessou toda a resistência.","lugares":[{"lugar":"rua-do-arsenal","papel":"Ordens de fogo desobedecidas (25 de abril de 1974)"},{"lugar":"lanceiros-2","papel":"Saiu com a contra-ofensiva do posto de comando do regime (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/Artigos/APP_CX22_48_CRONOLOGIA%20DO%2025%20DE%20ABRIL_Jofre%20Alves.pdf"},{"titulo":"Salgueiro Maia","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/salgueiro-maia/"}],"por_confirmar":["O nome completo, as datas de nascimento e de morte, e o que lhe aconteceu depois do 25 de Abril."]},{"id":"leite-de-vasconcelos","nome":"Leite de Vasconcelos","nome_completo":null,"nascimento":null,"morte":null,"mulher":false,"papeis":["locutor do programa «Limite», da Rádio Renascença"],"resumo":"Locutor do «Limite», gravou sem saber para quê a leitura da primeira quadra de «Grândola, Vila Morena» que abriu, às 00h20 de 25 de abril de 1974, a senha do MFA na Rádio Renascença.","texto":"Era um dos locutores habituais do «Limite», o programa independente que a Rádio Renascença transmitia, e um dos seus trabalhos de rotina era gravar os poemas que o programa passava todos os dias.\n\nA 24 de abril de 1974, num dia de folga, Manuel Tomás chamou-o para «gravar poemas». Gravou um alinhamento de textos de cerca de dez minutos, dois deles escritos por Carlos Albino para serem visados pelo censor, em que a leitura da primeira quadra de «Grândola, Vila Morena» aparecia ligada às outras leituras. Não lhe disseram para que era.\n\nÀs 00h20 de 25 de abril, a sua voz gravada, a dizer a quadra, antecedeu na Renascença a canção de José Afonso: era a segunda senha do Movimento das Forças Armadas, que confirmava o início das operações. No fim da emissão, o agente da censura que estava nos estúdios deu sinais de ter ouvido algo que não previra.","lugares":[{"lugar":"radio-renascenca","papel":"A sua voz gravada abriu a segunda senha (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"MFA – Preparativos para a Acção, 24/04/1974 (escolha da Grândola)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/timeline/mfa-preparativos-para-a-accao-26/"},{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"}],"por_confirmar":["Se o locutor é o jornalista e escritor Teodomiro Leite de Vasconcelos (Arcos de Valdevez, 1944 – Maputo, 1997), como diz a Wikipédia; por isso não se indicam aqui datas de nascimento e de morte.","A mesma Wikipédia dá-o como locutor em direto nessa noite; a Associação 25 de Abril diz que estava de folga, que a sua voz foi gravada na véspera e que o locutor de serviço era Paulo Coelho."]},{"id":"luisa-tito-de-morais","nome":"Luísa Tito de Morais","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1942"},"morte":null,"mulher":true,"papeis":["militante do movimento liceal","militante do PCP","exilada","dirigente da Comissão Democrática Eleitoral"],"resumo":"Aos cinco anos visitava o pai, preso no Aljube. Aderiu ao PCP aos 16, lutou nos liceus, viveu exilada em Paris, Praga e na Argélia, voltou clandestina em 1970 e integrou depois a direção da Comissão Democrática Eleitoral.","texto":"Nasceu em 1942 numa família de oposicionistas. Aos cinco anos ia visitar à prisão do Aljube o pai, Manuel Alfredo Tito de Morais, dirigente do Movimento de Unidade Democrática (MUD) e, mais tarde, um dos fundadores do Partido Socialista. O avô, o almirante Tito de Morais, participara no 5 de Outubro de 1910.\n\nEm 1958 acompanhou as campanhas de Arlindo Vicente e de Humberto Delgado e, aos 16 anos, aderiu ao PCP. Participou nas lutas dos estudantes dos liceus e na criação de uma pró-associação dos estudantes liceais. A partir de 1961 viveu no exílio — em Paris, em Praga e na Argélia —, sempre com o companheiro, Pedro Ramos de Almeida.\n\nRegressou clandestinamente a Portugal em 1970. Em 1972 deixou a clandestinidade e passou à atividade política legal, sobretudo na Comissão Democrática Eleitoral (CDE), de cuja direção fez parte.","lugares":[{"lugar":"aljube","papel":"Visita o pai, preso no Aljube (1947)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Luísa Tito de Morais","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/luisa-tito-de-morais/"}],"por_confirmar":["O local e o dia do nascimento: o Museu do Aljube dá apenas o ano, 1942."]},{"id":"lindley-cintra","nome":"Luís Filipe Lindley Cintra","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1925-03-05","local":"Lisboa (São Sebastião da Pedreira)"},"morte":{"data":"1991-08-18","local":"Sesimbra"},"mulher":false,"papeis":["filólogo e linguista","professor da Faculdade de Letras de Lisboa","apoiante dos estudantes em 1962"],"resumo":"Filólogo da Faculdade de Letras que apoiou os estudantes na crise de 1962, tentou mediar com a polícia e foi agredido pela polícia de choque à entrada da Faculdade de Medicina, a 4 de junho de 1962.","texto":"Nasceu em Lisboa em 1925. Filólogo, era professor da Faculdade de Letras de Lisboa desde 1951. Na crise académica de 1962 foi um dos docentes mais graduados a compreender as reivindicações dos estudantes: participou nos plenários e usou o seu estatuto de professor para tentar dialogar com a polícia. Na madrugada de 11 de maio, quando a polícia cercou a cantina da Cidade Universitária, onde decorria a greve de fome dos estudantes, tentou servir de mediador, com Francisco Pereira de Moura.\n\nNa manhã de 4 de junho foi agredido pela polícia de choque à entrada da Faculdade de Medicina, na Cidade Universitária, e teve de ser assistido no hospital. Os estudantes quotizaram-se para lhe oferecer um quadro do pintor Fernando Azevedo. O quadro ficou com o filho, o ator Luís Miguel Cintra, e foi devolvido a Jorge Sampaio pouco antes de este ser Presidente da República. Lindley Cintra morreu em 1991.","lugares":[{"lugar":"cantina-velha","papel":"Tenta mediar durante o cerco policial à cantina (11 de maio de 1962)"},{"lugar":"cidade-universitaria","papel":"Agredido pela polícia de choque à entrada da Faculdade de Medicina (4 de junho de 1962)"}],"wikidata":"Q3324908","fontes":[{"titulo":"A Crise Académica de 1962: Solidariedade com os Estudantes","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/primaveras-estudantis/a-solidariedade-com-os-estudantes/"},{"titulo":"A Crise Académica de 1962: A Greve de Fome","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/primaveras-estudantis/a-greve-de-fome/"},{"titulo":"Luís Filipe Lindley Cintra","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Filipe_Lindley_Cintra"}],"por_confirmar":["O lugar da morte: Sesimbra, segundo o texto da Wikipédia, ou Lisboa, segundo a ficha da mesma página e o Wikidata. O Wikidata dá ainda Espariz como lugar de nascimento, contra Lisboa na Wikipédia."]},{"id":"madalena-barbosa","nome":"Madalena Barbosa","nome_completo":"Maria Madalena Freire Avelar Barbosa","nascimento":{"data":"1942-03-13"},"morte":{"data":"2008-02-21"},"mulher":true,"papeis":["feminista","cofundadora do Movimento de Libertação das Mulheres","porta-voz da Campanha Nacional pelo Aborto e Contraceção (1979)","funcionária da Comissão da Condição Feminina"],"resumo":"Uma das fundadoras do Movimento de Libertação das Mulheres, em maio de 1974. Lutou pelo divórcio e pela despenalização do aborto e trabalhou na Comissão da Condição Feminina, cuja biblioteca tem hoje o seu nome.","texto":"Foi uma das fundadoras do Movimento de Libertação das Mulheres (MLM), em maio de 1974. O movimento propunha-se «lutar pelo direito de igualdade sem discriminação de sexo». Foi o MLM que convocou a manifestação feminista de 13 de janeiro de 1975 no Parque Eduardo VII. Nessa tarde, cercadas e perseguidas por uma multidão de homens, muitas manifestantes refugiaram-se no apartamento de Madalena Barbosa, ali ao lado; «fomos para casa da Madalena Barbosa», contou Maria Antónia Palla, que lá esteve.\n\nDefendeu o direito ao divórcio e a despenalização do aborto. Esteve na criação do Movimento pela Contraceção e Aborto Livre e, em 1979, foi porta-voz da Campanha Nacional pelo Aborto e Contraceção. Nos anos 1980 ajudou a criar os primeiros centros de documentação feministas portugueses, a Cooperativa Editorial de Mulheres e o Informação e Documentação sobre Mulheres, cujo acervo está hoje à guarda da UMAR — União de Mulheres Alternativa e Resposta. Na mesma década entrou para os quadros da Comissão da Condição Feminina, hoje Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG).\n\nMorreu em 2008. No ano seguinte, a Câmara Municipal de Lisboa e a CIG criaram o Prémio Madalena Barbosa, e a biblioteca da CIG tem o seu nome. Os seus textos na imprensa e para intervenções foram reunidos depois da sua morte no livro «Que força é essa».","lugares":[{"lugar":"parque-eduardo-vii","papel":"Fundadora do MLM, organizador da manifestação (13 de janeiro de 1975)"}],"wikidata":"Q6726209","fontes":[{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"A manifestação feminista que não chegou a acontecer, 45 anos depois (Rafaela Cortez, 26/4/2020)","editora":"Comunidade Cultura e Arte","url":"https://comunidadeculturaearte.com/a-manifestacao-feminista-que-nao-chegou-a-acontecer-45-anos-depois/"},{"titulo":"Madalena Barbosa","editora":"Wikipédia (inglês)","url":"https://en.wikipedia.org/wiki/Madalena_Barbosa"}],"por_confirmar":["As datas exatas de nascimento (13 de março de 1942) e de morte (21 de fevereiro de 2008) vêm só da Wikipédia em inglês; a CIG dá apenas os anos.","A data de fundação do MLM: maio de 1974 (CIG), 7 de maio de 1974 (Comunidade Cultura e Arte) ou abril de 1974 (Wikipédia em inglês).","O ano em que entrou para a Comissão da Condição Feminina: 1980, segundo a Wikipédia em inglês; a CIG diz só «na década de 1980»."]},{"id":"manuela-porto","nome":"Manuela Porto","nome_completo":"Manuela Cesarina Sena Porto de Araújo Pereira","nascimento":{"data":"1908-04-24","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"1950-07-07","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["atriz","escritora e tradutora","crítica de teatro e declamadora de poesia","vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1946)"],"resumo":"Atriz, tradutora e declamadora de poesia, foi vice-presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e, em 1947, falou sobre Virginia Woolf na Exposição de Livros Escritos por Mulheres. Incomodado com a exposição, o regime fechou o Conselho nesse mesmo ano.","texto":"Nasceu em Lisboa a 24 de abril de 1908. Foi atriz da companhia Rey Colaço – Robles Monteiro e estudou no Conservatório Nacional de Teatro; foi também crítica de teatro, declamadora de poesia e tradutora, e trouxe para português autoras como Louisa May Alcott, Anne Brontë, Elizabeth Gaskell e Virginia Woolf. Em 1931 casou com o pintor Roberto Araújo Pereira no registo civil de Lisboa, em regime de «separação total, completa e absoluta dos bens» — um procedimento então pioneiro.\n\nNos anos 1930 abraçou o ativismo feminista e foi aderindo às organizações que se opunham ao Estado Novo: o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (CNMP), a Associação Feminina Portuguesa para a Paz, o Movimento de Unidade Nacional Antifascista, o Movimento de Unidade Democrática, a Comissão dos Escritores, Jornalistas e Artistas Democráticos, o PEN Clube Português e a Comissão Central e Feminina do Movimento Nacional Democrático.\n\nEm 1946 foi nomeada vice-presidente do CNMP. Em janeiro de 1947, na Exposição de Livros Escritos por Mulheres que o Conselho organizou na Sociedade Nacional de Belas-Artes, fez a palestra «Virginia Woolf: o problema das mulheres das letras». O regime não gostou da dimensão da exposição e ilegalizou o Conselho. A 28 de junho de 1947 a polícia fechou, «sem aviso prévio», a sua sede nas Amoreiras, pondo fim a 33 anos de associação. Morreu em Lisboa a 7 de julho de 1950, aos 42 anos.","lugares":[{"lugar":"snba","papel":"Palestra «Virginia Woolf: o problema das mulheres das letras» (janeiro de 1947)"},{"lugar":"cnmp-restauradores","papel":"Vice-presidente do CNMP (1946)"},{"lugar":"afpp-sede","papel":"Membro da AFPP"},{"lugar":"cnmp-amoreiras","papel":"Vice-presidente do Conselho que a polícia fechou depois da exposição (28 de junho de 1947)"},{"lugar":"ruas-feministas-carnide","papel":"Dá nome à Rua Manuela Porto, em Carnide (edital de 31 de janeiro de 1978)"}],"wikidata":"Q105105295","fontes":[{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Manuela Porto","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuela_Porto"},{"titulo":"Ser mulher em Lisboa: a associação que agitou o regime no século XX (Ana Sofia Paiva, 8/3/2019)","editora":"FCSH+Lisboa – NOVA FCSH","url":"https://maislisboa.fcsh.unl.pt/ser-mulher-em-lisboa-a-associacao-que-agitou-o-regime-no-seculo-xx/"},{"titulo":"A Rua da médica Adelaide Cabete que também foi professora de Higiene","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2015/10/23/a-rua-da-medica-adelaide-cabete-que-tambem-foi-professora-de-higiene/"}],"por_confirmar":["O dia da palestra sobre Virginia Woolf: a exposição esteve aberta de 4 a 12 de janeiro de 1947, e as fontes não dizem em que dia ela falou.","Em que sede trabalhou como vice-presidente do CNMP: na Praça dos Restauradores ou já na Travessa da Fábrica das Sedas, nas Amoreiras, para onde o Conselho se mudou em 1946."]},{"id":"manuel-serra","nome":"Manuel Serra","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1931-07-23","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"2010-01-31","local":"Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["oficial da Marinha Mercante","dirigente da Juventude Operária Católica","líder civil da Revolta da Sé (1959) e da revolta de Beja (1962)","preso político","fundador da Frente Socialista Popular"],"resumo":"Antigo dirigente da Juventude Operária Católica, foi a «alma civil» da Revolta da Sé, em 1959, e o líder civil da revolta de Beja, em 1962. Esteve 11 anos preso e foi torturado.","texto":"Nasceu em Lisboa a 23 de julho de 1931. Oficial da Marinha Mercante e fundador da revista Náutica, aderiu aos 17 anos à Juventude Operária Católica, de que foi dirigente, e esteve na campanha de Humberto Delgado em 1958.\n\nFoi, nas palavras de Mário Soares, a «alma civil» da conspiração da Sé, um movimento de inspiração católica que devia sair na noite de 11 para 12 de março de 1959. Chefiava uma milícia civil e fazia a ligação com a junta militar. Na noite de 11, nos claustros da Sé, distribuía distintivos, cordas e fardas quando chegou a ordem de dispersar: o governo sabia do golpe. Partiu então de automóvel com o major Pastor Fernandes e o tenente Vasco da Costa Santos para a Calçada da Ajuda, onde conseguiram impedir que Fernando Oneto levantasse em Lanceiros 2 as armas destinadas aos grupos civis. A PIDE prendeu 44 pessoas; Manuel Serra foi o primeiro, ao cair da noite de 13 de março. Esteve seis meses isolado no Aljube e conseguiu fugir. Quando o julgamento começou, estava asilado numa embaixada latino-americana.\n\nFoi depois o líder civil da revolta de Beja, em janeiro de 1962. O processo que se seguiu, com 86 réus, foi o maior do Estado Novo. Preso de novo, foi sujeito à tortura do sono: em 44 dias dormiu oito horas. Passou ao todo 11 anos na prisão.\n\nDepois do 25 de Abril fundou o Movimento Socialista Popular, que entrou no PS como tendência de esquerda, e, já fora do partido, a Frente Socialista Popular. Morreu em Lisboa a 31 de janeiro de 2010.","lugares":[{"lugar":"se-de-lisboa","papel":"Organiza nos claustros a concentração dos grupos civis da Revolta da Sé (11 de março de 1959)"},{"lugar":"aljube","papel":"Preso no Aljube depois da Revolta da Sé (1959)"}],"wikidata":"Q112189080","fontes":[{"titulo":"O «golpe da Sé» (Irene Flunser Pimentel)","editora":"Caminhos da Memória (blogue)","url":"https://caminhosdamemoria.wordpress.com/2009/03/23/o-%C2%ABgolpe-da-se%C2%BB/"},{"titulo":"Manuel Serra","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Serra"},{"titulo":"«Revolta da Sé» – 60 anos (Dossiê do Mês)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/60-anos-da-revolta-da-se/"}],"por_confirmar":["A fuga do Aljube e os pormenores da tortura só aparecem na Wikipédia, que cita o Público de 2010."]},{"id":"marcelo-caetano","nome":"Marcelo Caetano","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1906-08-17","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"1980-10-26","local":"Rio de Janeiro, Brasil"},"mulher":false,"papeis":["presidente do Conselho de Ministros (1968-1974)"],"resumo":"Último chefe de Governo do Estado Novo, refugiou-se no Quartel do Carmo na madrugada de 25 de abril de 1974 e, cercado, entregou o poder ao general Spínola. No dia seguinte foi levado para a Madeira.","texto":"Nasceu em Lisboa em 1906 e chefiava o Governo, como presidente do Conselho de Ministros, desde 1968. Às 5h00 de 25 de abril de 1974, o diretor da PIDE/DGS, Silva Pais, telefonou-lhe: «Senhor Presidente, a Revolução está na rua!» Num segundo telefonema aconselhou-o a sair de casa com a maior urgência e a ir para o quartel do Carmo, «que a GNR está fixe».\n\nNo Quartel do Carmo passou o dia com o ministro do Interior, César Moreira Baptista, o dos Negócios Estrangeiros, Rui Patrício, e outros membros do Governo, enquanto a coluna de Salgueiro Maia cercava o quartel e uma multidão enchia o largo. A meio da tarde decidiu render-se — «assim o poder não cai na rua», desabafou —, mas não a um capitão: pediu que fosse um oficial-general a receber o poder e chamou ao Carmo o general Spínola. Ao fim da tarde entregou-lhe o poder e saiu do quartel na chaimite «Bula», devagar, entre a multidão, a caminho do Posto de Comando do MFA, na Pontinha.\n\nNa manhã de 26 de abril foi levado ao aeroporto, tal como o Presidente da República, Américo Tomás, e embarcou com os ex-ministros Silva Cunha e Moreira Baptista num avião da Força Aérea para o Funchal, onde ficaram com residência vigiada. Morreu no Rio de Janeiro em 1980.","lugares":[{"lugar":"largo-do-carmo","papel":"Refugiou-se no quartel e rendeu-se a Spínola (25 de abril de 1974)"},{"lugar":"pontinha","papel":"Ficou detido no Posto de Comando do MFA (25 de abril de 1974)"},{"lugar":"aeroporto","papel":"Partiu para o Funchal (26 de abril de 1974)"}],"wikidata":"Q310870","fontes":[{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"Largo e Quartel do Carmo (Lugares de Abril)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/locais-de-abril/largo-do-carmo-e-quartel-do-carmo/"},{"titulo":"Marcelo Caetano (Q310870)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q310870"}],"por_confirmar":["As datas e os lugares de nascimento e de morte vêm só da Wikidata."]},{"id":"margarida-tengarrinha","nome":"Margarida Tengarrinha","nome_completo":"Maria Margarida do Carmo Mendes Tengarrinha Campos Costa","nascimento":{"data":"1928-05-07","local":"Portimão"},"morte":{"data":"2023-10-26"},"mulher":true,"papeis":["artista plástica","funcionária clandestina do PCP","falsificadora de documentos","redatora do «Avante!»","deputada (1979–1983)"],"resumo":"Artista plástica expulsa da Escola de Belas-Artes em 1952, viveu na clandestinidade com José Dias Coelho, numa casa onde o PCP falsificava documentos. Só soube que a PIDE o matara no dia do enterro, a que não pôde ir.","texto":"Nasceu em Portimão a 7 de maio de 1928. Aos 20 anos entrou para o MUD Juvenil e envolveu-se nas lutas estudantis da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa e nas Exposições Gerais de Artes Plásticas. Na escola, coordenava a participação dos alunos no movimento. Depois dos protestos contra a reunião da NATO em Lisboa, em 1952, foi expulsa e proibida de frequentar qualquer faculdade do país e de lecionar; nesse ano aderiu ao PCP. Com ela foram expulsos mais 81 alunos.\n\nEm finais de 1954 passou à clandestinidade com o companheiro, o pintor José Dias Coelho. Na casa clandestina de ambos funcionou o gabinete de falsificação de documentos do partido — bilhetes de identidade, cartas de condução, passaportes — e, a partir de 1960, os dois desenharam ilustrações e cabeçalhos para «A Voz das Camaradas» e o «Avante!».\n\nA 19 de dezembro de 1961 a PIDE matou Dias Coelho a tiro numa rua de Alcântara que hoje tem o seu nome. Margarida, que continuava na clandestinidade, só o soube ao princípio da noite de 26 de dezembro, num encontro de rua. Quando pediu para o ver, o camarada respondeu-lhe: «Não podes, o enterro foi hoje, para o cemitério de Benfica.» A partir desse momento, escreveu, tomou a resolução de «não deixar morrer a sua memória».\n\nEm 1962 partiu para o estrangeiro: trabalhou com Álvaro Cunhal, em Moscovo, e depois na Rádio Portugal Livre, em Bucareste. Regressou em 1968 e retomou o trabalho clandestino, em Lisboa e depois no Porto. Em 1974 entrou para o Comité Central do PCP e publicou depois vários livros, entre eles «Memórias de Uma Falsificadora – A Luta na Clandestinidade em Portugal». Foi deputada pelo Algarve de 1979 a 1983 e, em 2014, recebeu o primeiro Prémio Maria Veleda. Morreu em Portimão a 26 de outubro de 2023.","lugares":[{"lugar":"rua-jose-dias-coelho","papel":"Companheira de José Dias Coelho, assassinado na Rua da Creche; soube da morte a 26/12/1961 (26 de dezembro de 1961)"},{"lugar":"peniche","papel":"Autora de «A Fuga de Peniche», ilustração da fuga de 3 de janeiro de 1960"}],"wikidata":"Q88583520","fontes":[{"titulo":"Margarida Tengarrinha (testemunho e biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/margarida-tengarrinha/"},{"titulo":"José António Dias Coelho (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/jose-dias-coelho-2/"},{"titulo":"Assassinato de José Dias Coelho","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/12/19/assassinato-de-jose-dias-coelho/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"Margarida Tengarrinha","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Margarida_Tengarrinha"},{"titulo":"Fuga de Peniche","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2021/01/03/fuga-de-peniche/"}],"por_confirmar":["Quando passou à clandestinidade: em finais de 1954 (testemunho no Museu do Aljube) ou em 1955 (Wikipédia e biografia de José Dias Coelho no mesmo museu).","A morada da casa clandestina de Lisboa onde viveu com José Dias Coelho e onde funcionou o gabinete de falsificação de documentos."]},{"id":"maria-alda-nogueira","nome":"Maria Alda Nogueira","nome_completo":"Maria Alda Barbosa Nogueira","nascimento":{"data":"1923-03-19","local":"Lisboa (Alcântara)"},"morte":{"data":"1998-03-05","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["professora","militante comunista na clandestinidade","presa política","deputada constituinte e à Assembleia da República","presidente da Comissão Parlamentar da Condição Feminina (1983–1985)"],"resumo":"Militante comunista na clandestinidade, foi presa em 1959 e condenada a oito anos de prisão maior e medidas de segurança, que cumpriu em Caxias. Deputada desde a Constituinte, presidiu à Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.","texto":"Nasceu em Alcântara, Lisboa, a 19 de março de 1923. Licenciou-se em Ciências Físico-Químicas. Ainda aluna da faculdade, entrou para a Associação Feminina Portuguesa para a Paz e, em 1945, para o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Foi nesse ano que conheceu Maria Lamas; professora no Algarve, organizou ali várias delegações do Conselho.\n\nPassou à clandestinidade em 1949 e montou com Sérgio Vilarigues uma casa clandestina do PCP. A PIDE prendeu-a a 15 de outubro de 1959, num táxi, na Avenida da Liberdade. Foi julgada no Tribunal Plenário a 22 de outubro de 1960, com Maria Lamas e Maria Isabel Aboim Inglez entre as testemunhas abonatórias. Condenada a oito anos de prisão maior, seguidos de uma «medida de segurança de internamento» de seis meses a três anos, prorrogável por tempo indeterminado, foi a primeira mulher a receber essa pena.\n\nCumpriu-a no Forte de Caxias. Nos primeiros dias, incomunicável, imaginou a história infantil «A Viagem numa Gota de Água», que publicou em 1977. Com Sofia Ferreira dirigiu a célula do PCP na prisão, e em 1961 fez sair de lá o Manifesto de Caxias. Ensinou Matemática e Geografia a Maria Lourença Cabecinha. Saiu em liberdade condicional em dezembro de 1968. «Na prisão retiraram-me os melhores anos da minha vida. Entrei com 35 anos, saí com 45 anos», disse numa entrevista a Helena Neves. O seu relato da vida clandestina e dos castigos dados às mulheres nas prisões ficou em «Mulheres Portuguesas na Resistência».\n\nEm 1975 foi eleita pelo PCP para a Assembleia Constituinte, uma das 27 mulheres que lá tiveram assento. Era a única deputada na 1.ª Comissão; nas atas, os deputados apareciam pelo nome e ela com um «D.» antes do seu — um exemplo, para o Parlamento, da dificuldade em tratar as mulheres como iguais. Deputada depois à Assembleia da República, presidiu à Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985. O seu busto em pedra está no claustro do Parlamento; é uma das duas deputadas com essa honra. Morreu em Lisboa a 5 de março de 1998.","lugares":[{"lugar":"afpp-sede","papel":"Membro da AFPP, ainda estudante"},{"lugar":"cnmp-restauradores","papel":"Entrou para o CNMP (1945)"},{"lugar":"boa-hora","papel":"Julgada no Tribunal Plenário (22 de outubro de 1960)"},{"lugar":"caxias","papel":"Presa em Caxias até 1968 (1959–1968)"},{"lugar":"assembleia-da-republica","papel":"Deputada constituinte e presidente da Comissão Parlamentar da Condição Feminina; busto no claustro (1975–1986)"}],"wikidata":"Q105747231","fontes":[{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Maria Alda Nogueira","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Alda_Nogueira"},{"titulo":"As mulheres na Constituinte de 1975-1976","editora":"Assembleia da República","url":"https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/As-mulheres-na-constituinte-75-76.aspx"},{"titulo":"Maria Alda Barbosa Nogueira","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/presos/maria-alda-barbosa-nogueira"},{"titulo":"Maria Lourença Cabecinha (testemunho e biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/maria-lourenco-cabecinha/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"Maria Alda Nogueira (Q105747231)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q105747231"}],"por_confirmar":["A data da libertação: dezembro de 1968, em liberdade condicional (Wikipédia), ou dezembro de 1969, ao fim de «dez anos» em Caxias (Memória Comum).","O dia do julgamento (22 de outubro de 1960) e o lugar da prisão (num táxi, na Avenida da Liberdade) só aparecem na Wikipédia.","Se foi a «primeira mulher em Portugal condenada à prisão por motivos políticos», como diz a CIG: o Memória Comum diz, mais precisamente, que foi a primeira condenada a oito anos de prisão maior e medidas de segurança.","O fim do mandato de deputada: 1986, segundo a Wikipédia e o Memória Comum, que noutro passo diz «de 1975 a 1985».","A placa de homenagem descerrada em 2024 na Rua José Dias Coelho, em Alcântara, referida só na Wikipédia."]},{"id":"maria-antonia-fiadeiro","nome":"Maria Antónia Fiadeiro","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1942","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"2023-03-31"},"mulher":true,"papeis":["jornalista","feminista","presa política","chefe de redação de «Mulher – Modas e Bordados»","biógrafa de Maria Lamas"],"resumo":"Jornalista, filha de Stella Piteira Santos, presa pela PIDE em 1962 e em 1972. Depois do 25 de Abril, como chefe de redação, deu à «Modas e Bordados» uma linha feminista e convidou Maria Lamas para diretora honorária; em 1984 escreveu «Aborto – O Crime Está na Lei».","texto":"Nasceu em Lisboa em 1942, filha de Stella Piteira Santos e de Inácio Fiadeiro, ambos antifascistas. Estudava Filosofia na Faculdade de Letras quando, na crise académica de 1962, apoiou os estudantes em greve de fome na cantina da Cidade Universitária; foi por isso que a PIDE a prendeu pela primeira vez. Voltou a ser presa em 1972, quando regressava do Brasil, onde estava exilada. Dessa vez, a 26 de novembro, foi detida no aeroporto e passou um mês em Caxias.\n\nEm 1974 começou a escrever na «Modas e Bordados», suplemento d'O Século. Como chefe de redação, ofereceu a Maria Lamas o cargo de diretora honorária, e a revista passou a chamar-se «Mulher – Modas e Bordados», com uma linha editorial feminista. Escreveu também no suplemento «Mulher» do Diário de Notícias e no Diário de Lisboa, e foi vogal da direção do Sindicato dos Jornalistas em 1977–1978.\n\nFoi cofundadora da Liga dos Direitos das Mulheres e esteve na direção nacional da Associação para o Planeamento Familiar. Defendeu a despenalização do aborto e escreveu, em 1984, «Aborto – O Crime Está na Lei». Na sua tese recuperou a biografia de Maria Lamas, depois publicada. Morreu a 31 de março de 2023.","lugares":[{"lugar":"cantina-velha","papel":"Apoiou os estudantes em greve de fome, e foi presa por isso (1962)"},{"lugar":"o-seculo","papel":"Chefe de redação de Mulher – Modas e Bordados (1974–1975)"},{"lugar":"aeroporto","papel":"Presa pela PIDE à chegada do Brasil, onde estava exilada (26 de novembro de 1972)"},{"lugar":"caxias","papel":"Presa um mês em Caxias (1972)"}],"wikidata":"Q105395291","fontes":[{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Maria Antónia Fiadeiro","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Ant%C3%B3nia_Fiadeiro"},{"titulo":"Maria Antónia Correia Ribeiro Fiadeiro Nascimento","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/presos/maria-antonia-correia-ribeiro-fiadeiro-nascimento"}],"por_confirmar":["O local de nascimento (Lisboa) e o dia da morte (31 de março de 2023) só aparecem na Wikipédia; a CIG dá apenas os anos, 1942–2023.","O ano em que passou a chefe de redação da revista: 1975, segundo a Wikipédia; a CIG não o diz.","O ano de «Aborto – O Crime Está na Lei»: 1984, segundo a CIG e a lista de obras da Wikipédia; a introdução da mesma Wikipédia diz 1978.","Se a redação de «Mulher – Modas e Bordados» ficava no edifício d'O Século em 1974–1975.","Se foi presa em 1962: a CIG e a Wikipédia dizem que a PIDE a prendeu na crise académica, por apoiar a greve de fome na cantina; o Memória Comum, que regista os presos políticos, dá como data da primeira prisão 26 de novembro de 1972.","Que foi presa no aeroporto de Lisboa: a Wikipédia diz só «no aeroporto», e a CIG diz que foi presa em 1972, quando regressava do Brasil."]},{"id":"maria-antonia-palla","nome":"Maria Antónia Palla","nome_completo":"Maria Antónia de Assis dos Santos Palla e Carmo","nascimento":{"data":"1933"},"morte":null,"mulher":true,"papeis":["jornalista","feminista","coautora da série «Nome Mulher» (RTP)","presidente da Liga dos Direitos das Mulheres","primeira mulher vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas"],"resumo":"Jornalista pioneira, primeira mulher na redação da empresa d'O Século. Com Antónia de Sousa fez para a RTP a série «Nome Mulher» (1974–1976), cuja reportagem «O aborto não é um crime» a levou a tribunal. Foi absolvida.","texto":"Nasceu em 1933. Em 1968 entrou para a redação do Diário Popular com Margarida Silva Dias e Maria Armanda Passos, o primeiro grupo de mulheres jornalistas ali admitidas por concurso. Despedida por insistir em fazer um balanço do Maio de 68 em Paris, passou para O Século Ilustrado e foi a primeira mulher na redação da empresa d'O Século. Antes do 25 de Abril chegou a chefe de redação da revista.\n\nEntre 1974 e 1976 fez com Antónia de Sousa, para a RTP, o programa quinzenal «Nome Mulher», sobre os problemas e as lutas das mulheres: o divórcio, as mães solteiras, a união de facto. A 4 de fevereiro de 1976 foi para o ar a reportagem «O aborto não é um crime». O programa foi suspenso, e a direção da Maternidade Alfredo da Costa apresentou queixa contra ela por «exercício ilegal da medicina». Foi julgada em 1979 e absolvida.\n\nA 13 de janeiro de 1975 assistiu até ao fim à manifestação do Movimento de Libertação das Mulheres no Parque Eduardo VII, embora nunca tenha pertencido ao movimento. Anos depois desmentiu a lenda de que ali se queimaram soutiens: «É tudo mentira.» Foi a primeira mulher vice-presidente da direção do Sindicato dos Jornalistas, em 1979–1980, e em 1985 tornou-se presidente da Liga dos Direitos das Mulheres. Em 2013 esteve entre as fundadoras da Biblioteca Especializada Ana de Castro Osório.","lugares":[{"lugar":"o-seculo","papel":"Primeira mulher na redação da empresa d'O Século; chefe de redação de O Século Ilustrado (antes de 1974)"},{"lugar":"parque-eduardo-vii","papel":"Assistiu à manifestação do MLM (13 de janeiro de 1975)"}],"wikidata":"Q60181119","fontes":[{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Nome Mulher","editora":"Wikipédia (inglês)","url":"https://en.wikipedia.org/wiki/Nome_Mulher"},{"titulo":"A manifestação feminista que não chegou a acontecer, 45 anos depois (Rafaela Cortez, 26/4/2020)","editora":"Comunidade Cultura e Arte","url":"https://comunidadeculturaearte.com/a-manifestacao-feminista-que-nao-chegou-a-acontecer-45-anos-depois/"}],"por_confirmar":["As acusações: «exercício ilegal da medicina», na queixa da Maternidade Alfredo da Costa (CIG, Wikipédia); «atentado ao pudor e incitamento ao crime», no relato da própria à Comunidade Cultura e Arte.","Em que tribunal de Lisboa foi julgada, em 1979.","Se a redação de O Século Ilustrado ficava no edifício do jornal, na Rua de O Século."]},{"id":"maria-barroso","nome":"Maria Barroso","nome_completo":"Maria de Jesus Simões Barroso Soares","nascimento":{"data":"1925-05-02","local":"Olhão"},"morte":{"data":"2015-07-07","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["atriz","professora","fundadora do Partido Socialista","candidata a deputada pela oposição (1969)"],"resumo":"Atriz que dizia poesia contra o regime, foi candidata da oposição em 1969 e a única mulher a falar na abertura do Congresso de Aveiro, em 1973. Esteve na fundação do Partido Socialista e, a 28 de abril de 1974, acompanhou Mário Soares no comboio que o trouxe do exílio até Santa Apolónia.","texto":"Nasceu em Olhão em 1925. Vinha de uma família de democratas e oposicionistas à ditadura. Formou-se em Arte Dramática no Conservatório Nacional e em História e Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa, e foi atriz de teatro e de cinema. Fez recitais de poesia como ato militante, muitas vezes acompanhada pelo coro de Fernando Lopes-Graça, dizendo versos de poetas contra o regime, entre eles os do Novo Cancioneiro. Acusada de declamar poesia subversiva, foi expulsa do Teatro Nacional, impedida de representar e interrogada pela PIDE.\n\nEm 1949 casou por procuração com Mário Soares, que estava preso por razões políticas. Por essa altura dava aulas no Colégio Moderno, até ser proibida de ensinar, no ensino público e no privado. Participou nas campanhas presidenciais de Norton de Matos e de Humberto Delgado. Nas eleições de 1969 foi candidata a deputada pela oposição, nas listas da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD). Em 1973 interveio no III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, e foi a única mulher a falar na sessão de abertura. No mesmo ano, na Alemanha, participou com o marido na fundação do Partido Socialista; foi a única mulher presente.\n\nA 28 de abril de 1974 acompanhou Soares no comboio que o trouxe do exílio em França; uma fotografia guardada pela Fundação Mário Soares e Maria Barroso mostra os dois a bordo. Na estação de Santa Apolónia esperava-os uma multidão. Soares falou de uma varanda da estação, de altifalante em punho, e seguiu para o Palácio da Cova da Moura, para um encontro com o general Spínola. Maria Barroso morreu em Lisboa em 2015.","lugares":[{"lugar":"santa-apolonia","papel":"Chegada do exílio com Mário Soares (28 de abril de 1974)"}],"wikidata":"Q75062","fontes":[{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Maria Barroso (Q75062)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q75062"},{"titulo":"Exposição «Mulheres que mudaram a vida política em Portugal»","editora":"Assembleia da República","url":"https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Exposicao-As-mulheres-que-mudaram-Portugal.aspx"},{"titulo":"III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/04/04/iii-congresso-da-oposicao-democratica-em-aveiro/"}],"por_confirmar":["O lugar de nascimento: Olhão, segundo a Wikidata; Lisboa, segundo a exposição da Assembleia da República. Os dias do nascimento (2 de maio de 1925) e da morte (7 de julho de 2015), e o lugar da morte, vêm só da Wikidata; a CIG dá apenas os anos, 1925–2015.","De onde e em que dia partiu de França o comboio em que regressaram.","Quando foi expulsa do Teatro Nacional e proibida de ensinar: a exposição da Assembleia da República não dá datas."]},{"id":"maria-candida-parreira","nome":"Maria Cândida Parreira","nome_completo":"Maria Cândida Bragança de Oliveira Parreira","nascimento":{"data":"1877-01-16","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"1942-07-28","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["advogada","escritora e conferencista","deputada à Assembleia Nacional (I legislatura, 1935–1938)"],"resumo":"Advogada lisboeta, licenciada em Direito em 1919, foi uma das três primeiras deputadas portuguesas, eleita em 1934 nas listas da União Nacional, já no Estado Novo.","texto":"Nasceu em Lisboa em 1877. Licenciou-se em Direito em 1919 e foi advogada, escritora e conferencista. Definia-se como católica praticante.\n\nNas eleições de 16 de dezembro de 1934 foi eleita nas listas da União Nacional e, com Domitila de Carvalho e Maria Guardiola, tornou-se uma das três primeiras deputadas portuguesas. Esteve na Assembleia Nacional durante a I legislatura, de 1935 a 1938. Explicou assim a abertura do parlamento às mulheres: Salazar escolhera as que «podem colaborar, pela sua profissão, quanto à Família, Assistência e Educação». Morreu em Lisboa em 1942.","lugares":[{"lugar":"assembleia-da-republica","papel":"Deputada à Assembleia Nacional (1935)"}],"wikidata":"Q16593026","fontes":[{"titulo":"Um olhar sobre a participação feminina na Assembleia Nacional: a deputada Virgínia Faria Gersão (Faces de Eva, n.º 47)","editora":"Susana Fontes e Sónia Coelho / Faces de Eva (SciELO Portugal)","url":"https://scielo.pt/pdf/eva/n47/0874-6885-eva-47-77.pdf"},{"titulo":"Maria Cândida Parreira","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_C%C3%A2ndida_Parreira"},{"titulo":"O voto das mulheres em Portugal (Irene Flunser Pimentel, 29/9/2013)","editora":"jugular (blogue, SAPO)","url":"https://jugular.blogs.sapo.pt/3620156.html"}],"por_confirmar":["Os dias de nascimento (16 de janeiro de 1877) e de morte (28 de julho de 1942) vêm só da Wikipédia; a Faces de Eva dá apenas os anos.","Onde e quando publicou a explicação sobre a escolha de Salazar: Irene Flunser Pimentel cita-a sem indicar a origem."]},{"id":"maria-clara-correia-alves","nome":"Maria Clara Correia Alves","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1869-05-03","local":"Montemor-o-Novo (Nossa Senhora do Bispo)"},"morte":{"data":"1948-02-02","local":"Lisboa (São Jorge de Arroios)"},"mulher":true,"papeis":["professora","jornalista e editora","diretora do «Boletim Oficial» e de «Alma Feminina» do CNMP","livre-pensadora e maçon"],"resumo":"Professora e jornalista republicana, militou na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e na maçonaria e dirigiu as publicações do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: o «Boletim Oficial», desde 1914, e a revista «Alma Feminina», desde 1917.","texto":"Nasceu em Montemor-o-Novo em 1869 e fixou-se ainda jovem em Lisboa. Casou em 1886, aos 16 anos, na Igreja de Santa Catarina, e pouco depois começou a ensinar raparigas na Rua do Poço dos Negros. Republicana e anticlerical, entrou ainda na primeira década do século XX na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, onde trabalhou com Adelaide Cabete, Carolina Beatriz Ângelo, Maria Veleda, Angélica Viana Porto e Ana de Castro Osório. Livre-pensadora, aderiu à Federação Portuguesa do Livre Pensamento, onde se cruzou com Deolinda Lopes Vieira, e iniciou-se na Maçonaria, na Loja Humanidade do Grande Oriente Lusitano.\n\nDirigiu as publicações do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: o «Boletim Oficial», cujo primeiro número saiu em novembro de 1914, e a revista «Alma Feminina», a partir de janeiro de 1917. Em 1920, quando a feminista uruguaia Paulina Luisi esteve em Lisboa, falou numa das conferências organizadas em sua honra.\n\nNos anos 1930 dirigiu a Biblioteca Municipal do 2.º Bairro de Lisboa. Morreu em 1948, aos 78 anos, na sua casa do n.º 139 da Avenida Almirante Reis.","lugares":[{"lugar":"liga-republicana-mulheres","papel":"Militante da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (primeira década do século XX)"},{"lugar":"cnmp-restauradores","papel":"Diretora das publicações do CNMP (1914-1917)"}],"wikidata":"Q88469577","fontes":[{"titulo":"Boletim Oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Lisboa, [1914]-1916 (registo)","editora":"Biblioteca Nacional Digital","url":"https://purl.pt/24149"},{"titulo":"Alma Feminina: boletim oficial do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, Lisboa, 1917-1946 (registo)","editora":"Biblioteca Nacional Digital","url":"https://purl.pt/24278"},{"titulo":"Maria Clara Correia Alves","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Clara_Correia_Alves"},{"titulo":"Liga Republicana das Mulheres Portuguesas","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Liga_Republicana_das_Mulheres_Portuguesas"}],"por_confirmar":["As datas e os lugares do nascimento, do casamento e da morte vêm só da Wikipédia, que cita os registos paroquiais e civis.","Até quando dirigiu a «Alma Feminina»: até 1920, segundo a Wikipédia; o registo da Biblioteca Nacional, que cobre a revista de 1917 a 1946, dá-a como diretora, sem datas."]},{"id":"maria-da-conceicao-moita","nome":"Maria da Conceição Moita","nome_completo":"Maria da Conceição Moita («Xexão»)","nascimento":{"data":"1937-04-05","local":"Alcanena"},"morte":{"data":"2021-03-30"},"mulher":true,"papeis":["educadora de infância","católica progressista","organizadora da vigília da Capela do Rato","apoiante das Brigadas Revolucionárias","presa política"],"resumo":"Educadora e católica progressista, foi ela quem, ao microfone da Capela do Rato, anunciou a vigília de 30 de dezembro de 1972 contra a guerra colonial. Presa pela PIDE/DGS em dezembro de 1973 e torturada, só saiu de Caxias a 26 de abril de 1974.","texto":"Nasceu em Alcanena a 5 de abril de 1937 e veio para Lisboa aos dez anos, com a avó e o irmão mais velho. Conhecida por Xexão, formou-se como educadora de infância, foi professora de Religião e Moral em liceus de Lisboa e do Barreiro, trabalhou no movimento O Ninho com raparigas pobres que se prostituíam e dirigiu uma secção da Casa Pia.\n\nCatólica progressista, estava à frente do grupo do Boletim Anti-Colonial com o irmão, Luís Moita, e Isabel Pimentel, e foi uma das organizadoras da vigília da Capela do Rato contra a guerra colonial. A 30 de dezembro de 1972, no fim da missa da tarde, aproximou-se do microfone e anunciou, em nome de um grupo de cristãos, uma «vigília de 48 horas» em jejum, em protesto contra a guerra. O padre que celebrava, João Seabra Diniz, conhecia-a bem da comunidade e não estranhou quando ela se dirigiu ao altar. Quando a polícia acabou com a vigília, foi levada com os outros para a esquadra, para identificação, mas, ao contrário de alguns, não ficou presa; chamada pela PIDE a depor, disse que estava lá atrás e não sabia quem tinha lido a declaração.\n\nTambém em 1972, contactada por Carlos Antunes, deu apoio logístico às Brigadas Revolucionárias: arrendou em seu nome uma casa para clandestinos e deu boleias. A 6 de dezembro de 1973, depois da prisão de vários companheiros, entre eles o irmão Luís, foi presa quando se preparava para fugir para Paris. Ficou no processo que a DGS abrira em Caxias a 24 de novembro contra pessoas ligadas às Brigadas e a um grupo anticolonial; foi esbofeteada até desmaiar e submetida várias vezes à tortura do sono — a primeira durante sete dias e oito noites, com catorze horas de «estátua». Esteve em isolamento em Caxias até ao 25 de Abril, e só saiu a 26 de abril de 1974.\n\nDepois da revolução dedicou-se à educação de infância e à intervenção cívica e católica. Morreu a 30 de março de 2021, aos 83 anos.","lugares":[{"lugar":"capela-do-rato","papel":"Anuncia a vigília pela paz no fim da missa (30 de dezembro de 1972)"},{"lugar":"caxias","papel":"Presa em Caxias até 26 de abril de 1974 (6 de dezembro de 1973)"}],"wikidata":"Q106509027","fontes":[{"titulo":"Maria da Conceição Moita","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_da_Concei%C3%A7%C3%A3o_Moita"},{"titulo":"Vigília da Capela do Rato","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Vig%C3%ADlia_da_Capela_do_Rato"},{"titulo":"Caso da Capela do Rato","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/12/30/caso-da-capela-do-rato/"},{"titulo":"«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo)","editora":"Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa","url":"https://revistas.ucp.pt/index.php/lusitaniasacra/article/download/7084/6861"},{"titulo":"Sophia de Mello Breyner Andresen: militância antifascista a partir da crise do Estado Novo (tese de doutoramento, Eloísa da Silva Aragão, 2017)","editora":"Universidade de São Paulo","url":"https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-24052018-131600/publico/2017_EloisaDaSilvaAragao_VCorr.pdf"}],"por_confirmar":["O dia da prisão, 6 de dezembro de 1973, e a fuga para Paris que preparava vêm da Wikipédia, que cita o livro «Os Últimos Presos do Estado Novo», de Joana Pereira Bastos; ela própria, em 2014, disse apenas «em dezembro de 73».","Se foi militante das Brigadas Revolucionárias, como dizem Carlos Antunes (citado por António de Araújo) e a tese de Eloísa Aragão, ou só apoiante, como contou em 2014: «a única coisa que eu fiz antes do 25 de Abril foi apoiar algumas ações das Brigadas Revolucionárias».","Quem decidiu que seria ela a ler a declaração na Capela do Rato: Carlos Antunes diz que foi ele, «por razões de disciplina»; os relatos dos católicos falam de uma decisão do grupo, e António de Araújo regista a versão de Antunes com reservas.","O nome completo: «Maria da Conceição Victor Moita», segundo o processo da DGS de 1973 citado por António de Araújo."]},{"id":"maria-de-lourdes-pintasilgo","nome":"Maria de Lourdes Pintasilgo","nome_completo":"Maria de Lourdes Ruivo da Silva Pintasilgo","nascimento":{"data":"1930-01-18","local":"Abrantes"},"morte":{"data":"2004-07-10","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["engenheira química","procuradora à Câmara Corporativa","ministra dos Assuntos Sociais","primeira-ministra (1979–1980)","fundadora da Comissão da Condição Feminina"],"resumo":"Engenheira e católica progressista, preparou desde 1970 o que viria a ser a Comissão da Condição Feminina, foi ministra dos Assuntos Sociais em 1974–1975 e a única mulher a chefiar um governo em Portugal (1979–1980).","texto":"Nasceu em Abrantes a 18 de janeiro de 1930. Licenciou-se em 1953 em Engenharia Químico-Industrial no Instituto Superior Técnico, num curso de 250 alunos com apenas três mulheres; trabalhou na Junta de Energia Nuclear e na CUF, que pela primeira vez admitiu uma mulher nos quadros técnicos superiores. Presidiu à Juventude Universitária Católica Feminina e à Pax Romana, e fundou em Portugal o movimento Graal.\n\nEm 1969 recusou o convite de Marcelo Caetano para ser deputada, mas aceitou ser procuradora à Câmara Corporativa, onde votou vencida pareceres como o da liberdade de imprensa. A partir de 1970 coordenou, no Ministério das Corporações, um grupo de trabalho sobre a política para as mulheres, que em 1973 deu a Comissão para a Política Social relativa à Mulher e, em 1975, a Comissão da Condição Feminina. Em 1974 prefaciou a segunda edição das «Novas Cartas Portuguesas».\n\nDepois do 25 de Abril foi secretária de Estado da Segurança Social e ministra dos Assuntos Sociais nos II e III Governos Provisórios, entre julho de 1974 e março de 1975; introduziu o princípio da universalidade das prestações sociais. Foi depois embaixadora junto da UNESCO.\n\nA convite do Presidente Ramalho Eanes, chefiou o V Governo Constitucional, de 1 de agosto de 1979 a 3 de janeiro de 1980 — a primeira e até hoje única primeira-ministra portuguesa. Uma das adjuntas do secretário de Estado da Cultura desse governo foi Maria Velho da Costa. Candidatou-se à Presidência da República em 1986 e morreu em Lisboa a 10 de julho de 2004.","lugares":[],"wikidata":"Q235916","fontes":[{"titulo":"Maria de Lourdes Pintasilgo faleceu há quinze anos (julho de 2019)","editora":"CIG","url":"https://www.cig.gov.pt/2019/07/maria-lourdes-pintasilgo-faleceu-ha-quinze-anos/"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"História da CIG","editora":"Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG)","url":"https://www.cig.gov.pt/area-a-cig/historia-da-cig/"},{"titulo":"Maria de Lourdes Pintasilgo","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_de_Lourdes_Pintasilgo"},{"titulo":"V Constitutional Government of Portugal","editora":"Wikipédia (inglês)","url":"https://en.wikipedia.org/wiki/V_Constitutional_Government_of_Portugal"},{"titulo":"Maria de Lourdes Ruivo da Silva Matos Pintasilgo – nota biográfica","editora":"Arquivo Maria de Lourdes Pintasilgo / Fundação Cuidar o Futuro","url":"https://www.arquivopintasilgo.pt/arquivopintasilgo/Site/Categoria2.aspx?cat=33"},{"titulo":"Biografia de Maria de Lurdes Pintassilgo","editora":"RTP Ensina","url":"https://ensina.rtp.pt/artigo/biografia-de-maria-de-lurdes-pintassilgo/"},{"titulo":"Maria de Lourdes Pintasilgo (Q235916)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q235916"},{"titulo":"Morreu a escritora Maria Velho da Costa, uma das autoras das Novas Cartas Portuguesas (23/5/2020)","editora":"Observador","url":"https://observador.pt/2020/05/23/morreu-a-escritora-maria-velho-da-costa-uma-das-autora-das-novas-cartas-portuguesas/"}],"por_confirmar":["A data em que assumiu a presidência da Comissão para a Política Social relativa à Mulher (novembro de 1973, segundo a Wikipédia).","Se foi a primeira mulher ministra em Portugal, como é muitas vezes dito: nem o Arquivo Pintasilgo nem a Wikipédia o afirmam.","A data exata da posse como secretária de Estado (maio de 1974).","Um lugar de Lisboa com morada documentada ligado à sua ação nos anos 1970 (o ministério, a Comissão da Condição Feminina)."]},{"id":"maria-guardiola","nome":"Maria Guardiola","nome_completo":"Maria Baptista dos Santos Guardiola","nascimento":{"data":"1895-01-13","local":"Bragança (Sé)"},"morte":{"data":"1987-09-27","local":"Lisboa (São Sebastião da Pedreira)"},"mulher":true,"papeis":["professora de Matemática","reitora do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho (1928-1946)","deputada à Assembleia Nacional","dirigente da Obra das Mães e da Mocidade Portuguesa Feminina"],"resumo":"Professora de Matemática e reitora do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, foi uma das três primeiras mulheres eleitas deputadas, em 1934, e uma figura central das organizações femininas do Estado Novo.","texto":"Nasceu em Bragança em 1895. Licenciou-se em Matemática em 1920 e ensinou nos principais liceus femininos do país; foi reitora do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho de 1928 a 1946.\n\nNas eleições de 16 de dezembro de 1934 entrou para a Assembleia Nacional com Domitila de Carvalho e Maria Cândida Parreira: foram as três primeiras mulheres deputadas em Portugal. Foi deputada nas I, II, III e V legislaturas e ocupou durante muitos anos cargos de direção na Obra das Mães e na Mocidade Portuguesa Feminina. O «Dicionário no Feminino» chama-lhe «uma das mulheres mais importantes e emblemáticas do Estado Novo».\n\nA sua presença mostra a outra face desta história: não foi a República que abriu às mulheres as portas do parlamento, foi a ditadura, ainda que de forma muito condicionada. Para as investigadoras Susana Fontes e Sónia Coelho, foi uma estratégia de Salazar, que via na mulher «um meio necessário para edificar e propagar a ideologia do Estado Novo». Morreu em Lisboa em 1987, aos 92 anos.","lugares":[{"lugar":"liceu-maria-amalia-vaz-de-carvalho","papel":"Reitora (1928-1946)"},{"lugar":"assembleia-da-republica","papel":"Deputada à Assembleia Nacional (1935)"}],"wikidata":"Q10325737","fontes":[{"titulo":"Um olhar sobre a participação feminina na Assembleia Nacional: a deputada Virgínia Faria Gersão (Faces de Eva, n.º 47)","editora":"Susana Fontes e Sónia Coelho / Faces de Eva (SciELO Portugal)","url":"https://scielo.pt/pdf/eva/n47/0874-6885-eva-47-77.pdf"},{"titulo":"Maria Baptista dos Santos Guardiola","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Baptista_dos_Santos_Guardiola"},{"titulo":"O voto das mulheres em Portugal (Irene Flunser Pimentel, 29/9/2013)","editora":"jugular (blogue, SAPO)","url":"https://jugular.blogs.sapo.pt/3620156.html"}],"por_confirmar":["As legislaturas em que foi deputada: a I, a II, a III e a V, segundo a revista Faces de Eva; a Wikipédia diz que o foi de 1935 a 1945."]},{"id":"maria-isabel-barreno","nome":"Maria Isabel Barreno","nome_completo":"Maria Isabel Barreno de Faria Martins","nascimento":{"data":"1939-07-10","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"2016-09-03"},"mulher":true,"papeis":["escritora","investigadora","coautora das «Novas Cartas Portuguesas»","cofundadora do Movimento de Libertação das Mulheres"],"resumo":"Escritora e investigadora, uma das «Três Marias». Julgada pelas «Novas Cartas Portuguesas» e absolvida a 7 de maio de 1974, viu a maior consequência do processo na Constituição: a igualdade de todos, «sem distinção de raça, sexo ou religião».","texto":"Nasceu em Lisboa a 10 de julho de 1939, filha de um comandante da Marinha Mercante e de uma doméstica. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras em 1962 e foi investigadora no Instituto Nacional de Investigação Industrial, onde conheceu o mundo do trabalho e viu as mulheres «empurradas para a invisibilidade». Uma empregada da limpeza do serviço onde trabalhava morreu ao fazer o seu vigésimo quarto aborto caseiro.\n\nEm 1970 publicou «Os Outros Legítimos Superiores», em que denunciava o silêncio simbólico imposto às mulheres. Com Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa escreveu as «Novas Cartas Portuguesas», que a Estúdios Cor publicou em abril de 1972 e a censura apreendeu dias depois. As três foram julgadas no Tribunal da Boa-Hora a partir de 25 de outubro de 1973, com o editor Romeu de Melo; Maria Lamas foi testemunha de defesa de Barreno. A 7 de maio de 1974 foram absolvidas, e o seu advogado, Duarte Vidal, disse ao Diário de Lisboa que a magistratura ficara «dignificada» com a sentença.\n\nDo 25 de Abril, recordava «a libertação dum peso que nos esmagava». E para ela a consequência mais importante do processo, e da atenção internacional que trouxe, estava na nova Constituição: a igualdade de direitos de todos os cidadãos, «sem distinção de raça, sexo ou religião». Esteve na fundação do Movimento de Libertação das Mulheres, em 1974.\n\nPublicou romances, contos e ensaios — «A Morte da Mãe», começado antes das Novas Cartas, «Crónica do Tempo», prémio Fernando Namora — e foi chefe de redação da revista Marie Claire de 1990 a 1993. Morreu a 3 de setembro de 2016, aos 77 anos.","lugares":[{"lugar":"boa-hora","papel":"Julgada e absolvida no processo das Novas Cartas Portuguesas (de 25 de outubro de 1973 a 7 de maio de 1974)"},{"lugar":"parque-eduardo-vii","papel":"Cofundadora do MLM, que organizou a manifestação de 1975 (13 de janeiro de 1975)"}],"wikidata":"Q443726","fontes":[{"titulo":"Morreu Maria Isabel Barreno, feroz defensora dos direitos das mulheres (3/9/2016)","editora":"Observador","url":"https://observador.pt/2016/09/03/morreu-maria-isabel-barreno-uma-das-tres-marias/"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"«Novas Cartas Portuguesas» – Julgamento secreto (Diário de Lisboa, 25/10/1973)","editora":"Hemeroteca Municipal de Lisboa – Livros que foram notícia","url":"https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/LivrosQueForamNoticia/NovasCartasPortuguesas/DiariodeLisboa_25Out1973_0001.pdf"},{"titulo":"«As Três Marias foram absolvidas» / «Absolvição para as Novas Cartas Portuguesas» (Diário de Lisboa, 8 de maio de 1974)","editora":"Hemeroteca Municipal de Lisboa – Livros que foram notícia","url":"https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/LivrosQueForamNoticia/NovasCartasPortuguesas/DiariodeLisboa_04Mai1974_0001_0017.pdf"},{"titulo":"Novas Cartas Portuguesas","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/novas-cartas-portuguesas/"},{"titulo":"Movimento de Libertação das Mulheres","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_de_Liberta%C3%A7%C3%A3o_das_Mulheres"},{"titulo":"Maria Lamas, a ativista pelos direitos das mulheres (Virgínia Baptista, IHC – NOVA FCSH)","editora":"RUN – Repositório da Universidade Nova de Lisboa","url":"https://run.unl.pt/server/api/core/bitstreams/632717b4-c6c1-46e1-8dfb-020e2ddd1e26/content"},{"titulo":"Maria Isabel Barreno","editora":"MDM – Movimento Democrático de Mulheres","url":"https://www.mdm.org.pt/maria-isabel-barreno/"},{"titulo":"Itinerário «Novas Cartas Portuguesas»","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/evento/novas-cartas-portuguesas-itinerario-2/"},{"titulo":"“As três Marias foram absolvidas”","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/05/07/as-tres-marias-foram-absolvidas/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"Processo “Novas Cartas Portuguesas”","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/10/25/processo-novas-cartas-portuguesas/"},{"titulo":"Maria Isabel Barreno","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Isabel_Barreno"},{"titulo":"Novas Cartas Portuguesas","editora":"Wikipédia (ponto de partida)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Novas_Cartas_Portuguesas"}],"por_confirmar":["A data de nascimento: 10 de julho de 1939 (MDM, Wikipédia, Wikidata) ou 7 de outubro de 1939 (Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril).","O local da morte: o Observador refere a cremação no cemitério dos Olivais, sem dizer onde morreu.","Se esteve na manifestação do MLM no Parque Eduardo VII, a 13 de janeiro de 1975 (as fontes lidas nomeiam-na como fundadora do movimento, não como manifestante nesse dia)."]},{"id":"maria-jose-morgado","nome":"Maria José Morgado","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1951-06-27"},"morte":null,"mulher":true,"papeis":["estudante de Direito","militante do MRPP","presa política","magistrada do Ministério Público"],"resumo":"Estudante de Direito e militante do MRPP, foi presa pela PIDE a 22 de outubro de 1973, interrogada na sede da Rua António Maria Cardoso e torturada em Caxias. Já magistrada do Ministério Público, voltou em 2005 à porta do edifício para pedir que fosse preservado.","texto":"Nasceu em 1951 e estudou na Faculdade de Direito de Lisboa. Militante do MRPP, fazia parte de um grupo de estudantes antifascistas que se reunia, distribuía panfletos, se manifestava contra a guerra colonial e deixava as suas posições escritas nas paredes. «Não tínhamos meios de espécie nenhuma, nem pistolas, nem bombas», recordou. Aos 19 anos passou à clandestinidade: um mandado de captura acusava-a de «gravíssimos crimes contra a segurança do Estado». Em fevereiro de 1972 foi suspensa da faculdade «por distúrbios», com José António Ribeiro Santos e José Galamba de Oliveira.\n\nFoi presa a 22 de outubro de 1973 — uma «belíssima manhã», recordou —, com pouco mais de 20 anos. Agentes da PIDE foram buscá-la à casa onde se acolhia, perto da Feira da Ladra, e levaram-na para a sede da polícia política, na Rua António Maria Cardoso. No andar dos interrogatórios — a «fase de instrução», no eufemismo da polícia — foi esbofeteada várias vezes e humilhada. No Forte de Caxias, a «instrução» continuou com cinco dias de tortura do sono e espancamentos com cavalo-marinho.\n\nEntrou na magistratura do Ministério Público em 1979. Em março de 2005, numa das visitas guiadas que a Biblioteca-Museu República e Resistência organizava à porta do antigo edifício da PIDE, recordou ali a prisão e defendeu que o lugar devia ser preservado: «Esta não é uma memória de folclore. Um ex-preso político não é um marciano.»","lugares":[{"lugar":"sede-pide","papel":"Interrogada, esbofeteada e humilhada na sede; em 2005 deu testemunho à porta do edifício (outubro de 1973)"},{"lugar":"caxias","papel":"Cinco dias de tortura do sono e espancamentos (outubro de 1973)"},{"lugar":"cidade-universitaria","papel":"Suspensa da Faculdade de Direito, com Ribeiro Santos (fevereiro de 1972)"}],"wikidata":"Q10325927","fontes":[{"titulo":"À soleira da porta da Pide","editora":"Jornal de Notícias (13/3/2005)","url":"https://www.jn.pt/arquivo/artigo/a-soleira-da-porta-da-pide-/497876"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo)","editora":"Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa","url":"https://revistas.ucp.pt/index.php/lusitaniasacra/article/download/7084/6861"},{"titulo":"Maria José Capelo Rodrigues Morgado","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/presos/maria-jose-capelo-rodrigues-morgado"}],"por_confirmar":["O dia de nascimento, 27 de junho de 1951, só aparece na Wikidata; a CIG dá apenas o ano, e nenhuma das fontes diz onde nasceu.","Quanto tempo esteve presa e se só foi libertada com o 25 de Abril.","O andar dos interrogatórios: «o quarto andar», no relato ao Jornal de Notícias; o terceiro piso, segundo as outras fontes sobre a sede da PIDE — talvez uma diferença na maneira de contar os pisos."]},{"id":"maria-lamas","nome":"Maria Lamas","nome_completo":"Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas","nascimento":{"data":"1893-10-06","local":"Torres Novas"},"morte":{"data":"1983-12-06","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["jornalista","escritora","presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1945–1947)","presidente da Associação Feminina Portuguesa para a Paz","presa política"],"resumo":"Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.","texto":"Nasceu em Torres Novas a 6 de outubro de 1893. Mãe de três filhas e divorciada, viveu do jornalismo: nos anos 1920 entrou na Agência Americana de Notícias com o apoio de Virgínia Quaresma, e foi uma das primeiras jornalistas profissionais do país. Publicou o primeiro livro, de versos, em 1923, e escreveu também para crianças, às vezes como «Rosa Silvestre».\n\nEm 1928, a convite de Ferreira de Castro, passou a dirigir «Modas e Bordados», o suplemento de O Século, escrito «de mulher para mulher». Em 1930 organizou no jornal a exposição «Mulheres Portuguesas», sob o lema «Sejamos inteligentemente mulheres». Presidiu à Associação Feminina Portuguesa para a Paz e, a partir de julho de 1945, ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Assinar as listas do MUD Juvenil, nesse ano, foi para ela o primeiro ato político: «Ao fazê-lo, saí do anonimato».\n\nEm janeiro de 1947, o Conselho juntou na Sociedade Nacional de Belas-Artes três mil livros escritos por mulheres. Pressionado por Salazar, o diretor d'O Século obrigou-a a escolher entre o jornal e o Conselho; escolheu o Conselho, que a polícia fechou a 28 de junho desse ano. Respondeu percorrendo o país: «As Mulheres do Meu País», publicado em fascículos entre 1948 e 1950, é uma grande reportagem sobre a vida e o trabalho das mulheres portuguesas.\n\nEm 1949, numa sessão da candidatura de Norton de Matos, perguntou: «Será que o Estado Novo tem medo da consciência esclarecida da mulher?» Foi presa várias vezes e levada para Caxias. Na prisão de 1950, que durou seis meses, escreveu as «Cartas Políticas», e ficou-lhe uma frase: «Olhei à minha volta e comecei a reparar melhor nas outras mulheres: umas resignadas e heróicas na sua coragem e silêncio.» Em dezembro de 1953 foi presa no aeroporto, quando voltava de uma reunião do Conselho Mundial da Paz. Exilou-se em Paris de 1962 a 1969, a apoiar os refugiados portugueses.\n\nA 1 de março de 1974, aos oitenta anos, depôs no Tribunal da Boa-Hora como testemunha de defesa de Maria Isabel Barreno, uma das «Três Marias». Depois do 25 de Abril foi presidente honorária do Movimento Democrático de Mulheres e diretora honorária de «Mulher – Modas e Bordados». Morreu em Lisboa em 1983.","lugares":[{"lugar":"o-seculo","papel":"Dirigiu a revista Modas e Bordados no jornal O Século e organizou ali a exposição de 1930 (1928/1930–1947)"},{"lugar":"boa-hora","papel":"Testemunha abonatória de Maria Alda Nogueira no Tribunal Plenário (22 de outubro de 1960)"},{"lugar":"afpp-sede","papel":"Presidente da Associação Feminina Portuguesa para a Paz (1938)"},{"lugar":"cnmp-restauradores","papel":"Presidente da direção do CNMP (1945)"},{"lugar":"snba","papel":"Organizou a Exposição de Livros Escritos por Mulheres (4 de janeiro de 1947)"},{"lugar":"cnmp-amoreiras","papel":"Viu a sede do CNMP fechada pela polícia (28 de junho de 1947)"},{"lugar":"caxias","papel":"Presa e mantida em isolamento (1949)"},{"lugar":"aeroporto","papel":"Presa pela PIDE no aeroporto, ao regressar de uma reunião do Conselho Mundial da Paz (20 de dezembro de 1953)"},{"lugar":"padaria-do-povo","papel":"Presidente honorária do MDM, fundado numa assembleia na Padaria do Povo (1975)"},{"lugar":"voz-do-operario","papel":"Comício da candidatura de Norton de Matos (10 de fevereiro de 1949)"}],"wikidata":"Q10325967","fontes":[{"titulo":"Maria Lamas, a ativista pelos direitos das mulheres (Virgínia Baptista, IHC – NOVA FCSH)","editora":"RUN – Repositório da Universidade Nova de Lisboa","url":"https://run.unl.pt/server/api/core/bitstreams/632717b4-c6c1-46e1-8dfb-020e2ddd1e26/content"},{"titulo":"Maria Lamas e As Mulheres do Meu País ou a deslocalização de uma intelectual (Teresa Joaquim, CEMRI)","editora":"Repositório Aberto da Universidade Aberta","url":"https://repositorioaberto.uab.pt/server/api/core/bitstreams/04e4e494-840a-4be3-88c7-d18649499a9f/content"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Maria Lamas","editora":"MDM – Movimento Democrático de Mulheres","url":"https://mdm.org.pt/maria-lamas/"},{"titulo":"Maria Lamas (18/7/2024)","editora":"Museu do Aljube – Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/en/2024/07/18/maria-lamas-4/"},{"titulo":"Um olhar sobre a vida de Maria Lamas","editora":"Gerador","url":"https://gerador.eu/perfil-maria-lamas/"},{"titulo":"Maria Lamas","editora":"Wikipédia (inglês)","url":"https://en.wikipedia.org/wiki/Maria_Lamas"},{"titulo":"Maria Lamas, a mulher que desafiou o Estado Novo (Ana Sofia Paiva, 27/5/2019)","editora":"FCSH+Lisboa – NOVA FCSH","url":"https://maislisboa.fcsh.unl.pt/maria-lamas-a-mulher-que-desafiou-o-estado-novo/"},{"titulo":"As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/iniciativas/as-mulheres-do-meu-pais-maria-lamas/"},{"titulo":"Maria Lamas","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/07/18/maria-lamas-3/"},{"titulo":"Maria Lamas","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/10/20/maria-lamas/"},{"titulo":"Dia Internacional da Mulher","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2026/03/08/dia-internacional-da-mulher/"},{"titulo":"Maria Lamas","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Lamas"},{"titulo":"Candidatura de Norton de Matos [...] comício de Lisboa (Voz do Operário). Maria Lamas, Manuel João da Palma Carlos e Cesina Bermudes – fotografia (cota 04654.000.026)","editora":"Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso","url":"https://casacomum.org/visualizador?cota=04654.000.026"},{"titulo":"Novas Cartas Portuguesas","editora":"Wikipédia (ponto de partida)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Novas_Cartas_Portuguesas"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"Maria Lamas: uma Mulher do seu País (6/12/2023)","editora":"A Voz do Operário","url":"https://vozoperario.pt/jornal/2023/12/06/maria-lamas-uma-mulher-do-seu-pais/"},{"titulo":"A Rua Maria Lamas no 120º aniversário da escritora","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2013/10/03/rua-maria-lamas-no-seu-1893/"},{"titulo":"Ser mulher em Lisboa: a associação que agitou o regime no século XX (Ana Sofia Paiva, 8/3/2019)","editora":"FCSH+Lisboa – NOVA FCSH","url":"https://maislisboa.fcsh.unl.pt/ser-mulher-em-lisboa-a-associacao-que-agitou-o-regime-no-seculo-xx/"}],"por_confirmar":["As datas das prisões: quatro (1949, 1950, 1951 e 1953) segundo Virgínia Baptista; três, entre 1949 e 1962, segundo o Museu do Aljube; 1949, 1953 e 1962 segundo a Wikipédia.","O início em «Modas e Bordados»: 1928 (Virgínia Baptista; Wikipédia) ou 1930 (CIG); o MDM dá abril de 1929 para a entrada n'O Século.","O número de fascículos de «As Mulheres do Meu País»: 15 (Virgínia Baptista) ou 24 (Teresa Joaquim).","As datas dos exílios: Virgínia Baptista dá 1953, 1956–1957 e 1961–1969; o MDM dá a Madeira entre o fim de 1957 e 1959 e Paris de junho de 1962 a 3/12/1969.","A data da morte (6/12/1983) só foi lida no Wikidata.","Que o aeroporto onde foi presa em dezembro de 1953 é o de Lisboa: o MDM escreve só «no Aeroporto»."]},{"id":"maria-lourenca-cabecinha","nome":"Maria Lourença Cabecinha","nome_completo":"Maria Lourença Calção Cabecinha","nascimento":{"data":"1933-03-17","local":"São Romão, Montemor-o-Novo"},"morte":{"data":"2022-01-07"},"mulher":true,"papeis":["trabalhadora rural","funcionária clandestina do PCP","presa política"],"resumo":"Trabalhadora rural alentejana e funcionária clandestina do PCP, foi presa em 1964. Em Caxias sofreu interrogatórios penosos e tortura psicológica, e estudou com outras presas, entre elas Alda Nogueira.","texto":"Nasceu a 17 de março de 1933 em São Romão, Montemor-o-Novo, filha de trabalhadores rurais. Começou a trabalhar no campo aos 12 anos e aderiu ao PCP em 1948, aos 15. Em 1952 passou a funcionária do partido e foi viver na clandestinidade com o marido, António Gervásio, e o filho de três meses, que aos três anos foi entregue aos avós.\n\nQuando o marido voltou a ser preso, em 1963, manteve-se na clandestinidade. Foi presa em julho de 1964. No Forte de Caxias foi sujeita a interrogatórios penosos, a tortura psicológica, à falta de cuidados médicos e a discriminações, «mas nunca torturada». Na prisão estudou Português e Francês com Fernanda Paiva Tomás, Matemática e Geografia com Alda Nogueira, e higiene, saúde e cuidados materno-infantis com Julieta Gandra.\n\nEm janeiro de 1965 foi condenada a dois anos e dez meses de prisão maior e a medidas de segurança, que começou a cumprir em 1967. Libertada em setembro de 1969, voltou à clandestinidade em julho de 1970 e assim ficou até 28 de maio de 1974. Morreu em 2022.","lugares":[{"lugar":"caxias","papel":"Presa em Caxias de 1964 a 1969, onde estudou com Fernanda Paiva Tomás, Alda Nogueira e Julieta Gandra (julho de 1964)"}],"wikidata":"Q110501194","fontes":[{"titulo":"Maria Lourença Cabecinha (testemunho e biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/maria-lourenco-cabecinha/"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"}],"por_confirmar":["A data da morte, 7 de janeiro de 2022, só a Wikidata a dá."]},{"id":"maria-o-neill","nome":"Maria O'Neill","nome_completo":"Maria da Conceição Infante de Lacerda Pereira de Eça Custance O'Neill","nascimento":{"data":"1873-11-19","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"1932-03-23","local":"No mar, a bordo do vapor «General Osório», perto de Cabo Verde"},"mulher":true,"papeis":["escritora e poetisa","jornalista","dirigente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas","autora da tese «O voto às mulheres» (1928)"],"resumo":"Escritora e jornalista lisboeta, foi uma das figuras do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas nos anos 1920 e levou ao II Congresso Feminista e de Educação, em 1928, a tese «O voto às mulheres».","texto":"Nasceu em Lisboa a 19 de novembro de 1873. Escritora, poetisa e jornalista, assinou também como Lina Marville e colaborou em revistas como «Brasil-Portugal», «Ilustração Portuguesa» e «Alma Feminina».\n\nEm 1920 apresentou na Associação dos Caixeiros a tese «A ferocidade do egoísmo» e tornou-se uma das figuras do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, onde presidiu às comissões de Assistência Social, do Trabalho e das Ligas de Bondade. No I Congresso Feminista e de Educação, em 1924, apresentou as teses «Assistência e trabalho» e «As ligas de bondade»; no segundo, em 1928, «O voto às mulheres». Aparece na fotografia da direção do Conselho ao tempo desse segundo congresso.\n\nMorreu em 1932, em alto mar, a bordo do vapor alemão «General Osório», dois dias depois de iniciar a viagem de regresso do Brasil a Portugal, e foi sepultada no mar.","lugares":[{"lugar":"palacio-vagos","papel":"Apresentou duas teses no I Congresso Feminista e de Educação (maio de 1924)"},{"lugar":"cnmp-restauradores","papel":"Dirigente do CNMP (1920-1932); na comissão organizadora do I Congresso Feminista e de Educação, que recebia aqui as teses e a correspondência (1924)"}],"wikidata":"Q6761467","fontes":[{"titulo":"Maria O'Neill","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_O%27Neill"},{"titulo":"[2502.] Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas || Direcção - 1928","editora":"Silêncios e Memórias (blogue)","url":"https://silenciosememorias.blogspot.com/2021/02/3012-conselho-nacional-das-mulheres.html"},{"titulo":"Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_Nacional_das_Mulheres_Portuguesas"},{"titulo":"Primeiro Congresso Feminista e de Educação (brochura de divulgação, com a comissão organizadora, as teses e o regulamento)","editora":"Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas — Arquivo de História Social (ICS-ULisboa), Espólio Pinto Quartin","url":"https://ahsocial.ics.ulisboa.pt/primeiro-congresso-feminista-e-de-educacao-conselho-nacional-das-mulheres-portuguesas-lisboa-s-n-1924"}],"por_confirmar":["O dia da morte: 23 de março de 1932 (Wikipédia) ou 21 de março (Silêncios e Memórias).","O lugar da morte: «perto de Cabo Verde», segundo o corpo do artigo da Wikipédia, ou «costa brasileira», segundo o início do mesmo artigo; o Silêncios e Memórias diz apenas «no Oceano Atlântico».","A morada onde viveu em Lisboa, que as fontes não dão."]},{"id":"maria-teresa-carcomo-lobo","nome":"Maria Teresa Cárcomo Lobo","nome_completo":"Maria Teresa de Almeida Rosa Cárcomo Lobo","nascimento":{"data":"1929-02-18","local":"Malanje (Angola)"},"morte":{"data":"2018-12-08","local":"Rio de Janeiro (Brasil)"},"mulher":true,"papeis":["jurista","subsecretária de Estado da Saúde e Assistência (1970–1973)","deputada à Assembleia Nacional","juíza federal no Rio de Janeiro"],"resumo":"Primeira mulher a integrar um governo em Portugal: Marcelo Caetano nomeou-a em agosto de 1970 subsecretária de Estado da Saúde e Assistência, e a sua imagem correu como prova da «abertura» marcelista. Ficou no cargo até novembro de 1973.","texto":"Nasceu em Malanje, em Angola, a 18 de fevereiro de 1929, e era de origem indiana. Licenciada em Direito, foi docente em Macau, passou por Moçambique e chefiou o gabinete de Estudos Económicos e Financeiros do Banco Nacional Ultramarino.\n\nEm agosto de 1970, Marcelo Caetano nomeou-a subsecretária de Estado da Saúde e Assistência: foi a primeira mulher a fazer parte de um governo em Portugal. O vespertino A Capital deu a notícia a 20 de agosto, com o título «Uma senhora (pela primeira vez) membro do Governo». Tomou posse no Palácio de Belém e ficou no governo até à remodelação de novembro de 1973. A sua imagem, recordou em 2018 o embaixador Francisco Seixas da Costa, «encheu então os jornais e a televisão», como uma «prova» da «abertura» marcelista. Foi também deputada à Assembleia Nacional, onde presidiu à Comissão de Saúde e Assistência.\n\nDepois do 25 de Abril mudou-se para o Brasil, onde foi juíza federal no Rio de Janeiro até se aposentar, em 1999. Morreu no Rio de Janeiro a 8 de dezembro de 2018, aos 89 anos.","lugares":[],"wikidata":"Q59738810","fontes":[{"titulo":"Morreu a primeira mulher a integrar um Governo em Portugal (14/12/2018)","editora":"Observador","url":"https://observador.pt/2018/12/14/morreu-a-primeira-mulher-a-integrar-um-governo-em-portugal/"},{"titulo":"Maria Teresa Cárcomo Lobo","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_C%C3%A1rcomo_Lobo"}],"por_confirmar":["O dia da tomada de posse, em agosto de 1970: a nomeação foi notícia n’A Capital a 20 de agosto.","Em que legislatura foi deputada à Assembleia Nacional (o Observador não o diz, e a Wikipédia confunde-o com a nomeação para o governo)."]},{"id":"maria-teresa-horta","nome":"Maria Teresa Horta","nome_completo":"Maria Teresa de Mascarenhas Horta","nascimento":{"data":"1937-05-20","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"2025-02-04","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["poeta","jornalista","uma das «Três Marias»","coautora das Novas Cartas Portuguesas","cofundadora do MLM"],"resumo":"Poeta e jornalista, uma das «Três Marias». A PIDE apreendeu-lhe «Minha Senhora de Mim» e três homens espancaram-na na rua; com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa escreveu as «Novas Cartas Portuguesas», que as levaram a tribunal — e à absolvição, a 7 de maio de 1974.","texto":"Nasceu em Lisboa em 1937. Frequentou a Faculdade de Letras, dirigiu o ABC Cine-Clube e foi jornalista em muitos títulos — A Capital, Diário de Notícias, Diário de Lisboa, O Século, República, Seara Nova, Vértice.\n\nEm 1971 publicou «Minha Senhora de Mim», nos Cadernos de Poesia da Dom Quixote: poemas na forma das cantigas de amigo, a defender o direito das mulheres a viver a sua sexualidade. A PIDE apreendeu o livro por ofensa «da moral tradicional da nação», o secretário de Estado da Informação ameaçou fechar a editora de Snu Abecassis se voltasse a publicá-la, e a autora foi espancada na rua por três homens e levada ao Hospital de Santa Maria.\n\nNo dia seguinte havia o almoço semanal com Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno. Foi aí que Velho da Costa perguntou: «Se uma mulher sozinha causa toda esta confusão, este burburinho, este escândalo, o que aconteceria se fôssemos três?» As «Novas Cartas Portuguesas» saíram em 1972, a partir das cartas atribuídas a Mariana Alcoforado. A primeira edição foi destruída pela censura três dias depois, e as autoras acusadas de uma obra de «conteúdo insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública». Interrogadas separadamente, nunca disseram quem escrevera o quê. Simone de Beauvoir, Marguerite Duras, Doris Lessing e Iris Murdoch estiveram entre as vozes da campanha internacional de solidariedade.\n\nO julgamento começou a 25 de outubro de 1973 no Tribunal da Boa-Hora. A 7 de maio de 1974, já em liberdade, as três foram absolvidas. Segundo o Diário de Lisboa, saíram com cravos vermelhos ao peito, e Teresa Horta anunciou ali um movimento de libertação da mulher.\n\nEm 1975 publicou com Célia Metrass e Helena de Sá Medeiros «Aborto, direito ao nosso corpo», o primeiro livro sobre o aborto em Portugal. Militou no PCP entre 1975 e 1989 e foi chefe de redação da revista Mulheres; em 2022 foi feita grande-oficial da Ordem da Liberdade. Morreu em Lisboa a 4 de fevereiro de 2025, a última das Três Marias.","lugares":[{"lugar":"jornal-republica","papel":"Colaborou como jornalista no República (entre outros títulos)"},{"lugar":"boa-hora","papel":"Julgada e absolvida no processo das Novas Cartas Portuguesas (de 25 de outubro de 1973 a 7 de maio de 1974)"},{"lugar":"parque-eduardo-vii","papel":"Fundadora do MLM, que organizou a manifestação de 1975 (13 de janeiro de 1975)"},{"lugar":"sede-censura","papel":"Livro «Minha Senhora de Mim» apreendido pela PIDE; silêncio imposto pela censura à imprensa sobre o processo das Três Marias (1971)"}],"wikidata":"Q2624628","fontes":[{"titulo":"Novas Cartas Portuguesas","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/novas-cartas-portuguesas/"},{"titulo":"“As três Marias foram absolvidas”","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/05/07/as-tres-marias-foram-absolvidas/"},{"titulo":"Maria Teresa Horta (Q2624628)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q2624628"},{"titulo":"Morreu a escritora e poetisa Maria Teresa Horta, aos 87 anos (4/2/2025)","editora":"Observador","url":"https://observador.pt/2025/02/04/morreu-a-escritora-e-poetisa-maria-teresa-horta-aos-87-anos/"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"«As Três Marias foram absolvidas» / «Absolvição para as Novas Cartas Portuguesas» (Diário de Lisboa, 8 de maio de 1974)","editora":"Hemeroteca Municipal de Lisboa – Livros que foram notícia","url":"https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/LivrosQueForamNoticia/NovasCartasPortuguesas/DiariodeLisboa_04Mai1974_0001_0017.pdf"},{"titulo":"Movimento de Libertação das Mulheres","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_de_Liberta%C3%A7%C3%A3o_das_Mulheres"},{"titulo":"A manifestação feminista que não chegou a acontecer, 45 anos depois (Rafaela Cortez, 26/4/2020)","editora":"Comunidade Cultura e Arte","url":"https://comunidadeculturaearte.com/a-manifestacao-feminista-que-nao-chegou-a-acontecer-45-anos-depois/"},{"titulo":"Itinerário «Novas Cartas Portuguesas»","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/evento/novas-cartas-portuguesas-itinerario-2/"},{"titulo":"Novas Cartas Portuguesas","editora":"Wikipédia (ponto de partida)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Novas_Cartas_Portuguesas"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"Processo “Novas Cartas Portuguesas”","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/10/25/processo-novas-cartas-portuguesas/"},{"titulo":"Maria Teresa Horta","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Teresa_Horta"}],"por_confirmar":["A data da agressão na rua: o Museu do Aljube situa-a antes de maio de 1971; o Observador fala de violência «nas ruas», sem data nem local.","O advogado de defesa: Duarte Vidal, segundo a Wikipédia; o Diário de Lisboa de maio de 1974 chama «advogado de Maria Teresa Horta» ao «dr. Ataíde Ferreira» e dá Duarte Vidal como advogado de Maria Isabel Barreno."]},{"id":"maria-veleda","nome":"Maria Veleda","nome_completo":"Maria Carolina Frederico Crispim","nascimento":{"data":"1871","local":"Faro"},"morte":{"data":"1955-04-08","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["professora","escritora e jornalista","presidente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (desde 1911)","defensora do voto feminino sem restrições","fundadora da Obra Maternal"],"resumo":"Professora e jornalista de Faro, mãe solteira, deu aulas noturnas a mulheres analfabetas e dirigiu a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, defendendo o voto feminino sem restrições.","texto":"Maria Veleda é o pseudónimo de Maria Carolina Frederico Crispim, nascida em Faro em 1871. Colaborou em dezenas de jornais e revistas e viveu com dificuldades, como professora e mãe solteira. Em Lisboa foi professora regente no Centro Escolar Republicano Dr. Afonso Costa, na Calçada de Arroios, onde criou cursos noturnos gratuitos para ensinar mulheres a ler e a escrever.\n\nEm 1907 estava no Grupo Português de Estudos Feministas, e entrou na maçonaria com o nome simbólico de «Angústia». Foi sócia fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e, a partir de agosto de 1910, dirigiu o seu órgão, «A Mulher e a Criança», a que se seguiu «A Madrugada». Ao contrário de Ana de Castro Osório e de Carolina Beatriz Ângelo, que queriam o voto para as mulheres com estudos e que trabalhassem, defendia que só se devia aceitar o direito de voto se não tivesse restrições. Em 1911, quando Ana de Castro Osório saiu da Liga, passou a presidi-la.\n\nCom Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete e Carolina Beatriz Ângelo fundou a Obra Maternal, para acolher crianças abandonadas, que dirigiu e onde ensinou. Aderiu ao Partido Democrático e fundou a Associação Feminina de Propaganda Democrática, extinta em julho de 1916, com a formação da União Sagrada. Publicou o opúsculo «Emancipação Feminina» e as conferências reunidas em «A Conquista»; as suas memórias saíram em 1950 no jornal «República». Morreu em Lisboa a 8 de abril de 1955.","lugares":[{"lugar":"centro-escolar-afonso-costa","papel":"Cursos noturnos para mulheres analfabetas (1907)"},{"lugar":"liga-republicana-mulheres","papel":"Dirigiu a Liga e os seus jornais (1910-1919)"},{"lugar":"assembleia-da-republica","papel":"A Liga que presidia peticionou o voto ao Senado (9 de julho de 1912)"},{"lugar":"ruas-feministas-carnide","papel":"Dá nome à Rua Maria Veleda, em Carnide (edital de 1976) (19 de junho de 1976)"},{"lugar":"jornal-republica","papel":"As suas memórias saíram no jornal República (1950)"}],"wikidata":"Q10326110","fontes":[{"titulo":"Maria Veleda na urbanização das mulheres","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2013/05/06/maria-veleda-na-urbanizacao-das-mulheres/"},{"titulo":"Maria Veleda","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Veleda"},{"titulo":"A Mulher e a Criança. Órgão da Liga Republicana das Mulheres (ficha descritiva)","editora":"Almanaque Republicano (blogue)","url":"http://arepublicano.blogspot.com/2013/05/a-mulher-e-crianca-orgao-da-liga.html"},{"titulo":"O sufrágio feminino no Parlamento na 1.ª República (ComunicAR n.º 71, março de 2021)","editora":"Assembleia da República","url":"https://app.parlamento.pt/comunicar/v1/202103/71/artigos/art5.html"},{"titulo":"A feminista e republicana Ana de Castro Osório","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2012/11/06/a-feminista-e-republicana-ana-de-castro-osorio/"}],"por_confirmar":["O dia do nascimento: 26 de novembro de 1871 (Toponímia de Lisboa) ou 26 de fevereiro de 1871 (Wikipédia, que indica a Rua da Parreira, em Faro).","Se foi sócia fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (Toponímia de Lisboa) ou se aderiu em 1909 sem entrar na comissão organizadora, porque António José de Almeida a achava demasiado revolucionária (Wikipédia).","Se presidiu ao Grupo Português de Estudos Feministas em 1907, como diz a Toponímia de Lisboa: a Wikipédia di-la uma das fundadoras, e outras fontes dão a presidência a Ana de Castro Osório.","Até quando presidiu à Liga: segundo a Wikipédia, rompeu com ela em 1915, quando a Liga se declarou apartidária.","O ano do opúsculo «Emancipação Feminina»: 1906 (Toponímia de Lisboa) ou 1902 (Wikipédia)."]},{"id":"maria-velho-da-costa","nome":"Maria Velho da Costa","nome_completo":"Maria de Fátima de Bivar Velho da Costa","nascimento":{"data":"1938-06-26","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"2020-05-23","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["escritora","professora","coautora das «Novas Cartas Portuguesas»","Prémio Camões 2002"],"resumo":"Romancista de «Maina Mendes» e «Casas Pardas», foi ela quem lançou às outras duas Marias a pergunta que deu origem às «Novas Cartas Portuguesas». Recebeu o Prémio Camões em 2002.","texto":"Nasceu em Lisboa a 26 de junho de 1938, licenciou-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras e foi professora do ensino secundário. Em 1969 publicou «Maina Mendes», romance cuja protagonista perde a fala e reinventa uma nova.\n\nEm maio de 1971, no dia a seguir a Maria Teresa Horta ter sido espancada na rua por causa de um livro, as três amigas tinham o almoço da semana. Maria Velho da Costa lançou o mote: «Se uma mulher sozinha causa toda esta confusão, este burburinho, este escândalo, o que aconteceria se fôssemos três?» Daí nasceram as «Novas Cartas Portuguesas» (1972), escritas com Horta e Maria Isabel Barreno, apreendidas pela censura e levadas a tribunal.\n\nNo primeiro dia do julgamento, a 25 de outubro de 1973, no Tribunal da Boa-Hora, trocou o advogado António Alçada Baptista por Francisco de Sousa Tavares. As três foram absolvidas a 7 de maio de 1974.\n\nDepois da revolução foi a primeira mulher a presidir à Associação Portuguesa de Escritores, adjunta do secretário de Estado da Cultura no governo de Maria de Lourdes Pintasilgo, leitora no King's College de Londres (1980–1987) e adida cultural em Cabo Verde. Recebeu o Prémio Camões em 2002. Morreu em casa, em Lisboa, a 23 de maio de 2020.","lugares":[{"lugar":"boa-hora","papel":"Julgada e absolvida no processo das Novas Cartas Portuguesas (de 25 de outubro de 1973 a 7 de maio de 1974)"}],"wikidata":"Q736900","fontes":[{"titulo":"Morreu a escritora Maria Velho da Costa, uma das autoras das Novas Cartas Portuguesas (23/5/2020)","editora":"Observador","url":"https://observador.pt/2020/05/23/morreu-a-escritora-maria-velho-da-costa-uma-das-autora-das-novas-cartas-portuguesas/"},{"titulo":"Maria Velho da Costa (1938-2020)","editora":"Imprensa Nacional","url":"https://imprensanacional.pt/maria-velho-da-costa-1938-2020/"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"«Novas Cartas Portuguesas» – Julgamento secreto (Diário de Lisboa, 25/10/1973)","editora":"Hemeroteca Municipal de Lisboa – Livros que foram notícia","url":"https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/LivrosQueForamNoticia/NovasCartasPortuguesas/DiariodeLisboa_25Out1973_0001.pdf"},{"titulo":"Novas Cartas Portuguesas","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/novas-cartas-portuguesas/"},{"titulo":"Processo “Novas Cartas Portuguesas”","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/10/25/processo-novas-cartas-portuguesas/"},{"titulo":"Maria Velho da Costa","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Velho_da_Costa"},{"titulo":"Novas Cartas Portuguesas","editora":"Wikipédia (ponto de partida)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Novas_Cartas_Portuguesas"},{"titulo":"Itinerário «Novas Cartas Portuguesas»","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/evento/novas-cartas-portuguesas-itinerario-2/"},{"titulo":"“As três Marias foram absolvidas”","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/05/07/as-tres-marias-foram-absolvidas/"},{"titulo":"«As Três Marias foram absolvidas» / «Absolvição para as Novas Cartas Portuguesas» (Diário de Lisboa, 8 de maio de 1974)","editora":"Hemeroteca Municipal de Lisboa – Livros que foram notícia","url":"https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/LivrosQueForamNoticia/NovasCartasPortuguesas/DiariodeLisboa_04Mai1974_0001_0017.pdf"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"}],"por_confirmar":["A data da morte: 23 de maio de 2020 (Observador, notícia do próprio dia); a síntese lida na página da Imprensa Nacional dava 25 de maio.","A Wikipédia diz que o pai, oficial de Infantaria, entrou em 1958 para os censores da comissão de censura de Lisboa; não se encontrou outra fonte."]},{"id":"mario-soares","nome":"Mário Soares","nome_completo":"Mário Alberto Nobre Lopes Soares","nascimento":{"data":"1924-12-07","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"2017-01-07","local":"Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["secretário-geral do Partido Socialista","primeiro-ministro do I Governo Constitucional (1976)"],"resumo":"Secretário-geral do PS, regressou do exílio a 28 de abril de 1974 e foi recebido por uma multidão em Santa Apolónia. Em 1975 enfrentou o PCP no caso República e no comício da Fonte Luminosa; em 1976 chefiou o I Governo Constitucional.","texto":"Nasceu em Lisboa em 1924. Em 1974 vivia exilado em França e era secretário-geral do Partido Socialista, fundado no ano anterior. A 25 de abril estava em Bona, a convite de Willy Brandt, e partiu para Paris quando o SPD o informou de que em Portugal eclodira um movimento militar.\n\nA 28 de abril chegou de comboio à estação de Santa Apolónia, com Maria Barroso, também fundadora do PS. Esperava-o uma multidão; Soares falou de uma varanda da estação, de altifalante em punho, e seguiu para o Palácio da Cova da Moura, para um encontro com o general Spínola. Dois dias depois esperou Álvaro Cunhal a poucos metros do avião, no aeroporto. No 1.º de Maio, os dois desfilaram da Alameda D. Afonso Henriques até ao estádio da FNAT, rebatizado Estádio 1.º de Maio, e no comício Soares abraçou Cunhal.\n\nEm maio de 1975, no caso do jornal República, o PS convocou uma manifestação para dia 22, acusando o PCP de estar na origem da crise. Soares disse então ao megafone: «o 25 de Abril foi feito para acabar com uma ditadura e não para nos vir impor outra». A 19 de julho, no comício da Fonte Luminosa, atacou diretamente o PCP, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves e a Intersindical.\n\nO PS venceu as eleições para a Assembleia Constituinte, a 25 de abril de 1975, e as primeiras legislativas, a 25 de abril de 1976. Em julho de 1976, Soares tomou posse como primeiro-ministro do I Governo Constitucional. Morreu em Lisboa em 2017.","lugares":[{"lugar":"santa-apolonia","papel":"Chegada do exílio (28 de abril de 1974)"},{"lugar":"cova-da-moura","papel":"Encontro com Spínola (28 de abril de 1974)"},{"lugar":"aeroporto","papel":"Esperou Álvaro Cunhal junto ao avião (30 de abril de 1974)"},{"lugar":"estadio-1-maio","papel":"Discursou no comício do 1.º de Maio (1 de maio de 1974)"},{"lugar":"jornal-republica","papel":"Manifestação do PS no caso República (22 de maio de 1975)"},{"lugar":"alameda-fonte-luminosa","papel":"Comício da Fonte Luminosa (19 de julho de 1975)"}],"wikidata":"Q156781","fontes":[{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/Artigos/APP_CX22_48_CRONOLOGIA%20DO%2025%20DE%20ABRIL_Jofre%20Alves.pdf"},{"titulo":"O regresso dos exilados","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/bdh-o-pos-25-de-abril-de-1974/p25a-o-regresso-dos-exilados/"},{"titulo":"O caso República","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/imprensa-e-revolucao/o-caso-republica/"},{"titulo":"Escalada de tensão e crise político-militar (julho–agosto de 1975)","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/verao-quente-de-1975/escalada-tensao-crise-politico-militar-julho-agosto/"},{"titulo":"A construção da democracia (1974-1976)","editora":"Assembleia da República – Comunicar","url":"https://app.parlamento.pt/comunicar/v1/202104/72/artigos/art2.html"},{"titulo":"Mário Soares (Q156781)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q156781"}],"por_confirmar":["Os dias de nascimento (7 de dezembro de 1924) e de morte (7 de janeiro de 2017) vêm só da Wikidata."]},{"id":"militao-ribeiro","nome":"Militão Ribeiro","nome_completo":"Militão Bessa Ribeiro","nascimento":{"data":"1896-08-13","local":"Murça"},"morte":{"data":"1950-01-02","local":"Lisboa (Penitenciária de Lisboa)"},"mulher":false,"papeis":["operário têxtil","dirigente do PCP","preso político, deportado para o Tarrafal"],"resumo":"Dirigente comunista, esteve no grupo de presos que inaugurou o Tarrafal em 1936. Preso de novo em 1949, com Álvaro Cunhal e Sofia Ferreira, morreu em isolamento na Penitenciária de Lisboa, em greve de fome, a 2 de janeiro de 1950.","texto":"Nasceu em Murça a 13 de agosto de 1896. Emigrou aos 13 anos para o Brasil, onde foi operário têxtil e dirigente sindical. No início dos anos 1930 foi repatriado para Portugal e aderiu ao PCP.\n\nPreso em julho de 1934, foi condenado pelo Tribunal Militar Especial e passou pelas prisões de Peniche e de Angra do Heroísmo. Em outubro de 1936 fez parte do grupo de presos que inaugurou o campo de concentração do Tarrafal, em Cabo Verde. Libertado por amnistia em 1940, voltou a ser preso em novembro de 1942, no Aljube, e em 1944 foi reenviado para o Tarrafal.\n\nA 25 de março de 1949, a PIDE prendeu-o numa casa clandestina no Luso, com Álvaro Cunhal e Sofia Ferreira. A 10 de maio foi transferido, doente, para a Penitenciária de Lisboa, onde ficou nove meses em rigoroso isolamento, sem assistência médica digna desse nome. Em cartas escritas dois meses antes de morrer, acusava a PIDE de «envenenamento». Fez greve de fome em protesto e morreu na prisão a 2 de janeiro de 1950.","lugares":[{"lugar":"aljube","papel":"Preso no Aljube de Lisboa (novembro de 1942)"},{"lugar":"penitenciaria-lisboa","papel":"Isolamento, greve de fome e morte (2 de janeiro de 1950)"},{"lugar":"tarrafal","papel":"Deportado no primeiro grupo de presos (1936) e de novo em 1944 (outubro de 1936)"}],"wikidata":"Q6857915","fontes":[{"titulo":"Militão Bessa Ribeiro (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/militao-bessa-ribeiro-2/"},{"titulo":"Prisão de Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/03/25/prisao-de-alvaro-cunhal-militao-ribeiro-e-sofia-ferreira/"},{"titulo":"Os que ficaram pelo caminho (lista, páginas 1 a 7)","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/os-que-ficaram-pelo-caminho"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"}],"por_confirmar":["O dia da morte: 2 de janeiro de 1950, segundo o Museu do Aljube e a Memória Comum, que diz que entrou em coma nessa manhã; 3 de janeiro, segundo a Wikidata.","A idade à morte: o Museu do Aljube diz 54 anos, mas as datas que dá (13 de agosto de 1896 e 2 de janeiro de 1950) fazem 53."]},{"id":"natalia-correia","nome":"Natália Correia","nome_completo":"Natália de Oliveira Correia","nascimento":{"data":"1923-09-13","local":"Fajã de Baixo, São Miguel (Açores)"},"morte":{"data":"1993-03-16","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["poeta","dramaturga","diretora literária da Estúdios Cor","fundadora do Botequim","deputada"],"resumo":"Poeta e editora, foi a escritora portuguesa com mais obras censuradas. Julgada no Plenário pela «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica», publicou as «Novas Cartas Portuguesas» e abriu na Graça o Botequim, onde festejou o 25 de Abril. Foi depois deputada.","texto":"Nasceu na Fajã de Baixo, na ilha de São Miguel, a 13 de setembro de 1923, filha de uma professora; o pai emigrara para o Brasil, e em 1934 a mãe mudou-se com as filhas para Lisboa. Em 1945 aderiu ao MUD e apoiou depois as candidaturas presidenciais de Norton de Matos, em 1949, e de Humberto Delgado, em 1958; a PIDE tinha-a por «elemento adversário das Instituições». Num comício da campanha de Norton de Matos, em fevereiro de 1949, desmontou a tríade do Estado Novo, «Deus, Pátria e Família». Em 1953 arrendou o 5.º andar do n.º 52 da Rua Rodrigues Sampaio, onde viveu até ao fim da vida, e onde reuniu, nos anos 1950 e 1960, uma tertúlia de nomes da cultura e da literatura. Fez também parte do grupo de escritores e artistas do Café Gelo, no Rossio.\n\nFoi a escritora portuguesa com mais obras censuradas: os livros de poemas «Comunicação» e «O Vinho e a Lira», as peças «O Homúnculo», «A Pécora» e «O Encoberto». Em 1957 escreveu a «Queixa das Jovens Almas Censuradas», que hoje está nas paredes do Museu do Aljube, e recolheu, com Urbano Tavares Rodrigues, assinaturas para um manifesto de intelectuais contra a censura. A «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica», que organizou, foi proibida pela censura pelo seu «caráter pornográfico» e levou-a a julgamento, à porta fechada, com o editor Fernando Ribeiro de Melo e alguns dos poetas antologiados. O processo correu no Tribunal Plenário Criminal de Lisboa, na Boa-Hora, de 3 de junho de 1969 a 21 de março de 1970, e acabou com Natália e o editor condenados a 90 dias de prisão.\n\nEm 1971 fundou, com Isabel Meireles, Júlia Marenha e Helena Roseta, o Botequim, no Largo da Graça, para onde passou a tertúlia. No mesmo ano era diretora literária da Estúdios Cor, que em abril de 1972 publicou as «Novas Cartas Portuguesas», de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa. O livro foi apreendido ao fim de três dias. Natália foi arguida como responsável editorial, mas o administrador-delegado da editora, Romeu de Melo, assumiu toda a responsabilidade, porque ela ainda cumpria a pena suspensa da Antologia. No julgamento das autoras foi testemunha a favor delas. Na noite de 24 para 25 de abril de 1974 estava no Botequim, a festejar a queda da ditadura.\n\nEm abril de 1976 dirigiu «O Século — Hoje», suplemento político de O Século que o Conselho da Revolução extinguiu ao nono número, sob proposta do Presidente Costa Gomes, por artigos que considerou «ofensivos e caluniosos» para o Conselho e para as Forças Armadas. Foi deputada à Assembleia da República eleita nas listas do PSD por Lisboa (1979–1983) e, como independente, nas do PRD (1987–1991). No primeiro debate sobre o aborto, em março de 1982, o deputado João Morgado, do CDS, disse que a Igreja proibia o aborto porque o ato sexual era «para se ver o nascimento de um filho». Natália respondeu-lhe com um poema satírico, manuscrito em papel timbrado da Assembleia, que fez circular pelas bancadas; não o leu no plenário, onde nesse dia nem estava. Na votação de novembro foi a única deputada do PSD a votar a favor do projeto do PCP, que foi rejeitado. Na televisão, a série «Mátria» (1986) foi dedicada às mulheres na cultura e na história portuguesas.\n\nEm 1991 o Presidente Mário Soares fê-la grande-oficial da Ordem da Liberdade. Morreu de ataque cardíaco na madrugada de 16 de março de 1993, em casa, depois de regressar do Botequim, e está sepultada no Cemitério dos Prazeres. Quatro meses depois, a Câmara de Lisboa deu o seu nome a uma rua da Graça, perto do Botequim, por sugestão de organizações de mulheres.","lugares":[{"lugar":"casa-natalia-correia","papel":"Viveu no 5.º andar do n.º 52 (1953–1993)"},{"lugar":"boa-hora","papel":"Julgada no Tribunal Plenário Criminal de Lisboa pela Antologia (3 de junho de 1969)"},{"lugar":"botequim","papel":"Fundou e animou o Botequim (1971)"},{"lugar":"assembleia-da-republica","papel":"Deputada; poema a João Morgado no debate sobre o aborto (1982)"},{"lugar":"cafe-gelo","papel":"Membro do grupo de escritores e artistas que se reunia no Café Gelo (1957-1962)."}],"wikidata":"Q270268","fontes":[{"titulo":"Natália Correia","editora":"Assembleia da República","url":"https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/natalia-correia.aspx"},{"titulo":"O Essencial sobre Natália Correia (Luiz Fagundes Duarte)","editora":"Imprensa Nacional, 2024","url":"https://imprensanacional.pt/wp-content/uploads/2024/11/O-Essencial-sobre-Natalia-Correia_IN.pdf"},{"titulo":"Natália Correia (13/9/2020)","editora":"Museu do Aljube – Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/en/2020/09/13/natalia-correia-2/"},{"titulo":"Natália Correia: todas as personalidades num botequim (19/4/2017)","editora":"FCSH+Lisboa – NOVA FCSH","url":"https://maislisboa.fcsh.unl.pt/natalia-correia-todas-as-personalidades-num-botequim/"},{"titulo":"Natália Correia, retrato de uma poetisa desassombrada","editora":"RTP Ensina","url":"https://ensina.rtp.pt/artigo/natalia-correia/"},{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Natália Correia fez mesmo uma intervenção no Parlamento contra o deputado João Morgado do CDS-PP baseada neste poema?","editora":"Polígrafo (SAPO)","url":"https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/natalia-correia-fez-mesmo-uma-intervencao-no-parlamento-contra-o-deputado-joao-morgado-do-cds-baseada-neste-poema/"},{"titulo":"Natália Correia","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/09/13/natalia-correia/"},{"titulo":"Processo “Novas Cartas Portuguesas”","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2020/10/25/processo-novas-cartas-portuguesas/"},{"titulo":"A rua de Natália no seu 90º aniversário","editora":"Toponímia de Lisboa (blogue da Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2013/09/13/a-rua-de-natalia-no-seu-90o-aniversario/"},{"titulo":"Natália Correia","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Nat%C3%A1lia_Correia"},{"titulo":"Café Gelo","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Caf%C3%A9_Gelo"},{"titulo":"Novas Cartas Portuguesas","editora":"Wikipédia (ponto de partida)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Novas_Cartas_Portuguesas"}],"por_confirmar":["A pena pela Antologia: 90 dias de prisão substituídos por multa (Imprensa Nacional), 90 dias com pena suspensa (Assembleia da República) ou três anos de pena suspensa (Toponímia de Lisboa, FCSH).","O ano da condenação: 1970, no fim do julgamento (Imprensa Nacional, Toponímia de Lisboa), ou 1966 (Museu do Aljube, RTP Ensina), que é o ano do livro segundo a Imprensa Nacional; a Assembleia da República data a edição de novembro de 1965.","Se chegou a ser presa em 1966, como diz a Wikipédia; nenhuma outra fonte o refere.","O dia do primeiro debate sobre o aborto: 2 de março de 1982 (Assembleia da República) ou 3 de março (Polígrafo, que leu as atas). A FCSH põe a resposta a João Morgado no debate de 12 de novembro de 1982.","Onde ficava a Estúdios Cor, a editora de que foi diretora literária."]},{"id":"noemia-de-sousa","nome":"Noémia de Sousa","nome_completo":"Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares","nascimento":{"data":"1926-09-20","local":"KaTembe (Maputo, antiga Lourenço Marques), Moçambique"},"morte":{"data":"2002-12-04","local":"Cascais"},"mulher":true,"papeis":["poeta","tradutora e jornalista","anticolonialista","exilada em Paris"],"resumo":"Poeta moçambicana, viveu em Lisboa entre 1951 e 1964, publicou na «Mensagem» da Casa dos Estudantes do Império e frequentou o Centro de Estudos Africanos, até a oposição ao Estado Novo a obrigar ao exílio em Paris.","texto":"Nasceu em Catembe, em Moçambique, a 20 de setembro de 1926. A poesia que escreveu entre 1949 e 1951 só foi reunida em livro em 2001, em «Sangue Negro»; até lá, a sua obra andou dispersa por jornais e revistas, como O Brado Africano e a «Mensagem» da Casa dos Estudantes do Império.\n\nEntre 1951 e 1964 viveu em Lisboa, onde trabalhou como tradutora. Frequentou o Centro de Estudos Africanos, que se reunia em casa de Alda do Espírito Santo. Nas memórias de António Tomás Medeiros, é uma dos «mais velhos» do Centro, que se afastaram de Portugal com medo de que a PIDE o associasse aos acontecimentos em África.\n\nA oposição ao Estado Novo obrigou-a a exilar-se em Paris, onde passou a assinar Vera Micaia. Regressou a Lisboa em 1975 e morreu em Cascais a 4 de dezembro de 2002.","lugares":[{"lugar":"centro-estudos-africanos","papel":"Faz parte do círculo dos «mais velhos» do Centro de Estudos Africanos (testemunho de Medeiros) (1951)"},{"lugar":"casa-estudantes-imperio","papel":"Colabora na revista «Mensagem» da CEI."}],"wikidata":"Q431989","fontes":[{"titulo":"Noémia de Sousa","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/No%C3%A9mia_de_Sousa"},{"titulo":"Entrevista a António Tomás Medeiros (Colecção E-Books)","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://www.cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/EntrevistaaAntonio%20TomasMedeiros_Nreg%20EB00003.pdf"},{"titulo":"Alda do Espírito Santo","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Alda_do_Esp%C3%ADrito_Santo"}],"por_confirmar":["O nome completo: Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares, segundo a Wikipédia.","A biografia assenta sobretudo na Wikipédia: falta uma fonte institucional que confirme os anos de Lisboa (1951–1964) e o exílio em Paris."]},{"id":"norton-de-matos","nome":"Norton de Matos","nome_completo":"José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos","nascimento":{"data":"1867-03-23","local":"Ponte de Lima"},"morte":{"data":"1955-01-02","local":"Ponte de Lima"},"mulher":false,"papeis":["general","governador-geral de Angola e ministro das Colónias na I República","grão-mestre do Grande Oriente Lusitano Unido (1930–1935)","candidato da oposição às presidenciais de 1949"],"resumo":"General da I República, foi em 1949 o candidato da oposição unida à Presidência da República: fez comícios na Voz do Operário e desistiu nas vésperas da eleição. Como muitos opositores, defendia uma política colonialista, que expôs em 1953 em «África Nossa».","texto":"Nasceu em Ponte de Lima a 23 de março de 1867. General e político da I República, foi governador-geral de Angola e ministro das Colónias, e de 1930 a 1935 grão-mestre do Grande Oriente Lusitano Unido.\n\nEm julho de 1948 avançou com a candidatura às presidenciais de 13 de fevereiro de 1949, contra o marechal Óscar Carmona. O programa pedia a abolição da polícia política e da censura, a amnistia para os presos políticos e a liberdade dos partidos. Mas, se a linha era progressista dentro do país, na frente colonial a posição era «bem diferente». A plataforma juntou republicanos, maçons, socialistas, comunistas e católicos, entre outros. A campanha começou em janeiro de 1949, com a casa do candidato sob vigilância e prisões de apoiantes.\n\nEm Lisboa, a candidatura fez comícios na Voz do Operário. Uma fotografia de 28 de janeiro de 1949 mostra-o lá com Isabel Aboim Inglez; outras, de fevereiro, mostram Maria Lamas e Cesina Bermudes.\n\nO regime recusou as suas exigências mínimas, como a liberdade de propaganda e a fiscalização dos votos, e Norton de Matos desistiu nas vésperas da eleição. Como muitos republicanos e opositores do Estado Novo, defendia uma política colonialista. Em 1953, no livro «África Nossa», escreveu que Portugal tinha de «povoar essas terras, intensa e rapidamente, com famílias brancas portuguesas» e de continuar a «assimilar os habitantes de cor que lá encontramos». Morreu em Ponte de Lima a 2 de janeiro de 1955.","lugares":[{"lugar":"voz-do-operario","papel":"Comícios da candidatura presidencial (28 de janeiro de 1949)"}],"wikidata":"Q177745","fontes":[{"titulo":"Eleições de 1949","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2025/02/13/eleicoes-de-1949/"},{"titulo":"José Norton de Matos","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Norton_de_Matos"},{"titulo":"Eleições presidenciais portuguesas de 1949","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_presidenciais_portuguesas_de_1949"},{"titulo":"Candidatura de Norton de Matos [...] comício de Lisboa (Voz do Operário) – fotografia (cota 04654.000.038)","editora":"Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso","url":"https://casacomum.org/visualizador?cota=04654.000.038"}],"por_confirmar":["O dia da desistência: 12 de fevereiro de 1949, segundo a Wikipédia, ou «a três dias das eleições», isto é, 10 de fevereiro, segundo o Museu do Aljube."]},{"id":"nuno-teotonio-pereira","nome":"Nuno Teotónio Pereira","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1922-01-30","local":"Lisboa"},"morte":{"data":"2016-01-20","local":"Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["arquiteto","católico progressista","organizador da vigília da Capela do Rato","preso político"],"resumo":"Arquiteto e figura dos católicos progressistas, esteve na vigília pela paz de São Domingos (1968–1969) e foi um dos organizadores da vigília da Capela do Rato (1972). Preso pela DGS em 1970, depois do Rato e no fim de 1973, só saiu de Caxias com o 25 de Abril.","texto":"Nasceu em Lisboa em 1922 e formou-se em Arquitetura na Escola de Belas-Artes de Lisboa. É autor, entre outras obras, do Bloco das Águas Livres e do Edifício Franjinhas, na Rua Braamcamp. Dos primeiros anos da década de 1960 até ao 25 de Abril foi uma das figuras de destaque dos chamados católicos progressistas. Esteve na fundação da cooperativa Pragma, em 1964, e envolveu-se nos cadernos GEDOC (1969), na Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos (1970) e no Boletim Anti-Colonial (1972).\n\nNa passagem de 1968 para 1969 esteve na vigília pela paz da Igreja de São Domingos, e por isso prestou declarações na PIDE. Foi detido pela DGS em maio de 1970. Em dezembro de 1972 foi um dos organizadores da vigília da Capela do Rato, preparada por católicos ligados ao Boletim Anti-Colonial — com ele, Maria da Conceição Moita, Isabel Pimentel e Luís Moita — e por um grupo de estudantes. Quando a polícia a desfez, foi um dos catorze participantes apontados como líderes, levados para os calabouços do Governo Civil e depois para Caxias; o Sindicato dos Arquitectos protestou contra a sua prisão.\n\nVoltou a ser preso no fim de 1973 e ficou em Caxias até ao 25 de Abril. Foi um dos oradores do comício do 1.º de Maio de 1974, em Lisboa. Morreu em Lisboa em 2016.","lugares":[{"lugar":"igreja-de-sao-domingos","papel":"Participa na vigília pela paz (31 de dezembro de 1968)"},{"lugar":"capela-do-rato","papel":"Organizador da vigília; preso (31 de dezembro de 1972)"},{"lugar":"governo-civil","papel":"Um dos catorze detidos da vigília da Capela do Rato levados para os calabouços (noite de 31 de dezembro de 1972)"},{"lugar":"caxias","papel":"Preso em Caxias até ao 25 de Abril (1973)"}],"wikidata":"Q1650902","fontes":[{"titulo":"Nuno Teotónio Pereira","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Nuno_Teot%C3%B3nio_Pereira"},{"titulo":"A Vigília de São Domingos","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/vigilia-capela-rato/vigilia-de-sao-domingos/"},{"titulo":"Vigília da Capela do Rato","editora":"Wikipédia","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Vig%C3%ADlia_da_Capela_do_Rato"},{"titulo":"«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo)","editora":"Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa","url":"https://revistas.ucp.pt/index.php/lusitaniasacra/article/download/7084/6861"}],"por_confirmar":[]},{"id":"olga-morais-sarmento","nome":"Olga Morais Sarmento","nome_completo":"Maria Olga de Moraes Sarmento da Silveira","nascimento":{"data":"1881-05-26","local":"Setúbal"},"morte":{"data":"1948-12"},"mulher":true,"papeis":["escritora e conferencista","diretora da revista «Sociedade Futura»","fundadora e presidente da Secção Feminista da Liga Portuguesa da Paz (1906)"],"resumo":"Escritora e conferencista, dirigiu a revista «Sociedade Futura» depois de Ana de Castro Osório. Em 1906 fundou e presidiu à Secção Feminista da Liga Portuguesa da Paz e falou sobre o «Problema Feminista» na Sociedade de Geografia de Lisboa.","texto":"Nasceu em Setúbal a 26 de maio de 1881. Passou parte da infância em Elvas, onde se tornou amiga de Virgínia Quaresma, e enviuvou cedo de um médico da Armada.\n\nDirigiu a revista «Sociedade Futura», criada em 1902, sucedendo a Ana de Castro Osório. Em 1906 aderiu à Liga Portuguesa da Paz, onde fundou a Secção Feminista, a que presidiu. A 18 de maio desse ano fez na Sociedade de Geografia de Lisboa uma conferência sobre o «Problema Feminista».\n\nViveu cerca de trinta anos em Paris, ao lado da baronesa Hélène de Zuylen, sua companheira durante três décadas. Em 1939, com o começo da Segunda Guerra Mundial, regressou com ela a Lisboa, para que Hélène, que era judia, escapasse à perseguição nazi. Morreu em dezembro de 1948. Desde 1988, uma rua do Bairro de Caselas tem o seu nome.","lugares":[{"lugar":"ruas-pioneiras-caselas","papel":"Dá nome à Rua Olga Morais Sarmento (edital de 1988) (20 de abril de 1988)"}],"wikidata":"Q10326039","fontes":[{"titulo":"Olga de Moraes Sarmento","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Olga_de_Moraes_Sarmento"},{"titulo":"Numa Rua de Caselas, Alice Pestana da causa da educação das mulheres","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2017/01/27/alice-pestana-da-causa-da-educacao-das-mulheres-numa-rua-de-caselas/"},{"titulo":"A primeira jornalista de reportagem portuguesa numa rua de Caselas","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2012/11/29/a-primeira-jornalista-portuguesa-numa-rua-de-caselas/"}],"por_confirmar":["A fundação da Secção Feminista da Liga Portuguesa da Paz e a conferência de 18 de maio de 1906 na Sociedade de Geografia de Lisboa só estão documentadas na Wikipédia.","A data e o lugar da morte: dezembro de 1948, sem lugar, no texto da Wikipédia; 17 de outubro de 1948, em Lisboa, na Wikidata. Hélène de Zuylen morreu em Lisboa a 17 de outubro de 1947."]},{"id":"otelo-saraiva-de-carvalho","nome":"Otelo Saraiva de Carvalho","nome_completo":"Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho","nascimento":{"data":"1936-08-31","local":"Lourenço Marques (atual Maputo), Moçambique"},"morte":{"data":"2021-07-25","local":"Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["major de Artilharia","autor do plano de operações do 25 de Abril","comandante do COPCON e da Região Militar de Lisboa","membro do Conselho da Revolução","candidato presidencial (1976 e 1980)"],"resumo":"Major de Artilharia, elaborou o plano de operações do 25 de Abril e dirigiu as operações a partir do Posto de Comando clandestino da Pontinha; foi depois comandante do COPCON e da Região Militar de Lisboa.","texto":"Nasceu em 1936 em Lourenço Marques, hoje Maputo. Oficial de Artilharia, combateu em Angola e na Guiné e foi um dos principais dinamizadores da contestação ao Decreto-Lei n.º 353/73, que deu origem ao Movimento dos Capitães. Em dezembro de 1973 foi eleito, com Vasco Lourenço e Vítor Alves, para a direção da Comissão Coordenadora do movimento. Na última reunião da Comissão, a 24 de março de 1974, assumiu a responsabilidade de elaborar o plano de operações, a que deu o nome de «Viragem Histórica».\n\nA 23 de abril entregou aos oficiais de ligação, no Parque Eduardo VII, as «Instruções Finais». Desde a noite de 24 dirigiu as operações a partir do Posto de Comando instalado no Regimento de Engenharia n.º 1, na Pontinha. Foi ele quem insistiu com Salgueiro Maia para forçar a rendição do Quartel do Carmo, e quem, em nome dos capitães, mandatou António de Spínola para receber o poder de Marcelo Caetano.\n\nGraduado em brigadeiro, comandou o COPCON e a Região Militar de Lisboa. Na crise do 28 de Setembro de 1974 terá ficado retido, com Vasco Gonçalves, no Palácio de Belém. Fez parte do Conselho da Revolução desde a sua criação, em março de 1975, e em maio integrou com Costa Gomes e Vasco Gonçalves o Diretório, a estrutura política de cúpula dos IV e V Governos Provisórios. A 20 de novembro de 1975 foi substituído no comando da Região Militar de Lisboa por Vasco Lourenço, decisão que esteve na origem da crise do 25 de Novembro. Conotado com a ala mais radical do MFA, foi preso na sequência desses acontecimentos e solto três meses depois. Candidatou-se à Presidência da República em 1976 e em 1980. Em 1985 voltou a ser preso, no caso das FP-25; foi libertado cinco anos mais tarde, depois de recorrer da condenação, e em 1996 a Assembleia da República aprovou uma amnistia para os presos desse processo. Morreu em Lisboa em 2021.","lugares":[{"lugar":"parque-eduardo-vii","papel":"Entregou as «Instruções Finais» aos oficiais de ligação (23 de abril de 1974)"},{"lugar":"pontinha","papel":"Dirigiu as operações a partir do Posto de Comando (24 de abril de 1974)"},{"lugar":"belem","papel":"Esteve aparentemente retido no palácio durante a crise do 28 de Setembro (28 de setembro de 1974)"}],"wikidata":"Q1353499","fontes":[{"titulo":"Otelo Saraiva de Carvalho","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://cd25a.uc.pt/pt/page/1499"},{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Período pré-revolução (01-01-1973 a 24-04-1974) – cronologia","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/periodo-pre-revolucao-01-01-1973-a-24-04-1974/"},{"titulo":"Período da Revolução – cronologia","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/periodo-da-revolucao-25-04-1973-a-25-04-1976/"},{"titulo":"A Reunião de Óbidos","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/capitaes-em-movimento/reuniao-obidos/"},{"titulo":"28 de Setembro","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/28-de-setembro/"},{"titulo":"25 de Novembro de 1975","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/25-de-novembro-50-anos-depois/25-de-novembro-de-1975/"},{"titulo":"Otelo Saraiva de Carvalho (Q1353499)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q1353499"}],"por_confirmar":["O dia e o lugar do nascimento (Lourenço Marques, hoje Maputo, 31 de agosto de 1936) e da morte (Lisboa, 25 de julho de 2021) vêm só do Wikidata; o Centro de Documentação 25 de Abril dá apenas o ano de nascimento.","Onde foi eleito para a direção da Comissão Coordenadora: na reunião de Óbidos, a 1 de dezembro de 1973 (Comissão Comemorativa 50 Anos), ou na da Costa da Caparica, a 5 de dezembro (Associação 25 de Abril).","Quando assumiu o COPCON e a Região Militar de Lisboa: o Centro de Documentação 25 de Abril dá 13 de julho de 1975, mas a Comissão Comemorativa 50 Anos já o apresenta como comandante-adjunto do COPCON em setembro de 1974.","Se ficou de facto retido no Palácio de Belém no 28 de Setembro: a Comissão Comemorativa 50 Anos diz que ele e Vasco Gonçalves estiveram «aparentemente detidos»."]},{"id":"paulo-de-carvalho","nome":"Paulo de Carvalho","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1947-05-15","local":"Lisboa"},"morte":null,"mulher":false,"papeis":["cantor","intérprete da primeira senha do 25 de Abril"],"resumo":"Intérprete de «E Depois do Adeus», canção vencedora do Festival da Canção de 1974 que os Emissores Associados de Lisboa transmitiram às 22h55 de 24 de abril como primeira senha do MFA.","texto":"Nasceu em Lisboa em 1947. A 7 de março de 1974 venceu o Festival da Canção com «E Depois do Adeus», de José Niza.\n\nO Movimento das Forças Armadas escolheu a canção como primeira senha da revolução: era uma balada romântica, sem conteúdo político, que não levantava suspeitas. Às 22h55 de 24 de abril, o locutor João Paulo Diniz anunciou-a aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa. Era o sinal para que, nas unidades que aderiam ao Movimento, começassem os preparativos para sair dos quartéis.","lugares":[{"lugar":"emissores-associados","papel":"A sua interpretação de «E Depois do Adeus» foi a primeira senha (24 de abril de 1974)"}],"wikidata":"Q2064105","fontes":[{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Emissores Associados de Lisboa (Lugares de Abril)","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/locais-de-abril/locaisabril-local20/"},{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"Paulo de Carvalho (Q2064105)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q2064105"}],"por_confirmar":["O dia e o lugar do nascimento (Lisboa, 15 de maio de 1947) vêm só do Wikidata."]},{"id":"jose-pinheiro-de-azevedo","nome":"Pinheiro de Azevedo","nome_completo":"José Baptista Pinheiro de Azevedo","nascimento":{"data":"1917-06-05","local":"Luanda, Angola"},"morte":{"data":"1983-08-10","local":"Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["oficial da Armada","comandante da Força de Fuzileiros do Continente (1974)","membro da Junta de Salvação Nacional","primeiro-ministro do VI Governo Provisório"],"resumo":"Oficial da Armada e membro da Junta de Salvação Nacional, chefiou o VI Governo Provisório e esteve sequestrado na residência oficial, em São Bento, durante o cerco dos trabalhadores da construção civil, em novembro de 1975.","texto":"Nasceu em Luanda a 5 de junho de 1917. Oficial da Armada, a 25 de abril de 1974 era capitão-de-mar-e-guerra e comandava a Força de Fuzileiros do Continente; às 16h, com os capitães-tenentes Vítor Crespo e Almada Contreiras, formou uma força de fuzileiros, sob o comando do capitão-tenente Luís Costa Correia. Fez parte da Junta de Salvação Nacional, apresentada ao país em direto na madrugada de 26, dos estúdios da RTP no Lumiar, com António de Spínola e Costa Gomes.\n\nFoi primeiro-ministro do VI Governo Provisório. A 12 de novembro de 1975, os trabalhadores da construção civil, em greve, concentraram-se junto à Assembleia Constituinte, no Palácio de São Bento; Pinheiro de Azevedo foi à varanda falar-lhes e foi vaiado. Os manifestantes — cerca de 100 000, segundo a imprensa da época — impediram os deputados de sair durante 36 horas e mantiveram-no sequestrado na residência oficial do primeiro-ministro, contígua ao palácio. Na madrugada de 14 chegou a acordo com os dirigentes sindicais e comprometeu-se a pôr em vigor o contrato coletivo de trabalho a partir de 27 de novembro.\n\nDepois do cerco, acusado de fascista, respondeu com uma frase que acabou em autocolante: «Bardamerda para o fascista». Morreu em Lisboa a 10 de agosto de 1983.","lugares":[{"lugar":"rtp-lumiar","papel":"Apresentação da Junta de Salvação Nacional (26 de abril de 1974)"},{"lugar":"assembleia-da-republica","papel":"Sequestrado durante o cerco a São Bento (12 de novembro de 1975)"}],"wikidata":"Q722270","fontes":[{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/Artigos/APP_CX22_48_CRONOLOGIA%20DO%2025%20DE%20ABRIL_Jofre%20Alves.pdf"},{"titulo":"Cerco à Assembleia Constituinte – Parte 1","editora":"RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola)","url":"https://media.rtp.pt/memoriasdarevolucao/acontecimento/cerco-a-assembleia-constituinte-parte-1/"},{"titulo":"Cerco à Assembleia Constituinte – Parte 2","editora":"RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola)","url":"https://media.rtp.pt/memoriasdarevolucao/acontecimento/cerco-a-assembleia-constituinte-parte-2/"},{"titulo":"O cerco ao Palácio de São Bento (12/13 de novembro)","editora":"Assembleia da República – Comunicar","url":"https://app.parlamento.pt/comunicar/Artigo.aspx?ID=559&IDSubTitulo=340"},{"titulo":"A construção da democracia (1974-1976)","editora":"Assembleia da República – Comunicar","url":"https://app.parlamento.pt/comunicar/v1/202104/72/artigos/art2.html"},{"titulo":"José Pinheiro de Azevedo (Q722270)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q722270"}],"por_confirmar":["As datas e os lugares do nascimento e da morte vêm só da Wikidata."]},{"id":"raul-alves","nome":"Raul Alves","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1914-03-09","local":"Vialonga, Vila Franca de Xira"},"morte":{"data":"1958-07-31","local":"Lisboa (sede da PIDE)"},"mulher":false,"papeis":["operário soldador","militante do PCP","preso político"],"resumo":"Operário soldador da Póvoa de Santa Iria, preso depois das greves contra a fraude eleitoral de 1958, morreu ao cair do terceiro andar da sede da PIDE a 31 de julho desse ano. A embaixatriz do Brasil viu a queda e denunciou-a ao cardeal Cerejeira.","texto":"Nasceu em Vialonga, no concelho de Vila Franca de Xira, a 9 de março de 1914. Operário soldador e militante comunista, vivia no bairro da Companhia Industrial Portuguesa, na Póvoa de Santa Iria. A PIDE prendeu-o a 16 de julho de 1958, acusado de «actividades subversivas», depois da greve e das manifestações dos trabalhadores da empresa contra a fraude nas eleições presidenciais de 8 de junho, a que se apresentara Humberto Delgado.\n\nFoi levado para o Depósito de Presos de Caxias e, uma semana depois, a 27 de julho, transferido para a Cadeia do Aljube. Era do Aljube que os presos seguiam para os interrogatórios, e muitas vezes para a tortura, no terceiro andar da sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso.\n\nA 31 de julho de 1958 caiu de uma janela desse terceiro andar e morreu, aos 44 anos. O Memória Comum, que o inclui entre «os que ficaram pelo caminho», escreve que foi «lançado». Várias pessoas terão visto um homem pendurado do lado de fora da janela, aos gritos, antes de cair. Entre elas estava a embaixatriz do Brasil, Heloísa Ramos Lins, cuja residência dava para as traseiras do edifício. Contou o que vira ao cardeal patriarca, Manuel Gonçalves Cerejeira, que escreveu ao ministro do Interior a pedir que a polícia não usasse «processos que a humanidade e o Evangelho condenam». Duas semanas depois, chegou a resposta do ministério: «Trata-se, apenas, de um comunista sem importância».","lugares":[{"lugar":"caxias","papel":"Primeiro destino depois da prisão (16 de julho de 1958)"},{"lugar":"aljube","papel":"Transferido para o Aljube (27 de julho de 1958)"},{"lugar":"sede-pide","papel":"Morto ao cair do 3.º andar da sede (31 de julho de 1958)"}],"wikidata":null,"fontes":[{"titulo":"Raul Alves","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/presos/raul-alves"},{"titulo":"Os que ficaram pelo caminho (lista, páginas 1 a 7)","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/os-que-ficaram-pelo-caminho"},{"titulo":"A sede e as delegações da PIDE","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/prisoes-da-ditadura/a-sede-e-as-delegacoes-da-pide/"}],"por_confirmar":["A data da morte: 31 de julho de 1958, segundo o Memória Comum; 1 de agosto de 1957, segundo a Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril."]},{"id":"regina-quintanilha","nome":"Regina Quintanilha","nome_completo":"Regina da Glória Pinto de Magalhães Quintanilha de Sousa e Vasconcelos","nascimento":{"data":"1893-05-09","local":"Bragança (Santa Maria)"},"morte":{"data":"1967-03-19","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["primeira advogada portuguesa","procuradora judicial","conservadora do registo predial","presidente da Assembleia Geral do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1917–1919)"],"resumo":"Uma das primeiras mulheres licenciadas em Direito em Portugal, foi a primeira a advogar, no Tribunal da Boa-Hora, a 14 de novembro de 1913 — cinco anos antes de a lei abrir a profissão às mulheres.","texto":"Nasceu em Bragança a 9 de maio de 1893. Em 1910, com 17 anos, entrou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, cujo Conselho Universitário teve de reunir de propósito para decidir a entrada de uma aluna. Acabou o curso em três anos.\n\nCom autorização do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, estreou-se a 14 de novembro de 1913 no Tribunal da Boa-Hora, em Lisboa, a defender umas rés. O jornal «A Luta» escreveu que «inquiriu as testemunhas» e usou da palavra «com muito brilhantismo». Só o Decreto n.º 4676, de 19 de julho de 1918, veio permitir às mulheres formadas em Direito o exercício da advocacia e as funções de ajudante de notário e de conservador.\n\nFoi também a primeira procuradora judicial e a primeira conservadora do registo predial do país. No Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, então presidido por Adelaide Cabete, foi presidente da Assembleia Geral de 1917 a 1919. Advogou em Portugal, no Brasil e nos Estados Unidos até 1957, quando suspendeu a inscrição na Ordem dos Advogados, e morreu em Lisboa a 19 de março de 1967.","lugares":[{"lugar":"boa-hora","papel":"Estreia como a primeira advogada portuguesa (14 de novembro de 1913)"}],"wikidata":"Q10358623","fontes":[{"titulo":"Regina foi primeira em muita coisa. Incluindo ser a primeira advogada portuguesa a chegar ao tribunal","editora":"24 Notícias (SAPO)","url":"https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/regina-foi-primeira-em-muita-coisa-incluindo-ser-a-primeira-advogada-portuguesa-a-chegar-ao-tribunal"},{"titulo":"Regina Quintanilha","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Regina_Quintanilha"}],"por_confirmar":["Se foi a primeira notária portuguesa, como diz o 24 Notícias, ou a segunda, depois de Aurora de Castro e Gouveia, como dizem a Wikipédia e a Toponímia de Lisboa.","Se foi a primeira mulher licenciada em Direito em Portugal (24 Notícias) ou uma das primeiras, com Maria da Ascensão de Sousa Sampaio (Wikipédia).","As datas da presidência da Assembleia Geral do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1917–1919) vêm só da Wikipédia."]},{"id":"salgueiro-maia","nome":"Salgueiro Maia","nome_completo":"Fernando José Salgueiro Maia","nascimento":{"data":"1944-07-01","local":"Castelo de Vide"},"morte":{"data":"1992-04-03","local":"Lisboa (Hospital Militar)"},"mulher":false,"papeis":["capitão de Cavalaria","membro da Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitães","comandante da coluna da Escola Prática de Cavalaria a 25 de abril de 1974"],"resumo":"Capitão de 29 anos, comandou a coluna da Escola Prática de Cavalaria que ocupou o Terreiro do Paço, enfrentou sem disparar as forças do regime e cercou o Quartel do Carmo até obter a rendição de Marcelo Caetano.","texto":"Nasceu em Castelo de Vide a 1 de julho de 1944, filho de um ferroviário; a profissão do pai levou-o, em criança e jovem, de Coruche a Tomar, Pombal e Leiria. Entrou na Academia Militar em 1964 e na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, em 1967, e combateu em Moçambique e na Guiné. Na reunião de Óbidos do Movimento dos Capitães, a 1 de dezembro de 1973, entrou para a Comissão Coordenadora como um dos representantes da Cavalaria. A 17 de abril de 1974, Otelo Saraiva de Carvalho entregou-lhe a missão operacional da EPC, e os oficiais da escola escolheram-no, aos 29 anos, para comandar a coluna que havia de marchar sobre Lisboa.\n\nA coluna saiu de Santarém às 3h30 de 25 de abril e ocupou o Terreiro do Paço. Na Avenida da Ribeira das Naus, Maia caminhou de lenço branco ao encontro das forças do brigadeiro Junqueira dos Reis. O brigadeiro mandou abrir fogo sobre ele, mas o aspirante Fernando Sottomayor e os apontadores dos carros de combate recusaram, e as tropas passaram para o lado do MFA. «Foi ali que se ganhou o 25 de Abril», diria Maia.\n\nÀs 12h30, entre uma multidão que gritava «Vitória!», a coluna cercou o Quartel do Carmo, onde se refugiara Marcelo Caetano. Maia negociou durante horas. Pelas 17h00 foi levado até Caetano, que se disse disponível para se render e pediu que o poder fosse entregue a um oficial-general; Maia acompanhou depois o general António de Spínola até ele. Às 18h30 fez entrar de marcha atrás, na porta de armas do quartel, a chaimite «Bula», para que Caetano e os seus ministros saíssem em segurança.\n\nNão aceitou cargos políticos depois do 25 de Abril. No 11 de Março de 1975, a sua ida a Tancos com o 2.º comandante da EPC ajudou a fazer fracassar a tentativa de golpe em que Spínola se envolvera. No 25 de Novembro manteve as suas forças em reserva, na zona oriental de Lisboa.\n\nEm novembro de 1976 foi afastado para funções burocráticas em Lisboa e, em março de 1977, para os Açores. Licenciou-se em Ciências Políticas e Sociais e em Ciências Antropológicas e Etnológicas. Morreu de cancro a 3 de abril de 1992 e está sepultado em Castelo de Vide.","lugares":[{"lugar":"terreiro-do-paco","papel":"Ocupou a praça com a coluna da EPC (25 de abril de 1974)"},{"lugar":"rua-do-arsenal","papel":"Avançou de lenço branco na Ribeira das Naus; as forças do regime recusaram disparar (25 de abril de 1974)"},{"lugar":"largo-do-carmo","papel":"Cercou o quartel e obteve a rendição de Marcelo Caetano (25 de abril de 1974)"}],"wikidata":"Q1350556","fontes":[{"titulo":"Salgueiro Maia","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/salgueiro-maia/"},{"titulo":"Salgueiro Maia (n. 1944 m. 1992)","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://cd25a.uc.pt/pt/page/1498"},{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"A Reunião de Óbidos","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/capitaes-em-movimento/reuniao-obidos/"},{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"Espólio de Fernando José Salgueiro Maia","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://cd25a.uc.pt/pt/page/314"},{"titulo":"Salgueiro Maia (Q1350556)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q1350556"}],"por_confirmar":["A data e o lugar da morte: 3 de abril de 1992, no Hospital Militar, em Lisboa (Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril); 3 de abril de 1992, em Santarém (Centro de Documentação 25 de Abril); 4 de abril de 1992, em Santarém (Wikidata).","O ano em que entrou na Escola Prática de Cavalaria: 1967, segundo a Comissão Comemorativa, que dá o dia (1 de fevereiro); 1966, segundo o Centro de Documentação 25 de Abril."]},{"id":"silva-pais","nome":"Silva Pais","nome_completo":"Fernando da Silva Pais","nascimento":{"data":"1905-11-16","local":"Barreiro"},"morte":{"data":"1981-01-27","local":"Lisboa"},"mulher":false,"papeis":["major","diretor-geral da PIDE/DGS"],"resumo":"Diretor da polícia política, avisou Marcelo Caetano às 5h00 de 25 de abril de que «a Revolução está na rua». Só rendeu a sede da DGS na manhã de 26, depois de os agentes terem matado quatro pessoas na Rua António Maria Cardoso.","texto":"Nasceu no Barreiro em 1905. Major, era em 1974 o diretor da polícia política, a PIDE/DGS. Às 5h00 de 25 de abril telefonou ao presidente do Conselho, Marcelo Caetano: «Senhor Presidente, a Revolução está na rua! O caso é muito grave.» Pouco depois, noutro telefonema, aconselhou-o a refugiar-se no quartel do Carmo, «que a GNR está fixe».\n\nDurante o dia, a multidão cercou a sede da DGS, na Rua António Maria Cardoso. Ao princípio da noite, os agentes dispararam das janelas sobre a multidão: quatro mortos e 45 feridos. Mais tarde, a pedido de Otelo, Spínola pediu ao ex-ministro do Interior César Moreira Baptista, detido na Pontinha, que convencesse Silva Pais a render-se; ele mostrou-se disposto, se as Forças Armadas protegessem os agentes.\n\nNa manhã de 26 de abril recebeu na sede o capitão-tenente Costa Correia, da Marinha, e declarou-lhe que a organização que dirigia aderia ao Movimento. Costa Correia perguntou-lhe porque estavam então ainda na parede os retratos dos dirigentes do regime; Silva Pais pediu cadeiras e retirou ele próprio uma das fotografias. Era a rendição da DGS. Morreu em Lisboa em 1981.","lugares":[{"lugar":"sede-pide","papel":"Rendeu a sede da DGS (26 de abril de 1974)"}],"wikidata":"Q116923154","fontes":[{"titulo":"Operação Viragem Histórica","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/operacao-viragem-historica/"},{"titulo":"Movimentações do dia 25 de Abril","editora":"Associação 25 de Abril","url":"https://a25abril.pt/base-de-dados-historicos/o-dia-d/"},{"titulo":"Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A","editora":"Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra","url":"https://cd25a.uc.pt/media/pdf/Biblioteca%20digital/Artigos/APP_CX22_48_CRONOLOGIA%20DO%2025%20DE%20ABRIL_Jofre%20Alves.pdf"},{"titulo":"Fernando da Silva Pais (Q116923154)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q116923154"},{"titulo":"Fernando Luís Barreiros dos Reis (biografia)","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade","url":"https://www.museudoaljube.pt/doc/fernando-luis-barreiros-dos-reis/"}],"por_confirmar":["Se foi Silva Pais quem deu a ordem de disparar: a cronologia de Jofre Alves atribui-lhe, com o inspetor superior Coelho Dias, as ordens de fogo sobre a multidão às 13h30; as outras fontes não o dizem.","As datas e os lugares de nascimento e de morte vêm só da Wikidata."]},{"id":"sofia-ferreira","nome":"Sofia Ferreira","nome_completo":"Sofia de Oliveira Ferreira Santo","nascimento":{"data":"1922-05-01","local":"Alhandra"},"morte":{"data":"2010-04-22"},"mulher":true,"papeis":["trabalhadora rural e empregada doméstica","funcionária clandestina do PCP","membro do Comité Central do PCP","presa política"],"resumo":"Filha de trabalhadores agrícolas de Alhandra, foi presa com Álvaro Cunhal e Militão Ribeiro em 1949 e de novo em 1959, e passou mais de treze anos nas prisões da ditadura.","texto":"Nasceu em Alhandra a 1 de maio de 1922, filha de trabalhadores agrícolas. Aos dez anos já trabalhava nas lezírias do Ribatejo, e cedo foi para Lisboa como empregada doméstica. As irmãs, Georgette e Mercedes, foram também militantes comunistas. Aderiu ao PCP em 1945 e passou à clandestinidade em 1946, numa tipografia clandestina na Figueira da Foz.\n\nCom o nome de «Elvira», vivia numa casa clandestina no Luso com Álvaro Cunhal, que era «Manuel», e Militão Ribeiro. Na madrugada de 25 de março de 1949, seis agentes da PIDE e elementos da GNR prenderam os três. Sofia ficou presa três anos. Em 1957 foi eleita para o Comité Central, e em 1959 voltou a ser presa e torturada. Esteve no Forte de Caxias, onde dirigiu com Maria Alda Nogueira a célula do PCP. Ao todo, passou mais de treze anos nas prisões da ditadura.\n\nDepois de algum tempo na União Soviética, regressou à luta clandestina em 1969. Num depoimento publicado em 1975 em «Mulheres Portuguesas na Resistência», responsabilizou o médico da PIDE José Godinho Gama Barata pela morte de Albina Fernandes, a quem não prestou «nenhuma assistência», apesar de ter visto as suas crises na prisão. Morreu em 2010, aos 87 anos.","lugares":[{"lugar":"caxias","papel":"Testemunhou as crises nervosas de Albina Fernandes na prisão — presumivelmente Caxias, onde Albina esteve de 1961 a 1968."}],"wikidata":"Q96193834","fontes":[{"titulo":"Prisão de Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira","editora":"Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC)","url":"https://www.museudoaljube.pt/2024/03/25/prisao-de-alvaro-cunhal-militao-ribeiro-e-sofia-ferreira/"},{"titulo":"Faleceu Sofia Ferreira","editora":"Partido Comunista Português (2010)","url":"https://www.pcp.pt/joomla/index3550.html?option=com_content&task=view&id=35682&Itemid=594"},{"titulo":"«Sofia foi uma combatente com uma enorme consciência de classe, generosa, inteligente e sagaz» (Centenário de Sofia Ferreira)","editora":"Partido Comunista Português","url":"https://www.pcp.pt/sofia-foi-uma-combatente-com-uma-enorme-consciencia-de-classe-generosa-inteligente-sagaz"},{"titulo":"Sofia Ferreira (ficha: data da primeira prisão)","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/presos/sofia-ferreira"},{"titulo":"Albina Fernandes","editora":"Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos","url":"https://memoriacomum.org/presos/albina-fernandes"},{"titulo":"Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas","editora":"Wikidata Query Service","url":"https://query.wikidata.org/"},{"titulo":"Maria Alda Nogueira","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Alda_Nogueira"}],"por_confirmar":["O tempo total de prisão: «mais de 13 anos», segundo a nota do PCP de 2010, ou «mais de doze anos», segundo o discurso do PCP no centenário do nascimento (2022).","O dia da morte: 22 de abril de 2010, segundo a Wikidata; a nota do PCP, publicada nesse dia, não o diz."]},{"id":"sofia-quintino","nome":"Sofia Quintino","nome_completo":"Sophia da Conceição Quintino","nascimento":{"data":"1879-05-23","local":"Lamas (Cadaval)"},"morte":{"data":"1964-07-08","local":"Carnaxide (Oeiras)"},"mulher":true,"papeis":["médica","membro do Grupo Português de Estudos Feministas","militante da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas","pioneira da fisioterapia"],"resumo":"Uma das primeiras médicas portuguesas, formada em Lisboa em 1905, foi feminista, republicana e livre-pensadora: esteve no Grupo Português de Estudos Feministas e na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.","texto":"Nasceu em Lamas, no Cadaval, a 23 de maio de 1879. Formou-se em 1905 na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e abriu consultório, com outras médicas, no n.º 206 da Rua da Palma.\n\nEm 1907 fez parte, com Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo, Adelaide Cabete e Maria Veleda, do Grupo Português de Estudos Feministas. Aderiu depois ao Livre Pensamento e à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, e escreveu artigos feministas no «Jornal das Senhoras» e n’«A República».\n\nDurante a Primeira Guerra Mundial coordenou, na Comissão Feminina «Pela Pátria», de Ana de Castro Osório, os primeiros cursos de enfermagem em Portugal que não eram dados por freiras. Entre 1918 e 1948 chefiou os serviços de fisioterapia dos hospitais públicos de Lisboa e dirigiu, no Hospital de São José, a secção de tratamento do lúpus pela luz de Finsen. Morreu em Carnaxide a 8 de julho de 1964, aos 85 anos.","lugares":[{"lugar":"hospital-de-sao-jose","papel":"Dirigiu a secção do lúpus."},{"lugar":"centro-escolar-afonso-costa","papel":"Membro do Grupo Português de Estudos Feministas (1907)"}],"wikidata":"Q100319552","fontes":[{"titulo":"Sofia Quintino","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Sofia_Quintino"},{"titulo":"Ângelo, Carolina Beatriz (1878-1911) — Dicionário de Médicos Portugueses","editora":"Unidade de História da Medicina, Faculdade de Ciências Médicas da UNL (projeto de estudantes)","url":"https://medicosportugueses.blogs.sapo.pt/6263.html"}],"por_confirmar":["A morada do consultório (Rua da Palma, 206, 1.º esq.) e as datas da carreira hospitalar (1918–1948) dependem só da Wikipédia."]},{"id":"sophia-de-mello-breyner-andresen","nome":"Sophia de Mello Breyner Andresen","nome_completo":null,"nascimento":{"data":"1919-11-06","local":"Porto"},"morte":{"data":"2004-07-02","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["poeta","católica contra a guerra colonial","fundadora da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos","deputada à Assembleia Constituinte (PS)"],"resumo":"Poeta. Viveu na Graça de 1951 até morrer, escreveu a «Cantata da Paz» para a vigília de São Domingos, ajudou a fundar a comissão de socorro aos presos políticos e foi deputada constituinte. «Esta é a madrugada que eu esperava» é dela.","texto":"Nasceu no Porto a 6 de novembro de 1919. Em 1951 mudou-se com a família para Lisboa, para o 1.º andar do n.º 57 da Travessa das Mónicas, na Graça, onde viveu até morrer.\n\nApoiou a candidatura de Humberto Delgado e assinou o Manifesto dos 101, de católicos contra a guerra colonial e contra o apoio da Igreja a Salazar. Foi fundadora e membro da comissão nacional de apoio aos presos políticos; antes do 25 de Abril presidiu ao Centro Nacional de Cultura e à assembleia-geral da Associação Portuguesa de Escritores. Os versos «Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar», da «Cantata da Paz», foram escritos para a reunião de católicos na Igreja de São Domingos, a 1 de janeiro de 1969. Nesse ano foi candidata da CEUD às eleições para a Assembleia Nacional.\n\nEscreveu sobre o 25 de Abril o poema que ficou como o da Revolução: «Esta é a madrugada que eu esperava / O dia inicial inteiro e limpo». Em 1975 foi eleita para a Assembleia Constituinte pelo círculo do Porto, numa lista do Partido Socialista. Das 27 mulheres que tiveram lugar na Constituinte, foi a única a presidir a uma comissão — a da redação do preâmbulo da Constituição.\n\nEm 1999 foi a primeira mulher portuguesa a receber o Prémio Camões. Morreu a 2 de julho de 2004, aos 84 anos; dez anos depois, a 2 de julho de 2014, foi levada para o Panteão Nacional.","lugares":[{"lugar":"casa-sophia","papel":"Viveu no 1.º andar do n.º 57 da Travessa das Mónicas (de 3 de novembro de 1951 a 2004)"},{"lugar":"igreja-de-sao-domingos","papel":"Autora dos versos da Cantata da Paz cantada na vigília (1 de janeiro de 1969)"},{"lugar":"capela-do-rato","papel":"Associada à vigília (presença física controversa); subscreveu os abaixo-assinados de solidariedade (31 de dezembro de 1972)"},{"lugar":"assembleia-da-republica","papel":"Deputada constituinte; presidiu à comissão de redação do preâmbulo (1975–1976)"}],"wikidata":"Q235992","fontes":[{"titulo":"Concessão de honras de Panteão Nacional a Sophia de Mello Breyner Andresen, 2 de julho de 2014","editora":"Assembleia da República","url":"https://www.parlamento.pt/ArquivoDocumentacao/Documents/sofia_p.pdf"},{"titulo":"Sophia de Mello Breyner Andresen – Lisboa (exposição virtual)","editora":"Biblioteca Nacional de Portugal","url":"https://purl.pt/19841/1/1950/1950.html"},{"titulo":"«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo)","editora":"Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa","url":"https://revistas.ucp.pt/index.php/lusitaniasacra/article/download/7084/6861"},{"titulo":"Sophia de Mello Breyner Andresen: militância antifascista a partir da crise do Estado Novo (tese de doutoramento, Eloísa da Silva Aragão, 2017)","editora":"Universidade de São Paulo","url":"https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-24052018-131600/publico/2017_EloisaDaSilvaAragao_VCorr.pdf"},{"titulo":"As mulheres na Constituinte de 1975-1976","editora":"Assembleia da República","url":"https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/As-mulheres-na-constituinte-75-76.aspx"},{"titulo":"Sophia de Mello Breyner Andresen","editora":"RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola)","url":"https://media.rtp.pt/memoriasdarevolucao/acontecimento/sophia-de-mello-breyner-andresen/"},{"titulo":"A constituinte","editora":"Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril","url":"https://50anos25abril.pt/historia/havera-eleicoes-1975/a-constituinte/"},{"titulo":"Sophia de Mello Breyner Andresen (Q235992)","editora":"Wikidata","url":"https://www.wikidata.org/wiki/Q235992"},{"titulo":"«25 de Abril», de Sophia de Mello Breyner Andresen","editora":"URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses","url":"https://www.urap.pt/index.php/cultura-mainmenu-42/960-25-de-abril-de-sophia-de-mello-breyner-andresen"}],"por_confirmar":["O nome da comissão de apoio aos presos políticos: «Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos» (Assembleia da República) ou Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos, CNSPP (Eloísa Aragão).","O livro em que o poema «25 de Abril» foi publicado pela primeira vez (provavelmente «O Nome das Coisas», 1977, que consta da bibliografia da Assembleia da República).","Se esteve na vigília da Capela do Rato (as fontes divergem).","O local da morte: as fontes dizem que viveu na Travessa das Mónicas até morrer, sem dizer onde morreu."]},{"id":"stella-piteira-santos","nome":"Stella Piteira Santos","nome_completo":"Maria Stella Bicker Correia Ribeiro Piteira Santos","nascimento":{"data":"1917-06-01","local":"Portimão"},"morte":{"data":"2009-01-22","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["ativista feminista e antifascista","presa política","exilada na Argélia","locutora da Rádio Voz da Liberdade"],"resumo":"Uma das primeiras associadas da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, ajudou refugiados judeus durante a guerra. Presa e torturada pela PIDE em 1962, exilou-se na Argélia e foi, em Argel, a primeira voz feminina da Rádio Voz da Liberdade.","texto":"Nasceu em Portimão em 1917. Começou a atividade política em 1934, a ajudar amigos do PCP: datilografava atas e levava textos para a imprensa clandestina. Nesse ano, aos 17 anos, casou com Inácio Fiadeiro, estudante de Direito e militante comunista; tiveram dois filhos, António e Maria Antónia Fiadeiro. Em maio de 1938, com o marido e outros militantes do PCP, ajudou a organizar a fuga do dirigente comunista Francisco de Paula Oliveira, o «Pavel», da enfermaria da cadeia do Aljube, onde estava internado, gravemente doente; depois, o casal escondeu-o em casa.\n\nFoi uma das primeiras associadas da Associação Feminina Portuguesa para a Paz e, durante a Segunda Guerra Mundial, ajudou refugiados judeus, sobretudo da Alemanha, a chegar a Lisboa. Entrou depois no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, dirigido por Maria Lamas, e começou a apoiar as famílias dos presos políticos.\n\nA PIDE prendeu-a a 15 de fevereiro de 1962. Esteve quase dois meses em Caxias, onde foi torturada, numa cela com Alda Nogueira, Sofia Ferreira e Cândida Ventura. Exilou-se depois na Argélia com o segundo marido, Fernando Piteira Santos, com quem casara em 1948. Em Argel foi a primeira mulher locutora da Rádio Voz da Liberdade, criada em 1963, e lá trabalhou até 1974. Era a sua voz que abria as emissões: «Amigos, companheiros e camaradas, daqui fala a Rádio Voz da Liberdade, em nome da Frente Patriótica de Libertação Nacional».\n\nRegressou a Portugal a 2 de maio de 1974. Morreu em Lisboa em 2009.","lugares":[{"lugar":"afpp-sede","papel":"Uma das primeiras associadas da AFPP (1935)"},{"lugar":"aljube","papel":"Ajudou a organizar a fuga de «Pavel» da enfermaria da cadeia (maio de 1938)"},{"lugar":"cnmp-amoreiras","papel":"Sócia do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, depois de 1946"},{"lugar":"caxias","papel":"Presa em Caxias (15 de fevereiro de 1962)"}],"wikidata":"Q105230072","fontes":[{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Stella Piteira Santos","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Stella_Piteira_Santos"}],"por_confirmar":["Vêm só da Wikipédia: a ajuda na fuga de «Pavel» do Aljube (maio de 1938), a data da prisão (15 de fevereiro de 1962), a passagem por Caxias, o pormenor de ter sido a primeira mulher locutora da Rádio Voz da Liberdade e o dia do regresso a Portugal (2 de maio de 1974). A CIG diz apenas que foi presa e torturada «em Lisboa» e que era a voz da rádio.","Em que sede do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas militou: a dos Restauradores ou a das Amoreiras, para onde o Conselho se mudou em 1946. A Wikipédia situa a sua entrada depois de julho de 1946; a CIG não dá data."]},{"id":"virginia-moura","nome":"Virgínia Moura","nome_completo":"Virgínia Faria de Moura","nascimento":{"data":"1915"},"morte":{"data":"1998"},"mulher":true,"papeis":["engenheira civil","militante comunista","membro do Comité Central do PCP na clandestinidade","presa política"],"resumo":"Primeira mulher reconhecida como engenheira civil em Portugal e militante comunista, foi presa dezasseis vezes pela PIDE. Em 1949 esteve em Caxias, na mesma cela que Maria Lamas.","texto":"Foi a primeira mulher reconhecida como engenheira civil em Portugal. Aos 18 anos aderiu ao Partido Comunista Português e, no mesmo ano, à secção portuguesa do Socorro Vermelho Internacional, que apoiava os presos políticos de Portugal e de Espanha. A oposição ao regime nunca lhe deixou ter um emprego público.\n\nNo fim de 1945 entrou para a Comissão Distrital do Porto do Movimento de Unidade Democrática, e na clandestinidade foi membro do Comité Central do PCP. Nos anos 1940 e 1950, com o pseudónimo Maria Selma, colaborou em jornais e revistas e organizou conferências. Militou na Associação Feminina Portuguesa para a Paz, ao lado de Isabel Aboim Inglez, Manuela Porto e Elina Guimarães. Esteve no comício de apoio à candidatura de Norton de Matos e apoiou a de Humberto Delgado, a crise académica de 1962 e os congressos da oposição democrática de Aveiro, em 1969 e 1973.\n\nFoi presa dezasseis vezes pela PIDE, processada nove e condenada três, e várias vezes agredida pela polícia em público. Em 1949 esteve presa em Caxias, na mesma cela que Maria Lamas. Em 1951 foi julgada por «traição à Pátria», por ter assinado uma declaração que exigia a Salazar negociações com o governo da Índia sobre Goa, Damão e Diu.\n\nDepois do 25 de Abril foi feita grande-oficial da Ordem da Liberdade e recebeu a Medalha de Honra da Câmara Municipal do Porto. Publicou «Mulher de Abril: álbum de memórias». Morreu em 1998.","lugares":[{"lugar":"caxias","papel":"Presa em Caxias com Maria Lamas e outras (1949)"},{"lugar":"afpp-sede","papel":"Membro da AFPP ( de Maria Isabel Aboim Inglês)"}],"wikidata":"Q16930368","fontes":[{"titulo":"Mulheres pela Igualdade (biografias)","editora":"CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género","url":"https://www.cig.gov.pt/iniciativas-nacionais/mulheres-pela-igualdade/"},{"titulo":"Maria Lamas","editora":"MDM – Movimento Democrático de Mulheres","url":"https://mdm.org.pt/maria-lamas/"},{"titulo":"Maria Isabel Aboim Inglês","editora":"Wikipédia (português)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Isabel_Aboim_Ingl%C3%AAs"}],"por_confirmar":["Os dias e os lugares do nascimento e da morte: a CIG dá só os anos, 1915 e 1998."]},{"id":"virginia-quaresma","nome":"Virgínia Quaresma","nome_completo":"Virgínia Sofia da Guerra Quaresma","nascimento":{"data":"1882-12-28","local":"Elvas"},"morte":{"data":"1973-10-26","local":"Lisboa"},"mulher":true,"papeis":["primeira jornalista de reportagem em Portugal","feminista e republicana","redatora principal de «Alma Feminina» (1907–1908)","diretora da delegação de Lisboa da Agência Americana de Notícias"],"resumo":"Considerada a primeira jornalista profissional portuguesa, trabalhou em «O Século» e «A Capital», fez campanha pelo divórcio e pelo voto e abriu caminho a outras jornalistas, como Maria Lamas.","texto":"Nasceu em Elvas a 28 de dezembro de 1882 e foi uma das primeiras licenciadas do Curso Superior de Letras, em 1903. Começou no «Jornal da Noite» e na secção «Jornal da Mulher» de «O Mundo», onde assinou textos em defesa do feminismo. Em 1907–1908 foi redatora principal da revista «Alma Feminina», que pela primeira vez em Portugal pôs em destaque uma operária.\n\nEm 1908 Manuel Guimarães levou-a para «O Século», onde chegou a chefe de Informações Gerais e Reportagens Especiais e fez da reportagem um género nobre. Em 1910 passou para «A Capital», que Manuel Guimarães acabava de fundar no n.º 3 da Rua do Norte, e arrendou casa mesmo em frente ao jornal. Feminista e republicana, entrou na campanha de 1909 pela lei do divórcio e discursou na assembleia geral da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas de 26 de outubro de 1910, que aprovou as reivindicações feministas a apresentar a Afonso Costa. Escreveu pelo direito de voto das mulheres e pelo seu acesso às mesmas profissões que os homens.\n\nEntre 1912 e 1917 trabalhou no Brasil. De volta a Lisboa, chefiou a delegação da Agência Americana de Notícias, na Rua António Maria Cardoso, e pô-la ao serviço da Cruzada das Mulheres Portuguesas, no auxílio aos estropiados, órfãos e viúvas da Grande Guerra. Nos anos 1920 levou para a agência Maria Lamas, que se tornou assim uma das primeiras jornalistas profissionais do país. Morreu em Lisboa a 26 de outubro de 1973, aos 90 anos.","lugares":[{"lugar":"redacao-a-capital","papel":"Trabalhou em «A Capital» e morou em frente à redação (1910)"},{"lugar":"o-seculo","papel":"Jornalista de «O Século» a partir de 1908."},{"lugar":"liga-republicana-mulheres","papel":"Discursou na assembleia geral da Liga (26 de outubro de 1910)"},{"lugar":"ruas-pioneiras-caselas","papel":"Dá nome à Rua Virgínia Quaresma (edital de 1988) (20 de abril de 1988)"}],"wikidata":"Q30611300","fontes":[{"titulo":"A primeira jornalista de reportagem portuguesa numa rua de Caselas","editora":"Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa)","url":"https://toponimialisboa.wordpress.com/2012/11/29/a-primeira-jornalista-portuguesa-numa-rua-de-caselas/"},{"titulo":"Virgínia Quaresma","editora":"Wikipédia (pt)","url":"https://pt.wikipedia.org/wiki/Virg%C3%ADnia_Quaresma"},{"titulo":"Maria Lamas: uma Mulher do seu País (6/12/2023)","editora":"A Voz do Operário","url":"https://vozoperario.pt/jornal/2023/12/06/maria-lamas-uma-mulher-do-seu-pais/"}],"por_confirmar":["Quando passou a dirigir a delegação de Lisboa da Agência Americana de Notícias: a Toponímia de Lisboa liga-a ao apoio à Cruzada das Mulheres Portuguesas durante a Grande Guerra; a Wikipédia diz que só começou a trabalhar na agência em 1922.","Em que número da Rua do Norte viveu, e até quando: a Toponímia de Lisboa diz só que arrendou casa em frente ao jornal."]}]}